quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Temporada de maré boa


Após a surpresa positiva do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,5% registrado no segundo trimestre de 2013, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta quarta-feira mais um dado extremamente positivo para economia brasileira.

As vendas do varejo saltaram 1,9%  no mês de julho na comparação com o mês anterior. O resultado é quase o dobro do que era esperado pelos analistas e voltou a surpreender o mercado. Com este bom resultado as vendas no varejo acumularam alta de 3,5% neste ano.

As vendas do varejo ampliado (inclui os segmentos de veículos, motos e peças e de materiais de construção) avançaram 0,6% em julho referente ao mês anterior. No acumulado deste ano as vendas do varejo ampliado já subiram 3,7%.

O bom resultado das vendas do varejo contribuirá para impulsionar o crescimento da economia brasileira este ano, fato que poderá colocar o nosso País dentro da média de crescimento mundial em 2013 (em torno de 2,5%), constituindo, assim, um cenário bem diferente daquele de 2012 (crescimento de 0,9%, bem abaixo da média global).

Apesar do descuido da parte fiscal, os números recentes da economia brasileira, juntamente com o cenário cambial favorável, retomada do crescimento global e combate (embora ainda parcial) à inflação, espantam algumas nuvens carregadas da nossa praia.

Outra notícia positiva divulgada hoje está relacionada às concessões. Bradesco, Itaú, BTG Pactual, HSBC, Safra, JPMorgan, Bank of America, Santander do Brasil, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES fecharam um acordo com o ministro Mantega para financiarem as concessões de rodovias.

Todos estes bancos se comprometeram em financiar até 70% dos investimentos a serem realizados, cobrando apenas TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) acrescida de 2% ao ano. Os empréstimos serão concedidos com prazo de 30 anos. Com o apoio dos bancos privados o governo conseguiu dar um passo importante para obter sucesso no programa de concessões.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,49%, mantendo o movimento de correção iniciado a partir do teste sobre a média móvel simples de 200 períodos.


A grande novidade ficou por conta dos esclarecimentos da BM&FBovespa quanto à nova metodologia de formação da carteira teórica do índice Bovespa. O novo Ibovespa passará a considerar o valor de mercado das empresas, o número de ações em circulação (free float), além do limite mínimo de liquidez. Empresas em recuperação judicial não poderão permanecer no índice, bem como aquelas cujas ações sejam negociadas a menos de um real.

A nova metodologia passará a valer a partir de maio de 2014. Entre janeiro e abril do ano que vem haverá uma etapa intermediária, misturando a metodologia atual com os novos critérios.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa. O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu em 31 mil na semana encerrada passada, atingindo 292 mil solicitações. O resultado veio muito melhor do que o projetado  pelo mercado, que aguardava alta para 332 mil pedidos.
  

Na próxima semana haverá reunião de Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos). Novamente as expectativas do mercado apontam para uma redução gradual no volume do programa de estímulos monetários, apesar de não haver nenhuma indicação por parte da autoridade monetária de que isso irá acontecer já no mês de setembro. Provavelmente haverá uma nova frustração. Caso as projeções do FED sejam confirmadas, os estímulos monetários serão reduzidos no final deste ano.

14 comentários:

  1. FI,

    Você não acha um pouco preocupante essa relação de financiamento dos bancos privados com o governo para essas obras de longo prazo?

    Fico com a impressão que o governo tenta envolver os bancos privados na sua lorota.

    Abs,

    Miguel

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    1. Não, pelo contrário. A participação dos bancos privados é fundamental. O programa de leilões de infraestrutura é muito pesado, gira em torno de R$ 500 bilhões. Seria impossível alcançar este número sem a participação do crédito privado. Até então os bancos privados brasileiros não trabalhavam com linhas de financiamento para este tipo de crédito, ainda mais em prazos muito longos. Mas agora parece que isso vai mudar. É um bom sinal pois a infraestrutura brasileira é muito deficitária e apresenta boas oportunidades de investimento.

