quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cenário para redução dos estímulos começa a ser desenhado


O ambiente nas principais praças financeiras mundiais amanheceu pesado nesta quinta-feira. A recuperação da atividade industrial na zona do euro sofreu um breque inesperado,  enquanto a indústria manufatureira chinesa mostrou perda de ritmo de expansão, azedando o clima dos negócios.

A prévia do Índice Gerente de Compras da zona do euro caiu para 50,9 pontos em novembro ante os 51,6 pontos registrados no mês anterior, frustrando as expectativas do mercado. Este é o pior resultado dos últimos três meses e mostra que as principais economias do bloco (com exceção da Alemanha) estão apresentado dificuldades para manter o ritmo de recuperação da atividade.

Na China, a prévia do Índice Gerente de Compras mostrou desaceleração no crescimento da atividade manufatureira do país. O indicador caiu para 50,4 pontos no mês de novembro, abaixo dos 50,9 pontos registrados em outubro, refletindo a queda de novas encomendas de exportação.

Mas a perda de ritmo das principais economias mundiais, observada neste mês de novembro, parece não ter atingido os Estados Unidos. A prévia do Índice Gerente de Compras disparou para 54,3 pontos neste mês, significativamente acima da medição de outubro (51,8 pontos). O resultado surpreendeu o mercado que esperava um número em torno de 52,6 pontos.

O dado sugere aumento expressivo no ritmo de crescimento da economia, constituindo um cenário ligeiramente diferente (melhor) daquele constatado nos trimestres anteriores. A retomada mais forte da atividade mostra que o impacto da paralisação parcial do governo norte-americano foi bastante limitado, apresentando um quadro mais positivo do que se esperava (em decorrência da queda do índice de confiança dos consumidores e empresários nos dois últimos meses, indicador que, provavelmente, voltará a subir neste mês).

A melhora considerável da atividade industrial nos Estados Unidos é a primeira sinalização macroeconômica favorável à redução dos estímulos monetários nos próximos meses. A ata do FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano), divulgada ontem, mostrou que os diretores do Comitê começaram a discutir estratégias para diminuir o volume de compras de títulos no mercado, atualmente em 85 bilhões de dólares por mês, desde que os indicadores apresentem melhora da atividade econômica.

O gatilho para redução dos estímulos monetários provavelmente será acionado quando a taxa de desemprego mostrar descolamento consistente em direção ao patamar simbólico de 7% ao ano, fato que poderá ser concretizado nos próximos meses, refletindo a retomada consistente do crescimento norte-americano.

É importante ressaltar que o FED está estudando maneiras de evitar que as taxas de juros futuras (Treasuries – títulos públicos do tesouro norte-americano) voltem a disparar no mercado. Para isso, o Banco Central deverá aumentar a clareza de seus planos para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado.

Os estímulos monetários não serão reduzidos em condições de mercado desfavoráveis (atual), ambiente que provocaria um novo movimento de alta dos juros futuros. O FED precisa fazer com que os investidores e operadores comprem a ideia de que embora o ritmo de retomada do crescimento esteja aumentando, a Federal Funds Rate permanecerá inalterada. Caso contrário, a recuperação econômica poderá ser interrompida pela curva dos juros futuros, forçando a autoridade monetária adotar novas medidas de estímulo.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,65%, mostrando uma ligeira recuperação após a abertura pesada dos negócios. O candle de fechamento não pode ser considerado um martelo (apesar da aparência semelhante), porém mostra sinalização de fundo ascendente na região aleatória dos 52.2k. O mercado só volta a ficar vendido no curtíssimo prazo em caso de perda deste novo patamar (fraco) de sustentação em 52.2k.


Nos Estados Unidos o Comitê Bancário do Senado aprovou a indicação de Janet Yellen para comandar o FED, pendente agora apenas da ratificação final do plenário do Senado. Os principais índices de Wall Street trabalham dentro de um movimento de recuperação nesta quinta-feira, reaproximando-se de suas respectivas máximas históricas.

9 comentários:

  1. Fala FI. Eu sou o rapaz da media movel do post anterior.

    Você tem alguma dica, ou idéia de como trabalhar as falsas entradas?

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    1. Continue estudando as características técnicas da movimentação dos preços do ativo em questão. É importante entender a sinalização dos candles, fazer uma leitura correta do mercado (não se deixando influenciar pelo seu posicionamento) e estar preparado para tomar as decisões, independente do que acontecer.

      Abcs, bons negócios

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  2. Fala FI ! Anonimo da alll na area ! Fui as compras ! Semana passada fui de geti4 a 19,50. Terca fui de cemig a 18,77 e hj fui de trpl4 a 28,25. Aguardemos !

    Um abraço !

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    1. Bem concentrado no setor. CMIG4 bateu e repicou hoje num suporte importante de curto prazo. Boa sorte nos trades!

      Abcs,

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  3. FI,
    Sobre a parte:

    "É importante ressaltar que o FED está estudando maneiras de evitar que as taxas de juros futuras (Treasuries – títulos públicos do tesouro norte-americano) voltem a disparar no mercado. Para isso, o Banco Central deverá aumentar a clareza de seus planos para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado."

    Entendo que com isso o Treasury 10 anos, inclusive, não iria disparar tanto se houvesse a diminuição do QE?

    Você acredita que os Yields dos titulos brasileiros, em 2013, irão subir muito além do que já chegaram (este ano)?

    Abs,

    Miguel

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    1. Esta é a intenção do FED. Evitar que as taxas de juros futuras disparem quando o volume dos programas de estímulos monetários começar a ser reduzido. Acho que o FED trabalha com o teto de 3% na Treasury de 10 anos. Ou seja, caso o Yield esteja acima (ou próximo) deste patamar, a autoridade monetária não vai cortar os estímulos monetários. O Banco Central consegue induzir o mercado na formação da curva de juros futuros, basta acertar a estratégia.

      Quanto aos Yields brasileiros, a parte da pressão sobre a curva provocada pela movimentação dos Treasuries está aparentemente controlada, com este objetivo do FED. Isso não é uma garantia de que os Yields dos Treasuries não irão disparar no curto prazo, mas que o Banco Central vai trabalhar para que isso não aconteça. Mas a parte da pressão provocada pelo ambiente doméstico ainda permanece indefinida e complexa, já que o Banco Central do Brasil não sinalizou ao mercado até onde pretende elevar a taxa Selic.

      Abcs, bons negócios

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  4. Fi, poderia colocar legenda em seu grafico! Tenho diculdades para entender o gráfico. Desculpe a ignorância!

    Z

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    1. Olá Z,

      A legenda fica difícil, pois falta espaço no gráfico para explicar tudo direito. Mas quando você tiver dúvida é só me perguntar. Estou aqui é pra isso mesmo.

      Abcs,

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