terça-feira, 3 de setembro de 2013

Produção industrial volta a ceder


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta terça-feira que a produção industrial brasileira voltou a ceder no mês de julho. A queda de 2% do indicador praticamente anulou o avanço de 2,1% registrado no mês de junho.

O excesso de volatilidade tornou-se uma marca no indicador de atividade industrial do IBGE. Segundo André Macedo, economista da instituição, a forte oscilação do indicador observada neste ano é um reflexo da inflação alta, endividamento elevado das famílias, dificuldades de exportação, maior competição de importados no mercado interno e aumento dos estoques.

Macedo disse ainda que a valorização do dólar tornará as exportações brasileiras mais atraentes. No entanto, até o momento, o economista não identificou ganho de competitividade na indústria por conta da alta do dólar. Este é um processo que deverá acontecer de forma gradual e com certa limitação, já que as moedas dos demais países (principalmente emergentes) também estão se desvalorizando (em menor intensidade).

O indicador de atividade industrial do IBGE apenas reforça a expectativa do mercado para um crescimento nulo, ou até mesmo negativo, no terceiro trimestre de 2013.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta terça-feira em baixa de 0,40% sem apresentar muitas novidades. A linha de resistência na região dos 52.4k foi testada e respeitada, fato que permitiu a entrada de posições vendidas no mercado.


O candle de fechamento é uma estrela cadente que sinaliza topo duplo na região dos 52.4k. Isso significa que a correção iniciada hoje poderá se estender para os próximos pregões. Mesmo com a sinalização de venda no curtíssimo prazo, as condições técnicas para rompimento futuro dos 52.4k continuam favoráveis. O segundo teste, num curto espaço de tempo, em uma zona de resistência forte e de extrema relevância (52.4k) sinaliza relutância do mercado em ceder de forma consistente, mostrando supremacia da força compradora em determinadas regiões relativamente próximas da zona de resistência. Este cenário também causa desconforto psicológico (aumento do medo) na manutenção e/ou abertura de posições vendidas volumosas.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta de 0,16%. O índice também foi barrado por uma importante linha de resistência, posicionada na região dos 14.9k. Segue dentro de uma congestão de curtíssimo prazo, podendo retornar a região de suporte dos 14.760 pontos.


Na tarde de hoje, o líder da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, declarou apoio ao presidente Barack Obama em uma eventual ação contra a Síria. Este foi o motivo encontrado pela mídia para justificar a queda (ou o baixo desempenho) dos mercados nesta terça-feira. Mas na verdade o cenário com relação à Síria permanece o mesmo desde o último final de semana. Os mercados cederam simplesmente porque encontraram zonas de resistências relevantes de curto prazo.

6 comentários:

  1. FI,

    Esses dados do IBGE já estão virando piada... O desfecho final fica para as futuras declarações do Mantega.

    Miguel

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    1. Miguel,

      O desempenho da atividade industrial está muito instável este ano. O último PMI do Brasil calculado pelo Instituto Markit (referente ao mês de agosto) revela uma leve retração da atividade em 49,4 pontos. Um dos principais motivos é a inflação. O aumento dos preços dos insumos importados (por conta da desvalorização cambial) está brecando o desempenho da indústria.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI, qdo será o próximo pronunciamento do FED sobre o QE3?
    Abraço, Fernando

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    1. Fernando,

      Será no dia 18 de setembro, após o encerramento da reunião de Comitê. Pelos últimos indicadores divulgados, parece que a redução dos estímulos monetários começará mesmo no final deste ano.

      Abcs, bons investimentos

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    2. Obrigado FI, pretendo aguardar o nervosismo do mercado até essa data para aportar. :)
      Muito obrigado. Abraço, Fernando.

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