sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A conta salgada da hiperinflação


Está marcado para o dia 27 de novembro um importante julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) com potencial de gerar impacto significativo no sistema financeiro do País.  O julgamento do Supremo marcará o término de uma disputa de duas décadas envolvendo milhares de poupadores de um lado e as instituições financeiras do outro. No centro da discussão está a aplicação de novos índices de correção das cadernetas de poupança em razão de planos econômicos implementados no período de hiperinflação.

Estão na pauta do dia 27 quatro recursos de bancos, referentes aos planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). Como os recursos têm repercussão geral, a decisão do Supremo valerá para as demais ações semelhantes em trâmite no país, afetando todas as instituições financeiras que operavam na época. Hoje são mais de 1 milhão de ações individuais e mais de 1 mil ações coletivas, todas em busca de correção mais generosa das cadernetas de poupança nas viradas dos planos de estabilização.

Até o presente momento, os julgamentos de ações individuais, em todas as instâncias, foram integralmente favoráveis aos poupadores. Os bancos fizeram provisão em seus balanços para pagar até 18 bilhões de reais em ações já transitadas em julgado. Mas de acordo com os dados levantados pelo procurador-geral do Banco Central do Brasil, Isaac Sidney Menezes Ferreira, a conta a ser paga pelas instituições financeiras, caso o julgamento seja favorável às teses dos poupadores, é extremamente elevada (149 bilhões de reais em valores atualizados).

Esta quantia equivale a um quarto do capital dos bancos brasileiros. Uma perda desta magnitude resultaria numa rápida e perigosa interrupção da circulação do crédito na economia. Como as instituições trabalham alavancadas, a retração total de crédito poderá chegar a 1 trilhão de reais, segundo os cálculos de Ferreira.

Os impactos econômicos são incalculáveis, resultariam numa recessão provocada pela escassez de crédito no sistema. As empresas mais alavancadas, altamente dependentes de operações bancárias, fechariam as portas de imediato. O salto da inadimplência afetaria empresas com fluxos de caixa mais saudáveis. Haveria aumento expressivo da taxa de desemprego e as contas do governo seriam ainda mais prejudicadas pela queda na arrecadação de impostos.

Entretanto, a possibilidade da ocorrência deste evento é relativamente baixa. Os ministros do STF já foram alertados pelo Banco Central sobre as consequências de uma decisão desfavorável às instituições financeiras.

Mesmo com o ganho de causa aos poupadores, a possibilidade maior é que sejam adotadas soluções alternativas, com objetivo de eliminar o risco de desestabilização do sistema financeiro nacional, tais como: (i) redução do valor requerido; (ii) parcelamento dos pagamentos ao longo prazo; (iii) subsídio por parte do governo. Neste caso os impactos seriam limitados e perfeitamente contornáveis, mas ainda assim afetariam o desempenho da economia brasileira, que por sua vez passa por um momento crítico de crescimento baixo e inflação persistentemente elevada.

O desempenho do índice Bovespa foi pressionado nesta sexta-feira pela queda dos bancos, principalmente por conta das ações do Banco do Brasil, que juntamente com a Caixa, responde por 52% dos depósitos em poupança no País.


O candle de baixa desta semana pode anular o movimento de recuperação iniciado na região dos 51.3k. A perda deste patamar de sustentação aumentará a força da tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k, invalidando a tendência de alta de curto prazo.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais uma semana em alta, renovando a máxima histórica. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


O mesmo cenário pode ser observado no mercado europeu. Na Alemanha, o índice DAX fechou em alta pela sétima semana consecutiva, ainda sem mostrar sinalização de reversão, mesmo em prazos mais curtos.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana mostrando um candle de reversão na região do topo histórico. A perda do importante patamar de sustentação em 20.2k poderá aumentar a pressão vendedora de curtíssimo prazo.
  

Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em alta, mostrando um importante movimento de recuperação após testar a linha central de bollinger.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

20 comentários:

  1. oi fi,
    me parece que no STF esta 5 a 5, e quem bate o martelo é quem????adivinha quem???
    sim,ele mesmo:JOAQUIM BARBOSA,,,o voto de desempate será dele.....seria uma oportunidade de linchar o PT do brasil pra sempre..........pois um caos deste em ano eleitoral .....

