terça-feira, 20 de agosto de 2013

Demorou, mas ela chegou


Nove pregões seguidos de alta. Nem parece cenário de mercado em bear market. O índice Bovespa acumulou uma alta de 10% em pouco mais de duas semanas. A bolsa subiu, praticamente sem parar, dos 47.100 aos 52.100.

Durante esta pernada de alta foram emitidos três sinais de venda no gráfico diário que o mercado simplesmente rejeitou, impulsionado pelas compras dos investidores estrangeiros nas últimas semanas. Mas o doji desta última segunda-feira vingou. O mercado, sobrecomprado, se aproximou da importante linha de resistência na região dos 52.5k e sentiu a pressão vendedora.

As vendas dominaram o pregão desta terça-feira. Investidores/especuladores realizaram lucro das operações compradas abertas nas últimas semanas e alguns players aproveitaram a oportunidade para abrirem posições vendidas nos ativos que subiram demais. O mercado cedeu sem nenhuma resistência da força compradora, registrando a sequência mais forte de queda no gráfico horário desde o fundo dos 47.1k.


A região dos 50k poderá ser testada amanhã mesmo.  Esta é a principal zona de suporte de curtíssimo prazo. Isto significa que se esta linha for rompida o movimento de correção ganhará força, com possibilidades de jogar o índice Bovespa para um novo teste sobre a LTA dos 44.1k.

O candle de fechamento do gráfico diário é um marubozu de baixa. Mostra que o mercado está chegando com força e rapidez para testar a referida região de suporte, fato que pode enfraquecer a reação da força compradora nos próximos pregões.


O mercado de ações brasileiro continua descolado de Wall Street. O movimento de correção foi local, impulsionado pelos investidores que embolsaram os lucros das últimas semanas, além, é claro, dos fatores técnicos.

No mercado de renda fixa o Tesouro Nacional voltou a realizar leilões extraordinários de recompra nesta terça-feira. Desta vez a estratégia funcionou e os Yields recuaram um pouco no final do dia, seguindo, também, o movimento dos Treasuries (títulos do tesouro norte-americano).

No mercado de câmbio o dólar também recuou. A moeda norte-americana caiu 0,90%, voltando aos R$ 2,39. O Banco Central aumentou sua intervenção no mercado com o leilão de linha realizado hoje, complementando a estratégia utilizada nos swaps cambiais.

O índice Dow Jones fechou estável nesta terça-feira. Os operadores estão aguardando a ata da última reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), que será divulgada amanhã. Mais uma vez a mídia levantou a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário na próxima reunião do Banco Central, apesar de ainda não haver nenhuma indicação por parte da autoridade monetária de que esta redução começará já no mês de setembro.


9 comentários:

  1. FI,

    Enquanto a inflação não bater 2% lá nos EUA capaz deles não cortarem os estímulos.

    Viu a aposta do Soros no mercado de opções (com fundo de índices) na bolsa americana? Posicionou USD 1 bilhão na queda do índice. Vem chumbo grosso aí.

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      A inflação dos últimos 12 meses está quase batendo os 2%. Mesmo com o pequeno avanço de julho (0,2%), o IPC acabou ficando em 1,96% no acumulado de 12 meses. Está confortavelmente próximo da meta do FED. Com a inflação sob controle, sobra mais espaço para tomada de decisão em cima da taxa de desemprego e taxa de crescimento. Por enquanto o FED tem acertado nas projeções. Está tudo caminhando para que o Banco Central concretize o cronograma feito na reunião de junho. Ou seja, redução dos estímulos no final deste ano.

      Com relação ao Soros, sim. Mas não é uma informação oficial, não partiu do Soros e sim da mídia, então não é 100% confiável. E mesmo se for verdade, não sabemos qual é a estratégia adotada. Então isso fica meio vago, não significa muita coisa. De qualquer forma, se ele apostou mesmo na queda já pode embolsar os lucros rs...

      Abcs, bons negócios

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    2. FI,

      você espera um aumento maior nos yields dos treasuries após a diminuição do QE? Ou já tá precificado. Agradeço.

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    3. Não. O Yield do título de 10 anos já está próximo de 3%. Acho que dificilmente sobe além desses 3% no curto prazo. Numa economia de juro zero, ganhar 3% em Treasuries (no curto prazo) torna-se um ótimo negócio. O Yield já subiu cerca de 50% desde o mês de maio desse ano, justamente por conta desta precificação do mercado.

      Abcs, bons negócios

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  2. Oi FI, td bem?

    Show de bola suas análises. Difícil achar um blog de alguém que manje pra valer de economia e explique tão bem! Parabéns!!!
    Uma dúvida: vc sabe como é definida a taxa de juros dos títulos do tesouro direto? Ela é baseada na taxa futura de juros da bovespa?

    Abraço

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    1. Obrigado Mairlo!

      Que nada. Tento contribuir com o pouco do que aprendi com o mercado. A taxa de juros do Tesouro é definida pela lei da oferta x procura. Quando há muita pressão vendedora, os juros caem. Quando há muita pressão compradora, os juros sobem. Mas normalmente as taxas do Tesouro refletem o movimento dos juros futuros na BM&F. Os fundamentos que estão por trás da oscilação dos juros no mercado futuro ou no Tesouro são praticamente os mesmos.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Correção:

      Quando há muita pressão vendedora, os preços dos títulos caem (e consequentemente os juros sobem). Quando há muita pressão compradora, os preços dos títulos sobem (e consequentemente os juros caem).

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  3. FI, não é o contrário?
    Se há pressão vendedora de títulos, o resultado seria o juros subirem desvalorizando os títulos.

    Abraço

    Soulsurfer

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    1. Exatamente. Troquei as bolas rs...

      Obrigado pela correção Soulsrfer!

      Abcs, bons negócios

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