quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A surra do Sr. Mercado


Eike Batista está levando uma surra do Sr. Mercado. As suas empresas perderam cerca de R$ 3,3 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias. A queda forte e generalizada das “ações X” listadas em bolsa é um movimento que já vem acontecendo há algum bom tempo, mas esta revolta do mercado se acentuou bastante nos últimos dias.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) postergou ontem a operação comercial da térmica Maranhão IV, da MPX, alegando ocorrência de “um equívoco”. Hoje o MPF (Ministério Público Federal) anunciou que moveu ação civil pública com pedido de liminar contra as empresas EBX, OSX e LLX, pedindo o fim das obras de instalação do Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

O MPF disse que há indícios de que as obras para construção do Porto do Açu causaram a salinização em áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e de água tratada para o consumo humano. A ação ainda pediu adiamento do início da operação do Porto do Açu, enquanto não forem comprovadas a restauração ambiental e a ausência de ameaças ao equilíbrio ambiental.

Ainda nesta quinta-feira, um poço de petróleo perfurado pela OGX no prospecto de Cozumel (bacia de Campos), não encontrou indícios de petróleo. A empresa tinha expectativa de que no prospecto de Cozumel houvesse um total de 168 milhões de barris de óleo equivalente, segundo relatório do Citi Research. Mas na verdade não havia nenhuma gota. Este poço era necessário para viabilizar a construção da plataforma OSX 5.

Estas notícias atingem em cheio a credibilidade, já bastante deteriorada, do empresário Eike Batista. Lembrando que estes foram apenas os acontecimentos dos últimos dois dias envolvendo as empresas do “Sr. X”. O mercado está literalmente shorteando (vendendo) Eike, e com razão. Nos últimos dois dias as ações da OGXP3 caíram 13,50% na bolsa, a MPXE3 despencou 11,16%, OSXB3 perdeu 7,74%, MMXM3 caiu 7,63%, LLXL3 perdeu 8,47% e a CCXC3 recuou 2,60% mesmo com anúncio da OPA (Oferta Pública de Aquisição) para fechar o capital da empresa.

Mesmo com a queda das empresas do “Sr. X”, o Ibovespa conseguiu fechar o pregão desta quinta-feira em alta, devido ao bom desempenho das ações da Vale (movimento técnico, fundo duplo no intraday que ocasionou no rompimento da máxima do martelo de terça-feira).

Índice Bovespa
  
Com este movimento de alta o índice conseguiu respeitar a LTA formada a partir do fundo em 55.1k. Esta linha é crucial para permitir que o índice tente retornar o patamar dos 60.4k e posteriormente retestar a LTB formada a partir do topo em 63.5k.

Em mais um episódio de mudanças constantes nas regras para os investidores estrangeiros, o governo brasileiro anunciou hoje que irá zerar a alíquota do famoso IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para compra de cotas de FII (Fundos de Investimento Imobiliário) negociados em bolsa de valores. Justamente o segmento do mercado financeiro que apresenta uma grande quantidade de ativos perigosamente inflados.

Nos Estados Unidos o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou em 18 mil na semana passada, atingindo 368 mil solicitações. O número veio pior do que o esperado pelo mercado, que aguardava um avanço menor, para 362 mil pedidos.

O índice Dow Jones confirmou o topo de curto prazo destacado na análise de ontem (“Show deanedotas”). A LTA mais curta foi perdida, mantendo a sequência do movimento de correção, colaborando para um certo alívio dos indicadores sobrecomprados.

Índice em Wall Street

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Show de anedotas


Estava demorando, mas ela apareceu. A choradeira no câmbio está de volta. O ministro Mantega entrou em cena novamente, fazendo as mesmas ameaças ao “capital especulativo” e comentários econômicos/financeiros que só ele consegue entender.

“Não permitiremos uma valorização especulativa do real e isso veio para ficar. Aviso aos navegantes: isso veio para ficar. Não se entusiasmem porque isso (referindo-se ao movimento especulativo) não vai acontecer.” Mantega ainda completou dizendo: “O câmbio não irá derreter”.

O câmbio realmente não vai derreter, pois ele já derreteu. A cotação já caiu bastante no curto prazo. Saiu de uma máxima em R$ 2,14 no dia 2 de dezembro do ano passado, para R$ 1,98 no valor de fechamento desta quarta-feira. Independente se vai continuar caindo ou não, a estratégia de manter estável um câmbio naturalmente flutuante mostra-se totalmente ineficaz. Apesar de suavizar os impactos de curto prazo através das intervenções do Banco Central, o dólar manteve sua tendência de queda.

O único prejudicado nesta história são as empresas que operam no mercado externo. As declarações do governo no ano passado davam a entender que o dólar se manteria na faixa de R$ 2,10 (ou até mesmo a R$ 2,15, para os mais otimistas do setor industrial) por um bom tempo. As empresas que confiaram no governo e deixaram de formalizar contratos para venda de mercadorias futuras com o dólar mais elevado estão agora com um produto de menor receita. As empresas que aceitaram o custo maior de produção, arquitetando uma venda do produto no mercado externo com dólar mais elevado, estão agora com uma bucha na mão.

As empresas que confiaram naquela famosa declaração do ministro Mantega em novembro do ano passado: “Dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar”, estão frustradas, mais uma vez. Pelo segundo dia consecutivo o dólar fechou cotado aos R$ 1,98. O ministro da Fazenda não conseguiu aprender, mesmo com tantas gafes cometidas nestes últimos anos, que não se consegue ter soberania sobre o mercado.