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    1. Sim, mas o preço seria muito alto pra todos nós. Acho que mesmo se os bancos perderem (o mais provável, pelo que parece) não haverá essa descapitalização gigante. Podem ser adotadas medidas alternativas para não desestabilizar o sistema.

      Abcs, bom sábado!

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  2. A decisão a favor dos poupadores é justa e seria um quadro Dantesco !! mas como estamos na republica das Bananas.... rs p/ tudo dá-se um jeitinho rsrs Bom final de semana FI

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    1. Ainda existe a possibilidade dos bancos entrarem com uma ação contra o governo para cobrarem as perdas, já que agiram em conformidade com a lei. Vamos ver o que acontece semana que vem. Obrigado!

      Abcs!

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  3. FI,

    Para este mesmo dia, marcada a última reunião do Copom do ano, dá para antever algum comunicado expressivo ? Haveria já alguma sinalização de fim do ciclo de alta?

    Pergunta braba, rs.

    Abs,

    Miguel

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    1. Pergunta braba mesmo rsrs.. nem o Tombini apareceu pra falar ontem. Vamos ter que esperar pra ver.

      Abcs, bom sábado!

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  4. Interessante, vejam que as notícias ruins só aumentam.
    Por outro lado, tudo isso devido à tremenda e irresponsável política assistencialista deste governo.
    A diminuição do rating me parece inevitável.
    Diminuição do rating força o dólar a aumentar sua tendência de alta, o que aumenta a inflação, índices de inadimplência.
    Ora, amigos, o BC terá que continuar a aumentar a selic para bem além do que planejava.
    Lembrem-se que, além disso, teremos nova onda de aumentos devido ao bater de asas do FED.
    2014-2017 será bem interessante, turbulento, sistêmico.
    Brasil, a conta da farra chegou!

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    1. Pelo andar da carruagem o nosso rating vai descer um degrau no ano que vem, mas ainda assim ficaria no patamar "grau de investimento". O problema maior é perdermos este patamar, mas para isso seria necessário descermos dois degraus no rating. Essa possibilidade ainda é improvável, mas o governo precisa melhorar a política econômica e fiscal para eliminar este risco do mercado.

      Abcs, bom final de semana

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  5. FI, estou muito temeroso pelo futuro do nosso país. Vivemos tempos de pura demagogia e política romana do pão (bolsa família) e circo (copa e olimpíadas). Não vejo austeridade. Acredita que os bancos tenham seus patamares de ação profundamente atingidos nas próximas semanas?

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    1. Vai depender do desfecho no STF. O mercado está precificando o ganho de causa aos poupadores, mas não o tamanho do rombo nos bancos, que ao meu ver deverá ser bem inferior aos 150 bilhões anunciados pelo BC. Este valor é significativo e não está descontado nos preços dos ativos.

      Abcs, boa semana!

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  6. Olá FI.
    Também acho que serão adotadas medidas alternativas para não desestabilizar o sistema. As ações são contra vários planos e provavelmente algumas cairão. Mesmo assim aparecerão recursos e depois de algum tempo os bancos gastarão algumas dezenas de bilhões. Menos ruim.
    E o mercado, sempre justo e coerente, já está penalizando o sistema bancário.
    Li há pouco que dois ministros, Barroso e Fux, por se considerarem envolvidos no assunto, não votarão.
    Abraços e bom fim de semana.

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    1. Acho que o desfecho será esse mesmo: "menos ruim".

      Abcs, boa semana!

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  7. ola FI entao mas o prazo para o poupador entrar com açao ja acabou se nao me engano nao e mesmo? abraços

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    1. Olá.
      Deixa eu me intrometer, pois li agora pouco sobre esse ponto:
      http://www.idec.org.br/especial/planos-economicos
      Veja no fim do item 9, com asterisco uma colocação a respeito.
      E uma leitura mais detalhada:
      http://www.idec.org.br/em-acao/em-foco/idec-esclarece-aos-poupadores-como-ficam-suas-acoes-sobre-planos-economicos
      Mas aguardo a opinião sempre sensata do FI, visto que alguns artigos podem ser tendenciosos.
      Abs.

