terça-feira, 15 de outubro de 2013

Varejo volta a mostrar força


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta terça-feira que as vendas no comércio varejista brasileiro avançaram 0,9% em agosto, na comparação com o mês anterior. O avanço surpreendeu o mercado que esperava uma pequena retração de 0,10%.

O bom desempenho do varejo brasileiro pode estar associado ao programa Minha Casa Melhor, que oferece crédito de 5 mil reais às famílias do Minha Casa Minha Vida para a compra de eletrodomésticos, além do próprio aquecimento do mercado de trabalho (destacado, inclusive, no último Relatório de Inflação do Banco Central), que ajuda a manter o ritmo de consumo das famílias. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no mês de agosto e ainda não está refletindo os efeitos da política de aperto monetário.

Este cenário suaviza os obstáculos para o governo implementar algumas reformas no curto prazo (aproveitando ainda a janela de oportunidade do FED – Banco Central dos Estados Unidos) e remodelar o modelo de crescimento, que já mostrou sinais de esgotamento este ano. Apesar da melhora nas condições, o governo tem demonstrado poucas atitudes neste sentido.

Os discursos são bonitos, mas continuam totalmente desencontrados com a realidade da gestão do governo. Marina Silva, recém-filiada ao PSB, criticou o abandono do tripé econômico, composto por controle de inflação (ou seja, IPCA na meta de 4,5%), câmbio flutuante (e não administrado) e superávit primário (sem marabalismos contábeis). Em resposta, a presidente Dilma disse que o tripé jamais foi abandonado por seu governo. Segundo a presidente, além da inflação, as contas públicas também estão absolutamente sob controle.

O índice Bovespa subiu 1,50% nesta terça-feira impulsionado pela disparada das ações da OGX. O movimento é de baixa confiabilidade, mas não altera a análise dos últimos dias. Índice segue dentro de uma pernada de alta de curtíssimo prazo iniciada na região dos 51.9k.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones cedeu 0,87% nesta terça-feira, pressionado pelo impasse político. Hoje a Casa Branca rejeitou um novo plano apresentado pela Câmara, devido à modificação do texto que atualmente é negociado no Senado.
  

Novamente o Tea Party (ala mais conservadora do partido republicano) quer impor mudanças à lei de reforma da saúde já aprovada anteriormente, numa tentativa desesperadora de passar por cima dos conceitos básicos de um regime democrático. Parlamentares republicanos tentaram derrubar o Obamacare inúmeras vezes no passado. Todas as tentativas foram fracassadas, justamente por representarem os interesses de uma minoria, já que os republicanos não conseguiram (e ao que tudo indica não conseguirão tão cedo) votos suficientes para dominar o Senado ou mesmo ocupar a cadeira do presidente dos Estados Unidos.

Após o fechamento dos mercados, a agência de classificação de risco Fitch alertou que pode cortar o rating dos Estados Unidos, atualmente em perspectiva negativa, devido à disputa política sobre a elevação do limite de endividamento do país. O comunicado cumpre um papel que o mercado tem desprezado nos últimos dias (bolsas de valores em alta no mundo inteiro), para pressionar os políticos norte-americanos.

15 comentários:

