sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering


O Departamento do Trabalho informou nesta sexta-feira que foram criados 203 mil novos postos de trabalho na economia norte-americana durante o mês de novembro. O resultado surpreendeu novamente o mercado que esperava um número próximo de 180 novas vagas e mostrou consistência no ritmo de contratações (em outubro foram criados 204 mil novos postos de trabalho), sinalizando aumento no ritmo de recuperação da atividade econômica.

A manutenção do forte ritmo de contratações provocou uma queda significativa da taxa de desemprego (de 7,3% em outubro para 7% em novembro, menor patamar dos últimos 5 anos), descolando-se para o patamar informal escolhido pelos diretores do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) para dar início ao tapering (redução gradual no volume dos programas de estímulos monetários).

A segunda leitura do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos divulgada ontem confirma a tese de que houve aumento no ritmo de recuperação da atividade, que não pode mais ser taxada como “lenta” ou “modesta”. A leitura do PIB do terceiro trimestre foi revisada de 2,8% para 3,6%.

Além disso, a prévia da confiança do consumidor norte-americano disparou para 82,5 pontos em dezembro, significativamente superior aos 75,1 pontos registrados no mês passado. Esta foi a maior leitura do índice desde julho e superou as previsões dos analistas (em torno de 76 pontos). Os consumidores estão reagindo às melhores perspectivas sobre a economia e o emprego. Confiantes, as famílias voltam a gastar mais, impulsionando a economia. Os gastos dos consumidores correspondem a 2/3 do PIB dos Estados Unidos.

Os indicadores revelam que a economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering. O FED deixou claro que a política monetária é dependente dos dados. Os números melhoraram inegavelmente. Pode-se notar um aumento no ritmo de crescimento, refletindo no mercado de trabalho e na confiança das famílias. Com a melhora do quadro econômico, há claramente uma janela de oportunidade para o Banco Central iniciar o tapering, num momento propício de inflação baixa.

Por outro lado o mercado da dívida soberana deverá impedir uma atuação do FED no curtíssimo prazo (ainda este ano). Os diretores de Comitê estão estudando maneiras de provocar o recuo das taxas de juros futuras (Treasuries – títulos públicos do tesouro norte-americano), além de impedir uma nova disparada quando anunciarem o tapering. Para isso, o FED deverá aumentar a clareza de seus planos para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado.

Este será o principal objetivo da reunião de Comitê a ser realizada nos dias 17 e 18 de dezembro. Preparar o mercado para o tapering. Os estímulos monetários não serão reduzidos em condições de mercado desfavoráveis (taxa de juros do título de 10 anos do tesouro norte-americano próxima de 3%, conforme podemos observar no gráfico abaixo).


O FED precisa fazer com que os investidores e operadores comprem a ideia de que embora o ritmo de retomada do crescimento esteja aumentando, a Federal Funds Rate permanecerá inalterada. Caso contrário, a recuperação econômica poderá ser interrompida pela curva dos juros futuros, forçando a autoridade monetária adotar novas medidas de estímulo com objetivo de baratear o crédito de longo prazo.

A primeira sinalização positiva do mercado apareceu nesta sexta-feira. A expectativa pelo tapering provocou uma alta de 1,26% no índice Dow Jones, revertendo a queda dos últimos 5 dias. A taxa de juros da Treasury de 10 anos não disparou, manteve-se estável, surpreendendo muitos analistas que previam exatamente o contrário (queda no mercado de ações e alta nas taxas de juros futuras).

Esta mudança na percepção dos investidores/operadores, embora muito recente, melhora as condições para que o FED possa preparar o mercado financeiro para o tapering, especialmente o da dívida soberana. Já os preços dos ativos em bolsa sofreram impactos puramente psicológicos, rapidamente revertidos no curto prazo, já que os principais índices acionários de Wall Street operam próximos de suas respectivas máximas históricas.

Na prática a liquidez do sistema financeiro continuará elevada mesmo com a torneira fechada. Os dólares que estão transbordando hoje serão enxugados somente quando a Federal Funds Rate começar a subir em 2015/2016. Já as empresas serão beneficiadas pela retomada mais forte do crescimento, com o aumento do faturamento e, consequentemente, da taxa de lucro líquido, sustentando o quadro de melhora no valuation.