Mantega também salientou que a desvalorização recente do dólar não indica uma preocupação com a inflação. O ministro disse que o câmbio “não é instrumento de política monetária para baixar preços”. Mas na prática a queda no câmbio colabora sim para reduzir as pressões inflacionárias. Mantega ainda completou dizendo que “se o câmbio ficar estável, ele não gera inflação”.

Mas que beleza não? É de doer os ouvidos ou arrancar gargalhadas de qualquer simpatizante a entender economia. Porque não levantamos logo o câmbio para R$ 2,50 e deixamos o dólar estável neste patamar? Agradaria enormemente o setor industrial. Será mesmo que não vai gerar inflação? Faz o teste Mantega. Ou melhor, por favor, não faça o teste, pois precisamos ir ao supermercado quase toda semana e o carrinho está andando cada vez mais vazio.

Ainda no cenário interno o Banco Central confirmou as informações divulgadas ontem pelo Tesouro Nacional ("Nem com malabarismo dá certo"). O governo não conseguiu cumprir a meta cheia de superávit primário em 2012, mesmo com tantas manobras contábeis realizadas em dezembro do ano passado.

O reajuste de combustíveis da Petrobras divulgado ontem, antes do balanço da empresa, não conseguiu comprar (ou seria enganar?) os investidores que esperavam um reajuste maior para cobrir o rombo gigantesco nas importações de combustível pela empresa. O ministro Mantega comentou hoje o reajuste da Petrobras dizendo ser uma “pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”.

Os analistas do Credit Suisse soltaram um relatório nesta quarta-feira recomendando cautela em relação as ações da Petrobras. “Eles não alteram nossa visão porque não resolvem a questão da disparidade, ou seja, a política de preço continua fora dos preços de mercado, e implica que as importações continuarão a ser deficitárias e prejudiciais aos resultados da empresa”.

O índice Bovespa fechou o pregão em forte baixa puxado pelas blue chips (onde os estrangeiros estavam mais posicionados), principalmente Petrobras e OGX. A queda do índice só foi parar na LTA formada a partir do fundo em 55.1k, ponto onde poderá aparecer força compradora. O problema é quem irá comprar se os estrangeiros estão vendendo? Investidor pessoa física está batendo em retirada da bolsa há mais de quatro anos, tal como o investidor institucional.

Bolsa do Brasil
  
Caso esta linha de tendência seja perdida o índice deverá testar a média móvel simples de 200 períodos diária na região dos 58.2k. O giro do pregão ficou bem acima da média e atingiu os R$ 9,2 bilhões.

Nos Estados Unidos o Departamento de Comércio informou que o PIB (Produto Interno Bruto) do país caiu a uma taxa anual de 0,1% no quarto trimestre do ano passado (abaixo do esperado). Em 2012, a economia americana cresceu 2,2%.

O índice Dow Jones reagiu aos dados negativos do PIB, além de sentir a pressão do nível elevado de sobrecompra no gráfico diário, e fechou o pregão em leve baixa nesta quarta-feira. O topo de curto prazo formado na região dos 14k poderá ser confirmado com a perda da LTA amanhã.

Bolsa em Nova York

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Assessoria


Pessoal, ano passado havia comentado no post da parceria com a JB3 Investimentos que outras novidades iriam ser anunciadas nos próximos meses e chegou o momento de anunciarmos a próxima notícia.

A partir de hoje, os leitores que se interessarem poderão contar com a minha assessoria na área de investimentos. Sou agente autônomo de investimentos, profissional certificado e autorizado a trabalhar conforme as normas da CVM para orientá-los no mercado financeiro brasileiro.

Através deste trabalho poderei também transmitir um pouco do meu conhecimento adquirido no mercado de capitais nos últimos seis anos, resultantes de acompanhamentos e estudos realizados por conta própria visando entender melhor a dinâmica do mercado e as variáveis que estão por trás das oscilações nos preços dos ativos. Sou apreciador da análise técnica clássica, fundamentalista, macroeconomia e psicologia comportamental, temas responsáveis por formar a base de conteúdo necessária aos estudos de mercado.

A corretora pela qual estou vinculado é a XP Investimentos (através da JB3 Investimentos, um escritório de investimentos afiliado à XP), uma das maiores do Brasil, com alto investimento em tecnologia da informação que permite oferecer uma das melhores plataformas operacionais do mercado, além de contar com o maior leque de distribuição de produtos financeiros nacionais (fundos, CDBs, LCIs, títulos do tesouro, etc). 

Para saber mais sobre os meus serviços de assessoria na área de investimentos entre em contato comigo através do e-mail: financasinteligentes@gmail.com

Todo o processo operacional, bem como abertura de conta, é on line. A assessoria é realizada por meio de contato telefônico e/ou e-mail/skype. Não cobramos valor adicional pela assessoria prestada. Este custo já está embutido na taxa de corretagem (R$ 14,90 para Home Broker).

Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida estou à disposição.

Ah! E as novidades não param por aqui. Mês que vem tem mais!

Sucesso a todos e bons negócios!

PS: Logo abaixo segue a análise de hoje.

Nem com malabarismo dá certo


A Secretaria do Tesouro Nacional informou hoje que as contas do governo central registraram um superávit primário de 88,5 bilhões de reais em 2012. O resultado ficou abaixo da meta cheia para o ano (97 bilhões de reais), mesmo com todas as manobras contábeis realizadas pelo governo no final do ano passado.

