sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Goodbye bear market


Bull market e bear market, as expressões mais conhecidas e utilizadas por investidores no mundo inteiro para descrever a tendência do mercado. Estima-se que estes termos são utilizados há mais de três séculos com objetivo de caracterizar a situação de momento num determinado ambiente de negócio.

Bear market (ou mercado de urso) é uma expressão utilizada para descrever um cenário em que o mercado recua progressivamente ao longo do tempo e os investidores são motivados a vender suas ações. O medo e o pessimismo costumam influenciar de forma mais acentuada o processo de tomada de decisão em mercados de bear market, induzindo os investidores a venderem suas posições a fim de evitar prejuízos futuros ainda maiores.

Bull market (ou mercado de touro) é uma expressão utilizada para descrever um cenário em que o mercado sobe progressivamente ao longo do tempo e os investidores são motivados a comprar ações. A ganância e o otimismo costumam influenciar de forma mais acentuada o processo de tomada de decisão em mercados de bull market, induzindo os investidores a comprarem mais ações almejando lucros futuros ainda maiores.

A definição técnica para um mercado de bull market ou mercado de bear market é bastante simples. O avanço ou recuo dos preços, desde o último patamar histórico, acima de 20%, caracteriza um mercado de bull market ou bear market, respectivamente.

O avanço de 2,67% no pregão desta sexta-feira emplacou, tecnicamente, o mercado de bull market na bolsa brasileira. O índice Bovespa subiu mais de 20% desde o fundo registrado na região dos 44.1k há cerca de dois meses atrás.

Mais importante do que simplesmente superar a marca dos 20% é mostrar, no gráfico, condições favoráveis para manutenção da tendência de alta.


A principal linha de resistência de curto e médio prazo (posicionada na região dos 52.4k) foi superada com um candle de força relevante (marubozu de alta). O mercado eliminou com certa facilidade e agressividade uma importante barreira técnica, talvez a única com potencial para barrar a forte tendência de alta iniciada nos 44.1k.

A superação deste importante obstáculo revela supremacia da força compradora no mercado, salientada em tantas outras ocasiões nestes últimos dois meses pelo surgimento de candles fortes de alta após as correções de curtíssimo prazo, características de tendências robustas (o rápido contra ataque da força compradora denuncia o apetite dos investidores).

Os 52.4k atuam, também, como divisor de águas. Abaixo desta linha existem poucas regiões próximas de suportes relevantes e acima desta linha existem poucas regiões próximas de resistências relevantes. A perda deste patamar, no início do mês de junho, derrubou a bolsa com extrema facilidade ao patamar de 44.100 pontos. A superação deste patamar, nesta sexta-feira, poderá impulsionar a tendência de alta na bolsa brasileira que já nasceu forte.

A próxima zona de resistência (fraca) está posicionada apenas na região dos 57k. A linha mais forte está localizada na região dos 63.500 pontos. É importante ressaltar que o mercado não tem a obrigação de continuar subindo de forma rápida e constante. Mas as condições, que já eram boas, para manutenção da tendência de alta, ficaram melhores ainda.

Os fundamentos atuais do mercado brasileiro não justificam uma pontuação do índice acima dos 60.000 pontos (tornaria a bolsa, na média, cara demais). O bom desempenho observado nas principais ações que fazem parte da carteira teórica do índice Bovespa é uma precificação positiva do que está para acontecer com estas empresas nos próximos trimestres. A confirmação da expectativa positiva do passado/presente tornará o mercado barato no futuro. Portanto, bolsa aos 60k pode estar salgada hoje e barata amanhã. Ou, se o mercado estiver errado, pode estar salgada hoje e muito cara amanhã.

O mercado só não está cometendo uma injustiça ao subir. É bastante comum observar o surgimento de um novo bull market no momento em que os fundamentos econômicos ainda estão deteriorados, as empresas lucram menos ou quando a opinião generalizada entre investidores, analistas e gestores é demasiadamente pessimista.