Com a recuperação desta sexta-feira o índice Dow Jones fechou a semana com um martelo, confirmando fundo na região dos 15.8k.


Na Alemanha o índice DAX cedeu com mais força, deixando um candle de topo na região dos 9.4k após 8 semanas consecutivas de alta. Mercado com espaço suficiente para correções de curto prazo, sem afetar a tendência principal de alta.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em alta pela terceira semana consecutiva, colada na máxima histórica. Segue com boas perspectivas para o curto e médio prazo.
  
  
Na China a bolsa de Xangai fechou em alta pela quarta semana consecutiva, aproximando-se da importante barreira na região dos 2.270 pontos. O rompimento desta região poderá liberar espaço para o mercado continuar subindo.


No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa pela terceira semana consecutiva, descolado dos mercados emergentes, por conta da deterioração do quadro doméstico. A linha central de bollinger foi perdida com um candle de força relevante, alimentando a tendência de baixa de curto prazo iniciada na região dos 56.7k. Mercado mantendo um movimento de repique de curtíssimo prazo, mas permanece com viés de baixa.


A todos um ótimo final de semana! Bom descanso e até segunda!

5 comentários:

  1. Se segunda abrir pra baixo acho que o Ibov vai dar uma melada. Estou vendido em Win desde os 52k.

    Um abraço e bom fds!

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    1. Sim. Este repique de curtíssimo prazo, até o momento, é apenas um movimento de pullback na linha dos 51.3k.

      Abcs, boa semana!

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  2. Bom post, parabéns!
    Eu estava achando que eles iniciariam a diminuição dos QEs entre janeiro - março de 2014.
    Acredito que vá ser assim mesmo.
    QEs, ao que parece, terminam até o final de 2014.
    Agora, acredito que realmente e de fato os juros futuros de lá serão estancados no início, mas acho que beira o impossível manter isso por muito tempo.
    E eu suspeito que eles já saibam disso e estejam discutindo a melhor forma de transição.
    E acredito que o ramo imob de lá sofrerá novo dano, com dinheiro sendo transferido/circulando para o restante da economia.
    Se tudo der certo, acredito que 2015 serão reiniciados a política de aumento de juros, já sem QEs.
    Pois é, acabou a farra (pra eles não seria tão ruim, mas para os brasileiros sim).
    Abç!

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    1. O setor imobiliário de vários países - incluindo o Brasil - sofrerá danos, primeiramente porque convenceram as pessoas via marketing de que imóveis são excelentes investimentos. Em segundo porque o smart money entrou forte nesse setor em vários locais do mundo, e, no caso do Brasil, já está realizando seus lucros e saindo. Prepare-se para a baixíssima liquidez dos imóveis nos próximos anos, além, é claro, das quedas de preço.

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    2. Exato. Segurar os juros futuros nos 3% é uma tarefa para o curto prazo. Com a retomada do crescimento econômico, retorno da inflação e desalavancagem do sistema financeiro, as taxas de juros dos Treasuries subirão inevitavelmente, para acima deste patamar de 3% tranquilamente. Esta transição vai ser muito conturbada e, talvez, o FED esteja empurrando uma crise para estourar nos mercados em 2015/2016, para ganhar margem de manobra. Hoje a capacidade de gerenciamento de uma nova crise é muito pequena. O FED ainda está limpando os ativos tóxicos de 2008 do sistema (aliás, este é um novo problema para os próximos 4 ou 5 anos, o que fazer com esta tonelada de ativos tóxicos no balanço? Esta pergunta nem os Bancos Centrais sabem responder).

      Quanto ao mercado imobiliário, concordo. É um dos setores mais impactados pelo aumento do custo do capital. Tanto para quem constrói, quanto para quem vai comprar. No caso do Brasil há uma particularidade por conta do deslocamento da Selic este ano. Os efeitos provocados pelo aumento da taxa de juros começarão aparecer na economia na segunda metade de 2014, onde o mercado imobiliário começará a ser afetado pelo crédito mais caro. Muita gente vai falar que é por causa da Copa, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra rs... O timming coincidiu. A correção será puramente efeito da restrição e encarecimento do crédito, com os bancos operando na ponta defensiva (mais restritivos e seletivos nos financiamentos).

      Abcs a todos e boa semana!

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