O governo federal havia resgatado 12,4 bilhões de reais do Fundo Soberano, elevou o abatimento da meta dos gastos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e pediu para a Caixa Econômica Federal realizar o pagamento antecipado de 4,7 bilhões de reais em dividendos, além dos 2,3 bilhões de reais de dividendos recebidos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Um documento divulgado pelo Tesouro ainda revela que o governo fez um forte movimento de contratação de obras no fim de 2012 a fim de gerar volumes grandes de gastos do PAC para serem abatidos da meta do superávit primário.

Mesmo assim, com todas estas manobras contábeis, o governo não conseguiu atingir a meta do superávit primário. Esta engenharia financeira do governo foi duramente criticada pelo mercado, principalmente pela mídia especializada internacional. Pior do que fazer todo este malabarismo, colocando em risco o pouco do que resta da nossa credibilidade, é não atingir o objetivo da meta do superávit primário.

Ainda no cenário interno, o Banco Central segue mantendo a estratégia destacada na análise de ontem, deixando o dólar se desvalorizar um pouco mais para aliviar a pressão inflacionária neste primeiro trimestre. O dólar fechou cotado abaixo do patamar de R$ 2,00, aos R$ 1,98. O mercado vai começar a testar o governo para descobrir qual será o novo piso para o câmbio (estima-se que esteja entre R$ 1,90 a R$ 1,95).

A Petrobras surpreendeu o mercado ao anunciar nesta terça-feira o reajuste nos preços dos combustíveis. O preço da gasolina sofrerá uma alta de 6,6% e o diesel será reajustado em 5,4%. A companhia soltou um comunicado dizendo que o reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da estatal, tentando alinhar o preço dos derivados de petróleo aos valores do mercado internacional. Sabemos que na prática esta decisão não é da companhia, mas sim do governo federal. Sabemos também que este reajuste não é suficiente para cobrir o rombo nas importações de combustível.

O anúncio já era amplamente esperado pelo mercado, mas surpreendeu pela data em que foi divulgado. Provavelmente uma tentativa de reanimar as ações da companhia negociadas em bolsa.  Por que será? Confirmar o reajuste antes de soltar o balanço da Petrobras. Qual será a surpresinha que virá desta vez?

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira conseguindo se manter acima do patamar psicológico dos 60k. O índice não foi impulsionado pelas ações da Petrobras, mas sim pelas ações da Vale e companhias siderúrgicas. O Goldman Sachs soltou um relatório dizendo que o fraco desempenho das ações de siderúrgicas brasileiras era injustificado e excessivo. Além disso o jornal Valor Econômico publicou uma matéria nesta terça dizendo que a CSN poderá receber aporte de até 4 bilhões de reais do BNDES para comprar ativos do grupo ThyssenKrupp.

Gráfico do índice Bovespa
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones voltou a subir nesta terça-feira se aproximando cada vez mais do seu topo histórico em 14.2k. Apesar do excelente desempenho no curto prazo, o índice permanece sobrecomprado e com boas possibilidades de correção nos próximos dias.

Gráfico do Índice Dow Jones

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Pancada na volta do feriado


O mesmo movimento vendedor que atingiu a Bovespa na última quinta-feira (Pancada navéspera do feriado) se repetiu hoje na retomada dos negócios. Novamente não houve noticiário macroeconômico ou corporativo (resultado do Bradesco já era esperado) para motivar um sell-off (vendas) tão forte nestes dois últimos dias.

Quedas técnicas, fortes e rápidas reforçam o indício de inversão na posição de alguns investidores estrangeiros no mercado à vista. Estes investidores podem estar embolsando os lucros das operações compradas nos últimos dois meses. Além disso, há suspeita de que estes mesmos players estão aproveitando a oportunidade de fraqueza da força compradora, por parte dos institucionais e pessoa física nacional, para alavancar a rentabilidade operando na ponta vendedora no mercado à vista. O volume financeiro ficou novamente acima da média dos últimos dias.

Com esta queda de hoje, um pivot de baixa foi detonado no gráfico diário do Ibovespa. A tendência de queda no curto prazo ganhou força e deverá seguir pressionando o índice nos próximos dias, pois não há sinal de formação de fundo ou regiões de suporte relevante abaixo do patamar psicológico dos 60k. Ou seja, se o índice perder os 60k será muito difícil conseguir manter-se acima da LTA formada a partir do fundo em 55.1k, deixando para trás os principais pontos de apoio no curto prazo.

Gráfico do pregão na Bovespa

O mercado também está receoso quanto ao câmbio e o possível impacto nas receitas/hedges das empresas exportadoras. O Banco Central está permitindo a queda no dólar, talvez para aliviar as pressões inflacionárias deste primeiro trimestre. Hoje a moeda cedeu 1,51% e atingiu os R$ 2,00.  A autoridade monetária anunciou a rolagem de 37 mil swaps cambiais que vencem no dia primeiro de fevereiro. Estes contratos serão substituídos e por consequência acabam colaborando para a valorização do dólar no mercado brasileiro.

A deterioração do cenário inflacionário, a piora na perspectiva de crescimento e falta de credibilidade na política econômica do governo federal também estão colaborando para o pessimismo dos investidores. Novamente o boletim Focus desta segunda-feira mostrou aumento nas projeções de inflação (agora em 5,67% para 2013) e redução na perspectiva de crescimento (agora em 3,10% para o PIB de 2013).

