quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Decepção com o Brasil virou capa de revista


Em novembro de 2009, a capa da revista The Economist mostrou o Cristo Redentor decolando do Corcovado. A imagem simbolizava o momento favorável à economia brasileira, impulsionada pelo super ciclo de alta das commodities. No ano seguinte, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 7,5%.

O mundo estava animado com o nosso País e não era para menos. Tínhamos (e ainda temos) um excelente potencial de crescimento sustentado de médio e longo prazo. Mas a reportagem de 14 páginas desta edição de 2009 destacou um ponto interessante negligenciado pelas nossas lideranças políticas: o próximo governo teria que lidar com uma série de problemas, além de fazer as reformas estruturais, que Lula se deu ao luxo de ignorá-las, já que foi beneficiado pela sólida plataforma de crescimento erguida pelo seu predecessor (Fernando Henrique Cardoso) e do próprio ciclo de alta das commodities.

Além de não fazer o seu dever de casa, o governo da presidente Dilma Rousseff acabou deteriorando ainda mais o cenário econômico doméstico com as intervenções excessivas e desastrosas do Estado sobre a economia que, segundo a revista, chegou ao ponto de forçar o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros.

Observando este cenário de degradação, insistentemente debatido em nosso blog nos últimos anos, a revista The Economist fez uma nova capa mostrando o Cristo Redentor. Mas desta vez a imagem mostra um voo desgovernado, após a forte decolagem, apontando direto para o chão.

Segundo a revista, muitos investidores perderam as esperanças com o Brasil e estão decepcionados com a gestão do governo nestes últimos anos. Este desânimo é causado por uma série de fatores, dos quais podemos destacar, além dos já citados anteriormente: inflação elevada, baixo crescimento, política fiscal expansionista, carga tributária elevada, baixo investimento e corrupção.

Apesar de tudo, a reportagem deste mês destaca que o Brasil não está condenado a fracassar. Para reverter este cenário, a presidente Dilma Rousseff deve adotar duas prioridades básicas daqui pra frente: reformular os gastos públicos, realizar as reformas estruturais e permitir que as empresas possam se tornar competitivas novamente.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,88%, influenciado pelo novo tombo das ações da OGX. A perda dos 54k abriu nova oportunidade para entrada de posições vendidas no índice. O giro financeiro continuou baixo (5,1 bilhões de reais), pois os operadores não estão tão confiantes no movimento, impulsionado por um papel de alta volatilidade, muito sensível ao noticiário do “mundo X”.


Mas tivemos uma notícia boa nesta quinta-feira. Uma simulação feita pela Quantitas Asset Management e BB Investimentos revelou que o peso do setor bancário na nova carteira teórica do índice Bovespa (começa a valer no ano que vem) vai aumentar, tomando a primeira posição que hoje é do setor de petróleo. Os setores siderúrgico e de construção também perderão peso no novo índice Bovespa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,36%, marcando fundo na região dos 15.2k, levemente acima da linha central de bollinger. A estimativa para o PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre ficou inalterada em 2,5%.


O mercado conseguiu mostrar força mesmo com o impasse nas negociações entre Republicanos e Democratas para elevação do limite de endividamento do governo norte-americano.

O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, o democrata Harry Reid, rejeitou nesta quinta-feira a proposta de deputados republicanos, que exigem o adiamento do “Obamacare” (implementação da nova lei nacional de saúde pública) para elevar a dívida do País. É mais um jogo político de baixa relevância. Este impasse que deverá ser superado até meados do mês de outubro.

8 comentários:

  1. que tal uma analise do dolar tambem?

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    1. Dólar trabalhando uma correção desde o final do mês passado. Este movimento não invalida a tendência de alta de médio e longo prazo da moeda. Formou piso na região dos R$ 2,18, aliviando a queda forte das semanas anteriores. Acho ainda tem espaço para corrigir mais um pouco antes de voltar a subir de forma consistente.

      Abcs, bons investimentos

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  2. FI, eu também ouvi a CBN hoje na hora do almoço (risos). Seria bom dar o crédito à reportagem.

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    1. Sim, a matéria foi feita pela Economist e teve forte repercussão na mídia brasileira. Praticamente todos os veículos de comunicação voltados ao mercado financeiro replicaram esta matéria.

      Abcs, bons negócios

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  3. FI, eu sei que isso é extremamente improvável, mas vc sabe quais seriam as consequências para o Brasil se os EUA não aumentassem o teto da dívida? Ou pior, se ele desse calote?

    Os juros e o dólar subiriam muito?

    Abraço

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    1. Se os Estados Unidos der um calote de 100% na dívida, por exemplo, o sistema financeiro mundial deixaria de existir. Seria impossível estimar as consequências, um caos total. Mas não perca tempo preocupando-se com isso, pois é um cenário que definitivamente não vai acontecer. Na hora do aperto os políticos tomam as atitudes corretas.

      Abcs, bons negócios

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  4. como sempre boa analise do mercado, vejo a dilma perdida e muito mal assessorada pelo mantega

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    1. Com certeza. Obrigado aprendiz!

      Abcs, bons investimentos

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