sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Contra-ataque dos Bancos Centrais


Diversas economias emergentes, em especial o Brasil, experimentaram nas últimas semanas uma significativa desvalorização de suas respectivas moedas. A expectativa de redução parcial no volume do programa de estímulo monetário do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) tem provocado uma verdadeira correria entre os principais fundos e players globais para realocação de portfólio, causando impactos expressivos no câmbio destes respectivos países.

Mas as desvalorizações das moedas, em algumas praças emergentes, acabaram acontecendo de forma exagerada para o curto prazo, influenciada pela conjuntura doméstica desfavorável. Os especuladores, aproveitando a boa janela oportunidade para comprar dólares, contribuíram para formar este excesso observado nas taxas de câmbio.

O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, bem que avisou na segunda-feira desta semana. “A concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda". A autoridade monetária estava expressando o seu desconforto com a atual taxa de câmbio e resolveu alertar os especuladores antes de agir com maior agressividade no mercado.

Três dias após o comunicado, o Banco Central do Brasil anunciou que realizará leilões de swap cambial tradicional (venda de dólares no mercado futuro) de segunda a quinta-feira, com oferta de 500 milhões de dólares por dia. Além disso, às sextas-feiras, será oferecido ao mercado leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de até 1 bilhão de dólares. O programa se estenderá até 31 de dezembro deste ano e poderá totalizar 60 bilhões dólares.

Isso significa que a autoridade monetária estará utilizando, a partir de agora, artilharia pesada para derrubar o dólar que subiu demais no curto prazo. Somente nesta sexta-feira, primeiro dia do programa, o dólar despencou mais de 3% frente ao real, voltando ao patamar de R$ 2,35. A atuação do Banco Central acabou induzindo alguns especuladores a desmontarem suas respectivas posições compradas em dólar.

Este novo comportamento do Banco Central no mercado de câmbio contribuirá, também, para a queda das taxas de juros futuros. Os Yields, próximos das máximas do ano, recuaram significativamente nesta sexta-feira. O sucesso das operações da autoridade monetária no mercado de câmbio aliviará, em partes, as pressões inflacionárias de curto prazo, reduzindo, desta forma, o repasse para a alta da taxa Selic (visando anular o efeito do câmbio sobre a inflação).

Medidas semelhantes estão sendo adotadas em outros países de economias emergentes. Ontem, o Banco Central da Turquia leiloou 350 milhões de dólares (recurso oriundo das reservas cambiais), cumprindo sua promessa de manter vendas diárias de dólares para apoiar a moeda local. A Indonésia também está preparando um pacote semelhante para frear o movimento de desvalorização de sua moeda e fortalecer a economia. A Índia, que também apresenta problemas de inflação elevada, caminha na mesma direção para adoção de novas intervenções cambiais.

Um estudo realizado pela Nomura aponta que os países emergentes já gastaram, somente neste ano, cerca de 153 bilhões de dólares de suas reservas para suavizar, dentro do possível, a desvalorização de suas moedas. Este é o nível mais elevado desde 2008, quando a crise do subprime estourou no mercado financeiro.

Desta vez, pode-se observar que os Bancos Centrais estão mais focados em defender suas moedas da volatilidade cambial do que simplesmente traçar/definir uma banda de oscilação, haja vista que a tendência de valorização do dólar permanecerá no médio e longo prazo.

O contra-ataque dos Bancos Centrais poderá estimular o retorno do fluxo de capital especulativo em algumas praças emergentes. Moedas desvalorizadas e ativos penalizados pela realocação de portfólio dos meses anteriores apresentam, agora, boas oportunidades de negócio para o curto prazo.

No Brasil, em especial, este movimento ocorre com mais força por conta do desconto da bolsa brasileira em relação às demais praças emergentes mundiais. O índice Bovespa já subiu quase 20% em pouco mais de um mês.


A tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 44.1k permanece inalterada e sem sinal de topo/reversão. A próxima linha de resistência está posicionada na região dos 52.5k, onde as condições de rompimento para as próximas semanas são boas, por mais que ocorram novas realizações de curtíssimo prazo.

Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em leve baixa, porém mostrando um candle de reversão (martelo) colado na principal linha de suporte de curto e médio prazo (18.5k). Mercado com bom potencial de retomada da tendência de alta.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de indecisão. Sinalização positiva à tendência de alta de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de baixa permanece inalterada.


A bolsa do México fechou a semana baixa, mantendo a correção de curtíssimo prazo. Índice poderá retornar ao suporte na região dos 255 pontos, linha crucial para manutenção da tendência de alta de curto prazo.
  
  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pela terceira semana consecutiva, mantendo a correção de curtíssimo prazo. Houve uma formação de reversão no gráfico diário na região aleatória dos 14.9k. Tendência de alta para o médio e longo prazo segue inalterada.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em leve alta, mantendo-se colado abaixo da máxima histórica. Mercado permanece dentro de uma zona de congestão de curtíssimo prazo. No médio e longo prazo a tendência é de alta.


Na Inglaterra o índice FTSE fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de reversão acima da linha central de bollinger. Mercado poderá voltar a subir nas próximas semanas, com objetivo de testar novamente o topo histórico.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso a todos e até segunda!