  1. Olá FI.
    Estou fugindo do assunto, mas no post anterior, vocês falaram de bolha imobiliária e não sei se você concorda com minha postura um pouco radical, mas é como analiso hoje.
    A principal regra de mercado que determina os preços de imóveis é a oferta e procura. Se houver mais oferta que procura, os preços caem.
    Isso só não ocorre onde há cartel, que não é o caso de imóveis, pois não há como gerenciar o preço no país inteiro.
    Porque então os preços realmente se elevaram nos últimos anos? Devido a uma procura maior, causada por uma liberação de crédito gigantesca, bem como a uma melhora do poder aquisitivo. Veja o caso dos carros, que lotam as garagens, estacionamentos das empresas e estão travando os centros da maioria das cidades.
    Trabalho com imóveis há muitos anos e me estarrece ver economistas opinarem dessa forma, induzindo as pessoas a erros gravíssimos, seja para venda ou aquisição. A bolha deve estar no cérebro de alguns deles rsrs. O máximo que pode acontecer é algum comprador não conseguir honrar com os pagamentos e vir a perder o imóvel, que irá a leilão. Muito diferente do que aconteceu nos EUA, onde na hora do banco tomar o bem, o valor da dívida era muito, mas muito maior que o valor do bem. Aí sim, a bolha começou a estourar. Isso é bolha imobiliária; 10 milhões de imóveis sustentando uma carteira de crédito de 2 trilhões de dólares, e num efeito dominó, identificaram que esses mesmos imóveis haviam sido refinanciados e refinanciados e valiam menos que 1 tri. A bolha explodiu. (esses números que eu falo, são hipotéticos, apenas para exemplificar)
    Porém aqui no Brasil, os bancos estão muito seguros com tudo isso, pois são mais profissionais e espertos. Tente não pagar um financiamento para ver o que acontece. Aliás, é tudo que um financiador quer.
    Abraços.

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    1. Tá explicado!!! Vc trabalha com imóveis. E é claro, os preços subirão eternamente e jamais cairão.

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    2. Olá André. E nunca achei que os preços de imóveis subirão eternamente rsrs, e nem comentei a respeito. Enquanto houver crédito e déficit imobiliário, os preços devem se elevar e no momento em que a oferta e a procura forem se equilibrando, os preços também irão se equilibrar.
      Eu gosto de comentar nesse blog, pois aprendo muito com o FI, e na maioria das vezes com as opiniões dos leitores.
      Abraços

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    3. Em geral quando as pessoas comecam a falar que "dessa vez eh diferente", que x y ou z justificam as altas recentes e que tem muito teto pra subir mais... a gravidade entra em ação e mostra que ela ainda não foi vencida... Prever queda no mercado imobiliario é como prever onda no mar: elas sempre vao ocorrer. Ninguem pode saber quando, mas é 100% certo de acontecer. Da mesma forma funciona o mercado de açoes: acredito que vamos enfrentar pelo menos duas crises nos proximos dez anos, não por culpa de x y ou z, mas por que não da pra subir pra sempre...

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    4. Tudo bem, devo ser muito pobre. O Brasil é um país de milhOnários!
      Sou tão pobre que terei de me mudar para os EUA, onde os preços dos imóveis, na sua mediana, são TRÊS vezes MENORES.
      É isso aí, Zé, eu não sei da onde os caras falam que a média de salário aqui é 1,8k, só pode ser mentira, é de no mínimo 10-15k.
      Abraços de um pobretão!

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    5. Zé Piu,

      Você está certo, relativamente. O problema é exatamente o "relativo" de sua comparação.

      De fato os preços estão altos porque existe crédito e porque o Brasil não tem memória de preços em queda, muito menos em imóveis. E a principal razão é que para o Brasileiro, acostumada com alta inflação, atualmente uns 20% a cada três anos, imóvel "nunca" cai de preço.

      Bastaria dar uma olhada ao IFIX, majoritariamente composto por imóveis comerciais, que sofreram de bolha infinitamente menor aos imóveis residenciais, para constatar que mesmo um yield de 9%/ano apresenta perda quando precificados a mercado.

      Sua premissa também está assentada no desemprego em mínimas, que permite o continuo pagamento de prestações de 30 anos. Me pergunto, podemos estar seguros que nos próximos 30 anos o Brasil terá pleno emprego ?

      Uma economia deve ser avaliada por sua produtividade, tudo o mais são ciclos e bolhas. O Brasil aumentou sua produtividade "quando comparado a pares internacionais" ? Creio que não, temos uma bela estratégia de marketing, um câmbio deslocadíssimo, que deveria estar atualmente acima dos 2,40, apenas para alcançar a mera neutralidade.