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta segunda-feira perto da estabilidade após o bom desempenho da semana passada. O nível de sobrecompra segue muito elevado, inviabilizando operações compradas de curto prazo e provocando uma queda perigosa no volume financeiro. Dow Jones pode estar prestes a entrar num movimento de correção desta última pernada de alta.

Gráfico do pregão na bolsa de Nova York

Para finalizar, gostaria de salientar que já implementamos a primeira novidade deste ano. Melhoramos a logomarca do nosso blog rsrs... Brincadeira pessoal, amanhã anunciaremos a primeira grande novidade de 2013. Fiquem atentos!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Pancada na véspera do feriado


Operações vendedoras volumosas atingiram a Bovespa no final da tarde desta quinta-feira, véspera de feriado na cidade de São Paulo. Há pouco mais de três horas para o encerramento do pregão, as vendas pesadas começaram a aparecer na bolsa.

Não houve divulgação relevante, neste horário, no noticiário macroeconômico. O movimento foi puramente técnico. O índice Bovespa começou a cair rapidamente depois de se aproximar da linha de resistência no topo da zona de congestão de curtíssimo prazo em 62.3k. O candle sinalizou indecisão (doji) bem abaixo da linha de resistência conforme podemos observar no gráfico horário logo abaixo.

Gráfico horário do índice Bovespa

A queda forte e rápida chama atenção e pode ser um indício de que alguns investidores estrangeiros (responsáveis por levantar o Ibovespa desde a segunda quinzena do mês de dezembro/2012) resolveram inverter a mão no mercado à vista. O volume financeiro desta quinta-feira ficou acima do fluxo registrado nos últimos dias: 7.1 bilhões de reais.

Com esta queda de hoje o índice Bovespa acabou fechando a semana em baixa, correndo o risco de voltar a região de suporte nos 60.4k e confirmar a perda da média móvel simples de 200 períodos semanal (esta média não está destacada no gráfico devido à base de dados da plataforma gráfica utilizada).
 
Gráfico semanal do índice Bovespa

A ata do Copom, divulgada hoje, pode ter colaborado para o pessimismo do mercado. A autoridade monetária admitiu no documento que o risco de curto prazo para inflação aumentou. Os contratos de juros futuros subiram na BM&F. Observem este trecho importante da ata:

“A maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente”.

Apesar da piora na perspectiva inflacionária, o Banco Central confirmou na ata que manterá a sua estratégia de manter a taxa básica de juros inalterada. A expressão “tempo suficientemente prolongado” foi novamente utilizada para destacar a política de manutenção da taxa básica de juros. Isso significa que o Copom “jogou a toalha” (mais uma vez) no que se refere à convergência da inflação para o centro da meta.

Infelizmente este poderá ser o quarto ano consecutivo de fechamento da inflação fora da meta. Em 2010 o IPCA fechou aos 5,90%, 2011 aos 6,5% e em 2012 aos 5,83%. Isso não é bom para a imagem e credibilidade da autoridade monetária e política econômica do governo. Pode gerar desconfiança no mercado, um dos pilares mais importantes que sustentam a estabilidade de um sistema financeiro, bem como o mercado de capitais.

O noticiário no cenário macro foi positivo nesta quinta-feira. A preliminar do Índice Gerente de Compras da economia chinesa atingiu o maior patamar dos últimos dois anos. O índice atingiu 51,9 pontos no mês de janeiro deste ano, mostrando expansão da atividade industrial e manutenção da recuperação da economia chinesa.

Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerente de Compras também apresentou melhora na atividade industrial em janeiro. O índice marcou 56 pontos, acima dos 54 pontos registrados em dezembro do ano passado, indicando forte expansão.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta quinta-feira em alta mantendo a tendência de curto prazo, bem como o nível de sobrecompra elevado. Ainda não há sinalização de topo, o pavio superior do candle de hoje não confirmou a formação de uma estrela cadente. Porém o risco continua alto para operações de curto prazo.

Gráfico diário do índice Dow Jones

Um ótimo feriado a todos vocês e até segunda! Bom descanso!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mais barato do que o previsto


A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou uma informação importante e positiva para melhorar um pouco a competitividade da indústria brasileira. A energia elétrica poderá ficar até 32% mais barata para as grandes indústrias, superando as expectativas do mercado. Para residências e comércio a redução será de 18%.
Em setembro do ano passado, às vésperas das eleições municipais, a presidente Dilma havia declarado em rede nacional que a redução da tarifa de energia seria, em média, de 16% para residências e comércio e de até 28% para a indústria. Mesmo com a resistência de algumas companhias elétricas em renovar as concessões conforme as recomendações exigidas pelo governo, o corte será maior do que o previsto pelo próprio governo.
Mas como isso será possível? Romeu Rufino, diretor da Aneel, informou que estes os valores excedentes serão bancados pelos recursos do Tesouro Nacional. Inicialmente estava previsto para o Tesouro bancar cercar de 3,3 bilhões de reais para garantir os cortes nas contas de luz. Estima-se que este valor subirá para a casa dos 8 bilhões de reais.
O Tesouro nada mais é do que o caixa do Brasil. Os recursos que compõe este caixa são oriundos dos impostos pagos por todos nós, emissão de dívida pública no mercado e demais recebimentos creditados na conta da União. Em outras palavras, os nossos impostos irão financiar parte da redução na conta de energia elétrica e se o governo precisar captar este recurso no mercado emitindo dívida, a conta poderá ser ainda maior. 8 bilhões ao custo de uma taxa básica de juros de 7,25% ao ano.
Ainda assim o barateamento na conta de luz é positivo para melhorar um pouco as condições de negócio, atualmente deterioradas, na cadeia produtiva. A única dúvida que resta no momento está relacionada ao preço da energia gerada pelas usinas térmicas, que representam um custo de geração mais elevado. Mas o diretor da ONS (Operador Nacional do Sistema) chegou a admitir que o governo poderá encontrar uma forma deste repasse de energia mais cara não ser pago somente pelo consumidor final.
No cenário externo a Câmara dos Estados Unidos aprovou hoje a suspensão do teto da dívida do país até 19 de maio deste ano. A medida será aprovada também no Senado e permitirá que democratas e republicanos tenham tempo suficiente para buscar um acordo sobre o orçamento e endividamento do país.
Balanços corporativos também colaboraram para a continuação do movimento de alta em Wall Street. O índice Dow Jones já encostou na última resistência forte abaixo do topo histórico. A tendência de alta segue forte, porém o índice trabalha sobrecomprado no curto prazo, elevando os riscos de operações compradas de curto prazo.


