quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Política monetária vai pagar a conta da política fiscal


O Ministério do Planejamento divulgou nesta quinta-feira os parâmetros orçamentários para 2014. Como de costume, os números não são nada animadores. O governo conseguiu a proeza de estabelecer como meta (fictícia) um superávit primário de 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto), mas ao mesmo tempo avisou que este número provavelmente não será alcançado, já que novos abatimentos poderão acontecer, fato que jogará o superávit primário para apenas 2,1% do PIB.

Além de não citar um número correto e/ou digno de ser perseguido, o governo sinalizou que a política fiscal expansionista dos últimos anos, tão criticada pelo mercado, não só será mantida, como turbinada. O resultado do superávit primário em 2014 (se for mesmo os 2,1% do PIB) será o menor desde 2009, ano em que o governo precisou gastar muito para sair crise financeira global. A diferença é que agora o governo está gastando muito, não consegue fazer a economia reagir, cria inflação e ainda vai gastar mais para conseguir se reeleger.

A política fiscal expansionista do governo vai prejudicar os esforços do Banco Central para controlar a inflação e devolvê-la de volta ao centro da meta (4,5%). Isso significa que a dose do remédio amargo (alta dos juros) poderá, realmente, aumentar, com objetivo de anular parte dos efeitos inflacionários proporcionados pelo gasto excessivo do governo no próximo ano.

A reação do mercado foi imediata. A expectativa de que a taxa Selic poderá atingir os 10% este ano ganhou força após a divulgação dos parâmetros orçamentários para 2014. Os Yields, que estavam em processo de correção, voltaram a subir forte, se aproximando das máximas registradas neste ano.

Com este novo indicativo, a minha projeção para o fechamento da taxa Selic este ano provavelmente subirá de 9,5% para 10%. A política monetária (responsável) vai pagar a conta da política fiscal (irresponsável) caso o Banco Central queira, realmente, cumprir com o seu objetivo de carregar a inflação de volta ao centro da meta. A alteração na projeção poderá ser realizada após a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), onde se espera encontrar estes indícios.

O mercado também não entendeu a conta realizada pelo governo responsável por projetar uma expansão de 4% do PIB em 2014, significativamente acima da média das projeções realizadas pelos principais analistas de mercado (atualmente em 2,4%). Com isso a bolsa de valores devolveu quase todos os ganhos conquistados na parte da manhã. O índice fechou o pregão praticamente de lado (leve alta de 0,11%), mostrando um candle de pavio longo superior, sugerindo um teste sobre a LTA formada na região dos 44.1k amanhã.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, também mostrando um candle de pavio longo superior abaixo da resistência dos 14.9k. O mercado reagiu com otimismo à estimativa positiva revisada para o PIB dos Estados Unidos, mas voltou a ceder logo em seguida, já que o número serve de respaldo para o FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) manter o seu cronograma e reduzir, no final deste ano, o volume do programa de estímulo monetário.
  

O Departamento do Comércio informou que o PIB do País cresceu a uma taxa anual de 2,5% no segundo trimestre deste ano, mais que o dobro do ritmo registrado nos três meses anteriores. O relatório indica que a economia está melhorando apesar das medidas de austeridade do governo.

16 comentários:

  1. FI,

    O governo está brincando com coisa séria. Isso tudo vai se acumular para o futuro. Embora o certo seja levar para 10% (ou até mais) duvido muito que o Bacen o faça.

    Os problemas do Brasil estão sendo empurrados com a barriga para depois das eleições.

    Abs,

    Miguel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Miguel,

      Sim, infelizmente. O governo erra nas duas pontas. Primeiro porque gasta muito e gasta mal. Segundo porque mesmo gastando muito não consegue impulsionar o crescimento (que já puxa um outro problema sério relacionado à política econômica) e ainda gera um passivo inflacionário.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  2. Ai ai ai FI
    Sera que eh hora entao de mexer na velha poupanca?
    Estou pensando em coloca-lo em LCI ou LCA a 84% do CDI! Ou mesmo em LFTs comentados por vc!
    O que vc acha?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim. O momento é favorável para fazer esta mexida. Mas este percentual da LCI ou LCA está muito baixo. Você consegue coisa melhor no mercado, próximo de 90% do CDI, independente do valor a ser aplicado. É interessante mesclar LFT 2017 com LTN 2016. O pré-fixado está com um bônus bom para o curto prazo (11,47% ao ano na LTN 2016). Não é recomendável comprar títulos de longo prazo, conforme expliquei nos comentários do post anterior.

