sexta-feira, 18 de outubro de 2013

China vai cumprir meta de crescimento


A Agência Nacional de Estatísticas informou nesta sexta-feira que o PIB (Produto Interno Bruto) chinês cresceu 7,8% no terceiro trimestre de 2013. O resultado demonstra que a economia da China avançou no ritmo mais rápido deste ano, impulsionada pelas altas taxas de investimento.

No segundo trimestre deste ano o crescimento atingiu a marca de 7,5%. Já no acumulado dos nove primeiros meses do ano o PIB chinês avançou 7,7%, acima da meta estabelecida pelo governo para todo o ano (7,5%). Os números são confortáveis, pois mesmo com uma eventual perda de ritmo neste quarto trimestre, o governo chinês conseguirá cumprir com a sua meta de crescimento de 7,5%, num período crítico de baixo crescimento global e mudança na dinâmica da economia chinesa.

No início deste ano, vários analistas de mercado questionaram o sucesso do governo no cumprimento da meta de crescimento para 2013, devido ao processo de reestruturação econômica (orientar o crescimento para o consumo interno). Mas, até o presente momento, a mudança na dinâmica da economia chinesa está sendo bem conduzida, sobrepondo-se, inclusive, ao quadro internacional ainda complexo. As exportações chinesas foram duramente afetadas neste último mês de setembro em virtude da retração na demanda de países emergentes (prejudicados pela volatilidade dos mercados financeiros), mas ainda assim o crescimento chinês não decepcionou.

Por este motivo o resultado do PIB da China agradou o mercado, colaborando para fechar a semana com chave de ouro nas principais praças financeiras mundiais.

Em Wall Street o índice S&P500 renovou a máxima histórica nesta semana, atingindo os 1.774 pontos, colado na linha de retorno do canal de alta iniciado na região dos 670 pontos. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Gráfico S&P500

O índice Dow Jones também segue dentro de um canal de alta, mas ainda não renovou sua máxima histórica. Fechou em alta pela segunda semana consecutiva, caminhando para testar e romper o topo histórico nas próximas semanas.


Na Alemanha o índice DAX também renovou sua máxima histórica nesta semana atingindo os 8.865 pontos. Índice segue caminhando para dobrar a sua pontuação desde a mínima registrada em 2011, no auge da crise financeira europeia. Uma verdadeira lição àqueles que esperavam um desastre nos mercados europeus, tal como previa o “renomado economista” Nouriel Roubini.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana na máxima, colada no topo histórico. Índice conseguiu superar a última resistência abaixo da máxima histórica, acionando um importante pivot de alta. Mercado deve seguir o mesmo caminho do México, que também rompeu seu topo histórico este ano.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa, mantendo-se dentro de uma congestão de curtíssimo prazo. Segue dentro de uma tendência de alta de curto prazo, mas no médio e longo prazo ainda trabalha dentro de uma tendência de baixa.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em forte alta, confirmando o martelo de fundo registrado uma semana antes, na linha de suporte dos 52k. Mercado em tendência de alta de curto e médio prazo, com boas possibilidades de rompimento da zona de resistência dos 56k nas próximas semanas.


Merece destacar no cenário doméstico a importante retomada das discussões em torno do abandono do tripé macroeconômico (superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante) pelo governo federal. Em seminário no Rio de Janeiro, dois importantes ex-presidentes do Banco Central do Brasil (Arminio Fraga e Gustavo Franco), pegaram o gancho nas críticas de Marina Silva e mostraram-se preocupados com a condução da política econômica do governo, referindo-se ao abandono do tripé macroeconômico.

É neste campo que a oposição precisa se concentrar para tirar o PT do poder. Com Armínio Fraga e Gustavo Franco aparecendo mais na mídia, adotando uma postura mais crítica do que o de costume, as esperanças aumentam um pouco.

Um ótimo final de semana a todos vocês!

21 comentários:

  1. vc acha que os numeros chineses sao confiaveis FI???

    desde 2008 que nao acredito nem nas rating companies. nao vai ser no governo da china q eu vou confiarrsrsrsrsr

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    1. A China deve estar crescendo desta forma sim. O problema é como fazem pra chegar nestes valores: construindo cidades fantasmas que sabe-se que jamais serão vendidas pelo que se pede de preço...

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    2. Quem já foi pra China sabe que esses números estão corretos, o sistema lá é bem diferente do daqui, mesmo que a produção das fábricas fica encalhada eles desovam pela metade do preço só pra continuar girando o dinheiro.

