quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ibovespa se aproxima de ponto crítico


A queda de 1,15% do índice Bovespa nesta quinta-feira praticamente anulou o movimento de reação do mercado ocorrido na última terça-feira, quando a importante região de suporte dos 52.4k foi testada e respeitada.

O fato dos preços retornarem à região dos 52.4k, num curto espaço de tempo, revela que o mercado ainda é dominado pela pressão vendedora, apesar da tendência de alta de curto e médio prazo permanecer inalterada. A fraqueza da força compradora observada nos pregões das últimas semanas constitui um fato novo e relevante, formando uma nova conjuntura que não acontecia desde o início do mês de julho, quando o índice começou a arrancada nos 44.1k.

Esta nova conjuntura é a primeira e principal ameaça, até o momento, à tendência de alta iniciada há cerca de três meses atrás. O rápido retorno aos 52.4k provocou enfraquecimento da zona de suporte, aumentando as possibilidades de rompimento nos próximos pregões. Em caso de perda desta importante linha de sustentação, a tendência de baixa de curtíssimo prazo poderá ser estendida para o curto prazo, aumentando a força do movimento corretivo.


A próxima linha de suporte está localizada apenas na região dos 49.5k e, um pouco mais abaixo, existe uma segunda linha de apoio, os 47k. Ainda que índice visite estas regiões nas próximas semanas, a tendência de alta de médio prazo iniciada na região dos 44.1k não estaria finalizada, porém seriamente ameaçada.

O rebaixamento da perspectiva do rating brasileiro pela Moody’s (única agência de classificação de risco que ainda mantinha a perspectiva positiva para o Brasil) colaborou para sustentar o clima de pessimismo nesta quinta-feira. A perspectiva foi rebaixada de positiva para estável, devido à deterioração da política econômica e fiscal do governo brasileiro, além do baixo nível de investimentos do País (um dos mais baixos do mundo).

São basicamente os mesmos motivos apontados pela Standard & Poor's no dia 07 de junho, quando a agência de classificação de risco reduziu a perspectiva para o rating brasileiro de estável para negativa.

Isso significa que se não houver melhoras no cenário econômico, político e fiscal, as agências de classificação de risco cortarão o nosso rating nos próximos anos, colocando o Brasil no mesmo nível de países como Azerbaijão, Marrocos e Espanha.

O governo já está mais do que avisado e sabe o que precisa ser feito. A Moody’s foi bastante generosa em não jogar a perspectiva para negativa de uma vez. Precisamos, agora, mostrar ao mundo um crescimento econômico, consistente e sustentável, aliado à melhora na política fiscal, econômica e monetária. Infelizmente, até o momento, somente o Banco Central tem arregaçado as mangas.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,90%, mantendo a tendência de baixa de curtíssimo prazo, sem sinalização de fundo ou reversão. Mercado se aproximando da região de suporte dos 14.760 pontos.


14 comentários:

  1. O grande problema é o crédito farto concedido à população, que não tem renda para uma sustentação de longo prazo.
    A solução, na minha singela opinião, é progressivamente ir aumentando as taxas de juros (estão fazendo, mas considero ainda bem tímido), aumento da taxa de desemprego, corte progressivo do crédito.
    Isso lamentavelmente irá originar recessão, mas é melhor fazer antes - e com reformas estruturais, abrindo capital, privatizando, acabando com benesses a certos setores, aumentando a concorrência -, a fazer depois, pois penso que o remédio amargo dado tardiamente será ainda mais dolorido.

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    1. Discordo só em relação a aumentar o desemprego. No mais, é isso mesmo.

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    2. Senta ai, Claudia, porque ano que vem é eleitoral.

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    3. Eu também sou da tese de que deveria haver um pouco mais de desemprego. Nossa mão de obra está caríssima por causa desse pleno emprego maquiado. Cortemos um pouco do bolsa família pra estimular a PEA a subir. Aqui é de apenas 50% da população, enquanto a média mundial é de 75%. Com mais PEA, mais mão de obra ofertada, consequentemente menores custos.

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    4. A taxa de desemprego vai subir no ano que vem, quando o aumento da taxa Selic começar a fazer efeito na economia. O aquecimento do mercado de trabalho está sendo destacado há um bom tempo nas atas do Copom como risco relevante pra inflação, além de ser uma grande barreira ao crescimento da produtividade.

      Abcs a todos e bons negócios

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  2. FI, mesmo com a aberração da OGX no índice (1 centavo de oscilação na ação faz variar 0,35% no IBOV) a análise técnica ainda funciona?
    Um abraço.

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    1. No curtíssimo prazo acaba prejudicando um pouco para operações no índice, mas o trader tem que saber se adaptar. Aumentar a margem do stop, operar menos ou procurar outro ativo pra estudar e operar. Mas no médio e longo prazo a oscilação da OGX não afetou o direcional do mercado. O Ibovespa teria, por exemplo, despencado no primeiro semestre deste ano com ou sem OGX.

      Abcs, bons negócios

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    2. Olá FI.
      São ações ou opções da OGX? rsrs
      Abraços.

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    3. Ações. É melhor andar de montanha russa, e no carrinho da frente, do que operar opções de OGX rsrss...

      Abcs,

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  3. Alguém lembra do tópico da IA no orkut "De volta aos 27k"?

    #EUACREDITO!

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    1. E só não chegamos lá de novo porque os estrangeiros não deixaram, pois os investidores PF e institucionais bateram em retirada nos últimos 4/5 anos. Se não fossem os estrangeiros estaríamos na mesma situação da bolsa de Xangai, que por sua vez praticamente expulsou os estrangeiros do mercado.

      Abcs,

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  4. FI,

    Estive aqui pensando. Será q esse movimento de lado/baixa não é um pouco de medo do mercado com relação a essa briga entre os republicanos e os democratas? Acredito que eles estejam esperando 1 dos lados vencer para definir um movimento mais direcional na bolsa.

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    1. Até pq, além da votação do orçamento, tem o teto da dívida mais pra frente.

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    2. Certamente influencia bastante. Mas o fato é que a bolsa está caindo desde o dia 19 do mês passado, quando confirmou topo nos 56k. Acho que haveria esta correção independente de qualquer motivo. A mídia está tentando passar a mensagem de que pode haver default nos Estados Unidos, sensacionalismo básico rsrs... Mas a verdade é que acreditar em default dos Estados Unidos é a mesma coisa que acreditar em papei noel. Além de ser inconstitucional, não faz o menor sentido dar calote na dívida "só porque o limite de endividamento não foi elevado". A elevação do limite pode no máximo atrasar, mais certamente vai acontecer.

      Abcs,

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