quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Copom sinaliza manutenção no ritmo de aperto monetário


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) elevou nesta quarta-feira a taxa Selic de 9% para 9,5% ao ano, confirmando as indicações da última ata de reunião do Comitê, além do Relatório de Inflação divulgado no final do mês passado. A elevação de 0,5 p.p. não surpreendeu o mercado.

Ao final da reunião o Banco Central emitiu o seguinte comunicado: “Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano."

Conforme podemos observar nesta pequena mensagem de extrema relevância, os diretores do Copom ainda não emitiram nenhum sinal de redução no ritmo de aperto monetário.

Este é o mesmo comunicado emitido na reunião anterior e sinaliza, portanto, manutenção no ritmo de aperto monetário. Isso significa que a taxa básica de juros provavelmente subirá 0,5 p.p. na próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 26 e 27 de novembro, encerrando 2013 com uma taxa Selic de dois dígitos (10% ao ano).

No mercado de capitais os principais índices de Wall Street encerraram o pregão desta quarta-feira em leve alta, reagindo à nomeação de Janet Yellen para a presidência do FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos).

Yellen, atual vice-chair do FED, é conhecida por ser uma das principais articuladoras da política monetária dos Estados Unidos. É uma economista extremamente competente, de postura mais dovish (tolerante com a inflação, defensora de juros mais baixos e dos programas de estímulos monetários), semelhante à figura do atual presidente Ben Bernanke. Isso significa que a gestão do FED não sofrerá mudanças relevantes e dará continuidade aos trabalhos da administração anterior.

A vice-chair do FED disse hoje que dará o melhor de si para promover o pleno emprego, preços estáveis e um sistema financeiro forte e estável. Yellen ainda afirmou que “os Estados Unidos fizeram progresso na recuperação da crise financeira, mas ainda há mais a ser feito”. A nomeação do presidente Obama precisa ser confirmada pelo Senado, fato que deverá acontecer sem surpresas.

As declarações de Yellen sugerem manutenção no cronograma do FED para redução gradual no volume do programa de estímulos monetários no final deste ano, desde que as projeções do Banco Central norte-americano sejam confirmadas (taxa de desemprego, taxa de inflação e taxa de crescimento). Esta redução segue condicionada à melhora da economia norte-americana. Já a Federal Funds Rate (taxa básica de juros nos Estados Unidos) não deverá subir até o primeiro semestre de 2015, conforme indicações dos principais documentos de comunicação da autoridade monetária com o mercado.

Ainda nesta quarta-feira foi divulgada a ata da última reunião do FED. A decisão do Comitê foi praticamente unânime, com apenas um membro (Esther George, presidente do FED de Kansas City), votando contra a política monetária. Mas os membros do Comitê que não possuem poder de voto enxergaram consistência nos dados da economia norte-americana (principalmente com relação ao mercado de trabalho) e pediram uma pequena redução no volume do programa de estímulo monetário (mais especificamente na Operação Twist).

Os membros que pediram redução no volume da Operação Twist são os mesmos que indicaram esta falsa possibilidade algumas semanas antes da reunião de Comitê e mostraram-se preocupados com a comunicação do Banco Central, distorcida por eles mesmos. Estes diretores perderam credibilidade no mercado.

O índice Dow Jones reagiu nesta quarta-feira após testar a média móvel simples de 200 períodos diária, mantendo-se acima do importante patamar de suporte na região dos 14.7k. O candle de fechamento é uma estrela que sinaliza fundo e possível reversão na tendência de baixa de curtíssimo prazo.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em leve alta de 0,45%, mantendo-se acima da região de suporte mais importante de curto prazo. O candle de fechamento é, também, uma estrela e reforça a sinalização de indecisão emitida no pregão da última terça-feira.
  

O mercado parece preparado para subir nos próximos pregões, aguardando apenas uma definição nos Estados Unidos.

16 comentários:

  1. FI,

    Nada de novo no copom. Vamos ver o que acontece em novembro, novos índices de inflação devem sair até lá.

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      Exato. Este aumento era amplamente esperado. O destaque ficou por conta do comunicado, praticamente confirmando a expectativa de fechamento da taxa Selic em 10% este ano, em linha com as indicações do último Relatório de Inflação.

