segunda-feira, 22 de julho de 2013

Um merecido voto de confiança


Os investidores respiram mais aliviados. Não é por acaso que a bolsa de valores valorizou-se nos últimos dias. O bom desempenho do mercado de ações brasileiro reflete um importante processo de retomada de confiança por parte da autoridade monetária.

Tudo começou no dia 10 de julho quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 8,50% ao ano mesmo com os indicadores de crescimento mostrando fraqueza da economia brasileira. Naquele dia o mercado entendeu que o Banco Central está mais preocupado com a inflação e não com o crescimento (uma postura bem diferente daquela de 2011/2012).

A divulgação da ata no dia 18 de julho confirmou a postura mais firme da autoridade monetária quanto ao comprometimento da política de metas de inflação. O documento mostrou que a taxa básica de juros será elevada novamente, e no mesmo ritmo, na próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 27 e 28 de agosto.

A ata do Copom seguiu a mesma linha do Relatório de Inflação divulgado anteriormente no dia 27 de junho. Os principais documentos de comunicação da autoridade monetária com o mercado estavam transmitindo, também, uma mensagem implícita: “eu quero de volta o seu voto de confiança”. Só faltava aparecer um importante diretor do Comitê para reforçar esta mensagem nas entrelinhas.

E nada melhor do que o próprio presidente do Banco Central para fazer isso. Em entrevista concedida ao Estadão, no último domingo, Alexandre Tombini disse que está em campanha para recuperar a confiança das pessoas na economia. Na visão do Banco Central, é necessário retomar parte desta confiança perdida para destravar os investimentos, e assim, impulsionar o processo de recuperação da economia.

Mostrar ao mercado que a inflação está sendo conduzida ao centro da meta consiste na principal estratégia do Banco Central para retomada da confiança. Tombini voltou a insistir que vai entregar este ano uma inflação mais baixa do que a verificada no ano passado (5,84%), mas que o foco do Banco Central está no médio prazo.

Mesmo porque os ajustes na taxa básica de juros costumam refletir na economia após nove meses, em medida, da data de implementação. Mas ao subir os juros de forma mais agressiva (ou prolongada) do que se esperava, o Banco Central estará mostrando ao mercado o seu comprometimento com a política de metas de inflação e assim, evitará que os agentes econômicos subam os preços baseados, unicamente, pela inflação elevada do passado. Esta estratégia é compatível com a desaceleração da inflação de curto prazo. Por este motivo o presidente do Banco Central está tão confiante de que vai entregar uma inflação mais baixa em 2013, pois o ciclo de alta dos juros vai anular o risco de indexação dos agentes econômicos.

O ressurgimento do Banco Central, como uma instituição independente, comprometida em garantir a estabilidade e o poder de compra da moeda, tornou-se um importante canal para retomada da confiança no mercado. Esta tese é confirmada quando comparamos o desempenho do índice Bovespa em relação aos principais índices mundiais.


Conforme podemos observar no gráfico acima (spread entre Ibovespa x Dos Jones), nos últimos dias, a valorização das ações composta pela carteira teórica do Ibovespa é superior à valorização das ações que fazem a composição da carteira teórica do índice Dow Jones. O mesmo pode ser observado quando comparamos o desempenho do índice Bovespa com o S&P500.


O gráfico acima também mostra que, nos últimos dias, as ações que fazem a composição da carteira teórica do índice Bovespa apresentaram desempenho superior à média dos mercados emergentes (spread entre Ibovespa x MSCI).

Com uma alta de 2,48% no pregão desta segunda-feira a bolsa brasileira conseguiu estender a tendência de alta de curtíssimo prazo para o curto prazo. A superação da resistência nos 48.1k liberou espaço para o índice manter a tendência de alta rumo ao patamar psicológico dos 50k.
   

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado, colado abaixo da máxima histórica. O candle é um doji que indica indecisão e tem potencial para atrair abertura de operações vendedoras caso a força compradora não apareça nos próximos pregões.