      Outro ponto interessante é dar preferência para as LCIs (crédito imobiliário) do que para as LCAs (crédito para o agronegócio). Ambas contam com garantia do FGC, mas o risco da LCA é relativamente maior. O crédito no agronegócio é mais concentrado e volumoso. O setor é um pouco instável e vulnerável a diversos fatores, entre eles o clima. Já nas LCIs o crédito é mais pulverizado, fator importante de proteção contra inadimplência.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
    2. FI desculpa a ignorância mas qual seria o investimento mais seguros dentre estes: Poupança, CDB (de um grande banco), LCI ou LCA. Conversei com um gerente e o mesmo me disse que a LCI seria a mais seguro. O mesmo me disse que a LCI seria a mais vantajosa e rentável em comparação CDB a ¨96% do Cdi e uma LCI de 85,28 do CDI. Queria uma opinião sua sabido que a informações dos gerentes não são transparentes (rsrs)!

      Excluir
    3. Todos são seguros, o risco é muito baixo e o banco tem que honrar o seu compromisso com o credor, mesmo havendo inadimplência. Acontece que dentre estes 3 produtos, o lastro do CDB é melhor. Os recursos captados pelo CDB são utilizados pelo próprio banco em operações diversas de financiamento (não é atoa que o CDB constitui a segunda maior linha de captação dos bancos, atrás apenas da poupança que é muito popular). Já na LCI e na LCA, o repasse é segmentado. Se um banco estiver fazendo uma captação muito alta via LCI e LCA, estará sujeito a maiores riscos. Mas eu desconheço alguma instituição que se enquadre neste cenário (maior captação em LCI ou LCA).

      Neste caso a LCI será mais vantajosa, levando em consideração que a aplicação no CDB seria tributada em 15% de IR (prazo de 2 anos). Em prazos menores é mais vantajoso optar pela LCI nestas condições de taxas.

      Qualquer dúvida volte a perguntar,

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  3. Resumindo.
    Entao o PIB de 2014 deverá ser 1% ou inferior...?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. 1% não, mas levando em consideração o histórico de projeções do ministro Mantega, vai ser algo bem abaixo disso. Talvez 2,5%. Nos últimos três anos ele tem errado com uma diferença gritante.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  4. E o Mantega ainda teve a cara de pau de dizer que o governo está trabalhando em uma estimativa "conservadora" com relação ao PIB esperado para 2014. É tanta mentira e besteira que parece piada...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Impressionante. Um ministro da Fazenda completamente desconectado da realidade. Ainda bem que 2014 deverá ser o último ano dele no governo, com a Dilma sendo reeleita ou não.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  5. E esse bom pib de 3% ai FI como explicar?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O resultado pode ser considerado positivo, apesar de ainda ser um número muito baixo. A economia cresceu 1,5% frente ao trimestre anterior, que tinha uma base muito fraca. Acho que está dentro da expectativas para fechar este ano com um PIB em torno de 2%.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  6. FI,

    Tuas analises são muito boas. Muito obrigado por compartilha-las.

    Estou fazendo um bom dinheiro com as tuas dicas de RF.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Legal amigo,

      Fico feliz em saber disso! Parabéns pelo trade!

      Abcs,

      Excluir
  7. Não bastasse a equipe econômica fazer cada vez mais burradas, ainda somos obrigados a perceber que eles, além de incompetentes no campo de mercado, também o são no campo de administração pública. O orçamento é "impositivo ao setor público e indicativo ao setor privado". Fazer uma LOA prevendo 4% ao ano e avisar de antemão que isto é apenas teórico é a demonstração de que esta equipe não sabe NADA de orçamento público.

    Estamos sengo governados por neófitos e inexperientes em matéria orçamentária. E no âmbito mercadológico também já demonstraram não entender do riscado.

    Preparem-se, 2015 virá com forte ajuste. Não façam dívidas de médio prazo e poupem dinheiro. Quem estiver líquido fará excelentes negócios, principalmente em renda fixa e em imóveis, que sofrerão fortes correções em seus preços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, o governo comete o mesmo erro no superávit fiscal. Entrega um número já avisando que ele será menor. E, desde 2,1%, já avisaram que 1% é por conta dos municípios, e o governo não se responsabilizará por ele. Se os municípios não entregarem esta economia, o governo está avisando de atemão que não entregará também, ou seja, corremos risco de um supervati da casa de 1 ou 1,5%. É mole? Coitado do próximo presidente. Não há como não desejar que seja o próprio PT.

      Excluir