quarta-feira, 30 de outubro de 2013

2013 terminará com a impressora do FED funcionando a todo vapor


Dando prosseguimento ao cronograma divulgado no mês de junho, os diretores do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiram manter nesta quarta-feira o atual programa de estímulos monetários, sem indicar alterações ou possíveis mudanças para os próximos meses.

A decisão foi praticamente unânime. Apenas Esther George (presidente do FED de Kansas City) votou contra a política monetária, tal como fez em todas as demais reuniões do Comitê este ano.

Em seu comunicado, o FED afirmou que a confiança dos consumidores e empresários foi abatida pela disputa política que desencadeou na paralisação do governo norte-americano. Além disso, alguns indicadores econômicos sugerem que a economia perdeu força antes mesmo da paralisação do governo.

A importante recuperação do setor imobiliário perdeu força nos últimos meses, mostrando, agora, um movimento de desaceleração. A taxa de desemprego recuou levemente para 7,2%, número ainda considerado elevado e insuficiente para interrupção dos programas de estímulos monetários.

O Banco Central voltou a ressaltar preocupações com a atual política fiscal dos Estados Unidos, num momento onde parlamentares republicanos tentam implementar, desnecessariamente, novos cortes significativos (e ideológicos) no orçamento do governo. O Comitê avalia que a política fiscal está restringindo o crescimento do país.

Vale ressaltar que não existe (e nunca existiu) uma data pré-definida para redução do programa de estímulos monetários. As informações expressas nos documentos de comunicação da autoridade monetária continuam sendo distorcidas pela mídia, analistas e economias de maneira geral.

Há quatro meses o FED tem repetido inúmeras vezes que a redução no volume da Operação Twist (compras mensais de 45 bilhões de dólares em títulos de longo prazo tesouro norte-americano) e/ou do QE3 (compras mensais de 40 bilhões de dólares em títulos lastreados em hipotecas) dependerá da retomada mais forte do crescimento econômico, queda consistente da taxa de desemprego e aumento das pressões inflacionárias.

A projeção inicial apontava que estes indicadores citados no parágrafo anterior começariam atingir os objetivos do Banco Central no final deste ano. Porém, o surgimento dos eventos adversos recentes, fora das projeções do FED, sugerem que os indicadores atingirão o objetivo da autoridade monetária, para implementação da fase de redução dos estímulos monetários, somente no primeiro trimestre de 2014.

Além da taxa de desemprego ainda em nível elevado, deve-se destacar a persistência da taxa de inflação bem abaixo da meta do FED (2% ao ano). O acumulado da inflação deste ano (até o mês de setembro) nos Estados Unidos está em 1,2%. Não há expectativa de cumprimento da meta no curto prazo.

Com relação ao futuro da Federal Funds Rate (taxa básica de juros), o Banco Central voltou a salientar que pretende subir os juros somente quando a taxa de inflação superar em 0,5 p.p. o centro da meta. Ou seja, acima dos 2,5%. As projeções do FED mostram que este quadro não deverá ser concretizado antes de 2015.

Os principais índices de Wall Street cederam levemente após a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária do FED. S&P500 recuou 0,49%, Nasdaq caiu 0,55%. O índice Dow Jones cedeu 0,39%, pressionado, temporariamente, pela última linha de resistência (máxima histórica).


No Brasil o índice Bovespa caiu 0,67%, pressionado, também temporariamente, pela queda de um determinado papel, injustamente chamado de empresa pelo mercado, comandado por uma pessoa desmerecidamente categorizada como empresário.

Os referidos nomes não serão citados nesta análise como forma de demonstrar o dia em que estas “figuras” serão, definitivamente, apagadas do mercado. Por regra, a BM&FBovespa deve suspender os negócios com ações de companhias em recuperação judicial.

Com os negócios suspensos, as ações permanecerão listadas na carteira teórica do Ibovespa até a marcação da data para realização de um leilão especial de saída, onde serão realizados os últimos ajustes necessários para o rebalanceamento do índice. O peso será redistribuído proporcionalmente aos demais 72 ativos que compõem a carteira teórica do Ibovespa.

As ações desta referida empresa permanecerão listadas na bolsa de valores e continuarão sendo negociadas, porém sob a condição de “empresa” em situação especial e, devidamente, fora do Ibovespa.

A queda desta quarta-feira derrubou o mercado para testar a importante linha de suporte na região dos 54k. Não houve rompimento, pois os demais ativos de peso relevante no índice subiram. Movimento técnico de baixa confiabilidade, mas deverá ser normalizado nos próximos dias/semanas.


21 comentários:

  1. Sabemos que o grupo deste testa de ferro do pt tem influenciado negativamente o índice bovespa. É de se esperar que, após a saída da principal fachada do empresário do índice, o ibov comece a apresentar altas mais consistentes?

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    1. Acredito que sim, já que os ativos de peso relevante no índice estão trabalhando dentro de tendências de alta de curto e médio prazo e não indicaram sinalização de reversão. O índice vai ficar melhor ainda a partir do início do ano que vem, com o novo rebalanceamento.

      Abcs, bons negócios

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    2. Ai começa o 2 mandato da Dilma, hehehe.

