segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O recado do Tombini


O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, afirmou em discurso durante o V Fórum sobre Inclusão Financeira, na cidade de Fortaleza, que a pressão inflacionária futura tende a diminuir.

A sensação de convicção nas declarações de Tombini tem respaldo na atual política monetária do Banco Central. A taxa básica de juros já subiu 2,25 p.p. neste ano e deverá fechar 2013 com uma alta de 2,75 p.p., aos 10% ao ano, ainda sem nenhum sinal de interrupção no ciclo.

Com uma política de aperto monetário bem mais intensa e prolongada do que se esperava, o Banco Central quer demonstrar ao mercado o seu comprometimento com a política de metas de inflação, reestabelecer o clima confiança no sistema e estimular os investimentos.

Grande parte dos agentes econômicos continua descrente com a situação de melhora do quadro inflacionário futuro, mesmo porque a economia ainda não sofreu o impacto da alta dos juros. Boa parte deste grupo quer “ver para crer”. Só acreditarão numa inflação futura mais baixa quando o IPCA começar a perder força regularmente.

Provavelmente a confirmação desta crença acontecerá apenas na segunda metade de 2014. Tombini está apenas antecipando os fatos, que parte do mercado já percebeu (não foi por acaso que o índice Bovespa subiu nos últimos quatro meses).

Não há como ignorar os efeitos contracionistas de um ciclo de aperto monetário expressivo. A inflação vai ceder por um preço elevado no curo prazo, mas necessário para retomada da confiança, além de proporcionar condições ao crescimento sustentado (do ponto de vista da política monetária) no médio prazo.

O presidente do Banco Central voltou a dizer que “a política monetária deve se manter especialmente vigilante” (frase que se tornou um indicador de alta dos juros), evitando criar uma falsa sinalização ao mercado de que o ciclo de aperto monetário poderia ser interrompido na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

No cenário externo voltaram os rumores de que o BCE (Banco Central Europeu) poderá anunciar novas medidas de relaxamento monetário. Na semana passada, a taxa de inflação da zona do euro desacelerou para o menor nível desde novembro de 2009, criando expectativas de que a instituição poderá reduzir os juros e tomar uma posição ainda mais acomodatícia para estimular a atividade econômica.

Destaque para a alta inesperada do índice de confiança na zona do euro. O indicador saltou para o nível mais elevado desde maio de 2011, atingindo 9,3 pontos. Já o Índice Gerente de Compras da zona do euro divulgado hoje subiu de 51,1 pontos em setembro para 51,3 pontos em outubro, sinalizando expansão do setor manufatureiro pelo quarto mês consecutivo.

A bolsa de Paris, na França, subiu 0,36% nesta segunda-feira. Na Alemanha, a bolsa Frankfurt ganhou 0,33%. A bolsa de Londres, na Inglaterra, avançou 0,43%. Na Itália, a bolsa de Milão subiu 0,76%.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,15%, marcando um pregão sem novidades, de baixo volume financeiro.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 0,78%, rompendo a LTB dos 56.7k, impulsionado pelas ações da Vale, Petro e Bradesco. As principais blue chips do índice passam por um bom momento, rompendo barreiras importantes, contribuindo para a manutenção da tendência de alta de curto e médio prazo.


10 comentários:

  1. FI,

    Chegando a 10%, é de esperar que este ciclo de alta vá muito além disso? Qual seria o patamar buscado pelo Banco Central?

    Até agora a selic já subiu mais de 2pp.

    Abs

    Miguel

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    1. Não vejo necessidade de ultrapassar os 11%. Acho que o ciclo de aperto monetário será interrompido quando a taxa Selic se aproximar deste patamar (talvez em 10,75%). Mas isso é apenas um palpite, baseado na minha avaliação. O Banco Central ainda não indicou nada neste sentido. Apenas sinaliza que o ciclo de aperto monetário vai continuar no início do ano que vem.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI, a votação da autonomia do BC foi descartada para esse ano.
    Acredito que a votação está sendo usada como moeda de troca para alguma politicagem. Você acredita que o BC poderá ser independente no Brasil algum dia? E se a independência, caso aprovada, seria benéfica para o país?