Porém, quanto mais o mercado sobe, mais pessoas começam perceber que as perspectivas macroeconômicas são realmente melhores e as condições técnicas são favoráveis ao movimento de alta nos preços. Esta percepção alimenta o bull market. O medo e o pessimismo começam a ceder espaço para ganância e o otimismo.

É assim que o mercado se despede do bear market e acolhe o bull market. A despedida não é um adeus, mas sim um até logo. A acolhida não é uma moradia fixa, apenas uma estadia temporária. Tempo, que só o mercado tem o poder de decidir. Nós apenas seguimos as recomendações. Um ótimo final de semana a todos vocês!

17 comentários:

  1. Agora é a hora de eu ficar RICO FI.

    RICO.

    Comprei tudo né BEAR. Vou ficar RICO só lançando opições e baixando PM.

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  2. FI,

    Vc possui uma qualidade singular em descrever, diariamente, o panorama economico macro com simplicidade e facil entendimento.

    Belo achado este seu blog. Parabens.

    Bom fim de semana.

    Leitor assiduo.

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  3. FI, seus artigos são muito interessantes, mas entendo como temerário fazer tal aposta apenas com uma análise majoritariamente técnica.
    Entendo que não possuímos fundamentos suficientes para sairmos desta fase ruim da economia.
    Há vários setores sangrando e o crédito já dá sinais de secamento vindouro.
    Entendo que os valores atuais foram apenas uma correção do forte castigo que a bolsa teve. E penso que a bolsa orbitará na faixa dos 50-55k por um bom tempo, até termos uma crise sistêmica.
    De qualquer forma, mesmo discordando apenas dessa vez, respeito sua análise pois é natural que eu possa estar equivocado.
    Um abraço

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    1. A análise técnica realmente possui um peso relevante na minha análise e/ou processo de tomada de decisão. Foi a primeira apontar esse sinal de melhora (reversão) no mercado, depois vieram os indicadores macro, câmbio e melhoras nas projeções. Respeito o seu ponto de vista também, nunca podemos descartar "a outra possibilidade". Posso estar errado e você pode estar certo em sua avaliação. O mais importante, na minha opinião, é saber o que fazer no mercado independente do que possa acontecer.

      Abcs, bom sábado!

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  4. FI excelente e simples. Você possui textos excelentes, parabéns. Gostaria de lhe perguntar algumas coisas :

    1) como fica a tendência do Bull Market se houver a guerra com a Síria? É um evento que tende a abortar o Bull Market?

    2) Como explicar as ações em elevação e os FIIs em baixa nos últimos dias, relacionando isso ao provável Bull Market que estaria se iniciando?

    Grande abraço e bom final de semana.

    Lucas Z.G.

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    1. Obrigado Lucas!

      1) O mercado pode abortar o bull market a qualquer momento, independente do motivo, seja ele de grande relevância ou não. Até o momento não há este indicativo e a possibilidade maior está do outro lado. Provavelmente não haverá invasão por terra na Síria. Deverá ocorrer uma ação militar curta e rápida via bombardeiros em alvos estratégicos. Em se tratando de economia global a Síria é insignificante. É provável que o impacto nos mercados, em decorrência da ação militar, seja pequeno e/ou de curta duração.

      2) FIIs são negociados em bolsa, mas não se movem como ações na bolsa. É uma classe de ativos diferenciada, refletem as condições do mercado imobiliário, particularidades de cada empreendimento e movimentos dos Yields. O principal fator responsável pela queda dos FIIs hoje é o movimento da taxa de juros no mercado futuro. Os investidores tendem a comprar, de maneira errada, o retorno de uma NTNB com o Yield de um FII.

      Abcs, bom sábado! Qualquer dúvida volte a perguntar

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    2. Fique curioso para saber:

      - Pq é errado comparar o yield de um FIIs com o retorno de uma NTNB?

      - E qual seria a forma correta?