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    3. Essa vai ser uma baita jarra d'água no chopp rsrs...

      Abcs, bons trades

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  2. Olá FI.
    A Foster e sua diretoria vinham discutindo esse assunto para regular os reajustes, juntamente com a equipe econômica do governo. Porque será então, que o Mantega está se dizendo insatisfeito? Será que houve precipitação por parte da Petrobras em fazer o anúncio? Dá a impressão que a Foster deu uma atropelada no processo e pegou a equipe econômica meio de surpresa. Ou então o Mantega tomou um presta atenção daqueles e tá todo nervoso agora. Abs.

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    1. O Mantega está insatisfeito porque a PTbras é usada pra controle de inflação, apesar de isso não estar funcionando muito bem.

      É o ministro da fazenda mais fraco desde a criação do plano real.

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    2. Esta afirmativa vem da mesma pessoa que implementou inúmeras medidas de baixa eficácia nos últimos anos (causando sérias distorções na economia), criticou a política do FED, BCE, BoE, BoJ (sendo que hoje ele está torcendo para que estas políticas sejam prolongadas ao máximo), bagunçou o câmbio com intervenções excessivas no passado, maquiou o superávit primário, espantou os investidores, colaborou para nossa perda de credibilidade e, por último, ainda conseguiu jogar a culpa no Bernanke pelo baixo desempenho da nossa economia. Acho que ele tomou um presta atenção daqueles mesmo, pra variar. Isso porque ele é o presidente do conselho de administração da Petrobras rsrs...

      Abcs, bons investimentos

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  3. Se o FED confirmou o estimulo pq DJ caiu? Não deveria ter subido ainda mais e vencido a resistencia?

    Ela voltou só pelo teste na resistencia mesmo? Nada haver com as noticias?

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    1. Não houve motivos na agenda do dia para queda. Movimento técnico mesmo. Normal, pois o índice está próximo da sobrecompra, subindo forte desde os 14.7k. De vez em quando é bom parar pra tomar uma limonada, o movimento técnico fica até mais saudável com as formações de fundos ascendentes, o que ainda não aconteceu (desde a pernada iniciada nos 14.7k).

      Abcs, bons trades

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  4. FI a culpa pela derrocada da OGX foi do mapa astral do eike que estava desfavoravel nao vamos crucifica-lo. abraços

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  5. epic comment classificar a "empresa" como "inominavel"!!!

    o mais triste eh que mesmo depois de declarada a recuperação judicial, os papeis continuaram disponiveis ate no after.

    estamos sós na selva. essa eh a verdade.

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    1. A Bovespa confirmou agora a noite que amanhã será o último dia de negociação, com a realização do leilão de saída. A partir de sexta-feira não teremos mais essa ação no índice Bovespa. Muito bom poder voltar a operar no índice sem precisar de olhar pra esse papel.

      Lembrando que todos nós saímos perdendo, pois o governo fez o imenso favor de emprestar quantias generosas a esta "empresa".

      Abcs, bons negócios

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    2. FI,

      E quem ficou com os papeis na mão? Corre atrás do Eike? rs.

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    3. Sim rsrs... O último da fila pra receber algo, em caso de liquidação da "empresa", é o investidor. Como a dívida é muito maior do que o total de ativos da empresa, o investidor ficará sem nada nas mãos.

      Abcs, bons investimentos

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  6. Excelente Tópico, infelizmente essa empresa leva consigo muito dinheiro nosso, é de chorar pagar o IR... Quem sabe agora a BVMF passa a respeitar mais os investidores e pensa duas vezes antes de incluir no índice papeis sem qualidade, porque resta clara a motivação política para que alguns meses atrás o índice tenha aumentado a participação do liXo no ibov.

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    1. Lamentável também a postura da CVM, que não fez nada, mesmo quando tudo estava muito óbvio. Pra variar. Mais uma grande cicatriz para mercado de capitais brasileiro, que mal começou a crescer.

      Abcs, bons negócios

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  7. Oi FI

    Na sua opinião,e em condiçoes normais acha que os mercados vão continuar subindo,ou sera tarde demais para fazer uma carteira?

    Obrigado

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    1. O momento propício pra começar a montar posições na ponta compradora já passou. O mercado virou no mês de junho, emitindo um série de sinalizações favoráveis à reversão. Mas creio que ainda é possível sim montar posições compradas, porém deve-se admitir um risco maior. O índice segue em tendência de alta de curto e médio prazo e, até o momento, não há sinalização de reversão.

      Abcs, bons investimentos

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  8. FI, sabe qual o spot que o FED usará para começar a reduzir os estímulos?
    Digo isso pois o spot de 6,5% de desemprego é para o final da redução dos estímulos, não o começo.
    Talvez uns 7% de taxa de desemprego?
    Abçs

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    1. O FED não informa. Pelo menos eu não sei rsrs... Mas tenho o mesmo raciocínio que o seu. Já que o Banco Central definiu 6,5% (ou menos) pra terminar os estímulos, creio que o start será quando a taxa cair pra 7% ou um pouco abaixo disso (6,9%), mantendo a expectativa de queda para os próximos meses.

      Abcs, bons negócios

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