quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PIB dos Estados Unidos alimenta nova onda de especulações


O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que a economia do país cresceu a uma taxa anualizada de 2,8% durante o terceiro trimestre de 2013, mostrando o ritmo mais rápido de expansão desde o terceiro trimestre de 2012. O mercado foi surpreendido positivamente, já que as projeções apontavam para um crescimento anualizado de 2%. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 0,7% neste terceiro trimestre.

Esta é apenas a primeira estimativa do Departamento de Comércio, baseada em dados incompletos e sujeitos a revisão. A medição saiu com atraso e não considerou o período de paralisação do governo norte-americano. Uma segunda estimativa, com dados mais completos, será divulgada no próximo dia 5 de dezembro.

A possibilidade de os números do PIB piorarem é relativamente grande. A medição mais recente do índice de confiança dos consumidores e empresários norte-americanos mostra queda significativa, refletindo o impasse entre parlamentares republicanos e democratas para elevação do limite de endividamento e aprovação do orçamento do governo.

A análise precipitada do PIB norte-americano alimentou uma nova onda de especulações no mercado quanto à redução dos estímulos monetários pelo FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) ainda este ano. Muitos se decepcionaram com a manutenção integral do programa de estímulos monetários, acreditando nas informações distorcidas veiculadas na mídia.

Esta decepção poderá acontecer novamente. Os números divulgados pelo Departamento de Comércio mostram, na verdade, que o desempenho da economia continuou fraco. Os gastos dos consumidores, responsáveis por mais de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos, aumentaram apenas 1,5% no terceiro trimestre. Este é o ritmo mais lento desde o segundo trimestre de 2011.

Na verdade o avanço do PIB no último trimestre foi influenciado pela significativa reposição de estoques por parte das empresas, fato que dificilmente se repetirá nos próximos meses em meio à queda do clima de confiança dos consumidores e empresários. Excluindo os estoques, a economia norte-americana cresceu 2% neste terceiro trimestre, inferior ao ritmo de crescimento observado no segundo trimestre de 2013 (2,5%).

Com a atividade econômica fraca, inflação significativamente abaixo da meta e permanência da taxa de desemprego acima dos 7% ao ano, o FED dificilmente reduzirá o volume do seu programa de estímulos monetários no próximo mês.

Dados importantes do mercado de trabalho dos Estados Unidos serão divulgados amanhã. Caso a taxa de desemprego, atualmente em 7,2%, recue para 6,9%/7% (possibilidade altamente remota), os diretores do Banco Central passariam a ter o primeiro motivo (entre os três principais: PIB, desemprego e inflação) para autorizarem o início da fase de redução gradual no volume do programa de estímulos monetários, seguindo o cronograma divulgado no mês de junho.

A quinta-feira foi bastante movimentada nas principais praças financeiras mundiais. Logo pela manhã o BCE (Banco Central Europeu) reduziu a taxa básica de juros da zona do euro de 0,50% para 0,25%.  A autoridade monetária também cortou sua taxa de juros de empréstimos marginal, de 1,00% para 0,75%. A taxa de depósito ficou inalterada em 0,0%.

Cerca de um quarto dos 23 integrantes do Comitê de Política Monetária BCE, liderados pelo presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, se opuseram ao corte na taxa de juros. A decisão da maioria foi respaldada pela queda inesperada da inflação na zona do euro, atingindo apenas 0,7% no acumulado dos últimos 12 meses, significativamente abaixo da meta de 2%.

O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que a taxa de inflação deverá permanecer abaixo da meta por um período prolongado. A possibilidade de deflação, que levou à década perdida no Japão, está descartada na zona do euro. Mas o Banco Central, inteligentemente, optou por se prevenir.

Draghi ainda ressaltou que pode fornecer mais liquidez aos bancos por um período prolongado, na tentativa de impulsionar a recuperação econômica no bloco europeu, em caso de perda de fôlego do crescimento nos próximos trimestres.

