terça-feira, 1 de outubro de 2013

Indústria reage nas economias emergentes


A decepção do mercado com o desempenho da atividade industrial na China, divulgada ontem, bem abaixo da perspectiva, passou um mau presságio sobre o que poderia acontecer com os demais países emergentes. Mas este sentimento foi logo superado na manhã desta terça-feira após a divulgação do Índice Gerente de Compras das demais economias mundiais.

Começando pelos Estados Unidos, o Índice Gerente de Compras fechou o mês de setembro aos 52,8 pontos, um pouco abaixo da leitura realizada no mês anterior (53,1 pontos), mostrando leve perda no ritmo de expansão da atividade industrial. Números acima de 50 pontos indicam expansão da atividade no setor manufatureiro, já os números abaixo de 50 pontos indicam contração no setor.

Na zona do euro a atividade industrial cresceu pelo terceiro mês consecutivo, impulsionada pelo aumento crescente da demanda. O Índice Gerente de Compras fechou o mês de setembro aos 51,1 pontos, também um pouco abaixo da leitura realizada no mês anterior (51,4 pontos).

Ao contrário do que aconteceu na China, a atividade industrial de alguns países emergentes subiu de maneira consistente no mês de setembro, impulsionada por melhores condições de negócio (principalmente no que se refere à recente depreciação cambial). Na Turquia, o Índice Gerente de Compras disparou para 54 pontos em setembro, ante os 50,9 pontos registrados no mês de agosto.

Em Taiwan, este mesmo indicador subiu de 50 pontos em agosto para 52 pontos em setembro. Já na Coréia do Sul, a atividade industrial mostrou forte reação ao sair dos 47,5 pontos em agosto para 49,7 pontos em setembro. Apesar de estar indicando contração (abaixo dos 50 pontos), a pesquisa sinaliza que a retomada continuará nas próximas semanas, devido ao ritmo forte de reação, fato que poderá jogar o indicador para zona de expansão da atividade industrial nos próximos meses. Em situação semelhante, a atividade industrial da Indonésia atingiu os 50,2 pontos em setembro, já atingindo o nível de expansão, ante os 48,5 pontos registrados em agosto.

A mesma reação, porém num compasso menor, pode ser observada também no mercado indiano. O Índice Gerente de Compras saiu dos 48,5 pontos em agosto para 49,6 pontos em setembro. Até mesmo a atividade industrial brasileira demonstrou reação, embora em menor ritmo, ao sair dos 49,4 pontos em agosto para 49,9 pontos em setembro, praticamente indicando estabilização do setor manufatureiro (saindo da zona de contração).

A desaceleração no ritmo de expansão da atividade industrial do México (de 50,8 pontos em agosto para 50 pontos em setembro) e a manutenção do pequeno ritmo de contração no Índice Gerente de Compras da Rússia (mantendo-se em 49,4 pontos, mesmo patamar registrado no mês de agosto) destoaram-se dos desempenhos observados nos demais mercados emergentes.

A decepção com a China, o descolamento da Rússia, do México e a desaceleração no ritmo de expansão dos Estados Unidos e Europa não prejudicaram o desempenho da atividade industrial a nível mundial.


No gráfico acima podemos observar que o Índice Gerente de Compras Global, calculado pelo JP Morgan em parceria com o Instituto Markit, continua mostrando crescimento da atividade manufatureira. O ritmo de expansão aumentou de agosto (51,6 pontos) para setembro (51,8 pontos), refletindo justamente esta reação dos países emergentes.

No mercado de capitais as bolsas reagiram positivamente aos indicadores de atividade industrial divulgados nesta terça-feira, sinalizando certo desinteresse no acompanhamento do impasse corriqueiro entre Republicanos e Democratas, amplamente divulgado pela mídia no mundo inteiro.

Contrariando o que dizem as matérias, os Estados Unidos não vão parar. Alguns serviços do governo, considerados não essenciais, foram interrompidos temporariamente. Esta paralisação de curto prazo é insuficiente para causar qualquer tipo de impacto econômico. O crescimento poderá ser prejudicado apenas se houver a implementação de novas medidas de austeridade fiscal.