No Brasil o índice Bovespa conseguiu se manter acima da linha central de bollinger e atacou a LTB de curto prazo formada a partir do topo em 63.5k. Caso esta linha de tendência de baixa seja rompida amanhã, as condições serão favoráveis para novo teste sobre a resistência em 63.5k.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A melhor dívida do mundo


O novo primeiro-ministro do Japão, Sr. Shinzo Abe, está fazendo um trabalho louvável para tirar a economia japonesa da deflação. O BoJ (banco central do Japão) está cedendo às pressões do novo primeiro-ministro adotando medidas agressivas para injetar o máximo possível de capital na economia japonesa.

Nesta terça-feira o BoJ anunciou que vai adotar um compromisso para compras ilimitadas de ativos no próximo ano e dobrar sua meta de inflação para 2%. A partir de 2014 a autoridade monetária vai comprar cerca de 13 trilhões de ienes (aproximadamente 145 bilhões de dólares) por mês, sem prazo definido.

A estratégia do BoJ lembra as compras ilimitadas do FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos) adotadas no ano passado. Acontece que o caso do Japão é diferente. O país está passando por uma deflação (inverso da inflação, índice de preços negativo) há quase duas décadas.

O processo de deflação provoca um ciclo vicioso na economia onde requer atuação rigorosa da autoridade monetária quanto à injeção de capital no sistema, flexibilização do crédito, bem como criar condições artificiais para forçar a elevação dos preços no varejo. A posse do novo primeiro-ministro transformou a política econômica do Japão, que passou a ser ousada e rigorosa no combate à deflação.

Além disso, o governo japonês está elaborando uma nova estratégia de crescimento, algumas reformas estruturais serão realizadas e o endividamento irá aumentar (consequência das novas emissões de bônus).

A dívida do Japão, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), é a maior do mundo. Ultrapassa os 240% do PIB. Mas porque houve tanto estresse com a dívida grega, irlandesa, portuguesa, espanhola ou italiana, bem menores em relação à dívida japonesa?

A resposta é muito simples. A dívida do Japão é a melhor do mundo. O governo não precisa se preocupar com as agências de classificação de risco, não precisa atrair/forçar demanda de investidores internacionais, fundos e players globais no mercado de dívida pública. O Japão tem excesso de demanda no mercado interno, fato que permite a emissão de títulos públicos com extrema facilidade.

A taxa de poupança interna no Japão é suficientemente elevada para cobrir todas as necessidades de financiamento do Estado e do mercado corporativo. Grande parte (na verdade, quase uma totalidade) dos credores da dívida pública são os próprios japoneses e bancos nacionais.

A política monetária de taxas quase nulas, aliada a um cenário de deflação e tendência de baixa de longo prazo da bolsa de valores, colaborou para atrair o fluxo de capital em massa da população para os títulos públicos. Nestas condições, quaisquer pequenas porcentagens oferecidas pelos bônus significarão um ganho real. Este fator sustentou tranquilamente o impressionante crescimento do endividamento japonês.

Os mercados globais se animaram com a postura mais agressiva do BoJ. Em Wall Street o índice Dow Jones conseguiu superar a máxima do ano passado e se aproximou da última zona de resistência forte (13.763) antes do topo histórico. Desempenho excepcional do mercado acionário, ignorando totalmente o sensacionalismo da mídia quanto à nova novela americana.

Principal índice de Wall Street
  
No mercado nacional estão vazando informações de que a presidente Dilma fará um pronunciamento à Nação nesta quarta-feira para reafirmar que conta de energia (residencial e industrial) terá redução média de 20% e que não haverá racionamento no fornecimento de energia no país. A promessa foi feita pela presidente nas vésperas das eleições municipais do ano passado e rendeu popularidade ao partido do governo. Ao que tudo indica a redução será mesmo confirmada, mesmo que parte desta conta seja quitada pelo Tesouro Nacional (ou seja, no final das contas, somos nós mesmos que vamos pagar a conta).

Outra informação foi vazada do Banco Central. Segundo o boato, a autoridade monetária realizou um estudo confirmando que o corte de 20% na conta de luz deve compensar, com uma certa folga, o peso da alta da gasolina sobre a inflação. A estimativa do BC sugere que o corte de 20% na conta de luz deverá eliminar um ponto percentual da inflação em 2013. Já a alta nos preços dos combustíveis deverão acrescentar 0,3 ponto percentual na inflação deste ano. A projeção do BC foi baseada na suposta autorização do governo para elevação de 7% nos preços dos combustíveis.