      As oscilações de preço de curto prazo tem pouco peso na decisão do Copom. Por mais que ocorra, hipoteticamente, uma deflação em novembro (considerando ser um movimento atípico/fora da curva), não haverá alterações na condução da política monetária. Os diretores tomam a decisão avaliando o cenário dos próximos 12 meses ou mais.

      Abcs, bons investimentos

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    2. FI,

      Preve que o aumento iria se prolongar a 2014?

      Agradeço.

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    3. Por enquanto não, mas só porque não estou certo da eliminação do "limitador político" dentro do Banco Central, conforme citei na análise do dia 30/09 ( http://www.financasinteligentes.com/2013/09/selic-de-dois-digitos-ja-nao-e.html ). Mas pelas últimas declarações do Tombini e do Hamilton, e também pelo conteúdo/projeções do Relatório de Inflação, a taxa Selic deveria continuar subindo no início do ano que vem. Vou esperar a próxima reunião do mês de novembro para avaliar se o Banco Central está, realmente, "blindado" das interferências do governo.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI, obrigador pela informações diárias! Deixa eu te fazer uma pergunta: Pq o CDI esta tao descolado da taxa Selic, ou estou errado. Tenho um investimento atrelado ao CDI queria saber qual sua projeção para o CDI em Dezembro?

    Diogo

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    1. Diogo,

      Por nada. Respondendo a sua pergunta, não há descolamento significativo entre o CDI e a taxa Selic. O CDI fechou o mês de setembro em 0,70%, já a taxa Selic em 0,71%. No mês de agosto tanto o CDI, quanto a taxa Selic, fecharam em 0,70%.

      Provavelmente a rentabilidade do seu investimento é menor por conta da taxa de administração (se for um fundo) e da provisão para débito do imposto de renda. Se você tem um CDB, procure se informar qual o percentual do CDI que o banco está lhe pagando. Lembrando que a melhor opção para investimento em renda fixa de curto prazo são as LCIs.

      Qualquer dúvida volte a me questionar.

      Abcs, bons investimentos

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    2. FI, aproveitando a pergunta do Diogo: eu lembro de ter lido (acho que na Folha) que esse descolamento acentuado acontece(u) sobretudo quando a SELIC se encontra(ou) em patamares mais altos. Esse fenômeno já não aconteceu de forma mais significativa no passado? Isso, aparentemente levado a cabo por uma suposta má-fé dos bancos, não é completamente indevido? Como impedi-lo?

      Esse ponto me parece importante na medida em que afeta o rendimento (para baixo) de nossas aplicações conservadoras.

      Abs,
      Jr

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    3. Jr,

      No final do ano passado houve sim um descolamento maior entre CDI x taxa Selic.
      Novembro/2012:
      Taxa Selic: 0,57 - CDI: 0,54
      Dezembro/2012:
      Taxa Selic: 0,59 - CDI: 0,53

      O Banco Central provavelmente chamou atenção dos bancos, mas no início deste ano voltou acontecer de novo:
      Fevereiro/2013:
      Taxa Selic: 0,54 - CDI: 0,48
      Março/2013:
      Taxa Selic: 0,60 - CDI: 0,54

      Isso ocorre por dois motivos básicos: (i) queda no volume de transações interbancárias (que é o que define a taxa CDI). Para se ter uma ideia, em 2002 ocorriam, em média, 111 negócios no mercado interbancário. Hoje este número caiu para 17. (ii) com a queda de volume no mercado interbancário, alguns bancos podem ter aproveitado esta oportunidade para fazer arbitragem (pagar CDI e comprar Selic), tirando um lucro pequeno na diferença entre as taxas. Para isso, basta forçar a queda na taxa CDI (já que o volume no mercado interbancário caiu significativamente) e comprar Selic (LFT) no final do dia.

      O Banco Central monitora de perto os bancos para que este descolamento não ultrapasse 0,05/0,10 p.p., mas não pode atuar no mercado interbancário. Então fica difícil manter o CDI sempre em linha com a taxa Selic.

