quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sequestro não vai parar os Estados Unidos


Não deu certo. Os políticos norte-americanos desperdiçaram o tempo hábil para formalizarem um acordo a fim de se evitar um corte automático de 85 bilhões de dólares em gastos públicos que irão atingir as agências governamentais a partir de amanhã.

O impasse entre Republicanos e Democratas é o mesmo desde a novela para elevação do teto da dívida norte-americana em 2011. Os Democratas aceitam cortar, gradualmente, o orçamento do governo federal, mas desde que a arrecadação aumente com os impostos dos mais ricos. Os Republicanos não aceitam nenhuma proposta que esteja vinculada, novamente, ao aumento dos impostos.

Nenhuma proposta foi aprovada pelo Senado e/ou Congresso. Isto significa que a partir de amanhã o famoso sequestro entrará em vigor. Mas não há motivo para alarde.

Não serão cortados 85 bilhões de dólares de um dia para o outro. Este é o valor total estimado até o final deste ano. Ou seja, no pior dos casos, se nada for feito até o dia 31 de dezembro de 2013, os cortes provocados pelo sequestro totalizarão 85 bilhões de dólares, podendo gerar um impacto negativo de até 0,5% no PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos.

Evidentemente um acordo será fechado muito antes do final deste ano, talvez já na primeira quinzena do mês de março. A culpa do sequestro cairá nas costas de alguém (muito provavelmente dos Republicanos), que resultará na perda de popularidade, forçando o partido a ceder nas negociações com os Democratas. Se você quer ver um político trabalhar, basta colocar em risco a sua popularidade.

Amanhã haverá uma nova reunião do presidente Barack Obama, com o líder Republicano no Senado, Mitch Connell, o líder democrata no Senado, Harry Reid, a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e o presidente da Câmara, John Boehner do partido Republicano.

Ainda nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio divulgou hoje o resultado do PIB referente ao quatro trimestre de 2012. Houve avanço de 0,1%, abaixo do esperado pelo mercado. Em 2012 a economia norte-americana cresceu 2,2%.

O índice Dow Jones chegou a ficar 50 pontos abaixo da linha que representa o topo histórico, mas ao final do pregão apareceu um movimento de queda forte, incentivado pela notícia de que não houve acordo no Senado para evitar o famoso sequestro. O candle de fechamento é uma estrela cadente, que indica topo de curto prazo justamente na região da máxima histórica.

Nova York

No Brasil o índice Bovespa fechou o dia em leve alta, porém sinalizando topo de curto prazo na região da média móvel simples de 200 períodos diária. As operações vendedoras só começaram a aparecer após do teste desta referida média móvel. Com o target cumprido, é de se esperar agora um movimento de realização rumo a LTA de curto prazo iniciada no fundo em 55.4k.

Bovespa
  
O fechamento mensal foi mais uma vez ruim para o índice Bovespa. Candle de baixa confirmando a sinalização de topo do mês anterior. A linha central de bollinger foi perdida, juntamente com a LTA de 2008. Caso o índice não consiga se manter acima dos 55.1k, poderá testar a região de suporte mais abaixo em 52.5k. No longo prazo permanece em zona de congestão, corrigindo o ciclo de alta de 2002 à 2008.

Gráfico do índice Bovespa mensal

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Coral bonito não faz política


O coral está bonito. Dilma, Mantega e Tombini estão mostrando que ensaiaram bem a canção para espantar o bicho papão da inflação. Os discursos da presidente, do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central são praticamente os mesmos. Atacam a volatilidade no câmbio (com viés claramente inflacionário), defendem firmemente a política econômica (por mais ineficiente que seja) e batem o pé para a inflação não subir, dizendo que a mesma está sob controle.

Em primeiro lugar a tão criticada volatilidade no câmbio (de R$ 1,64 em fevereiro/2012 para R$ 2,14 em dezembro/2012) foi criada pelo próprio Banco Central, nas inúmeras intervenções realizadas no mercado de câmbio, seguindo as “recomendações” do governo, para forçar a desvalorização do Real. Portanto, é no mínimo irônico criticar algo que você tenha criado. Certo?

Ironias à parte, no dia 23 de novembro de 201 (quando o dólar estava cotado a R$ 2,12) o ministro Mantega havia afirmado categoricamente que o “dólar acima de R$ 2,00 veio pra ficar” e que aquela cotação (R$ 2,12) estava num patamar razoável. Pouco mais de dois meses depois o dólar atingiu os R$ 1,95.