12 comentários:

  1. Isso é boa notícia. O Tombini estava se mostrando o mais fraco e submisso dos presidentes de BC do Brasil dos últimos tempos e estava levando o país junto com o Manteiga pra merda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, é um novo Banco Central, bem diferente daquele de 2011/2012. Como a estratégia intervencionista da Dilma não funcionou (como já se esperava) o Banco Central recebeu o aval para voltar a ser uma instituição independente e fazer o que precisa ser feito para, primeiro, limpar parte da sujeira e, segundo, restabelecer a estabilidade e o poder de compra da moeda.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  2. FI,

    Só com a visita do Papa para o BC recuperar a credibilidade.

    Abs,

    Miguel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. rsrs.. o BC recebeu um voto de confiança do mercado. Se cumprirem com o que estão dizendo (e os diretores estão mostrando na prática que estão fazendo isso), o BC conseguirá recuperar sua credibilidade.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  3. Bem,
    Acho que ainda é cedo para falar em retomada do otimismo. O governo não cumpre o que promete e sempre dá um jeito de manipular os dados para conseguir o que quer. Transparência passa longe do governo Dilma. Acredito que essa mudança de comportamento do Tombini é temporária e está mais ligada a uma acomodação na queda dos números para a campanha do próximo ano! Além disso, ela é só superficial e na primeira necessidade politica vão dá um "foda-se" para as metas de superavit. Acho que o mercado está realmente interpretando que o dragão da inflação será controlado, principalmente, pq o prejuízo politico foi muito grande para Dilma e o PT!
    Julio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Julio,

      Concordo. Mas não podemos confundir a política econômica (muito longe de fazer justiça à merecer um voto de confiança do mercado) com a política monetária. A atitude do Banco Central é louvável. Está mantendo a postura firme num momento complicado para subida dos juros. Inclusive o Tombini não está mais evitando desmentir as bobagens que o Mantega costuma falar. Durante a entrevista ele disse que o câmbio causa impacto significativo na inflação (desvalorização de 20% do real corresponde a 1 ponto percentual no IPCA), bem diferente do que disse o Mantega na semana passada (o ministro da Fazenda havia afirmado que o câmbio não estava causando impacto na inflação). Esses pequenos detalhes mostram que o BC está recuperando sua autonomia. Com relação aos demais elementos (principalmente política econômica e fiscal), nada mudou. O prejuízo para todos nós é incalculável. Perdemos uma das melhores oportunidades da última década e isso não vai acontecer tão cedo novamente.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
    2. Interessante essa informação que desvalorização de 20% do real corresponde a 1 ponto percentual no IPCA. Será que existe alguma pesquisa oficial para uma leitura mais aprofundada?

      Excluir
    3. Sim. O estudo foi realizado pelo próprio Banco Central. Está na última ata do Copom. Desvalorização de 20% do real frente ao dólar provoca aumento extra de 1 p.p. no IPCA, o que segundo as palavras do Tombini corresponde a um "caminhão de inflação". Por isso o BC está fazendo o possível para segurar a desvalorização do real.

      Esta projeção do BC está maior até do que a estimativa que eu tinha em mãos (desvalorização de 10% do real frente ao dólar provoca aumento extra em 0,4 p.p. no IPCA). Vou seguir a do BC que é mais recente e confiável.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  4. Subindo com volume medíocre. Acredito que vai voltar para testar o último fundo em breve.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Provavelmente sim e poderá até mesmo perder. A tendência de baixa de médio e longo prazo não foi alterada. Mas a tendência de curtíssimo e curto prazo são de alta. Para o especulador, não há coisa melhor. Já subimos mais de 4.000 pontos desde o último fundo. É um bom repique. Conforme expliquei nos comentários do último post, o volume está baixo porque a bolsa estava vendida desde o início do ano. Normalmente as inversões de tendências, após uma longa pernada, ocorrem com baixo volume, pois é comum observar operadores com receio (medo) de operar na outra ponta indicada pelo mercado, mesmo quando são operações de curtíssimo prazo.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  5. Também não estou confortável com essa alta vindo com baixo volume. Vamos ver se vai se sustentar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dificilmente vai se sustentar por muito tempo ao ponto de alterar a tendência de baixa de médio e longo prazo. Mas a questão principal, para o especulador, é que o mercado está operando comprado desde o dia 05/07. É um repique que ganhou força no rompimento dos 48.1k.

      Abcs, bons negócios

      Excluir