      Abcs, bons negócios

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    2. FI,
      Qual seria o interesse dos bancos privados em financiar empreendimentos a uma taxa menor que a SELIC?
      Esta taxa somente garante um lucro pouco acima da inflação, pois a TJLP está em 5%
      Não consigo ver o ganho em emprestar abaixo do CDI...
      Mas se sair, ótimo. Aliás, a própria TJLP é irreal. Com a subida da SELIC a TJLP já deveria estar em pelo menos 6%, você não acha?

      Abs,

      Urso

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    3. Boa pergunta Urso,

      TJLP + 2% é dinheiro "quase" de graça aos padrões de taxa no Brasil. Até onde eu sei os empréstimos serão sindicalizados, ou seja, haverá um esforço conjunto entre diferentes bancos privados para cobrir uma determinada linha de crédito a um determinado cliente específico. Isso minimiza o risco e o volume de aporte de cada banco participante. Mas com certeza existem outros incentivos/detalhes que viabilizaram o acordo do governo com os bancos, não consegui mais informações específicas. Posso garantir que os bancos não pagarão CDI para emprestar em TJLP + 2%, provavelmente terá repasse do BNDES às instituições privadas e/ou com alguma jogada contábil.

      Abcs, bons negócios

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    4. Ou seja, o governo vai emitir títulos à selic ou outro indexador maior que a selic e vai repassar os valores para bancos via bndes a juros mais baixos.

      ou algo parecido

      mais endividamento público...

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    5. FI, já podemos nos preparar pra investir em empresas ligadas à infraestrutura e construção pesada ou ainda é muito cedo pra isso?

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    6. Anônimo 1,

      Parece que será por aí mesmo. O Tesouro vai pagar a conta da captação e repassará os recursos para o BNDES. Este por sua vez criará uma linha específica para repassar aos bancos privados os recursos cobrando TJLP + 1,5%. O spread dos bancos privados ficaria em 0,5%.

      PS: a informação do spread bancário de 0,5% está confirmada.


      Anônimo 2,

      No mínimo acompanhar o setor, apesar de existirem poucas opções na bolsa. São empresas que deverão apresentar um bom retorno no longo prazo.

      Abcs, bons negócios a todos

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  2. É mas a prévia do PIB do 3º foi negativa..

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    1. Sim, mas mesmo com um crescimento nulo no 3 TRI, o Brasil fechará 2013 com um PIB em torno de 2,5%, pois no 4 TRI deveremos ter uma pequena aceleração. Pela prévia do IBC-Br de julho, parece que a desaceleração da atividade econômica no 3 TRI não está tão forte quanto se esperava. Mais um sinal positivo.

      Abcs, bons negócios

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    2. FI, você não acha 2,5% um crescimento ridículo? Está na média histórica dos últimos 25 anos...

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    3. Sim. O Brasil tem potencial para crescer 4% ou 4,5% ao ano, mesmo com a desaceleração da China. Não chegamos neste número pois o ambiente de negócio aqui dentro se deteriorou muito nestes últimos anos. A infraestrutura brasileira é tão ridícula quanto o desempenho da economia. Mas ambos estão com perspetivas de melhoras no horizonte (concessões e retomada do crescimento global). Vamos ver no que vai dar.

      Abcs, bons investimentos

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    4. Sinceramente estou cético quanto à esta infraestrutura. Não acredito que os bancos levarão até o final este acordo. Por sinal, um dos trechos licitados desta rodovia (putz, a infraestrutura do brasil será uma rodovia? rs) não interessou a ninguém.

      E, quando os bancos todos se juntam pra algo, é porque coisa boa não deve ser. Veja: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/mantega-bancos-financiarao-ate-70-das-concessoes-de-rodovias-eu-ai-tem/

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  3. FI, neste cenário que você descreveu, mas com as perspectivas de manutenção de elevada taxa de juros e dolar no patamar de 2,30 (que ajuda a elevar a inflação), podemos esperar o que da bolsa e seus ativos :

    a) ações
    b) FIIs

    Grato,
    Douglas

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    1. Olá Douglas,

      Comentei sobre isso na minha última análise de panorama. Depois dê uma olhada: http://www.financasinteligentes.com/p/panorama-de-mercado.html

      Qualquer dúvida volte a me contactar. Estou à disposição.

      Abcs, bons negócios

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