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    2. Sim, já prescreveu.

      Mas acho que o desfecho pode favorecer mesmo aqueles poupadores que não entraram com ações na justiça.

      Abcs a todos e boa semana

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  8. Olá FI.
    Outro assunto: Não seria um bom momento para investir em ouro? Tenho visto algumas indicações nesse sentido, mas quero ouvir sua opinião.
    Grato.

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    1. Boa pergunta!

      Não é recomendável comprar ouro no momento, a não ser que o improvável aconteça (ocorra uma crise sistêmica no Brasil em decorrência da significativa desalavancagem do sistema financeiro). Isso porque o estouro da bolha nas commodities metálicas ainda é muito recente, aconteceu no mês de abril deste ano. Mais informações neste post:

      Crash nas commodities metálicas
      http://www.financasinteligentes.com/2013/04/crash-nas-commodities-metalicas.html

      Hoje a cotação do ouro no mercado externo está colada na mínima do ano, bem próxima do nível atingido no crash de 2008. O movimento técnico sinaliza alta possibilidade de perda do piso deste ano, onde a próxima linha de apoio estaria justamente na mínima de 2008.

      Ouro não pode ser considerado como um produto de investimento. É um recurso de proteção contra perda do poder de compra (cenário de inflação benigna) e opção de fuga (quando estoura uma crise sistêmica; crash na bolsa; crash no mercado da dívida soberana; etc). Por este motivo a cotação do ouro costuma subir no mercado nestes momentos mais delicados.

      Mas como as commodities metálicas continuam despencando no mercado (cenário que ainda parece estar longe de se reverter, já que a inflação segue abaixo do centro da meta nos Estados Unidos e a Federal Funds Rate permanecerá nula durante todo o ano de 2014), pode ser inviável comprar ouro em grandes quantidades em caso de um estouro de uma crise sistêmica no Brasil. Diante deste quadro específico o investidor teria que tomar decisões importantes, difíceis e, principalmente, rápidas: (i) liquidar "sem dó nem piedade" tudo o que puder ser considerado como papel em sua carteira, incluindo títulos do tesouro, fundos de investimentos, ações, debêntures e até mesmo fundos/certificados de ouro (em crises sistêmicas o custodiante não conseguirá converter todos as cotas/certificados emitidos em barras de ouro físicas. Em outras palavras: quem compra papel lastreado em ouro não tem a garantia de proteção em casos extremos); (ii) reposicionar a maior parte do capital em dólar (terrenos/imóveis seriam uma opção interessante num segundo momento em caso de queda acentuada dos preços observados hoje no mercado); (iii) a pequena parte restante seria utilizada para compra de barras de ouro/prata (físico) apenas para diversificação. Importante frisar que o processo de tomada de decisão precisa ser rápido. Não adianta realizar todo este reposicionamento depois do estouro da crise sistêmica. Terceiro Axioma de Zurique: “Quando o barco começa a afundar, não reze. "Abandone-o”

      Investidores/operadores devem estar preparados para qualquer tipo de evento no mercado. Mas não se preocupe, este quadro é altamente improvável.

      Abcs, bons negócios

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  9. Ouro eu só compraria, e apenas uma parcela, após saber qual o pico de juros nos EUA.
    Lá por 2015-2016 saberemos.

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  10. Ola boa tarde!

    ENEVA,SA

    Eu não estou mto familiarizado sobre esta empresa,mas pelo que li hoje,era ou é uma empresa do Eike e se chamava MPX.

    Parece que ha a possibilidade de virar para os lucros prox, ano.

    Alguem sabe algo sobre ele e me da algum parecer...

    Agradecido.



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  11. Olá FI... saiu uma circular nos bancos que não será dia 27 o começo do julgamneto, parece que deram mais tempo para que um grupo que não me recordo agora entrasse também... informação inside essa he he he

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