quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mancada dupla


Aparentemente decepcionado pelo crescimento vergonhoso da economia brasileira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, encontrou um novo culpado pelo nosso fracasso: o crédito.

À primeira vista parece ser uma justificativa plausível. O excesso de crédito em circulação, estimulado pela desastrosa política de incentivo ao consumo do governo, tem provocado inúmeras distorções na economia.

A inflação persistentemente elevada provoca deterioração na confiança dos empresários, deprime os investimentos, aumenta os riscos, subtrai o poder de compra e reduz o potencial de crescimento da economia.

Mas na visão do ministro da Fazenda, o crescimento baixo está relacionado à escassez de crédito na economia. Mantega afirmou nesta quarta-feira que “a economia brasileira está crescendo com duas pernas mancas nos últimos anos por conta do financiamento ao consumo escasso e da crise financeira internacional”.

A declaração do ministro surpreendeu, pois, mais uma vez, está completamente desencontrada com a realidade. Em primeiro lugar a economia brasileira não consegue nem se aproximar da média de crescimento da economia global. Enquanto o Brasil cresceu 2,7% em 2011, o mundo cresceu, em média, 4%. Já em 2012 a economia brasileira cresceu 1%, enquanto a economia global expandiu 3,2%. Em 2013 vamos crescer novamente abaixo da média global (3% - projeção).

Em segundo lugar não há escassez de crédito no sistema. Dados do Banco Central disponibilizados na última ata de reunião do Copom revelam que o saldo total de crédito do sistema financeiro atingiu 2,6 trilhões de reais em outubro, com uma forte expansão de 14,7% nos últimos doze meses. Deste montante, 56,2% são operações de crédito com recursos livres, grandes responsáveis por estimularem as vendas no varejo.

Logo, pode-se observar que a crise internacional e a escassez de crédito não são responsáveis pela perna manca da economia brasileira. O que houve foi mais uma tremenda falta de responsabilidade do governo em repassar informações distorcidas ao mercado. Soa como uma tentativa (frustrada) de enganação. O baixo desempenho da economia brasileira é um simples reflexo das inúmeras mancadas observadas na gestão da política econômica nos últimos anos.

A justificativa de hoje pelo nosso fracasso acabou sendo uma mancada dupla do ministro da Fazenda. O mercado não engoliu as informações equivocadas e acelerou o movimento de correção, comparando-se com os demais índices mundiais, na tarde desta quarta-feira.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 1,81%, colado na linha de suporte dos 50.1k. Esta região será fatalmente perdida nos próximos pregões, por conta das condições técnicas desfavoráveis ao reaparecimento da força compradora.


Em caso de rompimento dos 50.1k o índice Bovespa acionará mais um pivot de baixa, praticamente invalidando por completo a força da linha de suporte localizada mais abaixo, na região dos 49.5k.  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 0,81%, formando um topo descendente na região dos 16k. A linha de suporte dos 15.8k deverá ser testada nos próximos pregões, com boas possibilidades de rompimento, fato que provocará o acionamento de um pivot de baixa, aumentando a força do movimento corretivo de curtíssimo prazo.


O mercado repercutiu o acordo preliminar firmado na noite de ontem, entre parlamentares Democratas e Republicanos, para o Orçamento dos Estados Unidos. O acordo estabelece novos limites de gastos para 2014 e 2015, além de restituir alguns dos cortes automáticos em programas sociais e militares. De uma forma geral, a decisão permite um aumento nas despesas públicas no curto prazo e reduz a possibilidade de uma nova paralisação em 2014.

O entendimento entre parlamentares norte-americanos reduziu o risco de reversão do atual ciclo de recuperação da atividade econômica nos Estados Unidos. Este fato novo (muito positivo por sinal) provocou uma queda psicológica nos mercados acionários, já que o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) poderia implementar o tapering (redução no volume dos programas de estímulos monetários) na reunião de Comitê da semana que vem.

Mas com a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano rondando a casa dos 3% (fechou em 2,86% hoje), as possibilidades de implementação do tapering este ano são bastante remotas.

Cabe ressaltar que esta é a última barreira a ser vencida pelo FED. A economia já deu o sinal de partida na semana passada. Hoje foi a vez da política. Só faltam os juros futuros.

5 comentários:

  1. Quero ver o que vai ser da bolsa em 2014... não tem um único sinal positivo depois de tanta trapalhada desse idiota... incrível como um governo de uma presidente "economista" conseguiu cometer tantos erros e afundar o país em problemas em tão pouco tempo.

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  2. Ideologia, mesmo o cumpanheiro sendo um tapado como o Mantega, a ideologia fez Dilma trocar Meirelles por Mantega.
    É como trocar água por vinho, deu no que deu e por culpa única e exclusiva deste Poste colocado na presidência.

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    1. trocar água por vinho? Meirelles pelo Mantega é como trocar água por lama, para não usar um adjetivo mais pesado. rsrs

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  3. O PETRALHAS- não estão nem ai, pois querem estimular o consumo enganando e endividando o povão que até tablet já é permitido no progama minha casa melhor.
    Mercado para eles é de especuladores que querem enriquecer facilmente e sem trabalhar.
    O Mantega é um servidor ao gosto da presidente autoritária, que usa o lema:MANDA QUEM PODE OBEDEÇE QUE TEM JUÍZO

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    1. O Mantega DESTRUIU o país. Essa é que a verdade. O Lula surfou na onda da economia externa e não absolutamente NENHUMA reforma decente.

      Estamos de novo no crescimento safado de sempre. Lembram que de 2005 a 2010 falavam que saímos do vôo de galinha?

      Ai ai ai..

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