No mercado de capitais o índice Bovespa segue descolado do mercado global e fechou mais um pregão em baixa. Apesar de tudo não houve perda da linha central de bollinger, alimentando as esperanças da força compradora, mesmo com mercado vendedor no curtíssimo prazo. Caso a linha central não seja rompida, o índice deverá inverter a tendência de curtíssimo prazo e testar a nova LTB formada a partir do topo em 63.5k.

Principal índice do mercado financeiro São Paulo

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A espera de Wall Street


Mesmo com o vencimento de opções sobre ações, responsável por adicionar 2,7 bilhões ao volume financeiro do pregão, o índice Bovespa praticamente não funcionou nesta segunda-feira. O baixo volume financeiro dos negócios colaborou para reduzir a oscilação do índice Bovespa. Consequentemente a bolsa não saiu do lugar nesta segunda-feira, mantendo a mesma análise do último post (Câmara vai votar aumento da dívida).

Gráfico do principal índice da bolsa de valores no Brasil

Wall Street não funcionou devido ao feriado de Martin Luther King. O mercado aproveitou o dia para assistir a posse e analisar o discurso do presidente Barack Obama. O novo aumento do limite de endividamento dos Estados Unidos provavelmente estará condicionado à redução gradual de gastos públicos ao longo dos próximos anos.

Como são os estrangeiros que estão levantando, praticamente sozinhos, o índice Bovespa desde os 55k, o feriado desta segunda-feira deixou o Ibovespa sem rumo. Além disso, o mercado está mais cauteloso pois o índice Dow Jones está muito próximo da última resistência antes do topo histórico. A demanda de compradores pode começar a enfraquecer no curto prazo.

No mercado nacional o boletim Focus acabou ganhando destaque, revelando novo aumento nas projeções para inflação este ano. Os analistas consultados pelo Banco Central estão projetando, na média, um IPCA de 5,65%. Na semana anterior a projeção era de 5,53%. É a terceira semana seguida de revisões para cima.

Já a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) foi reduzida pela terceira semana consecutiva. A perspectiva de crescimento caiu, na média, para 3,19%. As projeções para a taxa Selic se mantiveram em 7,25% este ano e 8,25% para 2014.

Na Europa, o Bundesbank (banco central da Alemanha) publicou em seu relatório mensal que as perspectivas para a economia alemã melhoraram, destacando expectativas positivas para os resultados das empresas no mercado corporativo. Os índices europeus se animaram e fecharam o pregão em leve alta.

O grande destaque do dia na Bovespa ficou por conta da forte alta envolvendo as ações da empresa de carvão do Eike Batista (CCXC3). O empresário participou de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff na semana passada. Desde então os papéis da empresa começaram a subir, ou melhor, disparar. Será que alguns investidores aproveitaram informações privilegiadas?

As ações da companhia saíram da mínima em 1,87 na quarta-feira da semana passada e atingiram hoje a máxima em 3,20, fechando o pregão aos 3,12. Uma forte valorização que foi explicada apenas hoje, após o encerramento do pregão, depois de todo o movimento forte de alta.

Eike Batista quer tirar a empresa da BM&FBovespa através de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) no valor de R$ 4,31 por ação. 130% de ágio em cima da mínima de quarta-feira passada. Assim é fácil fazer dinheiro na bolsa não é verdade? Lembrando que as ações da CCXC3 estrearam na Bovespa em maio do ano passado, cotadas a R$ 7,30. Opa! Mais uma maneira de fazer dinheiro fácil na bolsa, não é verdade? E o pequeno investidor pessoa física...

sábado, 19 de janeiro de 2013

Câmara vai votar aumento da dívida


O líder republicano na Câmara, Eric Cantor, disse hoje que os parlamentares da Câmara irão votar na próxima semana o aumento temporário do teto da dívida norte-americana por mais três meses. A intenção é ganhar tempo para que o Senado e a Câmara cheguem num acordo para aprovar o orçamento.

"Se então o Senado ou a Câmara não aprovarem um orçamento, os membros do Congresso não serão pagos pelo povo norte-americano por não fazer seu trabalho. Não há orçamento, não há pagamento". Disse Cantor.

Este pode ser o primeiro passo para que Democratas e Republicanos consigam resolver o problema da elevação da dívida norte-americana ao mesmo tempo em que os cortes no orçamento sejam realizados, de forma gradual, minimizando os impactos na economia do país. Três meses é tempo mais do que suficiente para tal ação.

Wall Street se animou com a notícia e conseguiu subir um pouco nesta sexta-feira embalada pelos números do Morgan Stanley, divulgação de um lucro maior do que o esperado no trimestre, seguindo a mesma linha de bons resultados apresentados pelos concorrentes Goldman Sachs e JPMorgan Chase.

A alta só não foi maior porque o índice Dow Jones foi barrado pela forte zona de resistência na região dos 13.6k. Logo acima dos 13.6k temos outra linha de resistência importante, a última antes do topo histórico, na região dos 13.7k. É de se esperar que o índice apresente dificuldades de rompimento, pelo menos no curtíssimo prazo. No final do ano passado foram seis semanas seguidas de tentativas de rompimento sem sucesso sobre a região dos 13.6k.

Gráfico do índice Dow Jones

Na Europa o índice DAX (Alemanha) fechou a semana em leve baixa após o rompimento de uma zona de resistência importante (7.6k, era a última barreira antes do topo histórico). Segue em tendência de alta no curto e médio prazo, sem nenhum sinal de reversão.

