quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aperto monetário poderá continuar em 2014


Dois dias após a divulgação do RelatórioTrimestral de Inflação, o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, não poupou palavras para expressar sua preocupação com a inflação persistentemente elevada, fortalecendo, desta forma, a expectativa de uma postura ainda mais hawkish (intolerante com a inflação e favorável aos juros mais altos) da autoridade monetária.

Em entrevista a Bloomberg, Tombini disse que o Banco Central tem uma janela de oportunidade para conter a inflação que vai até abril de 2014, já que a base de comparação do período anterior foi muito alta. Esta afirmativa sugere que o atual ciclo de aperto monetário poderá ser mais longo do que o esperado, estendendo-se para os primeiros meses de 2014.

O presidente do Banco Central disse ainda que os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) estão comprometidos em trazer a inflação para baixo, jogando-a o mais próximo possível do centro da meta (4,5%). Caso o Banco Central continue subindo a taxa básica de juros nos primeiros meses de 2014, o centro da meta poderá, realmente, ser atingido em 2015.

As afirmativas de Tombini estão em linha com a declaração recente do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, de que “há bastante trabalho a ser feito pela política monetária em termos de combate à inflação”. O testemunho destes dois, e principais, diretores do Copom, reforça a expectativa de uma atuação mais firme (prolongada) da política monetária para fazer frente ao cenário nada animador traçado no último Relatório de Inflação.

Os juros futuros no Brasil ainda não reagiram à possibilidade, agora bastante concreta, de extensão do ciclo de aperto monetário em 2014, já que as taxas de curto prazo estão precificando duas novas elevações de 0,5 ponto porcentual da Selic. Esta indicação poderá ficar mais visível nas atas do Copom de outubro e novembro.

Além disso, a relativa calmaria no mercado de juros futuros brasileiro (levando em consideração as novidades de política monetária) está refletindo o movimento corretivo dos Yields dos Treasuries (títulos públicos do Tesouro norte-americano). Após se aproximar dos 3% na primeira semana de setembro, os Yields voltaram a ceder e hoje atingiram os 2,62%.

Já o câmbio voltou a perder o piso de R$ 2,20, atingindo os R$ 2,19 nesta quarta-feira. A cotação reagiu às declarações do presidente do Banco Central, pois o aumento da taxa Selic contribuirá para atração de fluxo de capital ao Brasil. Com uma Selic mais alta, a remuneração dos títulos públicos brasileiros aumenta (governo paga juros mais altos para rolar a dívida).

Oferecer condições para entrada de dólares no País é uma estratégia condizente com o cenário atual. O aparecimento deste fluxo extra, provocado pela atratividade dos títulos públicos do governo brasileiro, poderá suavizar o rombo nas transações correntes, atenuar as pressões inflacionárias e reduzir a própria intensidade da tendência de alta da moeda norte-americana de médio e longo prazo.

No cenário externo o BCE (Banco Central Europeu) manteve as taxas de juros oficiais da zona do euro na mínima recorde de 0,5%. Mario Draghi, presidente da instituição, disse que a autoridade monetária está atenta a qualquer movimento das taxas de juros futuros que possa ameaçar a recuperação econômica. O Banco Central poderá implementar, inclusive, outra LTRO (operação de refinanciamento de longo prazo) caso seja necessário.

A declaração de Mario Draghi é uma resposta ao movimento dos Yields que subiram nos últimos meses após o FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) sinalizar a possibilidade de redução do seu programa de estímulo monetário no final deste ano.

As bolsas de valores oscilaram pouco nesta quarta-feira, apesar da permanência do impasse entre Republicanos e Democratas que provocou a paralisação de alguns órgãos não essenciais do governo norte-americano. O índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,39%, num pregão irrelevante, de baixo giro financeiro. Mantêm análise do dia anterior.


O índice Bovespa cedeu 0,15% nesta quarta-feira, marcando um pregão de poucas novidades e baixo giro financeiro. A LTB dos 55.9k foi testada e respeitada. Índice permanece com espaço livre bastante limitado para oscilar e sem indicação de movimento para o próximo pregão.


13 comentários:

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    1. Verdade. Tirei aquele "menos" da frente, pra ficar melhor e mais fácil de entender. Obrigado!

      Abcs, bons investimentos

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  2. FI,

    Que confusão esse Brasil... Bom post.