Provavelmente surgirão novos problemas políticos para elevação do limite de endividamento do País nas próximas semanas. Mesmo havendo impasse nas negociações, os Estados Unidos definitivamente não chegarão ao ponto de dar calote na dívida (Treasuries são os títulos mais seguros do mundo). “Faça chuva ou faça sol”, o limite de endividamento vai ser elevado, como sempre ocorreu no passado, mesmo que o impasse dos dias atuais dure algumas semanas a mais do que o de costume.

O índice Dow Jones subiu 0,41% no pregão desta terça-feira, marcando fundo, a princípio temporário, na região aleatória dos 15.086 pontos.
  

No Brasil o índice Bovespa subiu 1,61%, respeitando a linha de suporte na região dos 52.4k, juntamente com o canal de alta iniciado na região dos 44.1k. O movimento de alívio deverá jogar o índice para testar a LTB dos 55.9k nos próximos pregões, onde haverá uma nova definição de movimento de curtíssimo prazo.


16 comentários:

  1. FI,
    Gostaria de saber o que pensa sobre a divida americana em si. Ela eh sustentavel? Alias, esse nivel de endividamento dos paises eh sustentavel numa perspectiva de 30-40 anos?
    Parece-me, as vezes, que estamos apenas adiando o problema, e o tornando cada vez maior.
    Outra coisa, dizer que os titulos americanos sao os mais seguros, eh apenas uma convencao, nada mais do que isso.

    Abraco!

    soulsurfer

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    1. Sim, é perfeitamente sustentável (ou administrável) mesmo atingindo um patamar considerado elevado (16,7 trilhões de dólares). Existem basicamente dois tipos de dívida: a dívida boa (quando você paga barato pra captar recursos no mercado) e a dívida ruim (quando você paga caro pra captar recursos no mercado). A crise da dívida soberana na zona do euro, por exemplo, demonstrou o que pode fazer uma dívida ruim. Com a deterioração fiscal, os países do sul da Europa, na época extremamente dependentes do fluxo de investidores no mercado de títulos públicos, eram obrigados a pagar juros cada vez mais elevados para conseguirem atrair investidores e rolarem seus papéis no mercado. Já a dívida dos Estados Unidos é muito boa. Até pouco tempo atrás o governo conseguia rolar dívida oferecendo um Yield de 1% a 2% ao ano. Ou seja, o credor aceitava emprestar dinheiro pro governo norte-americano para receber "míseros" 1% ao ano, simplesmente porque não havia (e ainda não há) outra opção no mundo que ofereça tamanha segurança e liquidez como os Treasuries (títulos públicos do governo norte-americano). Este ano os Yields dos Treasuries chegaram perto dos 3% ao ano, movimento que foi considerado uma disparada dos juros e alertou o FED. Mas veja bem, pagar juros de 3% ao ano é um sonho quase impossível para maioria dos governos espalhados pelo mundo afora. Poucos conseguem rolar dívida com um custo tão baixo. 3% é um patamar de Yield considerado extremamente baixo para a média global, porém relativamente elevado em se tratando de Treasuries. Porque?

      A moeda nacional dos Estados Unidos é, também, a moeda padrão de transações internacionais. Todos os governos tem uma impressora de moeda local, mas somente os Estados Unidos tem a impressora de moeda local e global. Isso significa que a mesma "pessoa" que imprime os Treasuries imprime, também, os dólares. O emissor do dinheiro é o mesmo emissor do título. Logo, as garantias estão interligadas. Esta situação não existe em nenhum outro País no mundo, é um privilégio exclusivo dos Estados Unidos. Por este motivo o País jamais vai entrar em default. Aliás, o não pagamento da dívida pública é inconstitucional. Isto é, os Estados Unidos são obrigados pela Constituição a honrar seus títulos, independente de qualquer situação, incluindo o limite de endividamento. O governo tem que simplesmente dar um jeito de pagar os credores.