    Abraços,

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    1. Não adianta ser independente na teoria, como o MP e Judiciário, mas, na prática, eles serem paus mandados de zés da politicagem.
      Entidades independentes nunca deveriam ter seus membros escolhidos/votados/sabatinados pelos políticos larápios.

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    2. Sim, faz parte da evolução do sistema financeiro. As principais economias mundiais funcionam neste modelo. Mais cedo ou mais tarde vai acabar acontecendo aqui também.

      Abcs a todos e bons negócios

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  3. Você ainda acha desvantagem a ntnb principal 2035 com rentabilidade hoje de 5,98%aa, com foco em longo prazo? Vi que a curto prazo você não recomenda. Sua rejeição a este título continua mesmo a longo prazo? []

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    1. Corrigindo, agora em 6,06%aa. 4,5%aa líquidos acima da inflação é uma boa taxa pra quem pensa em longo prazo, não acha? rsss

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    2. Sim, não vejo vantagem alguma por conta do prazo que é muito longo. Impossível projetar qualquer tipo de cenário. No curto prazo (até 2015/2016) já temos elementos suficientes capazes de levantar este Yield para acima dos 6,5% ou mais, quando a desalavancagem do sistema começar a ocorrer a partir da elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos. Imagina o que não poderá acontecer nos próximos 10 anos? rsrs.. Certamente o clima de tensão irá aumentar em alguns momentos, provocando uma disparada dos Yields, e, consequentemente, uma nova oportunidade de compra. Mas ao segurar um bônus neste nível por tanto tempo você corre sérios riscos de ter uma rentabilidade abaixo da média do mercado, além de deixar de aproveitar os momentos de disparada das taxas. A cereja do bolo da renda fixa aparece quando o mercado entra em pânico. Em 2008, por exemplo, as NTNBs chegaram a pagar um bônus de 10% ao ano.

      Poderia ser interessante pagar 6% numa NTNB pra vencer em 2015 ou 2016, coincidindo com o timming do FED, mas estes títulos não estão mais disponíveis para compra. A NTNB mais curta disponível no momento vence em 2019. Paga um Yield de 5,88%. Ainda não vejo vantagem. Até 2016 pode ser uma boa, mas a partir deste ano o Yield poderá ficar defasado com um novo ciclo de alta dos juros (a nível global). Se o Yield da NTNB 2019 se aproximar dos 6,5%, pode valer o risco de ganhar do mercado até 2015/2016 e perder moderadamente pro mercado a partir 2016.

      Você pode investir neste mercado com objetivo de longo prazo, mas não há necessidade de comprar títulos longos com Yields desinteressantes. Basta comprar títulos curtos, com Yields interessantes, e fazer novas compras após o vencimento, sempre pegando as taxas nos momentos de tensão do mercado. Assim você bate o CDI. Se as taxas dispararem demais, como ocorreu em 2008, pode ser interessante pegar um título de prazo maior (o que seria hoje uma NTNB 2024 ou NTNF 2023). Lembrando que o mercado é quem definirá o timming de compra e não o seu fluxo de caixa. Se você tiver recursos líquidos em momentos desinteressantes (títulos caros/Yields baixos: mercado em clima de otimismo), será melhor utilizar produtos de giro curto (como LCI pós-fixada ou mesmo a poupança) para rentabilizar o capital até o momento em que o mercado lhe apresentar uma boa oportunidade de entrada.

      Abcs, bons negócios

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    3. Entendi o seu raciocínio. Realmente faz mais sentido ganhar acima de 11%aa até o vencimento da ltn 2016 e somente depois tentar se posicionar em ntnb após 2015.

      Abraço

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  4. Hoje ultrapassou 6%...

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