terça-feira, 10 de setembro de 2013

S&P cobra agilidade nas concessões


A agência de classificação de risco Standard & Poor’s voltou a emitir mais um sinal de alerta ao governo brasileiro nesta terça-feira. A diretora da S&P do Brasil, Regina Nunes, disse que o governo brasileiro precisa acelerar a agenda de concessões e privatizações para conseguir manter sua atual nota de classificação de risco.

Há cerca de dois meses atrás a S&P revisou a perspectiva para o atual rating brasileiro (BBB) de estável para negativa, sinalizando que se não houver melhoras no cenário econômico, político e fiscal, a agência de classificação de risco cortará o rating brasileiro nos próximos anos.

Regina Nunes explicou que a S&P ainda está preocupada com o baixo ritmo de crescimento da economia num cenário de inflação alta e escassez de investimentos. As concessões e privatizações poderiam destravar alguns gargalos de infraestrutura, abrindo condições para que o País possa crescer de forma mais vigorosa, gerando menos inflação.

O governo precisa obter sucesso no programa de concessões e criar condições para que os investimentos possam fluir com mais rapidez, evitando atrasos no programa. Mas para isso será necessário observar uma nova postura de gestão entre as lideranças políticas, bem menos agressiva ao capital e mais ágil/eficaz na implementação dos projetos. Pontos importantes que o governo tem pecado nos últimos anos.

Com relação à parte fiscal, o mercado cobra um mínimo de transparência/seriedade possível do Planalto. O governo conseguiu a proeza de estabelecer como meta (fictícia) um superávit primário de 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014, mas ao mesmo tempo avisou que este número provavelmente não será alcançado, já que novos abatimentos poderão acontecer, fato que jogará o superávit primário para apenas 2,1% do PIB.

Os Economistas-chefes dos maiores bancos privados do Brasil (Ilan Goldfajn do Itaú e Octavio de Barros do Bradesco) cobraram mais transparência fiscal nas contas do governo em depoimentos à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado realizados nesta terça-feira.

O governo brasileiro precisa dar uma resposta. Mostrar serviço. Comprometimento. Capacidade de gestão. A temporada de concessões será uma ótima oportunidade para as lideranças políticas mostrarem o que não fizeram nestes últimos anos, reverterem este quadro negativo e se reaproximarem do mercado. Mas infelizmente esta é uma possibilidade que ainda parece ser bastante remota.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,50%, pressionado pela queda das ações X. A média móvel simples de 200 períodos diária segue barrando o movimento de alta do índice, colaborando para formação de um novo topo de curtíssimo prazo. A linha dos 52.4k poderá atuar, agora, como patamar de suporte relevante.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta novamente, mantendo o movimento de retomada que ganhou força com o rompimento da LTB dos 15.6k. Dados positivos do mercado chinês, além do menor temor de um ataque à Síria, colaboraram para o movimento de alta em Wall Street.


10 comentários:

  1. FI,

    Isso ai já é presságio para 2014.

    Acredito que no ano que vem o rating do Brasil vai ser rebaixado não só pela S&P, mas por outras agências de risco também. Situação do país é ladeira abaixo.

    Abs.

    Miguel

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    1. Só não acho que vamos descer mais a ladeira por conta da retomada do crescimento global em 2014 que certamente beneficiará o Brasil, além da tendência de desvalorização do real, que deverá continuar em 2014. Mas a pate fiscal é a que mais me preocupa no momento. Virou uma bagunça.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI,
    Minha dúvida não tem a ver com o assunto do artigo. É sobre uma de suas previsões: pq vc acha que o dólar vai fechar o ano a R$ 2,25? Tá certo que o dólar está caindo com as intervenções do BC, mas vc acredita que a queda continuará acontecendo, mesmo com a perspectiva de diminuição da política monetária no fim desse ano?

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    1. A ata anterior do Banco Central colocava 2,25 como alvo para 2013; Porém a ata mais recente do Copom já marcou 2,40 como câmbio para final de 2013.

      Outros valores podem ser ilações de análise técnica / conjecturas de domar a inflação via câmbio sem política de juros de dois dígitos.

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    2. Aquela projeção de R$ 2,25 estava defasada, foi a primeira do ano. Estava esperando o Banco Central aletrar sua política de intervenção no câmbio (pois até pouco tempo atrás atuava muito moderadamente com os swaps) e sair as novas projeções do Copom nesta última ata pra fazer a minha alteração. Conforme o PB afirmou, o BC subiu a projeção para R$ 2,40. Este é o cenário de referência da última ata. A minha projeção foi elevada para R$ 2,35, não acho que o dólar vá fechar o ano muito acima deste patamar, talvez feche até um pouco abaixo pois o mercado exagerou demais na alta do dólar e os eventos macro (principalmente FED) para o final deste ano já estão precificados. Ressaltando que a tendência de alta deverá prevalecer para o próximo ano.

      Abcs, bons negócios a todos

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  3. Ola FI!

    Em seu livro você descreve uma estrategia de "reservar o principal do capital para momentos de crash do mercado. Algumas perguntas. Se puder contribuir agradeço:
    - Quanto seria o principal do capital: 30%,50%,70%?
    - Quais os ativos liquidos que servem para alocar este %: (fundos DI, fundos DI ativo, fundos cambiais, tesouro direto?)
    - o que vc faz com este capital. Mantem ele intocavel ou usa para posições de curto prazo ? Somente em RV ou RF tambem?

    Abs

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    1. Opa! Tudo bom?

      Esse percentual depende da estratégia operacional de curto prazo e do perfil de risco do investidor. O ideal é que seja pelo menos 50% ou mais. Fundos DI não são interessantes para destinar este recurso, devido à tributação de IR e cobrança de taxas de administração. Fundos cambiais e Tesouro Direto são produtos que devem ser comprados também em momentos de crash/tensão nos mercados, tal como na bolsa, porém em seus devidos segmentos (por exemplo: valorização significativa do real ou disparada dos Yields como aconteceu recentemente). A melhor opção é alocar estes recursos em produtos líquidos, de resgate imediato, isentos de tributação e/ou taxas de administração, tais como poupança e LCI. Sim este capital pode (deve) ser utilizado para giro de operações de curto/curtíssimo prazo.

      Qualquer dúvida volte a me perguntar,

      Abcs, bons negócios

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  4. Ok, muito obrigado.

    Supondo que alguem estiver com seu principal de RF todo em Tesouro Direto, e houver um crash no mercado: este estaria em condições de aproveitá-lo? (Entendo que os ativos de RV cairiam de preço, porem o TD tambem cairia devido ao aumento do yield em momentos de tensão, alem do que a liqidez do TD é semanal. Já viveu na pratica alguma situação semelhante?

    Abs,

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  5. Não seria possível aproveitar, pois neste caso o investidor já começou errado. Provavelmente comprou Tesouro Direto num momento ruim (preço alto/Yield baixo). Investir no Tesouro é como investir em ações, as compras precisam ser realizadas nos momentos em que o mercado oferece um preço atrativo (baixo). Este ano a tensão no mercado de renda fixa coincidiu com o aumento de tensão no mercado de renda variável, tanto a bolsa quanto o tesouro direto atingiram as mínimas no mês de junho. Mas isso não é uma regra, o aumento de tensão pode, também, ser restrito a um determinado segmento. Não. Investir/especular no Tesouro Direto é mais fácil até do que investir/especular na bolsa. A oscilação do Yield no mercado de renda fixa é mais limitada e menos imprevisível.

    Abcs,

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