      Este é um dos motivos pelo qual o governo está tentando fazer a desindexação da economia e, algum dia, acabar com o CDI, mantendo apenas a taxa Selic como referencial. O primeiro passo já foi dado: o governo está reduzindo a parcela de dívida atrelada à taxa Selic (LFTs). Se você entrar na página do Tesouro vai observar que só existe LFT para 2017. O Objetivo é acabar com os títulos pós-fixados (por tabela o CDI), disponibilizando apenas títulos pré-fixados no mercado, fato que vai contribuir, também, para impedir este ganho fácil dos bancos.

      Para o investidor o importante é já começar a se familiarizar com aplicações pré-fixadas. Este almoço grátis do pós-fixado vai acabar. Isso significa que para manter um bom rendimento em aplicações conservadores será necessário saber operar pré-fixado, e para isso, exige acompanhamento do mercado de juros futuros para segurar as taxas nos melhores momentos.

      Não sei se ficou claro, pois este assunto é muito polêmico. Qualquer dúvida volte a me questionar.

      Abcs, bons investimentos

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    4. Perfeito, FI! Agradeço-lhe pela atenção!

      Abs,
      Jr

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  3. Boa análise, FI.
    Parabéns.
    Estou tentando entender essa questão do FED... taxa de desemprego, inflação, PIB
    Descobri o site da bls.gov.
    Interessantes os dados da "Unemployment rate"... forte indicador do motivo pela qual precisaram diminuir fortemente os juros...
    E, realmente, visualizando os gráficos, a taxa de desemprego lá está caindo visivelmente.
    Li que está em 7,3% agora... em junho estava em 7,6%
    Sabe quando eles divulgam as taxas?
    Vc pesquisa através de quais sites, se puder falar, é claro.
    Obrigado!
    Um abraço!

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    1. Obrigado!

      Sim, méritos para o FED que fez um excelente trabalho. A taxa de desemprego dos Estados Unidos em 2010 estava acima dos 10%. Hoje já está em 7,3% e tende a continuar cedendo moderadamente nos próximos meses a medida em que a economia volta a ganhar fôlego. Mas deve-se ressaltar que o indicador de desemprego também cedeu pela desistência de alguns norte-americanos em procurar emprego.

      Acompanho os indicadores pela Reuters. A bloomberg também é uma boa fonte. Acho que o indicador do mês passado está atrasado, por conta da paralisação do governo.

      Abcs, bons negócios

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  4. Bom dia FI
    Gostava de saber a sua opinião em relação ao impasse do teto de divida nos EUA,

    Veja este Link de alguns minutos,em relaçao ao teto de divida:
    http://videos.sapo.pt/SWuzQNdqfMn85HgZ4

    É bom lembrar que são os mesmos que diziam que em 2013 os mercados iam entar todos em bear market.

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    1. Boa tarde, tudo bom?

      O link está correto? Não consegui acessá-lo (página inexistente)

      Abcs,

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  5. FI,

    Comecei operar esse ano com RF, comprei LTNs 2016 a 11,48%/R$ 758. Hoje está a R$ 794. Como não tenho experiencia em este tipo de trade te pergunto se já é uma boa hora para realizar lucro, e como definir um ponto de saida em RF? Abs

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    1. Galo da Comarca,

      Se você carregar o título até o vencimento (31/12/2015), vai receber os 11,48% ao ano. Esta rentabilidade provavelmente será superior ao rendimento médio da taxa Selic no período e, portanto, você conseguirá bater o mercado (LFT). Mas se você não pretende carregar este título até o vencimento, o momento já é favorável para você começar a fazer liquidações parciais na posição. A taxa tende a recuar mais um pouco, talvez até pra 10,70%/10,60%, mas creio que dificilmente se aproxime dos 10%. Acertar o ponto certo, da virada na curva, é difícil. Por este motivo é interessante fazer movimentações parciais na posição.

      O mercado de juros futuros está calmo (Yields cedendo), acompanhando o movimento das Treasuries (títulos públicos do Tesouro norte-americano), influenciado pela expectativa de que o FED não vai reduzir os estímulos monetários no curto prazo (deverá acontecer no final deste ano ou início do ano que vem). Existe o risco das taxas voltaram a disparar quando o FED começar, efetivamente, a reduzir o volume do programa de estímulo monetário. Havendo novamente uma crise de tensão nos mercados, teremos mais um ponto de compra interessante.

      Abcs, bons negócios

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