quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Búuuu!


O cenário é obscuro, incerto e perigoso. Quem se arrisca a entrar acaba se perdendo na escuridão, leva um bocado de sustos no meio do percurso e em pouco tempo já está procurando desesperadamente pela porta de saída. Parece que estamos nos referindo às famosas casas do terror, bastante comuns nos parques de diversões. Mas infelizmente estamos descrevendo o atual cenário econômico brasileiro.

A diferença é que os investidores e empresários não pagaram ingresso para serem surpreendidos negativamente. O mercado tem recebido uma enxurrada de indicadores econômicos ruins. Mas, por outro lado, o governo insiste em menosprezar a situação já bastante delicada, adotando a política da negação.

As pessoas que se dispõem a acreditar nas histórias de conto de fadas do governo estão levando um susto atrás do outro. Há uma semana Dilma Rousseff disse à imprensa internacional que o nosso PIB (Produto Interno Bruto) de 2012 foi revisado de 0,9% para 1,5%. A diferença relativamente expressiva acabou gerando um alvoroço no mercado.

Hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o novo PIB de 2012. A alta que era de 0,9% passou para 1%, desmentindo a declaração irresponsável de um chefe de estado (que, em tese, deveria transmitir o mínimo de confiança, credibilidade e responsabilidade). Quem confiou nas palavras da presidente levou um susto.

Quem também confiou nas famosas projeções furadas do ministro da Fazenda levou mais um susto. O PIB do terceiro trimestre recuou 0,5% ante o trimestre anterior, marcando o pior desempenho dos últimos quatro anos. A retração econômica foi influenciada pela queda dos investimentos, justamente a nova alavanca, escolhida e apontada pelo governo, para impulsionar o crescimento brasileiro.

A decepção com o PIB e a percepção cada mais maior da incompetência administrativa do governo contribui para deterioração do quadro doméstico, já bastante pressionado pelo rombo nas contas públicas, inflação elevada, déficit em transações correntes, aumento do endividamento e déficit na balança comercial.

Ao comentar os dados, o ministro Guido Mantega culpou a falta de crédito pelo desempenho pífio da economia. Segundo ele, se o crédito estivesse normal, o Brasil estaria com um crescimento maior. A declaração é no mínimo contraditória, pois o endividamento das famílias nunca esteve tão elevado pela onda de crédito farto, patrocinado pelo próprio governo, nos últimos anos.

Por sinal já faz alguns anos que este (inadequado) modelo econômico demonstrou os primeiros sinais de esgotamento, mas o ministro ainda não foi capaz de enxergá-los.

Com a rotina dos números decepcionantes da economia brasileira, os bancos tendem a reagir restringindo a oferta de crédito para se protegerem do futuro aumento da inadimplência. Este quadro tende a se agravar nos próximos trimestres com o aumento da taxa básica de juros e, consequentemente, ocorrerão novos impactos sobre a taxa de crescimento.

Como de costume, o governo não demonstra estar preparado para enfrentar as adversidades futuras. Não há planejamento ou análise das consequências referentes às decisões tomadas, altamente intervencionistas e grandes causadoras das atuais distorções econômicas. E para complicar, o governo tenta vender uma falsa imagem de que está tudo bem entre um susto e outro de sua clientela.

O noticiário doméstico carimbou o rompimento do importante patamar de sustentação do índice Bovespa (região dos 51.3k), aumentando a durabilidade da tendência de baixa iniciada na região dos 56.7k.


A próxima região de suporte (fraca) está posicionada na faixa dos 49.5k. Mas esta linha dificilmente conseguirá reverter a tendência de baixa de curto prazo, já que as condições técnicas são desfavoráveis para uma nova pernada de alta consistente do índice.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones recuou 0,59%, mantendo o movimento corretivo de curtíssimo prazo, ainda sem apresentar sinal de fundo/reversão.
  

O índice S&P 500 teve desvalorização de 0,32%. Nasdaq caiu 0,20%. Investidores e operadores estão embolsando lucros em Wall Street, já que os índices tiveram um bom desempenho neste ano, superaram máximas históricas e atingiram níveis elevados de sobrecompra. Mesmo com esta correção dos últimos 3 dias, o S&P500 ainda acumula uma alta de 25,9% em 2013.

12 comentários:

  1. FI,

    Quando o mercado inverter a tendência de longo prazo nos EUA para bear market, você acredita que o ibovespa aqui vai ladeira abaixo?

    Abs,

    Miguel

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    1. Cara, num sei o que o FI vai falar, mas considerando os últimos 7 anos, nunca o nível de investidores pessoas físicas e institucionais esteve tão baixo na bolsa. Da mesma forma, o nível dos investidores estrangeiros (americanos em sua maioria) nunca esteve tão alto. Estou falando em termos de recursos financeiros, não o quantitativo de investidores.

      A bolsa nos EUA está 16.000 pontos, se ela corrigir vai arrastar aqui, pois os gringos vão precisar vender aqui para cobrir posição lá e a única forma de aparecer força compradora suficiente para igualar a oferta de venda é mediante a forte queda de preços. A forma que a bolsa chegou a 44k em junho, mostra para mim que se lá cair para 14.000, o que convenhamos nem é tão baixo assim para lá, aqui vai furar os 40k.

      Aperte os cintos, a dilmaquinista sumiu.

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    2. Possivelmente sim. Mas depende de como estará o Ibovespa no longo prazo (caro, barato, razoável...). É uma situação que demanda acompanhamento. Acho que tendência de alta de longo prazo nos Estados Unidos corre risco de ser invalidada quando o FED começar a subir os juros em 2015/2016, marcando o início da fase crítica de desalavancagem do sistema. Até lá temos muito chão pela frente e muitas novidades deverão aparecer.

      Abcs, bons negócios

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    3. PB,

      Exato. Dow Jones em 14k não altera a tendência de alta de médio e longo prazo, mas causa um estrago relevante de curto prazo. Esta hipótese de movimento em Wall Street teria potencial para jogar o índice Bovespa de volta aos 44k.

      Abcs, bons investimentos

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  2. FI, meio off.
    Estoy procurando algum forum legar para acompanhar o dia a dia do pregao. Algo para passar o tempo..e pescar algumas ideias. O infomoney era legal tirando o gato. Agora parece que sofreu retaliaçao. As coisas pararam por la. Alguem tem algumas indicaçoes?

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    1. Opa! Tudo bom? Tente no ADVFN ou no Ponto Invest.

      Abcs, bons trades

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  3. Ainda bem que não tive tempo para voltar a operar. No final das contas, quando se tem o Mantega tudo pode piorar - e rápido.

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    1. A cada semana que passa o mercado é surpreendido com um indicador pior do que o outro. Impressionante.

      Abcs, bons negócios

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  4. Foda. E ainda sim Dilma está lá em cima nas pesquisas.

    Inacreditável.

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    1. Reeleição está praticamente garantida. Infelizmente.

      Abcs, bons investimentos

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  5. Grande texto fi. Quando achamos que vimos o máximo da incompetência, vem esse governo comunista e populista mostrar que podem ser ainda piores.

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