quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Taxa de juros continuará subindo


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu por unanimidade nesta quarta-feira elevar novamente a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual. A decisão não surpreendeu o mercado e ficou em linha com as estimativas dos analistas.

Ao final da reunião o Copom emitiu o seguinte comunicado: “Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

O comunicado é curto e não indica nenhuma mudança de postura para a próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 8 e 9 de outubro. Isso significa que a taxa básica de juros subirá novamente (em 0,50 p.p.) na próxima reunião do Copom.

Os diretores do Comitê optaram por utilizar o mesmo texto emitido no comunicado da reunião do mês anterior (9 e 10 de julho). Havia uma expectativa de abrandamento no tom do comunicado, antecipando o que seria, em tese, o fim do ciclo de aperto monetário na reunião do mês de outubro (alta final de 0,50 p.p.).

Diante deste primeiro indicativo (autoridade monetária utilizar o mesmo comunicado da reunião anterior), abriram-se duas novas possibilidades: (i) o Banco Central se resguardou de antecipar ao mercado a informação de que o encerramento do ciclo de aperto monetário está próximo do fim devido às condições desfavoráveis do mercado de câmbio, deixando em aberto a possibilidade de um novo ajuste de 0,50 p.p. para reunião do mês de novembro, em tese ainda não decidida. (ii) o Banco Central vai mesmo subir os juros na reunião do mês de novembro independente da taxa de câmbio de curto prazo, já que o real permanecerá desvalorizado no médio e longo prazo, fato que jogará a taxa Selic para a casa dos dois dígitos novamente (10% ao ano).

Estas possibilidades poderão ser confirmadas na próxima semana, quando o Banco Central divulgará a ata da reunião do Copom.

No mercado de capitais o índice Bovespa cedeu 0,45%, fechando levemente abaixo da linha de suporte dos 50k. O candle é uma estrela que indica indecisão. Houve uma pequena reação do mercado após o índice se aproximar da LTA formada na região dos 44.1k, fato que corrobora para uma nova formação de fundo, a ser confirmada no próximo pregão.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,33%, mostrando um movimento de alívio após a queda forte dos últimos dois dias. Apesar do respiro, o índice segue dentro da tendência de baixa de curtíssimo prazo.


13 comentários:

  1. FI,

    Com esse indicativo do Copom, será que pode haver ainda mais volatilidade nos Yields dos títulos ? Ou será que os 10% (Selic) já estão precificados na cotação dos títulos do tesouro?

    Só tem mais duas reuniões do Copom para o final do ano, acredito que o Bacen não vá prolongar a alta para 2014.

    Bom post,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Acho que os 10% já estão precificados nos preços dos títulos do tesouro, mas ainda pode haver volatilidade nos Yields do Tesouro Nacional por tabela dos Treasuries. Acontece que lá nos Estados Unidos os Yields estão esticados, sem muito chão pra subir no curto prazo. Então pode ser que o mercado comece acalmar nas próximas semanas, apesar de que o espaço para correção nos Yields ficará bastante limitado caso o Banco Central sinalize na ata que a taxa Selic subirá para 10%.

      Obrigado!

      Abcs, bons investimentos

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    2. FI,

      Vamos ver. Esperar e ver se essa sobretaxa dos títulos some um pouco.

      Abs.

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  2. Minha dúvida é essa também, será que devo comprar agora NTNB Principal ou é melhor esperar pelo menos mais uma reunião.

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    1. Não é recomendável comprar NTNB em virtude da mudança projetada, a partir de 2015, para as principais taxas de juros mundiais. Recomenda-se evitar posições em títulos de médio e longo prazo. Hoje os principais banqueiros centrais mundiais trabalham com a política de afrouxamento monetário agressiva, onde as taxas de juros estão próximas de zero.

      Mas a retomada do crescimento econômico mundial, projetada para os próximos anos, impedirá a manutenção das atuais políticas monetárias, caso contrário os Bancos Centrais criarão uma crise inflacionária sem precedentes a nível mundial. Por este motivo espera-se que a partir de 2015 as taxas de juros voltem a subir, acompanhando o ritmo de crescimento da inflação global (provocada pela retomada no crescimento).

      Portanto, a partir de 2015, com a retomada da inflação global, o Banco Central do Brasil precisará entrar num novo ciclo de aperto monetário. As taxas de juros atuais ficarão defasadas nos próximos três anos. Desta forma, as oportunidades de negócio disponíveis hoje estão limitadas aos títulos de curto prazo.

      Como não há NTNB de curto prazo disponível para compra, não há possibilidade de fazer negócio com o governo neste título. Poderia compensar o risco de segurar a NTNB mais curta disponível hoje (vencimento em 2019), caso o bônus superasse os 6%/6,5%.

      As melhores opções continuam sendo a LTN 2016 e LFT 2017, com maior peso para LTN 2016 (no mínimo 70%).

