quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mais um banho de realidade do FED


A mídia errou mais uma vez. Todo aquele sensacionalismo criado nas últimas semanas ficou em vão. As informações distorcidas do passado desapareceram dos noticiários como num passe de mágica. A ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), divulgada hoje, colocou todo mundo no seu devido lugar.

Quem decide o futuro da política monetária são os votos da maioria dos membros do Comitê e não a vontade dos repórteres, redatores ou dos diretores regionais do FED que não possuem sequer poder de voto dentro do Banco Central.

Em primeiro lugar, o documento não indicou nenhuma possibilidade de redução gradual no volume do programa de estímulo monetário já no próximo mês. Quase todos os diretores com poder de voto concordaram que o momento ainda não é apropriado para esta mudança no programa. O FED está mantendo a mesma postura indicada na reunião do mês de junho. Esta redução está condicionada à melhora da economia norte-americana, a ser refletida pelos indicadores de taxa de desemprego, taxa de crescimento e taxa de inflação.

Nesta última reunião, os integrantes do Comitê mostraram que o programa pode ser reduzido quando a taxa de desemprego se aproximar dos 7% (atualmente em 7,4%) e a taxa de inflação superar os 2% (atualmente em 1,96%). Ainda assim, alguns membros se mostraram cautelosos com os indicadores econômicos recentes, principalmente com relação à taxa de desemprego, já que existe um número (considerado alto, por alguns diretores) de norte-americanos que desistiram de procurar emprego e, consequentemente, não entraram nas estatísticas.

Alguns integrantes do Comitê também estão mais pessimistas com relação ao crescimento econômico de curto prazo. De maneira geral, o Banco Central avalia que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos poderá avançar de forma modesta no final de 2013 e ganhar força em 2014.

A grande novidade desta ata ficou por conta de uma nova ferramenta a ser implementada pelo FED, basicamente para drenar os recursos do sistema financeiro e derrubar as taxas de juros de curto prazo. O Banco Central vai implementar um  programa de recompra reserva overnight. Com este programa o FED venderá títulos do Tesouro norte-americano ao mercado financeiro (bancos, fundos de investimentos e corretoras), recomprando-os no dia seguinte.

Este programa tem objetivo de retirar, temporariamente, dinheiro do sistema financeiro, enquanto os bancos, fundos ou corretoras, que aderirem ao programa, recebem juros pré-fixados sobre a transação.

No mercado de capitais o dia foi marcado pelo aumento da volatilidade nos pregões. Por um lado o Banco Central dos Estados Unidos não indicou sinais de que vai reduzir o volume do programa de estímulo monetário no mês de setembro. Esta foi a primeira notícia que chegou aos mercados, responsável por provocar uma rápida recuperação dos índices que operavam em baixa nos momentos que antecederam a divulgação da ata. Por outro lado o Banco Central anunciou um novo programa que irá contribuir com o processo de desalavancagem do sistema financeiro (as recompras reservas overnight). Esta informação foi digerida pelo mercado no final do pregão, responsável por provocar uma nova queda repentina nos índices.

O índice Dow Jones fechou em baixa pelo sexto pregão consecutivo, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo. Apesar de estar sobrevindo, ainda não há sinalização de fundo ou reversão. A próxima linha de suporte relevante está posicionada na região dos 14.5k.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,20%, apresentando as mesmas características de volatilidade observadas em Wall Street. A bolsa chegou a cair 0,90%, testando a linha de suporte na região dos 50k. Poucos minutos depois o mercado já havia subido 2,4%, atingindo os 51.2k. Na reta final o índice Bovespa voltou a ceder, fechando o pregão levemente acima da linha de suporte dos 50k.
  

O candle do gráfico diário é uma estrela e sinaliza indecisão do mercado. O equilíbrio de forças na linha de suporte dos 50k mostra que esta região atuará como divisor de águas para a tendência de curtíssimo prazo. Caso a linha seja mantida, o mercado tende a subir novamente. Caso a linha seja rompida, a tendência de baixa de curtíssimo prazo ganhará força, podendo jogar o índice de volta para LTA dos 44.1k.

No mercado de câmbio o dólar voltou a subir forte frente ao real nesta quarta-feira, descolando-se do movimento observado entre as demais moedas globais. O dólar fechou aos R$ 2,45, impulsionado por um forte movimento especulativo.

Os operadores estão testando o Banco Central. No início desta semana o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, avisou que “a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda”. Até o momento, nenhuma atitude mais enérgica do Banco Central, ou do governo federal, foi adotada para frear o forte movimento de desvalorização do real.

11 comentários:

  1. FI, voce teria tempo para explicar (tecnicamente talvez) uma queda tão grande da COPASA (CSMG3)? Vi que voce fez algumas análises no passado, mas não sei sua disponibilidade atual. A empresa tem bons fundamentos, bons resultados, mas tem caído muito e está com indicadores muito bons para compra. Se algum dos leitores do blog quiser se expressar também sobre a empresa...Obrigado.

