terça-feira, 8 de outubro de 2013

FMI reforça o recado


Pouca coisa mudou desde que a Standard & Poor’s e Moody’s rebaixaram a perspectiva para o rating brasileiro. Observando a lamentável atitude do governo federal em ignorar os alertas recentes realizados por duas das principais agências de classificações de riscos do mundo, o FMI (Fundo Monetário Internacional) resolveu reforçar o recado ao Brasil em seu Relatório de Panorama Econômico Mundial.

Houve redução na expectativa de crescimento da economia global para este ano (de 3,1% para 2,9%) e, também, para 2014 (de 3,8% para 3,6%). O grande destaque acabou ficando por conta da diminuição nas projeções de crescimento para economia brasileira. O relatório aponta que o Brasil deve crescer 2,5% este ano, mas a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2014 foi reduzida de maneira relativamente expressiva, de 3,2% para 2,5%, já levando em consideração a perspectiva de melhora nas exportações (em decorrência da desvalorização do Real).

Os motivos responsáveis pela redução na projeção de crescimento para o ano que vem são, basicamente, as mesmas preocupações apontadas pela Standard & Poor’s e Moody’s: crescente deterioração fiscal, inflação persistentemente elevada, ausência de reformas estruturais e falta de capacidade do governo em solucionar as principais barreiras ao investimento.

O FMI ainda destacou que a ausência de políticas que estimulem o crescimento da oferta é um fator determinante para que o Banco Central continue subindo a taxa básica de juros, visando conter a pressão da demanda. Há alguns anos (desde o final de 2009) o crescimento da oferta não consegue acompanhar, nem de perto, o crescimento da demanda. Este desequilíbrio foi provocado pelas estratégias equivocadas da política econômica do governo federal, insistentemente debatidas em nosso blog.

O cenário de inflação elevada, significativamente acima da média mundial, e crescimento modesto, consideravelmente abaixo do nosso potencial e da média mundial, deverá permanecer em 2014, já que o governo não tem demonstrado interesse (ou não sabe) em fazer o seu dever de casa.

A dor de cotovelo de 2012 pode voltar em 2014. Mesmo com o arrefecimento dos índices de preço nos últimos meses, a inflação brasileira (6,09% nos últimos 12 meses) ainda é mais que o triplo da média dos 34 países-membros da OCDE (1,7% nos últimos 12 meses). Enquanto o Brasil continua relativamente de braços cruzados, os demais países emergentes (no geral) seguem empenhados nas suas respectivas tarefas de casa e, portanto, devem voltar a crescer 5,1% em média no ano que vem, ao passo que o Brasil continuará “parado no tempo”, mantendo, timidamente, os seus 2,5%.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa de 0,20%, mas ainda conseguindo se manter acima da principal região de suporte de curto prazo. Esta terça-feira marcou o sexto pregão de teste sobre a linha de suporte, porém o primeiro a soltar um candle de indecisão.


Esta nova sinalização corrobora para o reaparecimento da força compradora no próximo pregão, porém a permanência do impasse entre Republicanos e Democratas segue atuando como limitador das operações no mercado.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 1,07%, realizando teste sobre a primeira linha de suporte relevante na região dos 14.7k. É também nesta região que a média móvel simples de 200 períodos diária estará passando nos próximos pregões, colaborando para fortalecimento da zona de suporte. A perda deste importante patamar de sustentação poderá acelerar (prolongar) a tendência de baixa para o curto prazo.


19 comentários:

  1. Boa noite, FI!

    O que achas do artigo abaixo?

    "http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1707

    Penso que eles foram titubeantes em relação a futura política do FED a partir de 2014.

    Obrigado!

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    1. Boa noite!

      Difícil opinar sobre um artigo deste tipo, pois há distorções/polêmicas em vários pontos (são tantos, que demoraria mais de uma hora pra rebatê-los), visando, no meu entender, favorecer a base teórica defendida pelo portal. Outra questão é tentar prever o que os bancos irão fazer e, em cima desta primeira previsão, fazer uma segunda, terceira e por aí vai. É mesma coisa que tentar operar na bolsa como se tivéssemos uma bola de cristal. Não dá certo e não funciona. Não tenho nada contra a escola austríaca, nem sou defensor da escola keynesiana. Tento apenas entender as regras do jogo e o que pode ser adaptável à determinada situação, independente se é ou não favorável a escola X ou Y. Por isso acho importante procurar fazer a leitura de textos imparciais. Confundem menos e agregam mais conteúdo. É difícil encontrar no mercado. Se eu não encontro, prefiro fazer qualquer outra coisa rsrs...

      Abcs, bons negócios

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    2. Por falar em FED, isso sim é importante saber rss. Acabou de sair:

      Obama nomeará Yellen como próxima chair do Fed na 4ª-feira
      http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE99709Z20131009

      Merecido. Tem competência de sobra. É uma das principais responsáveis pela formação da política monetária dos Estados Unidos nos últimos anos.

      Abcs,

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    3. Acho interessante então vc elaborar, se puder é claro, uma nova análise em novo tópico considerando as distorções/polêmicas da escola austríaca (relativamente ao primeiro questionamento), aliadas a continuidade do estilo Bernanke num mundo em que dizem que vão diminuir os estímulos mas dão poder pra quem na prática adora dar estímulo.