Gráfico do principal índice do mercado de capitais alemão

Na Inglaterra, o principal índice da bolsa de Londres realizou um movimento importante nesta semana. Conseguiu superar o topo registrado em 2011, região de enrosco e forte zona de resistência. Com isso o índice abriu caminho para manter a tendência de alta de curto e médio prazo e, apesar da distância, poderá se aproximar do topo histórico este ano.

Gráfico do índice FTSE


Mercados emergentes, um show à parte. Mas temos um patinho feio.

Partindo para os mercados emergentes podemos observar nos gráficos a seguir que os desempenhos das bolsas estão surpreendendo positivamente no curto prazo. Estão mais fortes do que os índices de economias desenvolvidas.

Na China a bolsa de Xangai não para de subir. O movimento de alta é tão forte que torna-se impossível traçar uma linha de tendência no curto prazo devido à inclinação (pouca angulação, quase na vertical) da reta. Mercado em pânico de alta. Os motivos podem estar relacionados no post do dia 28 de setembro de 2012: “Goldman Sachs, a salvaçãodos chineses e decepção dos brasileiros”.

Gráfico da bolsa de valores da China

Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que a economia chinesa cresceu 7,8% em 2012. Apesar de ser a menor expansão em uma década, o resultado é positivo e ficou acima da meta fixada pelo governo (7,5%).

Os chineses estão conseguindo administrar o pouso forçado na economia. O governo aumentou os investimentos, principalmente em infraestrutura, ao mesmo tempo em que não permitiu o descontrole inflacionário. A produção industrial respondeu aos incentivos do governo e aumentou acima do esperado, colaborando para criar mais empregos, gerar renda e consequentemente aumentar as vendas no varejo de forma sustentada.
   
Na Índia a bolsa de Bombay também está dando um show à parte. Conseguiu superar a última resistência (e forte barreira psicológica dos 20k) antes do topo histórico. Segue na tendência de alta de curto e médio prazo e tem todas as condições de se aproximar do topo histórico este ano.

Gráfico da bolsa de valores da Índia

Já os mexicanos... Bom, estes têm motivos de sobra pra comemorar. A economia do país está dando uma aula crescimento sustentado, que nós brasileiros ainda não aprendemos. O mercado de capitais é responsável pela falta de tequila nos supermercados das grandes cidades. O principal índice da bolsa mexicana superou o seu topo histórico. Acabaram-se as resistências e o mercado segue numa forte tendência de alta (curto, médio e agora longo prazo), simplesmente invejável.  Parabéns aos mexicanos, elegeram os líderes corretos e agora estão colhendo os bons frutos dos tempos de bonança.

Gráfico do principal índice da bolsa mexicana

E o Brasil? Onde foi parar o Ibovespa?
- Oi! Estou aqui!
- Aqui aonde? Não estou vendo nada!
- Aqui embaixo!
- Ah! Nossa... Espera aí que eu vou pegar uma corda pra descer.

Estamos lá em baixo, lutando com a média móvel simples de 200 períodos semanal, longe do topo histórico. Estamos também colhendo os frutos do que plantamos, o problema é que a nossa safra é de baixa qualidade e espantamos alguns potenciais compradores.

Taxamos o capital estrangeiro (o que não é investimento estrangeiro direto) que não é bem vindo, mudamos as regras do jogo constantemente, pulamos carnaval jogando confetes de IOFs para todos os lados, criamos impostos para os inimigos e tiramos impostos dos amigos, aumentamos o poder de influência do  Estado sobre a economia, controlamos o câmbio conforme a nossa vontade, fazemos malabarismos contábeis para atingir o superávit primário, sacrificamos a lucratividade de algumas empresas para não permitir que a inflação ultrapasse os 6,5% e ainda assim não conseguimos crescer mesmo com a máquina pública girando a todo vapor.

Esse é o nosso país, que aos trancos e barrancos tenta se manter em pé e fazer jus ao grupo dos BRICS. Essa é a nossa bolsa, que aos trancos e barrancos tenta se manter em pé enquanto o mundo está escalando o topo da colina. O desempenho do índice Bovespa é decepcionante quando comparado aos seus pares internacionais.

A média móvel simples de 200 períodos semanal foi rompida e estamos lutando para não perdê-la. Caso o índice consiga se manter acima desta importante média, as condições irão melhorar bastante para rompimento da resistência em 63.4k e assim tentar descontar uma parte do atraso com relação aos demais índices mundiais.

Gráfico do principal índice do mercado brasileiro

Um ótimo final de semana a todos vocês e até segunda!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A desindexação do CDI


O descolamento entre o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) tem chamando atenção do mercado financeiro nos últimos meses. Historicamente os dois indicadores sempre andaram juntos, basicamente apresentando os mesmos percentuais. Esta situação mudou no curto prazo.

Em novembro de 2012 o CDI fechou em 0,54% enquanto a Selic atingiu 0,57%. No mês passado o CDI caiu para 0,53% enquanto a taxa Selic subiu para 0,59%. No mês de janeiro, há exatos dois dias atrás, a diferença entre CDI e Selic subiu para 0,17 pontos percentuais. Uma diferença relevante que pode indicar o início de um movimento de desindexação entre as taxas.

