quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Novo Ibovespa


Estudos realizados por importantes participantes do mercado de capitais brasileiro (entre analistas, players e instituições financeiras), com objetivo de alterar a metodologia de formação da carteira teórica do índice Bovespa, estão em fase avançada e já surtiram efeito. A BM&FBovespa divulgará ainda nesta quarta-feira um comunicado ao mercado informando as alterações que serão efetuadas na metodologia do Ibovespa.

A principal mudança está relacionada à exclusão de ações com valor abaixo de um real, mas ainda não há uma explicação para evitar que um simples grupamento de ações (redução do número de ações em circulação no mercado e consequente aumento do preço) possa manter as empresas, que não se enquadrariam na nova regra, dentro da carteira teórica do índice Bovespa.

Uma empresa com ações cotadas na bolsa a R$ 10,00 que fizer, por exemplo, um grupamento na razão de 5 para 1 (isto é, cinco ações passarão a ser apenas uma ação e os preços serão multiplicados por 5) aumentará o valor de suas ações para R$ 50,00. O investidor que possuísse 100 ações desta empresa cotadas a R$10,00 teria o valor total de R$ 1.000,00 investido. Após o grupamento o mesmo investidor passaria a ter apenas 20 ações cotadas a R$50,00, mas continuando com os mesmos R$ 1.000,00 investidos na empresa.

Um simples grupamento de 3 para 1 nas ações da OGX poderia, nos preços atuais, manter as ações da empresa dentro da carteira teórica do índice Bovespa mesmo com a nova regra a ser divulgada. Esta possibilidade estratégia precisa ser contornada pela BM&FBovespa, caso contrário o índice Bovespa continuará causando polêmica no mercado.

Para efeito comparativo, a S&P Dow Indices LLC (empresa que administra o índice Dow Jones) também está realizando uma reforma significativa na formação da carteira teórica do índice, porém de forma muito mais simples e objetiva.

A Alcoa será substituída pela Nike, a Visa (administradora de cartões) ocupará o espaço da H-P (Hewlett – Packard) e o banco Goldman Sachs ocupará o lugar do Bank of America. E ponto final.

Em comunicado, a S&P Dow Indices LLC disse que as mudanças refletem o baixo preço das ações das três empresas que estão sendo removidas e o desejo do Comitê do Índice de diversificar o grupo de setores e indústrias representados pelo índice.

Todas as três ações que estão deixando o índice têm mantido um desempenho inferior ao do mercado acionário em geral nos últimos anos (e consequente queda de liquidez), enquanto as três ações que estarão fazendo parte do novo Dow Jones (a partir do dia 23 de setembro) tem apresentando um desempenho superior à média do mercado, além de serem empresas com boas perspectivas futuras.

No mercado de capitais o índice Dow Jones emplacou o terceiro candle consecutivo de alta, estimulado pela ausência de linhas de resistências relevantes, mantendo o movimento de recuperação.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,76% sem apresentar novidades. Mercado em correção após o topo de curtíssimo prazo formado na média móvel simples de 200 períodos. Apesar do movimento corretivo, a tendência de alta de curto e médio prazo segue inalterada.


13 comentários:

  1. Até que enfim vão modificar o Ibov. Mas de nada adianta excluir empresas com cotação menor que 1 real se um simples grupamento resolve o problema. Se eles querem excluir o grupo X, tem que ser mais objetivo.
    Ouvi dizer também que o Ibov vai entrar com um pedido na CVM para poder bloquear ações negociadas a menos de 1 real, estando ela no índice ou não. Isso forçaria empresas enfadonhas (como Tec Toy) a ajustarem a cotação, ou caem fora.
    Abraços

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    1. Exatamente AdP, precisam evitar que o grupamento continue permitindo que as empresas de valor inferior a R$ 1,00 (ou seja, micos) continuem participando da carteira teórica do índice Bovespa. A BM&F vai explicar com mais detalhes como vai ser esta mudança, mas pelo que observei no comunicado de ontem, estarão permitindo esta estratégia de grupamento. Observei no comunicado de ontem que haverá ponderação pelo valor de mercado da companhia também, além da liquidez. Parece uma boa. Vamos ver as explicações da BM&F hoje.

      Abcs, bons negócios

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    2. AdP e FI,
      A questão do agrupamento é diferente, pois o Ibovespa atual está baseado em liquidez somente e o novo índice terá peso relativo aos valores das empresas e não somente à quantidade de ações. Com respeito a ações com valor menor de R$ 1,00, o ponto é que isso aumenta muito a liquidez (quantidade de negócios), mas não necessariamente o volume negociado (em R$), portanto o agrupamento automaticamente deve diminuir a liquidez em termos de quantidade de negócios, sem contar que com o valor de mercado ponderado, vai diminuir o peso da OGX no índice. O problema não é fazer parte, mas o peso que esta ações tem no índice.
      Abraços,

      Blog Economicamente Incorreto
      http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br

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  2. Tá certo...centavos só opças mesmo

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  3. Poderiam muito bem criar uma função com pesos, onde seriam dados pontos por volatilidade, oscilação porcentual, número de negócios, etc. para criar o novo índice e indexar as ações que entrariam no índice.

    Do jeito que fizeram, está parecendo um puxadinho do Mantega.

    Resolveram o problema das ações da OGX e outras que valem centavos, mas os problemas continuarão aparecendo...

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    1. Coisa de brasileiro rs... Nos Estados Unidos a gestora do Dow Jones fez a troca a dedos, simples e objetiva. Agradou e ninguém reclamou. Um dia chegaremos neste nível.

      Abcs, bons negócios

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  4. Eu não entendo pra que essa piração com índices. Eles têm critérios objetivos e pronto. Mas você não tem que investir em índices. Em geral quem investe nisso são só as instituições financeiras que têm fundos baseados neles.

    Pra mim o quanto tá valendo ou não tá valendo o IBOV e o quanto este variou não faz absolutamente nenhuma diferença.

    Abraços.

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    1. Exato. Aqui gerou esta polêmica toda por dois motivos básicos, na minha opinião: (i) o mercado de capitais no Brasil é muito pequeno (quase que uma ilha virgem dentro do sistema) e grande parte dos investidores (massa, principalmente PFs) são amadores e/ou com pouca experiência em renda variável, fato que permitiu condições para que o Eike pudesse fazer o que ele fez; (ii) há mais de 5 anos não sabemos o que significa estar perto de um topo histórico e este ano o índice atingiu a mesma pontuação registrada em 2006. Isso significa que a grande parte dos investidores tradicionais no mercado de ações (holders) estão desmotivados, pessimistas e com um baixo retorno sobre o capital investido. Esta insatisfação leva à certos questionamentos naturais do ser humano, "é preciso colocar a culpa em alguém" e, desta vez, sobrou para composição da carteira teórica do índice Bovespa, que nada tem a ver com a estratégia de cada um de nós no mercado.

      Abcs, bons negócios

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    2. É exatamente isso que eu penso. Os administradores de fundos baseados no índice têm que explicar para seus clientes o porquê do dinheiro deles estar na mesma há 6 anos.

      Porque quando vendem a prosa é de que a renda variável tem mais risco e por isso traz mais retorno que a renda fixa e esse blablabla todo.

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  5. FI, a LTN 2016 ainda tá compensando?


    Leonardo

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    1. Sim.

      Fechou em 11,52%. Não está no topo do ano (11,78%) mas o Yield continua bom.

      Abcs, bons negócios

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