      Abraços

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    3. Porque um produto é renda variável (FII) e o outro é renda fixa (NTNB). Um produto é lastreado no mercado imobiliário e o outro é lastreado em dívida soberana. Na prática são papéis de características completamente diferentes, mas que, infelizmente, foram introduzidos no Brasil pelas corretoras, analistas e entre outros, como produtos semelhantes, gerando este tipo de comparação indevida. O perfil de quem investe em FII (risco elevado, maior até do que as ações, por conta da liquidez extremamente baixa) é diferente do perfil de quem investe em NTNB (baixo risco). A forma correta é comparar FIIs (papel) com um imóvel (físico). Comparar o preço do m2 para compra de cotas de FIIs com o preço do m2 para compra do imóvel físico, mais precisamente na mesma localidade (região). É importante ressaltar que os FIIs precisam oferecer um prêmio maior em relação ao imóvel físico e não o inverso. O preço da cota de um FII, como qualquer outro papel, até sujeito às oscilações do mercado, às decisões amadoras dos gestores, à especulação, ao jogo de interesse, entre outros. Já o preço do imóvel físico está sujeito às condições de demanda naquela determinada região, mas o grande diferencial é que o negócio depende de suas próprias decisões.

      Abcs, bom domingo

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    4. Ola fi!
      Primeiramente, desculpe pela ausencia de acentos, estou no exterior e nao sei onde ficam os acentos neste teclado.

      a) Nao vejo nenhum problema na comparacao. Se partimos do pressuposto que os ativos (pelo menos numa perspectiva de medio para longo prazo) pode ser precificados pelo fluxo de caixa descontado, parece me claro que com uma taxa de juros maior, a taxa de desconto sobre e o valor presente diminui. Assim, obviamente sao ativos diferentes com funcoes diferentes, mas creio que podem ser comparados sim (ntnb e fii);

      b) A premissa de comparar m2 eh boa, mas nao eh a unica forma de se avaliar um fii. Comprar abaixo do VP eh, na minha opiniao, apenas um dos filtros. Outros seriam a capacidade do fundo gerar alugueis consistentes, a localidade onde os imoveis se localizam e se o fundo eh diversificado em varios locatarios ou nao. Sinceramente, nao entendi por qual o motivo tem que haver um maior premio em relacao aos fii do que imoveis fisicos. Em relacao ao TD, sem duvida, em relacao aos imoveis fisicos tenho minhas duvidas. Se o FII eh dono de um imovel bem localizado, comprado abaxo do VP, qual eh o risco de oscilacao na cota? Nenhum, na minha opiniao. Alias eh uma oportunidade de aumentar posicao e aumentar o yield, se vc fizer o dever de casa e apenas destinar a parte do seu dinheiro que nao tera necessidade de movimentar nos proximos anos para alocar em fii, e deixar uma parcela significativa em renda fixa para aproveitar crashs, depreciacoes e ter reserva de emergencia.
      A iliquidez de um imovel fisico eh muito maior do que um fii com liquidez diaria, sendo assim eu acho que o premio para imoveis fisicos talvez deveria ser maior sob esse aspecto. Alem do mais, os fii ja tem um premio maior que eh a inexistencia de imposto de renda sobre o rendimento mensal. Um aluguel de uma PF de 0,5% de uma residencia, se subtrair custo de corretagem mais IR de 27,5% cai para uns 0,3% am. Ha FII diversificado, bem administrado, com contratos longos de aluguel, pagando 0,8% liquidos am, sendo que este valor eh corrigido anualmente pelo igpm ou ipca;

      Apenas algumas reflexoes, lembro que perguntei para voce sobre fii uns tres meses atras, desde la estudei muito sobre o assunto, e consegui chegar nas minhas proprias conclusoes.

      um abraco!