CDI são títulos emitidos no mercado interbancário nas operações de empréstimos de curtíssimo prazo entre os bancos. Uma instituição financeira com sobra de caixa, naquele determinado momento, pode emprestar recursos para outra instituição com necessidade de compor o caixa, naquele determinado momento. A taxa utilizada nestas operações de empréstimos interbancários é respaldada (praticamente a mesma) na taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.

Acontece que no ano passado o Banco Central adotou uma série de medidas para aumentar a liquidez dos bancos, entre elas está a redução no depósito compulsório (obrigação dos bancos depositarem no Banco Central uma pequena parte de suas captações no mercado). Estas medidas colaboraram para reduzir as transações interbancárias, pois os bancos passaram a ficar com um maior volume financeiro em caixa.

Em 2006 eram realizadas mais de 100 operações por dia no mercado interbancário. Ano passado a média de operações diárias caiu para 20. A queda no volume de transações no mercado interbancário, incentivada pelo excesso de liquidez, pode ser um dos planos do governo para permitir a desindexação do CDI quanto à taxa Selic.

Com um crédito mais barato e farto no mercado interbancário, a taxa de juros para empréstimos às pessoas físicas e jurídicas poderiam, em tese, cair. O problema é que as taxas de juros não estão caindo, na mesma intensidade, para o tomador de empréstimos nem com a redução drástica da taxa Selic.

Na outra ponta, os investidores de aplicações conservadoras estão correndo o risco de receber menos por emprestar dinheiro às instituições financeiras, enquanto as mesmas podem utilizar este recurso captado para fazer operações de arbitragem (literalmente criar dinheiro) entre CDI e taxa Selic (títulos públicos).

O baixo volume de negócios no mercado interbancário também é perigoso, pois torna-se relativamente fácil manipular operações para favorecer o descolamento (redução) do CDI com a taxa Selic.

Atualmente cerca de 1,5 trilhão de títulos no mercado financeiro estão atrelados ao CDI. A maior parte destes títulos são CDBs e debêntures. Como o Banco Central não está “conseguindo” (em tese, esta é uma das funções da autoridade monetária) manter o juro de um dia o mais próximo possível da taxa Selic, recomenda-se ao investidor evitar aplicações atreladas ao CDI devido ao risco da desindexação. A melhor opção para este investidor conservador é comprar LFTs (estes sim, indexados pela taxa Selic) diretamente do Tesouro Nacional.

No mercado de capitais os índices acionários mostraram retomada da força compradora, motivada pelos números de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos que caíram para 37 mil na semana passada, atingindo 335 mil solicitações. O número veio bem melhor do que o esperado pelo mercado, (esperava-se um recuo para 369 mil). As construções de novas casas avançaram 12,1% em dezembro. O dado também veio acima do esperado pelo mercado. Com isso o índice Dow Jones conseguiu subir e se aproximar da forte resistência em 13.6k.

Gráfico da bolsa dos Estados Unidos
  
No Brasil o índice Bovespa também subiu acompanhando o movimento de Wall Street. Paramos colado na principal resistência de curtíssimo prazo (região dos 62.2k, topo da zona de congestão melhor visualizada nos gráficos intradiários). Caso esta linha seja rompida amanhã o índice pegará impulso para atacar com mais força a resistência dos 63.4k, aumentando as possibilidades de rompimento.

Gráfico da Bolsa do Brasil

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Livro bege anima as bolsas


O banco central dos Estados Unidos divulgou hoje o Livro Bege (ata da última reunião do comitê de política monetária) enfatizando a melhora no setor imobiliário e aumento no gasto do consumidor nas últimas semanas. Apesar de ser comum nesta época do ano, o destaque é positivo pois o consumo interno é a base da economia norte-americana.

A previsão do FED é de que a economia do país cresça entre 2,0% a 3,2% neste ano. Quanto ao mercado de trabalho a autoridade monetária segue com suas projeções menos otimistas. A expectativa é de que a taxa de desemprego termine este ano entre 6,9% a 7,8%, acima do patamar de 6,5% (meta do FED para interromper o ciclo de relaxamento quantitativo).

A postura do FED segue respaldada pela inflação americana. O índice oficial de preços ao consumidor manteve-se estável no mês passado. No ano, a inflação dos Estados Unidos fechou aos 1,7%, sem ajustes sazonais.

Ainda no cenário externo o Banco Mundial cortou suas previsões de crescimento econômico global para 2013, saindo de 3% para 2,4%. No cenário doméstico devemos ter em alguns instantes a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre a taxa básica de juros. Apesar dos recentes incômodos dos índices de inflação, a taxa de juros poderá permanecer inalterada, em 7,25%, mantendo a estratégia utilizada nas últimas reuniões.

O índice Dow Jones segue mantendo a análise de ontem, confirmando os sinais de esgotamento na pernada de alta. Fechamento em leve baixa. Houve aumento da pressão vendedora, mas não em volume suficiente para manter o mercado próximo da mínima do dia. O livro bege do FED animou um pouco as bolsas de valores no meio da tarde.

Dow Jones
  
No Brasil o índice Bovespa mostrou um dia de recuperação após a baixa iniciada na abertura do pregão. A principal região de suporte de curtíssimo prazo (61k) foi testada e respeitada (não houve o toque, mas houve a aproximação). A linha central de bollinger colaborou para montar uma resistência dupla na região dos 61k.

Ibovespa

O candle de fechamento é um doji libélula, que indica indecisão, porém o pavio longo inferior colabora para a força compradora manter o ritmo no curtíssimo prazo e confirmar fundo duplo sobre a região dos 61k.
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