terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mercado no aguardo do FED


O pregão desta terça-feira foi marcado por mais um dia insignificante para os mercados financeiros. Baixos volumes no mercado de ações, da dívida soberana e no câmbio mostraram mais uma vez que os investidores/operadores estão aguardando uma sinalização do FED (Banco Central dos Estados Unidos) amanhã.

A reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central norte-americano começou nesta terça-feira e terminará amanhã com alguma novidade e/ou esclarecimentos quanto ao futuro da política monetária no curto prazo.

A economia dos Estados Unidos está pronta para o tapering, mas o FED deverá manter o volume (85 bilhões de dólares) do seu atual programa de estímulos monetários, já que a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano permanece elevada, próxima do patamar psicológico de 3%. Além disso, a inflação no país continua muito abaixo do centro da meta, fato que oferece condição para manutenção dos estímulos monetários no curto prazo.

De todo modo, o Banco Central dos Estados Unidos deverá preparar o mercado para o tapering, provocando uma redução nas taxas de juros futuras (títulos do Tesouro). Para isso, basta aumentar a clareza da política monetária através de uma mensagem bem clara e objetiva, destacando os planos da autoridade monetária para manter a Federal Funds Rate (taxa básica de juros da economia) próxima de zero por um período suficientemente prolongado.

Os principais índices de Wall Street fecharam em leve queda nesta terça-feira. Os operadores evitaram montar posições antes do resultado da reunião do FED. O índice Dow Jones fechou com um candle de indecisão, deixando o jogo aberto para amanhã.


No Brasil o índice Bovespa cedeu 0,38% pressionado pela queda das ações da Petrobras. Circularam boatos no mercado de que a reunião da presidente da empresa (Graça Foster) com diversos analistas de instituições financeiras (preocupados com o futuro da companhia) revelou a possibilidade de não haver paridade de preços em 2014. Apesar da obviedade, por conta do ano eleitoral, a notícia é negativa e, consequentemente, derruba o humor dos investidores num momento de fluxo de caixa extremamente delicado para a empresa.
  

A queda do Ibovespa não alterou o quadro dos últimos dias. Mercado poderá se destravar amanhã.

8 comentários:

  1. FI,

    Última reunião do FED no ano, será que o FED vai conseguir realmente baixar o US Treasury de 10 anos para patamares inferiores ?


    Abs,

    Miguel

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    1. Consegue, basta acertar a comunicação com o mercado. Deixar bem claro que não há expectativa de alta da Federal Funds Rate antes de 2015. É uma questão puramente psicológica e o FED talvez seja a instituição mais bem preparada no mundo para lidar com isso. Se fizerem o serviço bem feito acho que o Yield da Treasury de 10 anos cai abaixo de 2,5% no primeiro semestre do ano que vem.

      Abcs, bons negócios

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  2. FI,
    O que acha do déficit em transações correntes? Com um enxugamento da liquidez no próximo ano isso não poderia impactar ainda mais? Não traria pressão sobre o câmbio, e por consequência sobre a inflação (sem contar que prejudicaria ainda mais a PETRO e a questão dos preços administrados que segundo o BACEN tiveram alta de apenas 1% nos últimos 12 meses)?
    Se realmente houver aumento da FFR, isso não pressionaria ainda mais nosso câmbio e o déficit?
    Numa situação como essa talvez não seja necessário um grande ajuste nos nossos juros para poder atrair capital e minorar o déficit ou você acha que apenas as nossas reservas cambiais dariam conta do recado?

    Abraço!

    Soulsurfer

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    1. É um quadro preocupante que o governo tem desprezado, ressaltando o volume de nossas reservas cambiais (380 bilhões de dólares). Hoje o Banco Central elevou sua projeção de déficit em transações correntes para 79 bilhões de dólares. A partir do momento em que se observa incapacidade do fluxo de investimento estrangeiro direto cobrir o rombo nas transações correntes torna-se praticamente inevitável uma depreciação do real. Uma fuga de capitais mais intensa esvaziaria facilmente os cofres do BC e ainda poderia ser insuficiente para impedir uma depreciação maior no câmbio. A segunda ferramenta de proteção, já um pouco no desespero, ficaria por conta da elevação da taxa Selic.

      A nossa vulnerabilidade aumentou significativamente com a delicada situação fiscal, baixo clima de confiança e credibilidade e mudanças significativas nas políticas monetárias dos principais banqueiros centrais em 2015/2016. O enxugamento de liquidez ocorrerá neste período com a elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos e, muito possivelmente na Inglaterra e, talvez, na zona do euro também. No Japão o BoJ continuará injetando dinheiro no mercado, já que a sua meta (criar inflação de 2%) é bem audaciosa e vai ser atingida no longo prazo. Em 2014 o sistema continuará bastante líquido, já que o tapering não tem esta função de desalavancagem (vai apenas fechar a torneira). É um tempo que nós ainda temos para reverter as variáveis da nossa vulnerabilidade que estão em nossas mãos (fiscal e confiança). Mas o governo não sinaliza esse interesse, o que deixa a situação bem complicada para administrar um choque em 2015.

      Abcs, bons negócios

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    2. Concordo com absolutamente tudo que você disse (aliás agradeço a inteligência dos seus posts, são artigos que nos fazem pensar, pesquisar, ir atrás e começar a compreender o mundo econômico que nos circunda).

      É que eu não vejo a menor possibilidade de nós melhorarmos a situação fiscal para o próximo ano. Andei vendo, e nosso déficit nominal está em 3,45% do PIB. Se chegar a 4% no próximo ano, e convenhamos não é difícil, será o pior déficit desde 2003. Como bem salientado nossas contas externas estão ruins e tendem a piorar com o enxugamento da liquidez, bem como com a fuga de dinheiro com o aumento possível dos yields.
      Para piorar ainda tem a inflação insistentemente acima da meta, os preços administrados (principalmente o problema da petrobrás e da energia elétrica), e a questão do superávit primário. Todas as projeções de crescimento para 2014 são de 2%, mas o governo no orçamento enviado ao congresso projeta 4% de crescimento.

      O ajuste na segunda metade de 2015 não pode vir forte demais não? Claro que é impossível mensurar, mas não podemos ver um aumento significativo na SELIC? Você vem dizendo isso aqui, para se posicionar em LTN16 e LTF, porque os yields de hoje tendem a ficar depreciados em 2015/16 com o aumento dos juros lá fora. Entretanto, o Brasil não está armando o palco ideal para sermos abatidos por uma tempestade perfeita? Se houver uma conjunção de fatores como inflação alta, superávit baixo, déficits em transações correntes algo, déficit nominal alto, não pode ser que seja necessária uma SELIC muito alta? Não falo em patamares de 20-22%, mas 14-15%?

      Abraço

      Soulsurfer

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    3. Certamente sim. Mas ainda temos margem de manobra. Não acho que o governo vá utilizá-la, mas o mercado ganha tempo antes de precificar uma deterioração maior do quadro. Hoje o FED fez uma mudança relevante que dá mais tempo ao Brasil, talvez pra fazer o possível e o impossível para melhorar o superávit, acabar de vez com a inflação e, consequentemente, eliminar o déficit em conta corrente. É muita tarefa para ser feita em apenas um ano (2015), teríamos que começar pelo menos no terceiro ou quarto trimestre de 2014.

      Abcs, obrigado e parabéns pelos comentários

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