15 comentários:

  1. Ola,

    Gosto muito do seu trabalho, sempre estou por aqui lendo seus textos mas nunca comentei.
    Alem de te parabenizar gostaria de saber o pq do anonimato.
    Digo isso pq curiosamente seu livro eh o unico que conheço sem autor! Procurei informaçoes no seu blog, vi que vc eh qualificado, presta assessoria mas nao se identifica. Vc nao acha que perde um pouco de credibilidade em nao se identificar?
    Alem do que com a qualidade do seu trabalho, vc poderia "fazer seu nome" rapidamente.
    De qualquer forma, seu blog eh muito bom.
    Parabens,

    Ricardo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Ricardo!

      Na verdade não faço questão do anonimato. Meu nome está no livro, algumas pessoas que visitam o blog, ou do próprio mercado, me conhecem e tudo mais. É porque aqui no blog o nome Finanças Inteligentes acabou pegando e ficou, por assim dizer, como se fosse um "apelido".

      Abcs, bom final de semana!

      Excluir
  2. FI,

    Parece que o Bacen acertou desta vez. Capaz de nos últimos meses do ano a situação dê uma acalmada. Esses leilões de swap podem ser também um indicativo de que os juros não devem subir muito além do que já subiram neste ano.

    Abs,

    Miguel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miguel,

      Sim, esta artilharia pesada no câmbio acabará se tornando numa ferramenta complementar de política monetária. Só acho que o Banco Central demorou um pouco para anunciar o programa. Mas, talvez, a estratégia era essa mesmo. Deixar o elástico esticar no câmbio (curto prazo) para inibir o ímpeto da especulação. Fortes revertidas de posições tendem a causar este efeito.

      Abcs, bom final de semana!

      Excluir
  3. Realmente este blog é parada obrigatório todo dia.
    parabéns!

    Depois me visita: http://blogdouo.blogspot.com.br/
    Uó!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Uorrem Bife!

      Pode deixar, depois vou dar uma passada lá no seu blog

      Abcs, boa semana!

      Excluir
  4. Desculpa a linguagem FI mas não resisti: PQP é o melhor blog do Brasil.

    Z

    ResponderExcluir
  5. esse leilões conseguem segurar o impeto do dólar? o maior mercado do mundo em circulação de dinheiro. Tenho minhas dúvidas.
    IvanC.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também tenho Ivan,

      - BC anuncia programa de US$ 100 bilhões para conter dólar.
      - Desse montante, já foram liberados US$ 45 bilhões nas intervenções feitas desde que o dólar começou a disparar.

      Acho que até o final do ano com essa quantia o BC não vai dar conta do recado...

      Abraços,
      Fernando

      Excluir
    2. No curto prazo sim. No médio e longo prazo não, já que o dólar deverá continuar se valorizando nos próximos meses/anos. Acontece que, no curto prazo, a valorização do dólar contra o real ficou muito exagerada. Na semana passada o câmbio atingiu R$ 2,45. É um excesso que o Banco Central está corrigindo de maneira correta, pois se continuássemos neste ritmo, o câmbio bateria os R$ 3,00 antes do ano acabar.

      Abcs e boa semana a todos!

      Excluir
  6. BELA ANÁLISE, BOLSAS EMERGENTES SUBINDO E AS CONSERVADORAS CAINDO LEVEMENTE, O DURO E SABER QUE HÁ ALGUNS MESES ATRÁS QUANDO NOSSA BOLSA IA RUMO AO BURACO TINHA GENTE SAINDO DELA PRA INVESTIR NOS EUA, CRIANDO FUNDOS ETC E AGORA COM ESSE CENÁRIO NINGUÉM FAZ NADA, SERÁ QUE ESTAMOS FADADOS AO FIASCO PARA SEMPRE ? OU VAMOS TER QUE ESPERAR O IMPÉRIO DAR O TIRO NO PRÓPRIO PÉ ? E QUANDO ISSO ACONTECER VAI DOER EM GENTE GRANDE AQUI EMBAIXO, TRAIDORES DA NAÇÃO !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado!

      Este fluxo faz parte da dinâmica do próprio mercado. Não fossem os estrangeiros na Bovespa, por exemplo, estaríamos bem abaixo dos 30k. Acho que o timming para o brasileiro investir no exterior já passou. Isso virou moda na indústria dos fundos aqui dentro, seguindo os passos de alguns gestores que acertaram no passado. Acontece que hoje a matriz está mais cara e nós estamos mais descontados, apesar da perspectiva econômica ainda ser ruim, o nosso potencial de ganho é maior. No nosso mercado encontramos boas oportunidades tanto na renda fixa, quanto na renda variável. Basta fazer negócio no momento certo.

      Abcs, boa semana!

      Excluir
  7. É melhor tomar cuidado com tanto otimismo,curto prazo nao acredito,mas mêdio é provavel.

    http://money.msn.com/top-stocks/7-reasons-for-a-september-crash

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade. Possibilidades para o mercado subir ou cair sempre irão existir. Tem analista prevendo um novo crash em Nova York desde 2009, assim que terminou o crash do subprime rs.. Com certeza uma hora vai acontecer, mas enquanto isso as oportunidades vão aparecendo. S&P500 já subiu cerca de 250% desde março/2009 com o FED fazendo questão de empurrar a bolsa pra cima. Posicionar no mercado com o aval do Banco Central não tem nem graça rs.. Por isso não é bom ser otimista ou pessimista com o mercado. O importante mesmo é ser disciplinado o suficiente para operar dentro da estratégia e seguir as orientações do mercado.

      Abcs, boa semana!

      Excluir