Já o BoE (Banco Central da Inglaterra) optou por manter a taxa básica de juros em mínima recorde (0,5% ao ano) e não alterar o seu programa de compra de ativos de 375 bilhões de libras (cerca de 603 bilhões de dólares) . A recuperação econômica na Grã-Bretanha está mais forte, superando seus pares na zona do euro.

A decisão do BCE animou os investidores, mas os mercados cederam forte após a divulgação do PIB norte-americano. A leitura precipitada dos números comprou mais uma possibilidade (novamente equivocada) de que os estímulos monetários serão reduzidos na próxima reunião do Banco Central norte-americano.

O índice S&P500 recuou 1,31%. Nasdaq caiu 1,90%. Dow Jones perdeu 0,97%, testando uma LTA bastante inclinada formada na região dos 14.7k. O candle de força relevante sugere rompimento da linha de tendência, a ser confirmado nos próximos pregões.


No Brasil o índice Bovespa cedeu 1,21%, perdendo a média móvel simples de 200 períodos diária. Mercado sem patamar de sustentação. Poderá testar a região de suporte em 51.9k nos próximos pregões, enfraquecida pelo aumento da força do movimento corretivo de curtíssimo prazo. Em caso de rompimento desta região de suporte, a tendência de alta de curto prazo poderá ser invalidada, ameaçando a sustentação da tendência de alta de médio prazo.
  

O volume financeiro de 8,5 bilhões de reais observado no pregão desta quinta-feira (consideravelmente acima da média) levantou a primeira suspeita de que os investidores estrangeiros estão desmontando posições em blue chips.

24 comentários:

  1. FI,

    Esta medida do banco central europeu não pode impulsionar um adiamento da diminuição dos estímulos nos EUA ?

    Abs,

    Miguel

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    1. * em termos de uma coordenação de política dos bancos centrais

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    2. Não. Os objetivos do FED são bem claros: baixar a taxa de desemprego, estimular o crescimento e criar inflação. Quando a taxa de desemprego cair abaixo de 7% muito provavelmente o FED vai apertar o "Esc" (começar a reduzir o volume) da Operação Twist e do QE3. Fora isso, o que pode prorrogar um pouco o início desta redução no volume dos estímulos monetários, mesmo com crescimento ganhando força e taxa de desemprego levemente abaixo dos 7%, é a taxa de juros do mercado futuro (mais precisamente Yield do título público do governo norte-americano de 10 anos), que exerce alta influência nas taxas para financiamento dos imóveis. Se o mercado imobiliário travar nos Estados Unidos, por conta das taxas mais elevadas no mercado futuro, o FED poderá agir pra derrubar o Yield. Manter o setor de construção civil (importante fonte criadora de postos de trabalho) aquecido é crucial para evitar uma alta inesperada da taxa de desemprego.

      Mas desconfio que os diretores do FED estão percebendo que o principal causador desta envergadura na curva dos juros futuros é a incerteza do mercado quanto ao timming do FED. É um movimento basicamente psicológico, influenciado pelo desconhecimento do "dia D" para os estímulos monetários. O FED monitora este movimento muito de perto. Acho que na próxima reunião de Comitê os diretores deverão discutir uma possibilidade de evitar esta incerteza do mercado quanto ao "dia D". Talvez realizando uma espécie teste, definindo a data de uma vez, informar no comunicado e estudar o comportamento do mercado, mais precisamente três ou quatro semanas após a divulgação da tão esperada data. Poderia chutar que o mercado voltaria ao normal após três ou quatro semanas, com a eliminação do fator incerteza e, não menos importante, com o entendimento de que a redução dos estímulos monetários é uma sinalização macro positiva (economia voltando aos trilhos e pegando velocidade).

      Abcs, bons negócios

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    3. Agradeço a resposta FI.

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    4. PS: Lembrando que os banqueiros centrais mantêm sim uma comunicação até bastante frequente, principalmente este grupo: FED, BCE, BoE (Inglaterra) e BoJ (Japão). Mas a questão é que hoje o quadro/estratégia do BCE é diferente do quadro/estratégia do FED.

