sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Senado americano aprova orçamento temporário


Com 54 votos a favor e 44 contra, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira um projeto de orçamento para financiar temporariamente o governo norte-americano até o dia 15 de novembro deste ano.

A proposta evitará a interrupção de alguns serviços públicos (não essenciais) a partir do dia primeiro de outubro, quando começa oficialmente o exercício fiscal dos Estados Unidos de 2014.

Se até terça-feira que vem a Câmara dos Deputados, de maioria Republicana, não aprovar a proposta do Senado, alguns setores do governo federal poderão sofrer uma paralisação forçada (por “falta de verba”) até que o impasse seja resolvido entre Republicanos e Democratas.

O projeto aprovado no Senado concede fundos à reforma da saúde (mais conhecido como “Obamacare”, programa que concede subsídios aos cidadãos norte-americanos que não possuem condições de custear o seguro médico), uma das principais propostas de campanha do presidente Barack Obama, da qual os Republicanos se opõem fortemente. Nesta semana, a Câmara dos Deputados tinha aprovado um projeto de orçamento que não passou pelo Senado justamente pela exclusão do “Obamacare”.

O presidente dos Estados Unidos já adiantou que não aprovará nenhum projeto de orçamento que deixe a reforma da saúde de lado e fez um apelo para que os deputados Republicanos aprovem a proposta do Senado sem alterações. “Nos próximos três dias, deputados republicanos terão de decidir se vão juntar-se ao Senado para manter o governo funcionando ou paralisá-lo porque não conseguem o que querem em uma questão que não tem nada a ver com o déficit”, disse o presidente em pronunciamento na tarde desta sexta-feira.

O jogo político entre Republicanos e Democratas colaborou para o fechamento negativo dos principais índices de Wall Street, confirmando o sinal de reversão emitido na semana anterior. O índice Dow Jones retornou para a linha central de bollinger do gráfico semanal. A perda deste patamar de sustentação poderá jogar o índice de volta aos 14.7k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em leve baixa, mostrando pouca oscilação. Mercado ainda conseguindo se manter acima da linha de suporte em 8.6k.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em baixa, confirmando a força da zona de resistência em 20.2k. Poderá retornar a linha central de bollinger nas próximas semanas, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo.


Na China a bolsa de Xangai também fechou a semana em baixa, mantendo o movimento corretivo iniciado na semana anterior. Índice já se aproximou da LTA formada a partir do fundo na região dos 1.8k, sem apresentar sinal de fundo/reversão. Em caso de rompimento, a tendência de baixa de curtíssimo prazo poderá ganhar força.
  
  
No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em baixa, confirmando a sinalização de reversão emitida pelo candle da semana passada. Mercado permanece vendido no curtíssimo prazo, cenário que não invalida a tendência de alta de curto e médio prazo.


O destaque desta sexta-feira ficou por conta da disparada de 1,50% do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) de setembro, mostrando que a alta nos preços do atacado já está sendo influenciada pela valorização recente do dólar frente ao real, fato que deverá pressionar o IPCA (índice de inflação oficial) nos próximos meses.

Ainda no cenário doméstico, o Tesouro Nacional divulgou nesta sexta-feira mais um número ruim das nossas contas públicas. O governo central registrou no mês passado o pior superávit primário (apenas R$ 87 milhões) para meses de agosto desde que a série histórica foi iniciada (em 1997).

O índice CRB, que mede o desempenho das principais commodities mundiais, fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de reversão colado na linha central de bollinger. Apesar da reação de curto prazo, iniciada no mês de junho, o índice de commodities continua trabalhando dentro de um movimento corretivo de longo prazo, iniciado no final de 2011, período em que marcou o fim do super ciclo de alta das commodities.

CRB Commodities

Já o dólar indexado por uma cesta de moedas globais esboçou uma pequena reação esta semana após testar a LTA de 2011, levemente acima da média móvel simples de 200 períodos semanal. A sinalização não é suficiente para confirmar o término da tendência de baixa de curto prazo (iniciada no mês de junho) do dólar frente às demais moedas globais, mas alivia o movimento que começou muito forte. Observa-se que o movimento do dólar na matriz foi determinante para o bom desempenho do mercado brasileiro nos últimos três meses.

Dólar x cesta moedas

Bom descanso a todos e até segunda!

3 comentários:

  1. FI,

    De que forma você avalia a nova composição do Ibovespa frente aos futuros movimentos na bolsa - bull and bear markets?

    Será preciso uma força muito maior para jogar o índice Ibovespa lá para cima ? Com isso é de esperar bull markets mais modestos no futuro?

    Abs,

    Miguel

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    1. Certamente vai melhorar no que se refere à qualidade de empresas com participação na carteira teórica do índice Bovespa. Mas não é uma simples mudança de metodologia que vai fazer o mercado romper os 74k, por exemplo. Empresas como OGX afetaram o desempenho do índice, mas não o suficiente para influenciar no direcional do mercado. A bolsa teria despencado até a metade deste ano com ou sem empresas X no índice.

      A variável determinante para impulsionar o mercado com mais força é o fluxo de entrada de recursos na bolsa (estrangeiros, institucionais e investidores pessoas físicas). Se houver aumento no fluxo de entrada, independente de qualquer motivo, o índice tende a responder subindo de maneira mais rápida. Bastou alguém (neste caso foram os estrangeiros) voltar a comprar papel no mercado à vista (movimento que começou na metade do mês de junho) para a bolsa subir forte nestes últimos meses.

      Com o aumento de participação de boas empresas na composição do Ibovespa, é de se esperar que o índice suba com maior facilidade (comparando com a formação atual), já que refletirá, com maior peso, o fluxo dos fundos de value investing.

      Abcs, bom final de semana

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