quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Banco do Povo ganha espaço para subir os juros de curto prazo


A economia chinesa voltou a surpreender o mercado na manhã desta quinta-feira. A prévia do Índice Gerente de Compras da China atingiu 50,9 pontos no mês de outubro, superior a leitura de setembro (50,2 pontos), mostrando aumento na força de expansão da atividade industrial.

Este é o melhor resultado dos últimos sete meses. O avanço inesperado foi influenciado pelo aumento significativo no volume de novas encomendas, reforçando evidências de que o crescimento da economia está se estabilizando, após a desaceleração dos trimestres anteriores.

A melhora no quadro econômico abriu uma nova janela de oportunidade para o Banco do Povo (Banco Central da China) retomar políticas de enxugamento de dinheiro do sistema financeiro. Conforme podemos observar no gráfico abaixo, a shibor (taxa de juros do mercado interbancário chinês) voltou a subir forte nos últimos dias.

Shibor taxa mercado interbancário China

No início do mês de junho, o Banco do Povo expressou ao mercado suas preocupações com as operações de crédito bancário. O sistema financeiro na China opera altamente alavancado. O investimento foi o grande motor de propulsão da economia durante muitos anos no passado. Mas algumas linhas de financiamento apresentam qualidade duvidosa. Além disso, o governo tem se dedicado a esvaziar uma perigosa bolha no mercado de crédito imobiliário.

A estratégia de permitir a elevação da taxa de juros no mercado interbancário provoca um enxugamento de liquidez do sistema, deixando o crédito mais caro e seletivo. O Banco Central consegue provocar este aperto monetário ao deixar de entrar no mercado com as operações programadas de crédito.

A autoridade monetária não atua no mercado há três dias. Estima-se que o Banco do Povo já enxugou mais de 157 bilhões de iuanes (26 bilhões de dólares) dos mercados de crédito desde o início deste mês.

A estratégia também colabora para redução da inflação no país. O índice oficial de preços ao consumidor disparou 0,80% no mês de setembro, atingindo a marca de 3,1% no acumulado dos últimos 12 meses.  O economista da Nomura, Zhang Zhiwei, disse que a inflação deverá alcançar os 3,5% neste mês, pressionando ainda mais a China para o aperto monetário.

O mercado mostrou-se confortável com o atual nível da Shibor Rate (em 5%), sustentado pela sinalização de melhora do quadro econômico doméstico.  As bolsas europeias fecharam em alta mesmo com a redução do ritmo de expansão da atividade industrial na zona do euro (prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 52,2 pontos em setembro para 51,5 pontos em outubro).

A bolsa de Paris, na França, subiu 0,35%. Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt avançou 0,68%. Na Inglaterra, a bolsa de Londres cedeu 0,58%. A bolsa de Milão, na Itália, subiu 1,28% e a bolsa de Madri, na Espanha, fechou em alta de 0,89%.

Nos Estados Unidos o índice S&P500 subiu 0,33%. Nasdaq avançou 0,56%. O índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,62%, reagindo rapidamente à queda de ontem, aproximando-se do topo ascendente na região dos 15.5k.


A redução do ritmo de expansão da atividade industrial nos Estados Unidos também não afetou o mercado. A prévia do Índice Gerente de Compras despencou de 52,8 pontos em setembro para 51,1 pontos em outubro.

No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa pelo segundo pregão consecutivo, mantendo a tendência de queda de curtíssimo prazo. O mercado fechou pouco abaixo da linha de suporte dos 55k, onde o seu rompimento deverá ser confirmado amanhã.
  
  
Pesou sobre o mercado o fato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ignorar, mais uma vez, os alertas do FMI (Fundo Monetário Internacional). O relatório da instituição criticou o aumento de gastos do governo brasileiro nos últimos anos e reduziu o potencial de crescimento do país para vergonhosos 3,5% ao ano.

O FMI acrescentou ainda que para ser possível atingir o crescimento potencial, o Brasil precisa acelerar o investimento (principalmente obras de infra-estruturas) e aumentar a produtividade para níveis maiores do que os recentemente alcançados.

O crescimento potencial estima o máximo que um país pode crescer sem gerar nenhuma distorção no mercado e não permitir valores de inflação acima ou abaixo da meta.

4 comentários:

  1. Bom Dia a todos

    FI, mais um artigo esclarecedor. Quero colaborar com a minha opinião que aqui no Brasil o que pesou tambem foi a expectativa do balanço da Petro em 25/10 a noite.

    Abraço

    CRICRI

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    1. Sim, o papel despencou nos últimos três dias. Mercado apreensivo com o caixa da Petro. Mas o ativo mostrou uma reação na tarde de ontem (fundo em 18,05) e hoje segue mantendo o movimento de alívio. Vamos ver o que vai sair hoje. Obrigado!

      Abcs, bons negócios

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