      Abcs,

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    5. Ótima resposta

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  2. Pois é FI, eu levantei aqui ontem suspeitas de que a venda de Small Caps e ativos de menor liquidez e manutenção de Blue Chips poderia ser uma tática dos investidores estrangeiros para depois se disfazerem de ativos mais líquidos que é justamente onde eles mantem posições mais pesadas. E hoje isto vai se confirmando. Ainda é cedo para fazer um prognóstico mais realista mas o mercado vem caminhando nesta direção.Postado por Seren

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    1. Realmente, hoje as blue chips mostraram movimento típico de desmonte de posições volumosas. Provavelmente alguns estrangeiros estão mandando pro bolso o que arrancaram do mercado nestes últimos 3/4 meses. Lembrando que o perfil do investidor estrangeiro que investe em small caps é bem diferente do perfil do investidor estrangeiro que opera blue chips. O primeiro é mais focado em valor, o segundo é mais focado em operações curtas, de caráter especulativo. Mas de qualquer forma aconteceu um movimento relevante nesta quinta-feira e que poderá mudar o rumo do mercado em prazos maiores. Vamos continuar monitorando.

      Abcs, bons investimentos

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  3. FI, boa noite,
    O que acha desse momento das elétricas ?
    Mão coçando para comprar GETI4 e TRPL4. Talvez até CMIG4, CPFE3 E ELPL4.

    Anônimo da alll

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    1. Eu tou engatinhando em análise fundamentalista, mas dei uma olhada no resultado do 3º tri de TRPL4, e apesar de ter sido ruim, acho que em parte foi devido a eventos não recorrentes, o que pode ser uma boa oportunidade.

      Anônimo da alll

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    2. Tudo bom Anônimo da alll?

      Elétricas é muita incerteza pra muito risco. O ideal é encontrar empresas/setores de pouca incerteza e pouco risco. Mas levando em consideração o alto nível de intervenção do Estado sobre a economia, além do atual nível de preço (no geral) das empresas, está quase impossível achar empresas/setores dentro do que ser considerado o ideal. Mas destas que você citou, gosto bastante da GETI3.

      Abcs, bons negócios

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    3. Grato pela resposta, FI. Eu nao comento muito, mas sempre tou por aqui, lendo os posts.

      Anonimo da alll

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    4. Fique a vontade em comentar. O melhor do blog são os comentários de vocês!

      Abcs,

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  4. E os títulos do tesouro deram mais um salto de remuneração agora a noite!

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    1. salto mesmo, passaram de 12% facil... sera que veio para ficar?

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    2. Esta pergunta só o Tombini pode responder rsrs... Mas acho que não. Na minha avaliação a taxa Selic não ultrapassará os 11%. Sendo assim, haverá espaço para uma correção nos Yields quando o Banco Central começar a desenhar até onde vai este ciclo de aperto monetário. O importante é que temos uma nova oportunidade de compra em LTN 2016. Os demais títulos continuam desinteressantes.

      Abcs, bons investimentos a todos

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    3. Mas, FI, você chuta que chega a 11% no meio ou no fim do ano que vem?

      Abs,
      Jr.

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    4. Acho que chega perto dos 11% já no primeiro trimestre de 2014, dentro deste ciclo de aperto monetário.

      Abcs,

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  5. Bolsas americanas marcando topo, e acho que o último do ano. Daí não passam...

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    1. Sim, candles de força relevante no Dow Jones e S&P500. A princípio só podemos afirmar que esta é uma formação de topo de curtíssimo prazo. Quanto tempo vai durar esta correção ninguém sabe. Por enquanto não altera a tendência de alta de curto, médio e longo prazo. Vamos acompanhando.

      Abcs, bons trades

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  6. Estou mto Feliz por ter este blog como lanterna do meu tunel...


    batistuta007

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    1. O melhor do blog são os comentários. Parabéns a todos vocês pela manutenção das boas discussões deste espaço!

      Abcs, bons investimentos

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  7. Obrigador FI, pelo blog. Acesso a informações imparciais, claras e objetivas são raras na internet. Tb não sou muito de comentários mas sempre (diaramente) estou lendo o Blog.

    Z

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    1. Eu é que agradeço por passar por aqui amigo!

      Abcs, bons negócios

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