      Por fim, existe sim esta preocupação com o endividamento dos Estados Unidos, pois os gastos públicos desequilibraram demais na administração do governo Bush. Precisa retornar aos trilhos, mas esta é uma situação administrável no longo prazo. Não há necessidade de redução drástica nos gastos públicos num curto período de tempo, já que o País tem fácil acesso ao financiamento barato (ou quase de graça) no mercado. A austeridade fiscal pode ser implementada gradualmente no médio e longo prazo, minimizando significativamente os impactos contracionistas na economia.

      Outro exemplo interessante é o do Japão. O País tem uma dívida estratosférica de um quatrilhão de ienes (cerca de 250% do PIB), mas nem por isso está passando por uma crise financeira, tal como ocorreu na Europa em 2011. Isso porque o governo japonês também tem fácil acesso ao financiamento barato no mercado. 90% da dívida do Japão está nas mãos de credores japoneses (institucionais e pessoas físicas).

      Abcs, bons negócios

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    2. E pra completar, muitos americanos adoraram a paralisação pois odeiam governo e tem raiva de funças inúteis.

      O contrário do Brasil..

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    3. FI, sua exposição foi muito elucidativa, apenas ofuscada pelo ignóbil comentário acima.

      Um abraço!

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  2. FI,
    Gostaria de saber o que pensa sobre a divida americana em si. Ela eh sustentavel? Alias, esse nivel de endividamento dos paises eh sustentavel numa perspectiva de 30-40 anos?
    Parece-me, as vezes, que estamos apenas adiando o problema, e o tornando cada vez maior.
    Outra coisa, dizer que os titulos americanos sao os mais seguros, eh apenas uma convencao, nada mais do que isso.

    Abraco!

    soulsurfer

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  3. FI, tudo bem?

    Tens algum e-mail que possa me contatar?

    Se puder, me escreve em pobrepoupador@gmail.com

    Abraços!

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    1. Tudo bom PP?

      Sim: financasinteligentes@gmail.com
      Te enviei o e-mail.

      Abcs, bons investimentos

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  4. Os titulos americanos são os mais seguros por uma questão de ocmparação. É como ele fossem os 'menos piores'. Tá certo que entram outros fatores, como o FED ter a posse da única impressora de dolares do mundo.

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    1. Olá OBond,

      Expliquei sobre isso logo acima no comentário do soulsurfer.


      Abcs, bons negócios

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  5. Olá FI! Tudo bom?
    Sua análise do Ibov bate com a minha. WINV13 vai confirmando o canal de alta no diário e entrei comprado a 52.925 pontos. Apenas achei o stop na mínima de ontem um pouco longe, mas se confirmar o fundo, essa compra pode ter um alvo de uns 3.000 pontos e, dessa vez, a favor da tendência. O que acha?

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    1. Olá Troll,

      Sim o stop tem que estar abaixo da mínima de ontem, pois o índice pode recuar e formar um fundo duplo ou ascendente no intraday, condição essencial para inversão desta tendência de baixa de curtíssimo prazo que será confirmada com um rompimento de pivot.

      Abcs, bons trades!

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  6. Fi
    Acho q o problema maior não e o risco de default dos States (impossivel) mas sim o quanto isso afeta a retomada da economia q ainda se encontra fragil.
    Alex

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    1. Alex,

      Sim, tudo dependerá das negociações entre Republicanos e Democratas. Os Republicanos querem cortar mais os gastos do governo no curto prazo, este fator pode impactar a retomada econômica.

      Abcs, bons negócios

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  7. Olá, FI.
    Vou comprar teu ebook pela Saraiva e no site aparecem duas opções. As capas são iguais, não entendi pq consta como sendo dois ítens... Existe alguma diferença ? Obrigada e abs. Flávia.

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    1. Olá Flávia, tudo bom?

      Não existe diferença. É porque publicaram duas vezes no site. Qualquer dúvida volte a me contactar.

      Abcs, boa leitura!

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