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    1. É um exelente titulo.
      Mas Primeiro, há preocupações de que o crescimento econômico do Brasil está desacelerar,e os short selling estao a cair em cima uma vez que esta abaixo de todas as media movel.
      O que eu estou aqui salientar é que estes não são nada mais do que preocupações neste momento eo fato da questão é que a CSMG3 e como por ex. a SABESP está entregar crescimento consistente,nos seus resultados do segundo trimestre divulgados na semana passada,que entregou 13% o crescimento da receita operacional líquida e um aumento de 24% no lucro líquido
      A SABESP que é um ADR a qual eu tenho seguido tambem me deixa intrigado e ate acho mais interessante tanto nas margens que sao mais altas assim como a divida parece-me melhor,embora a CSMG3 tem um RSI 25 e a SABESP 41...
      Mas eu tambem nao posso ajudar mto quanto a explicar estas quedas e o seu futuro.

      Boa Sorte

      batistuta

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    2. Concordo com o batistuta, é um papel bom pra ficar de olho. Outras empresas do setor estão na mesma situação, apresentando um certo nível de desconto. Mas no momento o cenário não é bom, possibilidade de baixo retorno sobre o investimento. Pelo gráfico o papel está totalmente vendido, sem a menor indicação de fundo ou reversão de tendência. Pelo contrário, pode-se observar o nascimento de uma perna de baixa (iniciada no mês de marco deste ano) muito agressiva, o que normalmente costuma ser uma característica de que a tendência de baixa será estendida para prazos maiores. Ou seja, não parece ser uma simples queda de curto prazo.

      Abcs, bons negócios a todos

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  2. Será que esta circunstância de dólar alto e bolsa em baixa não irá estimular compras pelos investidores estrangeiros e termos uma boa tendência de alta até que volte a um ponto de equilíbrio? No mercado futuro eles reduziram bem os contratos de venda do índice e agora estão comprados. Obrigado.

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    1. Pensei a mesma coisa, gostaria de saber a opinião do FI, afinal faz sentido esse pensamento pois a bolsa brasileira se tornou muito barata aos estrangeiros e as empresas continuam com fortes fundamentos, mas graficamente não sei dizer.

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    2. O que está segurando o IBOV, na minha opinião, é a velocidade de subida do USD. Analisem o IBOV em dólar e poderão observar uma tendência de baixa intacta.

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    3. Na verdade este impulso já aconteceu. Entre o fundo nos 44.1k e a máxima registrada nesta semana a bolsa acumulou uma alta de 18%. Nada mal para um mercado em tendência de baixa de longo prazo. Os principais fatores de impulsão desta alta foram: (i) dólar mais caro; (ii) sobrevenda historicamente elevada nos gráficos semanais e mensais.

      No geral a bolsa brasileira não está barata, nem cara. O que subiu muito nos últimos anos está muito caro. O que está barato na bolsa são alguns papéis que apanharam demais neste mesmo período. São justamente os papéis que suportam as operações dos investidores estrangeiros (liquidez) e algumas destas empresas serão beneficiadas pela alta do dólar.

      No curto prazo o índice Bovespa trabalha dentro de uma boa tendência de alta. No médio e longo prazo a tendência ainda é de baixa.

      Abcs, bons negócios a todos

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  3. FI. Parabéns pelas análises. Continuam objetivas e claras. Gostaria de saber se você possui algum link que possibilite acompanharmos as ações ou setores onde os investidores estrangeiros mais investem. Um forte abraço.

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    1. Algumas corretoras disponibilizam o dedo duro, que mostram o fluxo das corretoras. Mas acho que isso não funciona muito, pois os estrangeiros usam corretoras nacionais também. Eu vou mais pela lógica, primeiro olho se o fluxo de entrada de capital estrangeiro está positivo na bolsa e depois observo o volume/book dos ativos mais líquidos. Eles não tem muitas opções aqui dentro, são poucas as ações que apresentam condições de liquidez para os estrangeiros operarem.

      Abcs, bons trades

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  4. FI, assim como em todos os seus posts, fico muito feliz de ver a clareza, objetividade e precisão que mantém no blog. É evidente como a mídia especializada tende a tentar "justificar" o sobe e desce baseado nesta ou naquela noticia, e por vezes "forçando a barra" e tomando como certo meras suposições. Quanto ao FED, fica também óbvio como não se deixa afetar pela imprensa, e toma todas suas decisões baseadas em evidências. Pena que nosso ministério da Fazenda não tem o mesmo grau de visão, de objetividade, de trabalho em cima de evidências quanto a autoridade monetária norte americana. Nosso BC até tenta, porém fica nítido que não é um órgão completamente independente. Fico aqui na torcida pra aquela mantega derreter toda... pq dali não sai nada melhor não...

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  5. Em seu comentário sobre tesouro. A NTN B Principal para 2035, está desinteressante devido ao fato de poder sofrer acrécimo no premio em 2015 2016?
    5,5% não é uma bela taxa pra se travar neste momento? Será que poderemos ter taxas maiores em 2 anos?

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