    Miguel

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    1. Fi, repare nesta notícia há menos de um mês:

      19/08/2013 às 19h05 1
      Juros de mercado embutem prêmios excessivos, avalia Tombini

      De acordo com o presidente do BC, os movimentos recentemente observados nas taxas de juros de mercado incorporam prêmios excessivos. Sobre o comportamento dos juros, o presidente do BC não teceu outros comentários. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), as taxas de DI projetam Selic em alta ao longo de 2013 e 2014.

      http://www.valor.com.br/financas/3238618/juros-de-mercado-embutem-premios-excessivos-avalia-tombini#ixzz2gchg5WFO

      Não consigo entender esse Banco Central do Tombini.

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    2. Acho que ele disse isso para tentar amenizar o movimento de euforia no mercado futuro. Na época os players estavam jogando o dólar lá pra cima e aproveitaram pra empurrar o DI, que vinha de uma queda forte de curto prazo. Tanto é que o primeiro movimento corretivo dos Yields no mês de julho foi interrompido no mês agosto, invertendo novamente a curva de juros de curto prazo (de descendente para ascendente).

      Abcs, bons investimentos

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  3. BREAKING NEWS
    Brazil Outlook Revised to Stable from Positive by Moody's

    how about this?

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    1. PQP vou morar na suecia

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    2. Já estava demorando pra Moody's seguir o caminho da S&P. Não sei como não jogaram logo pra perspectiva negativa. São os mesmos problemas apontados pela S&P. E o governo brasileiro continua ignorando. É mais um sinal de alerta pra um futuro corte no futuro se tudo continuar do jeito que está.

      Abcs, bons negócios a todos

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  4. 02/10-Moody's rebaixa perspectiva de rating do Brasil
    Moody's anunciou nesta quarta-feira que manteve o rating dos títulos do governo do Brasil em Baa2, mas rebaixou as perspectivas para o rating de positiva para estável. Segundo relatório da agência de classificação de risco, a decisão de rebaixar as perspectivas do rating do Brasil foi determinada pelo fato de que as principais métricas de crédito estão se deteriorando, especialmente da dívida pública em relação ao produto interno bruto (PIB) e das relações de investimentos em relação ao PIB. Além disso, também pesou para a decisão da Moody's as evidências de que a economia está passando por um período de baixo crescimento prolongado, tendo em conta a expectativa de que o PIB brasileiro irá registrar crescimento de pouco mais de 2% em 2013 e 2014. A deterioração da qualidade dos relatórios das contas públicas, bem como os recorrentes empréstimos do Tesouro aos bancos públicos também contribuíram para a revisão da perspectiva do rating do país.

    FI, será que é possível se despedir com bons trades? rs

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    1. O que vier agente opera rsrs.. Se perder os 52k o movimento corretivo ganha força.

      Abcs, bons trades

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  5. Olha o que o jovem acaba de mandar:

    Juros futuros recuam após fala de Tombini
    Presidente do Banco Central afirmou que a inflação está sob controle no Brasil
    03 de outubro de 2013 | 10h 29

    Em Londres, o presidente do BC disse nesta manhã que "estamos observando a inflação para definir nosso passo". "Na nossa visão, fizemos progressos em termos de inflação depois do pico do mês e junho e (depois disso) fomos capazes de reduzi-la", afirmou, acrescentando que "estamos em processo de redução da inflação" e que "a inflação está sob controle".

    As declarações tendem enfraquecer as apostas em elevações agressivas da Selic. Mas ainda que as taxas futuras caiam, conservam a chance majoritária de o juro básico subir 0,50 ponto porcentual na semana que vem e mais 0,50 pp em novembro.

    Um dia sim, um dia não, rs.

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    1. É, bem diferente do que ele disse ontem. Esta expressão "inflação está sob controle" é marketing político do PT, pois todo mundo sabe que a inflação controlada é quando o Banco Central consegue cumprir com o seu objetivo (carregar a inflação para meta de 4,5%).

      Vamos ver o que vai aparecer na próxima ata do Copom. Pelo Relatório de Inflação, a Selic teria que bater os 10% ao ano.

      Abcs, bons negócios

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  6. preciso de um conselho :
    estou querendo abrir uma franquia já tenho esquematizado tudo estou com o negocio , ponto , dinheiro mais estou com medo de dar errado pela possível crise econômica de 2014. O que me aconselha fazer pois o dinheiro investido nesse negocie de quase 100.000,00 R$
    desde ja , agradeço muito

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