quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Expectativa de acordo carimba reversão em Wall Street


A sinalização de fundo e possível reversão emitida no pregão de ontem foi confirmada hoje com uma forte arrancada dos principais índices de Wall Street. Dow Jones, Nasdaq e S&P500 subiram mais de 2% somente nesta quinta-feira embalados pela expectativa de acordo entre parlamentares Republicanos e Democratas.

O presidente da Câmara, John Boehner, entregou ao presidente Obama uma proposta da Câmara para estender até o dia 22 de novembro deste ano a capacidade de o governo norte-americano tomar empréstimos, evitando, assim, qualquer possibilidade (por mais remota que seja) de um default na dívida dos Estados Unidos.

A proposta não elimina o impasse entre os dois partidos, apenas concede um tempo maior para que as negociações possam fluir sem a pressão dos mercados.

Bastou apenas aparecer um sinal de progresso nos Estados Unidos para as bolsas voltarem a subir. Com uma alta de 2,18%, o índice Dow Jones rompeu a LTB do topo histórico mostrando um candle de força relevante (marubozu de alta), confirmando fundo na importante linha de suporte dos 14.7k, que ainda contou com o apoio da média móvel simples de 200 períodos.


Na Europa o índice DAX da bolsa de Frankfurt (Alemanha) avançou 1,99%. A bolsa de Londres, na Inglaterra, subiu 1,46%. Na França, a bolsa de Paris disparou 2,21%. A bolsa italiana subiu 1,54%. Na Espanha, a bolsa de Madri fechou em alta de 2,35%.

O movimento de alta na bolsa brasileira ficou um pouco moderado por conta dos fatores internos envolvendo empresas de peso relevante no índice (Vale e Petro).

A Vale pode estar pressionada a fazer logo um acordo para colocar fim à disputa fiscal bilionária envolvendo a companhia e o governo federal. Este último, precisando fazer caixa para conseguir cumprir as metas, ainda que fictícias, de superávit primário. Este possível acordo poderá causar impactos no balanço e fluxo de caixa de curto prazo da companhia, já que a quantia possivelmente não está provisionada. Já a Petrobras segue pressionada pela indefinição (novela) no reajuste do preço dos combustíveis, a depender da perspectiva do governo para inflação de curto prazo. Em entrevista a Reuters nesta quinta-feira o ministro Mantega disse que não há nenhuma previsão para o aumento no preço da gasolina.

Ainda assim o índice Bovespa conseguiu fechar o dia com uma alta de 0,85%, confirmando a sinalização técnica de terça e quarta-feira. A LTB dos 55.9k foi rompida, abrindo espaço para o índice continuar subindo nos próximos pregões.


No mercado de câmbio o dólar segue mantendo o movimento corretivo de curto prazo. A moeda caiu para R$ 2,17 na venda refletindo a sinalização do Banco Central em manter o ritmo do aperto monetário (abrindo a possibilidade de atrair mais investidores estrangeiros, com o aumento da remuneração das LFTs), além da expectativa de acordo entre os parlamentares norte-americanos.

Destaque para relevância do ponto técnico. O dólar começou a perder sua principal base de apoio (região dos R$ 2,17) de curto prazo, fato que poderá provocar o acionamento de um pivot de baixa, jogando a moeda para região de suporte entre R$ 2,11 a R$ 2,08, onde poderá surgir uma nova janela para abertura de posições compradas em dólar visando prazos maiores.
  

Por fim, o Banco Mundial emitiu um relatório nesta quinta-feira recomendando que os países emergentes (principalmente o Brasil) aproveitem a janela de oportunidade do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), já que os estímulos monetários não serão reduzidos até o final deste ano, para fazerem as reformas de política fiscal e mudanças necessárias visando melhorar o ambiente de investimento empresarial. Entretanto, o governo brasileiro segue, até o momento, negligenciando estes avisos corriqueiros.

10 comentários:

  1. Oi, Fi.
    Tudo bom?
    E essa alta do $UST10Y e do $UST30Y, será que engata uma 2ª?
    Abraços,
    Sir Income

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    1. Tudo bom Sir Income e por aí?

      Os Yields norte-americanos corrigiram forte após o FED expressar preocupação com o movimento dos juros futuros. Acho que dificilmente supera os 3% (ou a máxima deste ano em 2,98%) no curto prazo. Mas no longo prazo a tendência é de alta gradual.

      No curto prazo pode-se observar que os Treasuries estão procurando um ponto de equilíbrio na curva. Hoje bateu 2,71% no título de 10 anos, sendo que no início da semana a taxa estava em 2,62%.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI,

    Será que o corte do QE já teria sido precificado no mercado ou ainda haveria coisa grande por vir?

    Também li a notícia do alerta do FMI, mas me parece mais preocupante o aumento dos juros nos EUA em 2015 do que de fato a diminuição do QE. Ou será que ainda haverá grande movimentação?

    Abs,

    Miguel

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    1. * cito principalmente o mercado de renda fixa brasileiro.

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    2. Miguel,

      Sou obrigado a concordar com o ministro Mantega desta vez (até que enfim uma rsrs...). Ele disse que a redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos está precificada pelo mercado. Esta afirmativa parece correta. Ninguém vai ser pego de surpresa, a não ser que o corte ocorra num volume substancial (provavelmente começarão reduzindo apenas 10 bilhões). Por este motivo o Bernanke resolveu avisar com bastante antecedência, mas acabou criando uma tensão antecipada nos mercados.

      Mas por outro lado existe o risco das taxas futuras voltarem a subir mesmo com a redução do estímulo monetário já precificada em caso de um aumento inesperado da inflação, ou de uma guinada no crescimento/forte redução na taxa de desemprego. Este cenário é improvável, mas não pode ser descartado. Obrigaria o FED atuar com a mão mais pesada, pegando os mercados desprevenidos (quanto ao volume dos cortes - em vez de 10 bi, poderia ser 20 ou 30 bi numa só tacada). E fator surpresa no mercado é o ingrediente perfeito para causar volatilidade nos preços dos ativos.

      Certamente o aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos é muito mais preocupante e vai ser conduzido com extrema cautela pela Yellen, pois neste caso haverá, de fato, desalavancagem do sistema financeiro. O corte dos estímulos monetários é apenas uma interrupção na injeção de dólares no sistema, mas não enxugaria a liquidez já existente.

      Abcs, bons investimentos

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  3. Marubozu "Godzila" lá no Dow Jones hein.. rs

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    1. rsrs... há muito tempo não aparecia um marubozu tão forte no Dow Jones. Engolfou 5 candles, provavelmente deu correria pra fechar posição vendida por lá.

      Abcs, bons negócios

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  4. Que vergonha este nosso país:

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/10/1354965-perdao-a-multinacionais-abre-crise-na-receita-federal.shtml

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    1. Virou bagunça, tem que aparecer alguém pra colocar ordem na casa. A prioridade é tirar esse PT do poder. Seja com Eduardo Campos ou com Aécio.

      Abcs, bons negócios

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