      soulsurfer

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    5. Olá soulsufer,

      Ótimas ponderações! Creio que você desenhou o cenário perfeito para os FIIs. Imóveis bem localizados, diversidade no portfólio do fundo, bons contratos de locação e preço de compra abaixo do VP. Acontece que a questão principal está no amanhã. Qual será o VP futuro do fundo? Os contratos de aluguéis serão mantidos nestas mesmas circunstâncias? O gestor está tomando decisões favoráveis aos cotistas? Continuará assim no futuro? Estas variáveis são mais arriscadas quando você não tem o poder da tomada de decisão, logo o prêmio de um FII, na minha avaliação, precisa ser maior. Além disso, é mais fácil prever o retorno do investimento a partir de um imóvel físico do que prever o retorno do investimento a partir de um "papel" (FII), sujeito à todas as variáveis que afetam os mercados, além da própria capacidade de gestão e peculiaridades do administrador.

      Abcs, bons negócios

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  5. F I
    Você acha confiável os movimentos do índice atualmente, considerando as variações expressivas que a ogx tem demonstrado e seu reflexo no índice?

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  6. boa pergunta, estava aqui matutando exatamente issorsrsss.

    semana q vem a ogx devolve os 80% que ganhou essa semana e o bull vira bear...

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  7. FI, No meu entendimento, o IBOV esta nos dizendo com toda clareza que no longo prazo ele pretende descer mas não vai ser nada repentino. Será na maciota oscilando dentro do grande canal de baixa, e que devermos aproveitar as várias oportunidades de ganho que este canal vai oferecer como já ofereceu antes. Qual a sua opinião?
    Grande abraço,
    Beethoven

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  8. "Uma andorinha só não faz verão"

    De fato o peso da OGX é relevante no índice. Ocupa 6,9% da carteira teórica. Mas a questão principal é que os demais ativos de peso do índice (Vale, Petro, bancos e siderúrgicas) estão apresentando um ótimo desempenho nos últimos dois meses. Portanto, o mais importante a ser observado, é que independente da OGX, o índice Bovespa estaria trabalhando uma tendência de alta neste momento e, também, independente da OGX, o índice Bovespa teria despencado na primeira metade deste ano. Não alterou o direcional do mercado.

    Com relação a composição do índice, a BM&FBovespa está apenas seguindo o padrão de liquidez adotado nos demais índices mundiais. Acontece que aqui gerou esta polêmica toda por dois motivos básicos: (i) o mercado de capitais no Brasil é muito pequeno (quase que uma ilha virgem dentro do sistema) e grande parte dos investidores (massa, principalmente PFs) são amadores e/ou com pouca experiência em renda variável, fato que permitiu condições para que o Eike pudesse fazer o que ele fez; (ii) há mais de 5 anos não sabemos o que significa estar perto de um topo histórico e este ano o índice atingiu a mesma pontuação registrada em 2006. Isso significa que a grande parte dos investidores tradicionais no mercado de ações (holders) estão desmotivados, pessimistas e com um baixo retorno sobre o capital investido. Esta insatisfação leva à certos questionamentos naturais do ser humano, "é preciso colocar a culpa em alguém" e, desta vez, sobrou para composição da carteira teórica do índice Bovespa, que nada tem a ver com a estratégia de cada um de nós no mercado.

    Abcs, bom domingo a todos!

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  9. Beethoven,

    Por enquanto no longo prazo a tendência ainda é de baixa. Mas ninguém pode dizer se o fundo deste ciclo de correção é mesmo os 44.1k ou algum patamar mais abaixo. Só vamos saber disso quando rompermos o topo histórico rsrs... Particularmente não acho viável operar com esta perspectiva do que poderá acontecer no futuro, mesmo porque isso é algo impossível de prever. Mas o mercado este ano apresentou duas excelentes oportunidades de posicionamento um pouco mais prolongado, tanto para operar na ponta vendedora, quanto para operar na ponta compradora. Na minha humilde opinião, o mais importante é ter uma estratégia pronta e preparo psicológico para conseguir aproveitar, dentro do possível, estas oportunidades, independente da direção do mercado.

    Abcs, bom domingo!

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    1. FI, Gostei da resposta. Vou reformular meu conceito porque acho que esta com a razão.
      Obrigado, Beethoven

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