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    3. Sim, os números da Agência Nacional de Estatística estão corretos. O resultado saiu em linha com a medição das instituições privadas. Não houve divergência. Não vejo como desconfiar do crescimento robusto da China. São os maiores detentores, fora dos Estados Unidos, de Treasuries (títulos públicos do governo norte-americano) e dólares do mundo, simplesmente porque não existe outra opção segura para aplicar tanto dinheiro assim. Além disso, em qualquer canto do mundo pode-se encontrar uma enxurrada de produtos "made in China". É um crescimento tão absurdo que você consegue enxergar a olho nu, nem precisa de estatística rsrs... A questão principal é que o modelo adotado nos últimos 30 anos, muito estimulado pelas altas taxas de investimento, não se sustentará nos próximos 30. Por este motivo o governo está fazendo a transição deste modelo de crescimento, que vai ser mais focado no consumo interno. A China investiu/investe muito, pois está sentada numa pilha de dinheiro sem precedentes. E o governo tem uma estratégia muito clara: está pagando o preço que for necessário para adquirir ativos no mundo inteiro com objetivo de garantir o suprimento de energia/alimentos ao seu país nas próximas décadas. Muito provavelmente as estatais chinesas levarão a melhor no leilão de Libra. Os chineses querem o petróleo, independente se o preço de extração será X ou 2X. São os únicos no mundo que podem se dar ao luxo de "enviar uma ordem de compra à preço de mercado".

      Abcs, bom sábado a todos!

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    1. Papel em tendência de alta, mas no curtíssimo prazo está sendo pressionado refletindo as negociações do governo federal com a empresa. O governo está precisando reforçar o caixa pra tentar chegar perto da "meta de superávit fiscal" e se dispôs a parcelar débitos tributários referente a lucros da empresa no exterior.

      Abcs, bom final de semana

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  3. Olá FI.
    Eu ia comentar a respeito da credibilidade da China também. Não acredito que hajam grandes distorções, estilo la Cristina hermana rsrs, mas não confio muito nas informações do governo Chinês.
    Bom final de semana também!

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    1. Opa, tudo bom Zé Piu? Respondi mais acima.

      Obrigado!

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  4. é isso aí FI, precisamos ajudar a politizar melhor as pessoas, para dar um fim no PT, embora não seja o foco do blog em si, cada um precisa ajudar como pode a melhorar o país

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    1. Exato. Já perdemos a oportunidade do super ciclo de alta das commodities e agora estamos com a casa desarrumada (fiscal principalmente) pra aguentar as turbulências futuras que virão a partir de 2015 com a elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos.

      Abcs, bom sábado!

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    2. Poderia escrever um pouco sobre "turbulencias futuras"? Obrigado

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    3. Sim, expliquei sobre isso neste post:

      http://www.financasinteligentes.com/2013/07/uma-lanterna-no-meio-da-escuridao.html


      Abcs,

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  5. FI como se formou esta pilha de dinheiro dos chineses? Balança comercial? Certamente passa pela mão de obra barata quase escrava, que esta se transformando.

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    1. No meu entender, com a imensa quantidade de dólar que entra na economia chinesa devido às exportações deste país, o governo não tem outra alternativa para manter o yuan desvalorizado a não ser comprar estes dólares.

      Isso gera outro problema, a inflação, que existiria sob altos índices, afinal, o dinheiro da compra de dólares circula a economia chinesa.

      Desta forma, a China tem uma grande necessidade de apresentar elevados PIBs, de modo a manter seus índices inflacionários em baixa e estáveis.

      Uma das formas como ela faz isso é construindo aquelas cidades fantasmas que vemos em vídeos no youtube.

      Pra mim, a China é uma bomba relógio. Espero que consigam desarmá-la antes da explosão.

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    2. Apenas melhorando a explicação. A quantidade de dinheiro circulante na China é enorme. Isto geraria uma inflação monstruosa. Eles consomem esta grana de muitas formas, e uma das mais simples é construir. Constroem pra caramba, PIB vai nas alturas, a grana circulante é consumida e a inflação fica sob controle.

      O problema é encontrar quem consiga comprar tudo o que eles levantam, tanto comercialmente quando residencialmente falando.

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    3. Sim, a China abriu o seu mercado e criou uma espécie de ambiente de negócio perfeito com a mão de obra barata e baixo custo de energia (mais poluente, como carvão e petróleo). O país se tornou a capital dos principais players industriais. Para muitas empresas, ou mesmo setores, não ter uma linha de produção na China significava falência por incapacidade de competição. Hoje a mão de obra ainda continua barata, mesmo com todo avanço econômico e desenvolvimento da sociedade, que em tese tende a proporcionar mais benefícios aos trabalhadores. Na China este processo de melhoria é mais lento, já que o Estado tem uma presença forte, praticamente totalitária, e acaba inibindo/suavizando a atuação dos sindicatos.

      Abcs a todos e boa semana!

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  6. Grande FI, qual a sua opinião a respeito do polêmico leilão da bacia de libra? Vc é a favor? Abraço

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    1. Sim, precisamos atrair investimentos. O problema é a forma como o governo está implementando, além das já conhecidas faltas de confiança e credibilidade que temos do mercado. Acho que isso explica a ausência das grandes petroleiras do mundo no leilão.

      Abcs, bons negócios

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  7. FI,

    Será que temos mais espaço para queda do dólar?

    Abraço,

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    1. No curto prazo acho que sim. Pode retestar uma região importante na faixa de R$ 2,11 a R$ 2,08.

      Abcs, bons negócios

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