terça-feira, 13 de agosto de 2013

O ressurgimento da Europa


O mercado está satisfeito com a Europa. Alguns dos principais índices acionários do continente europeu trabalham próximos de suas respectivas máximas históricas. Nem parece que, dois anos atrás, essas mesmas praças financeiras sofreram com a tempestade de previsões apocalípticas proporcionadas pelos principais analistas e veículos de comunicação do mercado financeiro.

Os líderes europeus demoraram, mas conseguiram se organizar para evitar o pior. A perigosa crise no sul da Europa foi contornada com um choque de responsabilidade fiscal aos governos que ultrapassaram o limite do cheque especial. Os rígidos programas de austeridade fiscal e a liberação de empréstimos emergenciais aos países em dificuldades financeiras acalmaram os mercados.  

Para completar, o BCE (Banco Central Europeu) criou a LTRO (operações de refinanciamento de longo prazo) e acabou rapidamente com o clima de pessimismo do mercado. Cerca de meio trilhão de euros foram despejados no sistema financeiro europeu na primeira operação ocorrida no final de 2011. 523 bancos utilizaram a linha de crédito do BCE. Dinheiro quase de graça e prazo camarada pra pagar.

Com apenas uma tacada o Banco Central conseguiu resolver a crise do sistema financeiro e da dívida soberana, já que os bancos, com mais dinheiro em caixa, voltaram a comprar dívida pública, o que provocou uma redução significativa dos Yields de países periféricos na zona do euro.

Dois anos após a chuva de previsões apocalípticas mau se ouve falar da Europa. Os europeus arrumaram a casa, as bolsas subiram, os Yields caíram. Infelizmente esse não é o tipo de matéria que interessa a mídia. Vende pouco. As pessoas gostam de ver o circo pegar fogo. Mas a verdade é que, daqui pra frente, os europeus começarão a colher o que plantaram no passado.

As reformas estruturais ocorridas nos últimos anos elevaram a confiança dos investidores, empresários e consumidores. O Índice Gerente de Compras do bloco europeu tem mostrado uma importante recuperação da atividade industrial, mesmo com o desaquecimento das economias emergentes.

PMI zona do euro

O PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro, que, conforme podemos observar no gráfico acima, segue de perto o desempenho da atividade industrial, será divulgado amanhã em meio a revisões positivas de expectativas dos analistas. A leve recessão dos trimestres anteriores vai ficando para trás e o mercado já espera um crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2013.

O ressurgimento da Europa se tornará num novo e importante driver positivo aos mercados para os próximos meses/anos e poderá até mesmo suavizar/neutralizar os efeitos provocados (mais psicológicos do que, efetivamente, práticos) pela redução gradual do programa de estímulo monetário do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano).

Muitos analistas estão afirmando, com certo grau indevido de certeza, que os mercados deverão cair quando o FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) começar a reduzir o volume do seu programa de estímulo monetário. O mais provável é que ocorra exatamente o contrário, as bolsas poderão subir ainda mais refletindo o bom desempenho dos indicadores econômicos e retomada do crescimento das principais economias desenvolvidas (Estados Unidos, Europa e Japão), que, inevitavelmente, impulsionarão também o crescimento dos países emergentes nos próximos meses/anos.

As principais bolsas de valores subiram nesta terça-feira. Na Alemanha, o índice DAX fechou em alta de 0,68%. Na Inglaterra a bolsa de Londres subiu 0,57%. Na França, o índice CAC ganhou 0,51%. O principal índice do mercado italiano subiu 0,68% e a bolsa da Espanha fechou o dia com uma alta de 0,47%.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,20%, mantendo-se acima da linha de suporte na região dos 15.3k.
  

No Brasil o índice Bovespa também subiu, ignorando o sinal de venda emitido no dia anterior. O pregão abriu em queda, mantendo a tendência de curtíssimo prazo. Porém o índice encontrou apoio no patamar psicológico dos 50k, fato que provocou entrada de novas operações na ponta compradora.


Apesar de tudo, a estrela cadente emitida na segunda-feira só será invalidada após a superação dos 51.4k. Isso significa que ainda há o risco de novas correções de curtíssimo prazo, porém sem potencial para invalidar a tendência de alta de curto iniciada na região dos 44.1k.

8 comentários:

  1. FI,

    Bom post!

    Até que ponto você considera que a diminuição do QE pode impactar os yields dos títulos brasileiros ainda nesse ano?

    Acredita que a situação pode se agravar ainda mais (governo ser obrigado a oferecer taxas maiores das que já foram oferecidas nos últimos meses) ?

    Miguel

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    1. Obrigado Miguel,

      Aquele pânico que ocorreu por aqui em junho provavelmente não se repetirá. Mas os Yields norte-americanos estão na máxima do ano. Se o mercado de capitais estivesse seguindo o mesmo movimento do mercado de renda fixa, o índice Dow Jones estaria abaixo dos 14.600 pontos. Isso mostra que o impacto da redução dos estímulos monetários ocorre basicamente nos mercados da dívida soberana. O Brasil certamente não vai conseguir rolar dívida pagando os mesmos juros do passado. A tendência é que este custo continue aumentando nos próximos. No curto prazo (próximos meses) os títulos podem encontrar um patamar estável, a ser definido pela direção dos Yields de 10 anos dos títulos do Tesouro norte-americano (mesmo porque os juros não subirão eternamente num curto espaço de tempo).

      Abcs, bons investimentos

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    2. Correção:

      A tendência é que este custo continue aumentando nos próximos anos***

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    3. Agradeço a resposta. Talvez esse ano o pior já tenha passado, vamos ver.

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  2. Acho que comecei a frequentar o Blog durante a crise da Eurozona. É um marco ler este post. Fiquei realmente feliz de ver que ações corretas levam a reações esperadas. É, de fato, um alívio.

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    1. Com certeza. É um marco. A mídia fez muito terrorismo, alguns analistas e economistas ganharam destaque pois estavam prevendo a quebra do euro, quebra generalizada dos bancos, desintegração da UE, entre outros. E acabou não acontecendo nada. Na hora do aperto os políticos acabam agindo da maneira correta.

      Abcs, bons investimentos

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  3. Mas FI, Espanha e Grécia só ouço péssimas notícias.

    Alemanha tá sempre bem mas e a França e Itália?

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    1. França também está surpreendendo positivamente. Itália ainda não. A crise na zona do euro acabou. O mercado da dívida soberana está estabilizado e com liquidez para os governos rolarem dívidas sem pagar juros muito altos e o sistema financeiro está bem capitalizado com dinheiro da impressora do BCE. Os governantes arrumaram a casa (na base da pressão/susto) com a implementação das políticas de austeridade fiscal. Inevitavelmente o desemprego sobe, a economia se contrai no curto prazo. Essas são as notícias ruins que aparecem na TV. Mas é isso que vai dar sustentação ao crescimento de médio e longo prazo na zona do euro. Daqui pra frente o desemprego tende a diminuir gradativamente, enquanto o crescimento tende a ganhar força nos próximos anos.

      Abcs, bons investimentos

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