quarta-feira, 13 de novembro de 2013

BoE pode sair na frente do FED


Dados divulgados nesta quarta-feira sugerem que a Inglaterra poderá ser o primeiro país desenvolvido do mundo a implementar novas medidas de aperto monetário, iniciando a tão comentada (e temida por muitos) fase crítica de desalavancagem do sistema financeiro global.

Tal como o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), o BoE (Banco Central da Inglaterra) também possui uma meta vinculada à taxa de desemprego para começar a subir a taxa básica de juros na economia.

Os diretores do Comitê de Política Monetária do Banco Central inglês pretendem elevar os juros quando a taxa de desemprego recuar para 7%. A última projeção do BoE apontava que este quadro seria concretizado apenas no segundo trimestre de 2016.

Mas o último Relatório de Inflação do BoE, divulgado nesta quarta-feira, mostrou uma alteração significativa nas projeções do Banco Central. Agora a autoridade monetária espera que a taxa de desemprego do Reino Unido recue para 7% já no quarto trimestre de 2014, devido ao rápido fortalecimento da recuperação econômica, que por sua vez tem acelerado o processo de reaquecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego britânica caiu para 7,6% no terceiro trimestre deste ano, atingindo o menor nível desde abril de 2009.

Com esta nova estimativa, aumentou a possibilidade da taxa básica de juros subir bem mais cedo do que o esperado no Reino Unido, já no primeiro trimestre de 2015. O presidente do BoE, Mark Carney, disse que “pela primeira vez em um longo período de tempo não é preciso ser otimista para ver que o copo está meio cheio. A recuperação finalmente ganhou fôlego.”

Os mercados europeus voltaram a cair nesta quarta-feira, refletindo a expectativa de desalavancagem do sistema financeiro britânico em 2015, antecipando-se ligeiramente ao timming do FED. Na Itália, a bolsa de Milão recuou 1,43%. Na França, o índice CAC caiu 0,56%. Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt perdeu 0,24%. Na Inglaterra, a bolsa de Londres cedeu 1,44%.

Embora a fase de aperto monetário dos principais banqueiros centrais mundiais apresente condições para criar turbulência nos mercados, ainda é muito cedo para precificar o que poderá acontecer (ou o grau de impacto) após o maior ciclo de afrouxamento monetário da história.

A bolsa brasileira abriu o pregão desta quarta-feira perdendo a importante região de sustentação dos 51.8k. Mas o mercado reverteu o movimento de maneira inesperada, invalidando a análise de ontem, após atingir a região aleatória dos 51.3k, forçando a saída dos operadores que abriram posições vendidas no rompimento dos 51.8k (bear trap).


Apesar desta importante reação na região de suporte, a tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k segue inalterada.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subia 0,09% às 18 horas, colado na máxima, mostrando, também, um movimento de reação após testar a LTA dos 14.7k. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


6 comentários:

  1. FI,

    Estive vendo o treasury 10 years, dei um up na imagem para facilitar:

    http://s21.postimg.org/vyoq9yv47/treasury_10_years.png

    você acredita que a taxa já subiu demais, não havendo muti espaço maior para alta, mesmo com a aproximação de corte nos QE ?

    Ou acredita que ela vai disparar quanto começarem a cortar os estímulos? Existe chance de queda ? Os efeitos estariam sendo superestimados?

    Bom post,

    Miguel

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    1. * não havendo muito espaço maior para alta

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  2. Miguel,

    O gráfico deste post está melhor para visualizar o movimento de longo prazo dos Treasuries. Segue: http://www.financasinteligentes.com/2013/07/analise-de-mercado.html

    Os Yields dos títulos públicos norte-americanos estão (estavam) dentro de um bear market desde a década de 1980. A seta branca no gráfico mostra a mudança de panorama. Destaco este trecho da análise:

    "A retirada do maior programa de estímulo monetário da história, com aumento subsequente da taxa básica de juros nos próximos anos, pode marcar o início de uma nova era de valorização gradual e sustentada (longo prazo) dos yields norte-americanos, refletindo, sobretudo, o processo de desalavancagem do sistema financeiro."

    Portanto, a curva de juros tende a se manter ascendente no longo prazo após um longo período de correção/trajetória descendente. No curto prazo, observo um certo incômodo do FED com as taxas futuras ao redor de 3% ao ano. Este patamar pode brecar a recuperação da economia. Mas quando a atividade voltar a ganhar força nos próximos anos, 3% será considerado um "nível de custo" onde o crescimento conseguirá suportar. Sendo assim, 3% ao ano pode ser considerado um exagero de curto prazo (não havendo muito espaço para novas disparadas), mas este raciocínio não se encaixa numa avaliação de médio/longo prazo. Certamente o FED trabalha para evitar estas disparadas no Yield, mas não existe certeza no mercado. O clima de tensão pode aumentar (e provocar impacto significativo nos preços dos ativos) independente de qualquer motivo.

    Abcs, bons negócios

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  3. Esta alta de hoje foi estranha mesmo, mas ainda não senti firmeza.
    F.I. passo aqui no seu blog todo dia à noite, sempre boas informações encontro aqui. Você está de parabéns. Li seu ebook e também gostei muito.
    Depois passa lá no meu blog.
    Abraço

    http://blogdouo.blogspot.com.br/

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    1. Uorrem Bife,

      Vamos ver amanhã se sustenta este movimento. Normalmente os traps (bear/bull) provocam repiques mais prolongados ou mesmo invertem a tendência do mercado. Mas com esta nova arrancada do dólar realmente fica difícil para o mercado manter uma perna de alta. Obrigado! Pode deixar, passo lá depois.

      Abcs, bons trades

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