quarta-feira, 18 de setembro de 2013

FED não surpreende e mantêm estímulo monetário


O título deste post é proposital. A mídia que faz a cobertura do mercado financeiro errou mais uma vez. Os diretores do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiram manter o programa de estímulo monetário. As informações distorcidas e matérias de baixa qualidade despejadas no mercado nestas últimas semanas frustraram mais uma vez os investidores que depositaram credibilidade nos economistas, analistas e redatores das “consagradas” manchetes.

Uma pesquisa realizada pelo The Wall Street Journal apontou, na última sexta-feira, que 66% dos economistas consultados pelo jornal acreditaram que o FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) iria começar a reduzir, neste mês, o volume do seu programa de estímulo monetário.

Isso mostra que boa parte dos “profissionais de mercado” não faz, sequer, uma leitura dos documentos disponibilizados pela autoridade monetária, pois em nenhum momento o Banco Central dos Estados Unidos indicou a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário já no mês de setembro. Com o desapontamento generalizado, só restou aos analistas, economistas e principais veículos de comunicação do mercado financeiro afirmarem que o FED surpreendeu.

Mas a verdade é que o Banco Central não surpreendeu coisa nenhuma. Os últimos documentos do FED revelaram, repetidas vezes, que a redução do volume de compras do programa de estímulo monetário está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas (taxa de desemprego, taxa de inflação e taxa de crescimento), a redução poderá ocorrer no final deste ano. Esta é basicamente a mesma linguagem adotada desde o mês de junho deste ano, quando o Banco Central alertou, pela primeira vez, a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário.

Em nota divulgada após a reunião de Comitê, o FED considera que a situação econômica dos Estados Unidos ainda não permite que os estímulos monetários comecem a ser reduzidos. Isso significa que a taxa de inflação, taxa de crescimento e, principalmente, a taxa de desemprego, ainda não atingiram o patamar considerado ideal, na avaliação dos diretores, para que o Banco Central possa dar início ao cronograma de retirada dos estímulos monetários.

A decisão do Comitê foi praticamente unânime. Esther George, presidente do FED de Kansas City, votou contra a política monetária do Banco Central norte-americano. Os demais 9 membros do Comitê votaram a favor.

O FED divulgou nesta quarta-feira novas estimativas para os principais indicadores econômicos. A projeção de crescimento este ano foi reduzida para 2% a 2,3%. Para o ano que vem a estimativa também foi reduzida para 2,9% a 3,1%. A taxa de desemprego deverá ficar entre 7,1% a 7,3% em 2013, para 2014 a projeção é de 6,4% a 6,8%. Já a inflação deverá ficar entre 1,1% a 1,2% este ano e 1,3% a 1,8% em 2014.

Ao final da reunião de Comitê, o presidente do FED, Ben Bernanke, disse que a instituição não se deixa guiar pelas expectativas do mercado, mas sim pelos resultados da economia, numa referência ao sensacionalismo criado pela mídia nestas últimas semanas. Comentava-se até o valor financeiro (10 bilhões de dólares) do primeiro corte de estímulo monetário a ser realizado este mês.

O presidente do FED disse ainda que os efeitos da política monetária nos Estados Unidos, visando impulsionar a retomada do crescimento, beneficiarão os países emergentes no longo prazo, já que o fortalecimento da maior economia do mundo atua, também, como motor de propulsão ao crescimento das demais.

A reação do mercado foi imediata. A bolsa disparou, o dólar despencou e os yields cederam forte. A moeda norte-americana recuou para R$ 2,19, atingindo o menor patamar dos últimos 3 meses. Os juros futuros caíram com força, acompanhando a queda dos Yields dos Treasuries (títulos da dívida pública dos Estados Unidos). A LTN 2016 recuou para 11,01%. O bônus da NTNB 2019 caiu para 5,22%.

O índice Bovespa disparou 2,65%, impulsionado pelos papéis de peso relevante no índice. A média móvel simples de 200 períodos diária foi rompida com um marubozu de alta, fato que permitiu, também, formar mais um pivot de alta, alimentando a tendência de curto e médio prazo. A próxima linha de resistência está posicionada na região dos 57k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,95%, iniciando movimento de rompimento da máxima histórica, alimentando a tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


15 comentários:

  1. Fi, seus relatórios são fantásticos. Parabéns!
    Tenho sempre a impressão de que você já sabe o que vai acontecer.

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    1. Hahaha que nada. Mas essa do FED foi uma tremenda bola fora da mídia. Está tudo muito bem explicado nos documentos.