      Enfim, relativamente seu raciocínio está corretíssimo;Para investimentos de médio e longo prazo devemos analisar relativamente a estes prazos para encontrar oportunidades ou riscos a evitar.

      Um forte abraço,

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    6. Muito bom o debate, parabéns pela iniciativa Zé Piu. Concordo com o seu raciocínio. Conforme ressaltei nos comentários do post de ontem, o déficit habitacional no Brasil ainda é muito elevado e o volume de crédito imobiliário no sistema é significativamente baixo (7,8% do PIB). Este não é um cenário que oferece condições para estouro de uma bolha. O que de fato tem acontecido no Brasil é um movimento generalizado de alta dos preços, consequência da política econômica do governo federal e do alto nível de intervenção que gerou distorções em diversos setores. O mercado imobiliário reagiu de maneira mais agressiva, gerando um certo exagero que será corrigido pelo próprio mercado quando o ciclo de aperto monetário começar a fazer efeito na economia (encarecimento do crédito e aumento gradual da taxa de desemprego).

      Abcs a todos e bons negócios!

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    7. É, segundo o Zé Piu tá baratinho, temos 'demanda' represada e que teremos preços emocionantes com suava estabilização.

      Sim todo mundo pode pagar 300 a 1 mi num apto com salário de 3.000 reais.

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  2. André quer comprar um imóvel, não tem dinheiro e sonha com uma queda nesse mercado. rsrsrs
    Expansão do crédito + ajuste inflacionário, essa é a causa da alta recente na minha humilde opinião.
    O único risco é se as financeiras que hoje compram amanhã tiverem que vender. Mas pra isso será necessário uma grande crise econômica.
    Há quem aposte nisso pra 2014. Mas também há quem aposte em OGX, então, não quer dizer muita coisa. rsrsrsrs

    Se os americanos subirem os juros o capital especulativo vaza do Brasil na hora e bye-bye ibovespa. Acho isso muito mais preocupante do que especular sobre uma possível bolha pq um americano acadêmico, que não faz a menor idéia do que acontece aqui, falou bobagem.
    Conheço poucas pessoas que tem imóvel próprio. A demanda é gigante. É o grande sonho do brasileiro, principalmente quem tem mais idade e viveu as diversas crises do passado.
    Uma prova de que não há limites para preços é manhattan. Tem vaga de garagem que custa 1 milhão de dólares. Não vou comparar com Brasil, calma... rsrsrs Isso é pura e simplesmente oferta x demanda. Abç a todos.

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    1. Sim, o aumento na taxa básica de juros dos Estados Unidos (não deverá acontecer antes da metade de 2015) merece atenção especial, pois marcará o início da fase crítica de desalavancagem do sistema financeiro e poderá provocar fuga de capitais de economias mais vulneráveis. Por isso é importante para o Brasil tentar arrumar a casa até 2015.

      Abcs, bons negócios

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  3. Moro no Rj a mais ou menos uns 10 anos atrás procurei imóvel na Cidade Jardins , um Bairro novo que surgiu na Barra da Tijuca, achei tudo muito caro , resolvi esperar...a cinco anos atrás voltei, os imóveis tinham dobrado...pensei, tem uma bolha ae...a dois anos atrás voltei, subiu mais uns 50%...ano passado voltei lá denovo , subiu mais 30%...Daí parei de acreditar em bolha e comprei assim mesmo...favas com bolha...essa bolha só me deu prejuízo...heheheheheh

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  4. ".a cinco anos atrás voltei, os imóveis tinham dobrado...pensei, tem uma bolha ae.."

    2013 - 5 = 2008

    Ô lôco meu! Quem sabe faz ao vivo!

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    1. e já tô no lucro de 17%.ahahahaahah...Quem viver verá um aumento de mais 50% até 2014....depois estabiliza.kkkkk

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  5. Entrevista de Marina Silva agora no programa do Jô.

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  6. Obamacare tem que cair, os americanos não querem essa monstruosidade, só os esquerdistas hippies de Nova Iorque

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