quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Começa a nova temporada de negociações nos Estados Unidos


Em máximas históricas e com uma alta acumulada de 25% somente neste ano, nem parece que há cerca dois meses atrás especulava-se no mercado a possibilidade infundada de um calote do governo norte-americano.

Todo aquele cenário catastrófico descrito inúmeras vezes nos principais veículos de comunicação do mercado financeiro desapareceu como num passe de mágica após o acordo entre Republicanos e Democratas para acabar temporariamente com o impasse fiscal e aumentar o limite de endividamento do governo norte-americano. O teto da dívida dos Estados Unidos foi novamente elevado, garantindo financiamento para o governo até o dia 15 de janeiro.

Diferentemente dos outros episódios, os parlamentares envolvidos na negociação do orçamento do país já estão trabalhando num novo acordo, no qual os Democratas aceitariam novas receitas com impostos e os Republicanos concordariam com mais gastos do governo.

Nesse novo acordo, visando evitar uma nova paralisação do governo, o aumento da receita viria pelo aumento de algumas taxas, como as de passagens aéreas. Desta forma, os Republicanos, teoricamente, aceitariam elevar o nível atual dos gastos públicos.

Com as negociações adiantadas, espera-se que um novo acordo possa sair ainda neste mês de dezembro, preparando o terreno para que o FED (Federal Reserve – Banco Cenral dos Estados Unidos) possa começar a reduzir, no primeiro trimestre de 2014, o volume dos programas de estímulos monetários.

O relatório de emprego da ADP, divulgado nesta quarta-feira, mostrou que os empregadores do setor privado norte-americano abriram 215 mil novas vagas no mês passado, superando significativamente as expectativas do mercado (criação de 173 mil postos de trabalho). Este é o maior aumento em um ano.

Os dados da ADP indicam que o importante relatório de emprego do governo (mais abrangente), a ser divulgado na sexta-feira, poderá mostrar uma queda na taxa de desemprego, contribuindo para uma avaliação mais positiva da economia. Isso significa que os diretores do FED estarão mais confiantes para acionarem o gatilho (da redução dos estímulos monetários) no início do ano que vem.

A possibilidade deste corte ocorrer no mês de dezembro está descartada, já que o FED deverá, primeiramente, provocar uma redução nas taxas de juros dos Treasuries (títulos públicos do governo norte-americano).

O índice Bovespa cedeu 0,26% nesta quarta-feira, aproximando-se da linha de suporte na região dos 49.5k, sem apresentar novidades. Segue dentro da tendência principal de baixa. No curtíssimo prazo pode-se observar tentativas de repiques no gráfico horário, rechaçadas pela força vendedora.


Nos Estados Unidos os principais índices de Wall Street trabalham um movimento de recuperação no final do pregão, estimulados pela divulgação do livro bege que apontou para um crescimento de modesto a moderado da economia norte-americana. 

O índice Dow Jones emitiu um sinal de indecisão colado na linha central de bollinger, sinalizando para a formação de um fundo na região dos 15.8k. 


9 comentários:

  1. FI, você espera uma nova intervenção do BACEN no câmbio pra trazer a cotação de volta para os R$ 2,20?

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    1. Por enquanto não, mas acho que o Banco Central vai continuar com o programa de swap cambial no ano que vem. Caso a cotação ultrapasse os R$ 2,50 (o que acho improvável no curto prazo) o Banco Central pode começar a pensar em queimar uma parte de suas reservas.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI, tem padrão OCO confirmado nesse di´rio do IBOV, não?

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    1. Sim, um OCO inclinado. Entretanto não costumo destacar a formação de figuras nas minhas análises devido à baixa eficácia e alto potencial de induzir o operador a tentar adivinhar o movimento futuro (fugindo da análise técnica). Na minha avaliação, o mais importante é o entendimento de que estamos dentro de uma tendência de baixa de curto prazo. Portanto, deve-se priorizar operações na ponta vendedora até o momento em que o mercado sinalizar reversão.

      Abcs, bons trades

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  3. FI, penso q que BC irá aumentar a selic de forma mais agressiva baseado na última ata do conpom e nesta informação de teu blog. Vc concorda comigo?
    Z

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    1. Por enquanto estou mantendo o meu ponto de vista feito no comunicado do Copom semana passada. Mas ainda estou em processo de avaliação rsrs... Fiz uma leitura da ata na parte da manhã, mas agora na parte da tarde vou fazer uma conciliação com a ata do mês de outubro e destacar as mudanças. Vou tentar explicar tudo bem resumidamente no post de hoje.

      Abcs, bons negócios

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  4. Boa tarde, FI.
    Bom poder escrever com acentos novamente.
    Minha pergunta é um pouco mais teórica. Há uns dois anos venho estudando finanças (educação financeira recebi desde criança do meu pai). Creio que evolui bastante no entendimento de como funciona algumas coisas, mas evidentemente falta muita coisa.
    Trouxe muita literatura em língua inglesa (quase paguei excesso de bagagem), pois creio que agora posso entender melhor esses livros.
    Minha pergunta é o que você sugeriria para leitura. Gostaria de aperfeiçoar minha análise sobre taxa de juros. Pensei em ler as atas do COPOM de anos anteriores, bem como do FED. Você acha válido, ou seria uma perda de tempo? Penso que é importante ir na fonte, como você fez ao ler as atas do FED para poder basear as suas próprias análises.

    No mais, você recomendaria o que de leitura (pode ser literatura estrangeira também)?
    O que você acha de Valuation (nunca vi você comentando a respeito)?

    Um abraço!

    Soulsurfer

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    1. Olá Soulsurfer,

      Recomendo ler algo mais prático, principalmente as atas dos Bancos Centrais. Você aprende muito lendo estes documentos, consegue ter uma visão imparcial e melhor capacidade de avaliação do cenário macro e micro. No início é meio chato, até acostumar... Mas depois vai ficando mais emocionante quando você consegue entender como a autoridade monetária está querendo transmitir a sua mensagem aos mercados, que muitas vezes passa desapercebida pela mídia. As vezes basta uma troca de palavra/expressão para o Banco Central mudar sua política monetária. Recomendo imprimir as atas e arquivar. Comece com as atas da reunião 178 e 179, com atenção redobrada no campo "Implementação da política monetária", tente notar as pequenas diferenças no comunicado, mas que implicam em mudanças importantes. Gosto de valuation, mas quando o mercado está propício para stock picking. Hoje o mercado brasileiro não oferece essas condições.

      Abcs, bons estudos

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    2. PS:

      Link: http://www.bcb.gov.br/?ATACOPOM

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