terça-feira, 22 de outubro de 2013

Payroll pode alterar cronograma do FED


O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou nesta terça-feira que o mercado de trabalho americano gerou apenas 148 mil vagas no mês de setembro. O número ficou significativamente abaixo do registrado no mês anterior, quando a economia criou 193 mil postos de trabalho (dado revisado). Além disso, o resultado decepcionou as projeções de mercado, que apontavam para uma geração de 180 mil vagas.

Em compensação a taxa de desemprego caiu de 7,3% para 7,2%, muito provavelmente influenciada pela desistência de norte-americanos na procura por emprego.

Outro ponto interessante a ser observado é que este levantamento do mercado de trabalho dos Estados Unidos não pegou o período de paralisação do governo. Isso significa que os números do payroll (indicador de peso relevante nas decisões de política monetária do FED – Banco Central dos Estados Unidos) podem piorar ainda mais nos próximos meses, não somente por conta dos efeitos negativos ao crescimento econômico, embora pequenos, gerados pelo fechamento de alguns órgãos do governo, mas pela expectativa de queda do nível de confiança dos consumidores e empresários. O impasse entre republicanos e democratas irritou de maneira generalizada a população do País.

A redução no volume de compras do programa de estímulo monetário do Banco Central norte-americano está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas (taxa de desemprego, taxa de inflação e taxa de crescimento), a redução poderá ocorrer no final deste ano.

A paralisação do governo, com o esperado reflexo futuro nos indicadores de confiança, é uma variável nova que não estava presente no cronograma do FED, elaborado no mês de junho, justamente quando Ben Bernanke avisou pela primeira vez ao mercado que poderia reduzir o volume dos estímulos monetários no final de 2013. O desempenho abaixo do esperado do mercado de trabalho apenas reforça a expectativa de que o FED poderá atrasar o início da fase de redução dos estímulos monetários.

O banco de investimento britânico Barclays emitiu um relatório nesta terça-feira alterando sua projeção para redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos (de dezembro deste ano para março de 2014). A projeção para o término do programa de estímulos também foi alterada, de junho de 2014 para setembro de 2014.

A expectativa de maior duração do programa de estímulo monetário colaborou para derrubar os juros dos títulos públicos norte-americanos. O Yield da treasury de 10 anos caiu para 2,51% ao ano nesta terça-feira, menor patamar dos últimos dois meses.

Importante ressaltar que a queda dos Yields norte-americanos nos últimos dias não influenciou o movimento dos Yields brasileiros, que atingiram um piso de sustentação de curto prazo. Conforme pode ser observado no gráfico abaixo (LTN 2016), os títulos brasileiros seguem oscilando dentro de um ponto de equilíbrio, respaldado pela atual conjuntura da política monetária doméstica.


Nas bolsas de valores, os principais índices mundiais fecharam mais um dia em alta. Em Wall Street, o índice S&P500 segue renovando máximas históricas, subindo sem resistências pela frente. O índice Dow Jones subiu 0,49%, sem apresentar novidades.


No Brasil o índice Bovespa fechou praticamente colado na resistência dos 56.7k, com uma alta de 0,68%. Segue bem armado para romper as importantes barreiras mais à frente nos próximos dias/semanas, mantendo a tendência de alta de curto e médio prazo.
  

Destaque para a prévia do ICI (Índice de Confiança da Indústria), calculado pela Fundação Getúlio Vargas. O indicador recuou 0,9% em outubro, atingindo 97,1 pontos. Caso a prévia seja confirmada, atingiremos o menor patamar desde julho de 2009.

11 comentários:

  1. FI,

    "Outro ponto interessante a ser observado é que este levantamento do mercado de trabalho dos Estados Unidos não pegou o período de paralisação do governo. ..."

    É verdade, com essa situação toda fica difícil imaginar quando o governo dos EUA realmente diminuiria o QE.

    Essa semana mesmo saiu uma reportagem que citava que o QE vai ser uma constante, uma vez que tais medidas de emergência na economia dos EUA geralmente são mantidas. Tenho ouvido isso bastante recentemente, essa semana o Marc Faber afirmou inclusive que que o QE seria um "QE infinito", pois é provável até que os EUA aumentem os estímulos. Se jogar no google deve ter algo a respeito.

    Será que o QE veio para ficar?

    Abs,

    Miguel

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    1. Miguel,

      De forma alguma. Mais cedo ou mais tarde o FED vai finalizar o programa de estímulo monetário. Se não começarem a cortar no final deste ano, vai ser no início do ano que vem (o mais provável no momento). Seria necessário ocorrer um revés de alta relevância na economia dos Estados Unidos (com reflexos no globo), provocando uma queda acentuada do PIB/disparada da taxa de desemprego/inflação muito abaixo da meta, para manutenção dos estímulos monetários por mais alguns trimestres. Mas este não é o quadro para 2014. As projeções apontam para retomada mais forte do crescimento no ano que vem.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI, dentro da ótica de trabalhar sempre dentro da tendência para montar uma posição de médio prazo 6 - 12 meses. Que ações ou setores você recomendaria?

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    1. José Wilson,

      Você pode operar respeitando tendências em qualquer ativo. Seja de alta, ou de baixa. O importante é fazer o estudos prévios do ativo onde se pretende especular, conforme eu demonstrei no livro. Caso a preferência seja por montar operações em tendências de alta (ponta compradora), é importante focar os estudos em empresas bem fundamentadas. Lembrando que você pode operar tendências também pelo índice.

      Abcs, bons trades

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    2. PS: Uma boa lista pra começar a filtrar algumas empresas: http://www.bmfbovespa.com.br/indices/ResumoCarteiraTeorica.aspx?Indice=IDIV&idioma=pt-br

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    3. Que nada. Se precisar de algo é só entrar em contato.

      Abcs!

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    1. Por nada. Se estiver ajudando com alguma coisa já está de bom tamanho rs...

      Abcs, bons investimentos

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  4. Olá.
    Acho um pouco exagerada essa estimativa de atraso de 3 meses por causa dessa paralisação.
    Acredito que poderá haver um atraso de 1 mês no procedimento.
    De qualquer forma, 1 - 3 meses a mais não afetará de sobremaneira o cronograma, que felizmente tem hora para acabar, principalmente com as inúmeras bolhas ocorridas ao redor do mundo.
    Abraço!

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    1. Exato. Mesmo com alguns meses de atraso, o fato é que os estímulos monetários serão cortados no ano que vem. Seria necessário ocorrer algo extremamente grave para abortar a recuperação da economia global e forçar o FED a manter os estímulos, cenário altamente improvável.

      Abcs, bons negócios

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