      Abcs, bons negócios

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    2. FI, acompanho seu blog e seus comentários são excelentes. Parabéns. Olha, no cenário de precificação de 9.5% de SELIC, acrescido de uma revisão a maior dos juros para além de 2015, parece que a Bolsa só volta a ser um bom negócio após a estabilização dos juros pós 2015. Vc concorda?
      Senhora Bolsa.

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    3. Olá, tudo bom?

      Obrigado! A maioria dos analistas costumam fazer esta correlação entre taxa de juros x bolsa de valores. Ela existe e funciona, mas em mercados desenvolvidos. No Brasil esta correlação é praticamente inexistente devido à insignificância da bolsa de valores dentro do universo dos investidores brasileiros. Estima-se (cálculo das próprias corretoras) que hoje existem cerca de 150 a 200 mil investidores que operam regularmente na bolsa. O restante dos 300/350 mil CPFs de investidores PF cadastrados na Bovespa são de contas paralisadas e/ou sem movimentação. Ou seja, é um número muito pequeno para causar um efeito de correlação inversa entre bolsa de valores x taxa de juros.

      Tivemos uma comprovação deste relação inexistente em nosso mercado recentemente. A maior queda, da taxa de juros, dos últimos anos (atingindo a mínima em 7,25%) aconteceu com a bolsa caindo. Com relação a bolsa ser um bom negócio, depende muito da estratégia. Comprar ações na baixa e vender na alta continua sendo um bom negócio (utilizando a volatilidade, conforme demonstrei no livro). Operar no curto prazo, ativos previamente estudados, também é um bom negócio. A bolsa não tem sido um bom negócio ao famoso "buy and hold", já que estamos há mais de 5 anos sem romper o topo histórico. Estamos dentro de um ciclo de baixa de longo prazo, corrigindo o bull market de 2002 a 2008. Acredito que já estamos na fase final deste ciclo de correção, prestes a entrar num novo ciclo de alta de longo prazo.

      Abcs, bons negócios

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    4. Obrigado pela orientação FI, sou o anônimo lá de cima :) Eu não sabia desse cenário de subir juros em 2015 e pensava que o momento ideal para investir pesado em NTNB era no final desse ano.
      Vou colocar em LTN 2016 e LCI.

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  3. FI, Qual sua opinião sobre a performance de médio e longo prazo dos fundos de inflação? Você acha que eles ainda têm muito chão para descer mais?

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    1. No curto prazo não muito, mas no médio e longo prazo sim, pois teremos um segundo ciclo de aperto monetário em 2015/2016, fazendo com que a manutenção dos títulos em carteira com taxas defasadas proporcione um baixo rendimento, inferior até do que a média do mercado (Selic/CDI). Estes tipos de fundos são totalmente dependentes da movimentação dos cotistas. O gestor apenas compra/vende NTNB conforme o fluxo de entrada e saída de capital no fundo. Se há um fluxo grande de entrada num momento ruim (o que normalmente sempre acontece), o gestor do fundo é obrigado a comprar NTNBs mais caras, com Yield baixo. Se há um grande fluxo de saída num momento ruim (o que também normalmente sempre acaba acontecendo), o gestor do fundo é obrigado a vender NTNBs mais baratas, com Yield alto. Por este motivo não é recomendável investir em fundos de inflação. É muito melhor o investidor fazer suas próprias compras diretamente no Tesouro Direto, utilizando o timming ao seu favor, descolando-se do fluxo de manada (indo na direção contrária).

      Abcs, bons investimentos

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  4. Olá FI, para quem está posicionado em títulos de longo prazo com yeld baixo(caí na esparrela de que a queda de juros viria pra ficar...rs) seria de se considerar esperar alguma recuperação nos valores de mercado e vender pelo menos uma parte, mantendo-se na espera em aproveitar um ambiente de recompra mais favorável em 2015?

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    1. Sim. Os Yields já estão um pouco esticados para o curto prazo, podem subir mais um pouco, mas creio que o espaço é limitado. O mesmo pode ser observado nos Yields dos Treasuries, que influenciam bastante o mercado de juros no mundo inteiro. Os Yields deverão ceder um pouco após os primeiros sinais de interrupção do ciclo de aperto monetário, juntamente com novas perspectivas mais baixas de inflação. Entre 2015/2016 podemos ter uma nova oportunidade de compra, talvez até melhor do que a atual, já que poderá abrir espaço para posicionamento em títulos mais longos.

      Abcs, bons negócios

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  5. Olá,

    Para quem (assim como eu), caiu na besteira de aplicar em fundo de inflacão no início de 2013 e manteve a posição até agora, você acha que deve realizar o prejuízo logo e sair desta aplicação ou aguardar alguma recuperação no curto/médio prazo para depois sair do fundo?

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