quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Parece fuga, mas não é


O número divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira assusta. O Brasil registrou no mês de agosto saída líquida de 5,85 bilhões de dólares, sendo 1,858 bilhão pela conta comercial e 3,992 bilhões pela conta financeira. Este é o maior déficit para o mês dos últimos 15 anos.

Em agosto de 1998 cerca de 11,79 bilhões de dólares haviam deixado o País. O fluxo negativo foi motivado por um forte movimento de fuga de capitais ocasionado pelo estouro da crise da Rússia, levando à desvalorização de moedas no mundo inteiro.

Mas desta vez o déficit na balança cambial brasileira não sinaliza um movimento de fuga de capitais. O significativo fluxo negativo do mês de agosto foi causado por uma manobra das instituições financeiras brasileiras de grande porte.

O Banco Central havia implementado, no primeiro semestre de 2011, medidas para brecar a valorização do real. A autoridade monetária reduziu os limites legais das posições vendidas no mercado à vista dos bancos brasileiros. O limite chegou a ser rebaixado para apenas 1 bilhão de dólares. Para se enquadrarem na nova regra do Banco Central, os bancos (com posições vendidas volumosas) correram no mercado externo para captar dólares em linhas de financiamento com prazo superior a dois anos (para escapar do IOF de 6% incidente sobre captações externas de curto prazo).

Boa parte destes empréstimos realizados no primeiro semestre de 2011 venceu no mês de agosto. Os bancos optaram por não rolar os contratos e quitaram os empréstimos, fato que ocasionou a maior parte do déficit de 3,99 bilhões de dólares contabilizado pela conta financeira em agosto.

Apesar da característica atípica registrada no fluxo cambial, e da falsa impressão de fuga de capitais, a tendência é que o País continue registrando déficit no fluxo cambial nos próximos meses, em linha com o cenário de redução da liquidez global, porém de forma relativamente moderada.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o dia próximo da estabilidade. O pregão abriu em queda, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo. Mas o índice conseguiu se recuperar na parte da tarde impulsionado pelo movimento em Wall Street. Caso o piso formado na região dos 51.1k seja mantido amanhã, o mercado confirmará o fim do movimento corretivo de curtíssimo prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,65% reagindo à divulgação do Livro Bege do FED (Federal Reserve - Banco Central do País). A avaliação da autoridade monetária é de que a economia norte-americana cresceu de forma modesta a moderada nos últimos dois meses. O resultado está dentro do cenário de projeção do FED, fato que corrobora para manutenção da expectativa de redução dos estímulos monetários no final deste ano.


4 comentários:

  1. FI,

    Nesse cenário de fuga de dólares do país devido a diminuição do QE, quando houver de fato a diminuição do programa, será que vai afetar além do que já afetou os yields títulos?

    Amanhã sai a Ata do copom, fico na expectativa para ver se já há alguma sinalização de interrupção da alta.

    Agradeço,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Provavelmente não. O mercado está precificando o cenário de redução da liquidez global. Taxa de 12% para uma Selic de 9,5% ou 10% (projeção de fechamento em 2013) representa um elástico já um pouco esticado. Para os Yields continuarem subindo o Banco Central teria que sinalizar manutenção do ciclo de aperto monetário para o primeiro trimestre de 2014 e os juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano teria que ultrapassar os 3%, que é considerado um patamar elevado para o curto prazo (Fed Funds Rate em zero e 0,25%).

      Abcs, bons investimentos

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  2. proximo reuniao do dia 09 do FED
    todos diminuindo o apitite por risco..

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    1. Opa, tudo bom amigo?

      Apenas uma correção, a reunião ocorre nos dias 17 e 18 de setembro.

      Abcs, bons negócios

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