segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O populismo de 2 trilhões


O clima no mercado brasileiro continua pesado. A crescente deterioração do cenário doméstico segue azedando o humor dos investidores. A situação que já era delicada com o enorme rombo nas contas públicas e o numeroso déficit nas transações correntes se complicou ainda mais com o novo aumento do endividamento do país.

O Tesouro Nacional informou nesta segunda-feira que a DPF (Dívida Pública Federal) cresceu no último mês e voltou a ultrapassar a preocupante barreira psicológica de 2 trilhões de reais. Na passagem de setembro para outubro a dívida brasileira aumentou 33,6 bilhões de reais, atingindo a marca de 2,023 trilhões de reais (a maior da série histórica).

O resultado é preocupante, pois a dívida pública externa caiu 2,73% (de 88,85 bilhões de reais em setembro para 79,68 bilhões de reais em outubro) influenciada pela queda de 1,23% do dólar no mês passado. O simples fato de a DPF subir mesmo com a queda do dólar (suavizando a parte da dívida externa), mostra que o governo está gastando e se endividando cada vez mais sem trazer benefícios à economia e/ou se preocupar com as consequências futuras.

Basicamente são três os motivos responsáveis pelo aumento do endividamento do governo: aportes volumosos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na Caixa Econômica Federal e na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). Os aportes nestas duas instituições financeiras tinham (tem) objetivo de aumentar o volume de crédito subsidiado na economia para estimular o consumo da população (tal como o programa bilionário de financiamento de móveis e eletrodomésticos conhecido como “Minha Casa Melhor”). O aporte na CDE tem objetivo de financiar o desconto médio de 20% nas tarifas de energia.

Para financiar estes aportes volumosos o governo precisou captar recursos no mercado emitindo títulos da dívida pública. Isso significa que o dinheiro que o governo pagou caro para captar no mercado está sendo utilizado de maneira ideológica/improdutiva para que as atuais lideranças políticas consigam se sustentar no poder.

Este é apenas mais um indicador, entre tantos outros, que revela como o quadro doméstico está se deteriorando cada vez mais por conta da política populista.

A bolsa brasileira deslocou-se, mais uma vez, dos principais índices mundiais. Na Europa, a bolsa italiana avançou 0,20%. O mercado francês fechou em alta de 0,55%. Na Alemanha a bolsa de Frankfurt subiu 0,88% e na Inglaterra a bolsa de Londres ganhou 0,30%.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta segunda-feira em leve alta de 0,05%, deixando um candle de indecisão na região dos 16.1k.
  

O índice Bovespa cedeu 1,02%, impulsionado pela deterioração do cenário doméstico. O mercado fechou colado na linha de apoio dos 52.2k, onde o seu rompimento provocará o acionamento de um pivot de baixa com potencial de jogar o Ibovespa de volta ao suporte (enfraquecido) dos 51.3k.


15 comentários:

  1. FI,

    Nessa batida, onde pararão os Yields dos títulos brasileiros?

    Abs

    Miguel

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    1. Num cenário de contínuo aumento do endividamento, baixo crescimento, má gestão dos recursos públicos e déficit elevado nas transações correntes, os Yields só tendem a subir. A cada semana que passa o mercado recebe uma notícia pior do que a outra. O governo precisa trabalhar para mudar este cenário.

      Abcs, bons negócios

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  2. TD Vai arrebentar as ações!

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    1. Mercado de renda fixa está bem mais atrativo rs...

      Abcs, bons investimentos

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  3. Caro Finanças Inteligentes,

    Vivemos um momento interessante em que o passado encontra com o futuro. Deixe-me explicar melhor. Enquanto o supremo se defronta com um processo das perdas bilionárias das cadernetas de poupança fruto dos diversos anos do processo hiperinflacionários. Ou seja distorções das medidas econômicas do passado e de uma dívida interna enorme que resultou no plano collor e dívida interna esta que estava na casa de 60 bilhões no governo Itamar, recebemos a informação que nossa dívida pública federal ultrapassa os dois trilhões.

    Os que passaram e que sofreram com tantos planos econômicos e tamanha hiperinflação devem estar pensando porque tanto sofrimento para novamente estamos no mesmo ou perto do ponto em que já estivemos há algum tempo atrás.

    Anônimo investidor

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    1. A gestão desse governo deixa muito a desejar. É triste. Não bastou perder uma grande oportunidade para realizarmos as reformas estruturais na década passada (com o super ciclo de alta das commodities), fato que colocaria a economia nos trilhos para crescer de forma sustentada, agora estamos assistindo um crescente cenário de deterioração fiscal, baixo crescimento, inflação elevada, política econômica totalmente desencontrada/equivocada e perda de confiança/credibilidade dos investidores e empresários.

      Abcs, bons negócios

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    2. Acho que o somátório dos pontos elencados por você é o aumento do grau de vulnerabilidade que atingimos, apesar de não termos as informações suficientes da distância em que estamos do precipício,pois a simples expectativa de mudança no QE3qs expôe nossa fragilidade.

      O cenário acima afeta nossa credibiilidade e leva à mudança de nosso comportamento, de tal forma que perde-se a confiança em qualquer tipo de investimento no país.


      Anônimo pouco investidor

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    3. Exatamente! Por sinal, esta é a mesma reflexão que levou ao rebaixamento na perspectiva para o nosso rating.

      Abcs,

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  4. FI, qual seria o título do Tesouro Direto mais indicado neste cenário atual? Atrelado À SELIC?

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  5. Segundo FI: LTN2016, por enquanto. Leia posts anteriores.

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  6. Sim. Apenas LTN 2016 por conta dos eventos relevantes que estão para acontecer a partir de 2015. A LFT 2017 (funciona como um CDB pós-fixado) pode ser utilizada para complementar a carteira.

    Abcs a todos e bons negócios

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    1. FI,

      chechando os yields agora a tarde, não sei se va ter mta surpresa ainda em 2015 e 2016
      rs.

      Ate

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    2. rs... e olha que isso não é nada perto do que pode acontecer quando os BCs começarem a fase crítica da desalavancagem do sistema.

      Abcs,

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  7. FI, você acredita que o governo possa vender dólar a vista pra fechar o ano com cotação em 2,20? To com receio de entrar comprando a 2,30 e depois tomar na tarraqueta, apesar da intenção de deixar o fundo cambial até 2016, pelo menos.

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    1. Acho que o governo só vai aumentar sua intervenção caso o dólar se aproxime dos R$ 2,50 no curto prazo. Esta faixa de R$ 2,30 é aceitável no curto prazo. Para entrar comprado neste momento a margem de risco é maior. O dólar não atingiu aquele ponto ideal de compra entre R$ 2,11 a R$ 2,08, formou fundo numa região acima, nos R$ 2,17. Apesar de tudo, a tendência de médio e longo prazo permanece altista.

      Abcs, bons negócios

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