      Digo, estou achando curioso esse fato de falarem em diminuição de estímulos e darem o poder para pessoas que toleram juros baixos e inflação maior.

      Abçs

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    4. A nomeação de Yellen não significa manutenção eterna do programa de estímulos monetários (inclusive ela é uma das formuladoras da estratégia de redução do programa), mas sim a continuação de um excelente trabalho que vem sendo realizado no FED nos últimos anos. Primeiro conseguiram evitar uma catástrofe econômica e depois conseguiram (e estão conseguindo) diminuir a taxa de desemprego, enquanto a economia cresce moderadamente com uma inflação abaixo da meta. Esta é a meta do Banco Central. O cronograma do FED para redução do estímulo monetário, divulgado em junho, continua válido e vai ser cumprido nas datas previstas desde que as projeções do Banco Central sejam confirmadas. Ou seja, se tudo ocorrer conforme as estimativas do FED, a redução começará no final deste ano. Havendo algum imprevisto, o cronograma poderá ser atrasado em alguns meses, mas não deixará de ser implementado.

      Abcs, bons negócios

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  2. Isto é o resultado de deixar a economia na mão de chutadores, pessoas que não sabem nem calcular uma somatoria. Lembro nitidamente o discurso do nosso querido Grande Guia 'não parem de comprar, comprem geladeira, carro , etc'. O resultado é este ai. Só empurraram o problema para frente.

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    1. Realmente, além da experiência ter se mostrado desastrosa, passamos muito tempo dando cabeçadas na parede.

      Abcs, bons negócios

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  3. FI,

    Apostas para amanhã, alta de 0,5 na selic?

    Capaz de que com esse desastre todo na economia, o Copom não chegue aos 10% na alta da selic. Será?


    Abs.

    Miguel

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    1. Sim, acho que vai subir 0,5 p.p. amanhã, sem surpresa, dentro das indicações da última ata do Copom. Acho que a Selic chega este ano nos 10%, pelas projeções nada animadoras do Relatório de Inflação. É o preço do remédio amargo. A interferência do governo e as falhas sucessivas na política econômica criaram tantas distorções que o BC ficou sem saída. Cortaram os juros no grito e agora a taxa está subindo na marra.

      Abcs, bons negócios

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  4. ola FI essa yellen vai ser nomeada na quarta e ja vai assumir ou isso vai ser so em janeiro? para o ano que vem vai ter reajuste do salario minimo, alta dos combustiveis o iptu em sp dependendo da regiao pode aumentar ate 30% como pretendem manter a inflaçao baixa nesse cenario. abraços

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    1. Vai assumir o cargo apenas em janeiro do ano que vem.

      Sim a inflação dos chamados preços administrados (como tarifas de transporte e preço da gasolina) está em torno de 2%. Muito baixa, justamente porque o governo segurou os reajustes este ano. Já a inflação de preços livres está em 8%. Há nitidamente um distorção grave, criada por mais uma intervenção estatal. Pode-se esperar para o ano que vem uma alta bem mais forte dos preços administrados, corrigindo esta distorção, mantendo a pressão sobre o IPCA.

      Abcs, bons investimentos

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  5. Se crescimento de 2,5% para o Brasil em comparação 2,9% Global é mau... entâo nao estou vendo o que sera bom!

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    1. Não é mau. É péssimo. O País está crescendo bem abaixo de sua capacidade por falta de competência do governo. 2,5% é um vexame para uma economia considerada emergente. É o pior crescimento entre os BRICS. Não chega nem a metade da média de crescimento dos países emergentes (5,1%).

      Abcs, bons negócios

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  6. Mercadados EUA-PARALYZED

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  7. FI, parabéns pelo trabalho! Passo aqui todos os dias para ver seus comentários. Você acha provável que a demora dos EUA em regularizar a questão do orçamento e do teto da dívida até a semana que vem derrube a bolsa brasileira a níveis abaixo dos 49.000 até o dia 18/10? Obrigado.

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    1. Obrigado amigo!

      Estou de olho mais no movimento dos candles do que neste impasse. Acho que o mercado está mostrando relutância em continuar cedendo, mantendo a tendência iniciada nos 55.9k, mesmo com tantos pontos negativos no ar. Já são 8 pregões de aproximação nos 52k sem indicação de rompimento, normalmente não demora tanto assim pra romper. Acho difícil chegar nos 49k na semana que vem com esta sinalização do mercado. Mas vamos acompanhando.

      Abcs, bons trades

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    2. Obrigado pela resposta. Sou buy and holder. Fiz a pergunta do índice porque a queda poderia ajudar a baixar os preços de algumas ações da minha carteira para que eu faça novas aquisições (pretendo fazer compras equivalentes a 20% do valor atual da minha carteira até o final da próxima semana). Assim, meu preço médio diminuiria.

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    3. Legal. Uma sugestão seria deixar o mercado definir o seu timming de compra. Você pretende comprar até semana que vem, mas e se o mercado não apresentar oportunidade de compra até lá, você estaria disposto a pagar os preços atuais? Acho importante esta reflexão, pois as oportunidades sempre irão surgir no mercado. Entrar em momentos favoráveis é essencial para alavancar o rendimento de sua carteira de ações. Identificar estes momentos no mercado é relativamente simples (utilizando a volatilidade). Qualquer dúvida volte a me questionar. Estou à disposição.

      Abcs, bons investimentos

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