quarta-feira, 17 de julho de 2013

Wall Street quer mais de Bernanke


O presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, afirmou nesta quarta-feira que a autoridade monetária espera iniciar a redução de seu programa de estímulos monetários ainda neste ano, mas deixou em aberto a opção de mudar esse plano para qualquer direção se o cenário econômico mudar (leia-se piorar).

O cronograma apresentado no início do mês passado está mantido. Ou seja, caso as projeções do FED sejam confirmadas, o programa de compras de títulos será totalmente encerrado até meados de 2014, enquanto a taxa básica de juros deverá subir em meados 2015.

Mesmo mantendo o cronograma, Bernanke fez questão de destacar que nada disso é predeterminado. O ritmo de compras de ativos pode ser reduzido de forma mais acelerada se as condições econômicas melhorarem acima do esperado. Por outro lado, o ritmo atual pode ser prolongado por mais alguns meses se a perspectiva do mercado de trabalho piorar, ou caso a inflação não esteja subindo de volta ao centro meta de 2%.

O presidente do FED disse ainda que os riscos à economia vêm diminuindo. Os Estados Unidos segue mantendo ritmo moderado de recuperação, impulsionado, principalmente, pelo reaquecimento do mercado imobiliário, um dos setores que mais contribuíram para redução da taxa de desemprego.

Apesar de não apresentar nenhuma novidade, Bernanke adotou um discurso pró-mercado ao enfatizar que a redução dos programas de estímulo monetário está vinculado à melhora nas condições do mercado de trabalho e retomada da inflação (atualmente abaixo da meta). Mas Wall Street queria ouvir mais de Bernanke (uma confirmação de que os programas serão estendidos, por exemplo) e o mercado andou de lado nesta quarta-feira.

A força compradora não apareceu na bolsa de Nova York. O índice Dow Jones continua colado na máxima histórica, pelo quarto pregão consecutivo, sem esboçar reação para um rompimento ascendente. O maior impacto ocorreu no mercado da dívida soberana, os yields dos treasuries de 10 anos recuaram 1,80%.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão com uma boa alta de 1,15%, descolado do mercado externo, mantendo a tendência de alta de curtíssimo prazo. Movimento puramente técnico devido à ausência de linhas de resistências até a região dos 48.1k. A sinalização de possível reversão (baixa confiabilidade em decorrência do volume) emitida no pregão anterior foi invalidada.
  

No cenário interno a presidente Dilma tentou defender a desastrosa política econômica brasileira ao dizer que o País vai fechar o ano com a inflação dentro da meta. Evidentemente a informação da presidente é incorreta e maliciosa. A meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A margem de tolerância não constitui meta a ser perseguida pelo Banco Central, mas sim, como o próprio nome diz, um limite de tolerância para que a autoridade monetária possa acomodar parcialmente alguns choques econômicos de curto prazo. Dilma também defendeu a política fiscal do governo federal, aquela mesma que realiza malabarismos contábeis para atingir a meta de superávit primário.

Este, definitivamente, não é o discurso que os investidores e empresários querem ouvir da presidente. Qualquer semelhança com uma "lavagem cerebral" não é mera coincidência.

4 comentários:

  1. FI,

    Ao que tudo indica, o Bacen não deve subir a taxa de juros para fazer a inflação chegar ao centro da meta (4,5%).

    Acredito que o ciclo de alta neste ano deva ser interrompido daqui a não muito tempo, possivelmente abaixo das expectativas.

    Esse ano seria mais do mesmo, com intervenção da Dilma no banco central, para não sacrificar muito o próximo ano eleitoral e deixar todo o trabalho para o centro da meta em 2015.

    Acredito também que o governo deve aproveitar essa onda do IPCA que está apresentando resultados menores.

    Amanhã sai a Ata do copom, vamos ver se aparece algo.

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Sim, faz sentido (do ponto de vista político). Acho que a ata do Copom vai indicar continuação do ciclo de aperto monetário, mantendo-se no mesmo ritmo. Estou esperando algum diretor do Banco Central aparecer para observar esta possível mudança de postura (que não deve estar constando na ata, acredito eu). Ainda tem a questão da tentativa frustrada do governo em administrar índices de preço. Provavelmente no início de 2014, com o País no ritmo da copa, teremos uma série de aumentos que não ocorreram neste ano por conta da inflação elevada, intervenções, desonerações e manifestações. A inflação de longo prazo é a que mais preocupa no momento. Se o Banco Central abandonar a política de aperto monetário da forma prematura teremos mais pressão inflacionária no futuro, onde o aperto deverá ser ainda mais rigoroso para corrigir o erro do passado. O cenário é muito preocupante, o BC errou em 2012 e pode errar de novo. Além disso, são poucos os fatores que provocam inflação nesta época do ano (normalmente costuma ocorrer deflação nos preços) e, mesmo com um crescimento vergonhoso, o País consegue manter a inflação pressionada. Isso não é nada bom. A inflação acumulada de 2013 até o mês de junho está em 3,15%, sendo que o PIB no primeiro semestre não deve chegar aos 1,5%. Ou seja, para cada 0,1 p.p. de crescimento geramos 0,2 p.p. de inflação.

      Abcs, bons negócios

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    2. FI,

      Li agora a Ata. Fiquei com a impressão que isso aí foi coisa de maluco ou desorientado. Em um momento parece que foi a propria dilma que escreveu,em outros parece que tão combatendo a inflação que nem cachorro louco. É cada uma.

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    3. Confirmou aquela expectativa do BC manter a mesma postura da reunião anterior. A única novidade que eu pude observar foi a maior preocupação com o câmbio. No resto, está em linha com o último Relatório de Inflação, comunicado do Copom e discursos dos diretores.

      Se houver alguma mudança (agora estou achando improvável mudarem qualquer coisa antes do mês de abril), esta indicação ocorrerá pelos discursos dos diretores nas próximas semanas.

      Abcs,

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