      Obrigado erick!

      Abcs, bons negócios

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  2. FI,


    A caída dos yields hoje na NTN-B foi muito grande.

    Capaz de agora vir no embalo e haver uma correção mais forte dos yields dos títulos no Brasil. Daqui a 2 semanas é a penúltima reunião do copom no ano, se houver alguma sinalização do fim da alta da selic vai fazer com que os yields caiam mais ainda.

    Vamos ver. Abs,

    Miguel

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    1. Sim, os yields de praticamente todos os títulos cederam no mundo inteiro. A curva mais agressiva aqui no Brasil sinaliza que novas correções deverão acontecer. Movimento típico de um desmonte maciço de posições, com potencial de impacto psicológico relevante. Portanto, pode ser que agora as taxas retornem para dentro da normalidade, corrigindo os excessos do movimento.

      Abcs, bons negócios

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    2. FI,

      Repare no comunicado hoje do tesouro:

      19/09 - Suspensão do Tesouro Direto

      Devido à forte volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos esta manhã, informamos que o Tesouro Direto foi suspenso às 09:20 horas. A expectativa é de normalização às 11:00 horas.

      Valorização excessiva dos titulos? Rs.

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    3. Exato. Fazem isso pra tentar equilibrar as forças (compradora/vendedora), minimizando a volatilidade. Veja que a abertura de hoje ficou praticamente em linha com o fechamento de ontem.

      Abcs, bons investimentos

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  3. FI ,

    Essa mídia é brincadeira ,ainda lança a seguinte notícia :

    Comitê do Fed surpreendeu e manteve o QE3 intacto, trazendo bom humor aos mercados

    ass: AT

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    1. rsrs... pois é. E parece que nem repararam que o Dow Jones havia subido quase 1.000 pontos somente nas duas últimas semanas que antecederam a reunião do FED.

      Abcs, bons negócios

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  4. essa mulher fumou oregano...

    http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/banco-central-americano-estimulou-a-especulacao-e-provocou-efeitos-concretos-diz-miriam/2833730/

    FI é o cara!

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    1. Minha nossa!!! kkkkkkkkkkkkk
      Quanta baboseira. E ainda colocaram a culpa na comunicação "destrambelhada" do FED. Que por sinal é o mesmo raciocínio do Mantega rsrs...

      Será que o FED precisa colocar pisca-pisca nos comunicados para chamar atenção destes profissionais? De preferência com um letreiro bem grande: "Antes de tecer uma opinião, leia-me por favor!".

      O pessoal está opinando sobre a condução da política monetária sem ao menos ler o que está escrito nas minutas das reuniões de Comitê do BC. É a mesma coisa que eu tecer uma opinião sobre o funcionamento do telescópio Hubble sem ao menos sequer saber onde fica o botão de ligar.

      Abcs, bons negócios

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  5. O movimento interessante mesmo ficou por conta do ouro...Que ao mesmo tempo q o FED declarou q nao ia mexer nos QEs o gold disparou...pessoal com medo da inflação.
    Alex

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    1. Bem observado Alex. O ouro disparou. Apesar de tudo, considero ser um movimento mais psicológico do que fundamentado, pois as projeções do FED apontam inflação abaixo da meta para 2013 e 2014. Commodities em geral também dispararam ontem. Foi quase um overshooting generalizado.

      Abcs, bons trades

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  6. FI a diferença é que vc usa a racionalidade e esses analistas econômicos fazem jogo duplo. As previsões erradas deles não são por inocência. Eles jogam na ponta especuladora com suas análises furadas para favorecerem alguns agentes econômicos que compram as "análises fundamentadas" deles.

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  7. Pode parecer teoria da conspiração, mas desde que comecei a ficar mais atento ao mercado, cruzando informações (minhas analise fundamentalistas e técnicas, contra as recomendações de analistas, corretoras e noticias da imprensa) também tenho a impressão que os erros são intencionais.

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  8. Infelizmente boa parte das análises disponíveis no mercado pecam neste ponto de transparência e credibilidade.

    Abcs, bons negócios a todos

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