O discurso, obviamente, mudou da água para o vinho e agora o governo demonstra certa satisfação com a atual cotação do dólar. Curiosamente no momento de maior pressão inflacionária, onde a valorização do Real colabora, limitadamente, para aliviar esta pressão.

A novidade mais recente é que agora o ministro Mantega pretende reduzir as tarifas de importação daqueles mesmos produtos que sofreram aumento de impostos no final do ano passado, atitude que por sua vez foi duramente criticada pelas principais potências mundiais. Os concorrentes nacionais haviam aproveitado a oportunidade para elevar os preços de seus produtos e mais uma vez o placar final ficou favorável à inflação.

Além da política econômica do governo ser uma tremenda piada, criou-se um clima de desconfiança, falta de credibilidade e incerteza sem precedentes. É praticamente impossível atrair investidores desta forma. Para um país que já possui péssimas condições de negócio, estes fatores elevam ainda as barreiras a serem superadas pelo “capital aventureiro”.

O mercado está cobrando atitudes do governo, mas até o momento o que se observa é um coral formado por três pessoas cantando a música no mesmo ritmo. Apenas isso. O problema é que os inúmeros deslizes da política econômica do governo são um prato cheio para a inflação, mas esta parte da música (que parecer ser o refrão) o governo não canta.

Intervenções atrapalhadas no câmbio, incentivo desenfreado ao consumo sem se preocupar com a oferta, ineficiência dos gastos públicos, tarifações de produtos importados, mercado de trabalho extremamente aquecido e desqualificado, formação de “dívida burra” (como por exemplo os aportes do Tesouro para permitir o corte prometido nas contas de luz) e entre outros.

Temos uma série de ingredientes que fornece esta mistura altamente inflamável responsável por alimentar a inflação. É vergonhoso crescer 1% e gerar inflação de 5,83%. Há uma lista de prioridades que precisam ser revistas. Mas por enquanto, o que se observa, é apenas um coral cantando músicas de esperança. “Ão ão ão, temos controle da inflação.”

Inflação de 2010: 5,90%. Inflação de 2011: 6,5%. Inflação de 2012: 5,8%. Meta do Banco Central: 4,5%. Onde será que ela foi parar?

No mercado de capitais o dia foi extremamente positivo. O índice Dow Jones subiu forte pelo segundo dia consecutivo iniciando rompimento da barreira psicológica dos 14k. A região dos 13.6k não foi testada, mostrando que estava errado na análise da última segunda-feira. A confirmação da superação desta barreira psicológica dos 14k poderá jogar o índice para a região de topo histórico.

Gráfico Dow Jones
  
O mercado reagiu com otimismo ao resultado do leilão de títulos da Itália. Apesar do aumento nos juros, o tesouro italiano conseguiu captar 6,5 bilhões de euros, aproveitando-se da forte demanda.


No Brasil o índice Bovespa também subiu (em menor intensidade) e conseguiu confirmar o rompimento da LTB, além de acionar pivot de alta no curtíssimo prazo (melhor visualizado nos gráficos intradays). Com isso o movimento de repique ganha mais consistência, pois há uma pernada de alta formada que poderá jogar o índice para retestar a média móvel simples de 200 períodos diária.

Gráfico da Bovespa

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Bernanke coloca ordem na casa


O pronunciamento de Bem Bernanke, presidente do FED (Federal Reserve - banco central norte-americano), acabou com o show de sensacionalismo da mídia em torno dos programas de compras de ativos da autoridade monetária. Conforme ressaltamos no post do dia 20/02/2013, o FED não irá interromper o QE3. O discurso de Bernanke no Congresso americano praticamente garantiu a manutenção do programa de relaxamento quantitativo.

Segundo o presidente do FED, “o programa está apoiando a expansão da economia norte-americana e representaria um baixo risco de aumento na inflação”. Bernanke ainda ressaltou que “os benefícios da expansiva política monetária do organismo superam os riscos devido ao moderado ritmo de crescimento da economia dos Estados Unidos”.

Alguns membros do FED (não são a maioria) enxergam riscos nas operações de compras de ativos, mas Bernanke retrucou dizendo que estes riscos não parecem sólidos no momento e acrescentou dizendo que o Banco Central tem todas as ferramentas de que precisa para retirar seu apoio monetário no momento adequado.

O discurso do presidente do FED, juntamente com os dados positivos da economia norte-americana divulgados hoje, ajudou a animar os mercados. As vendas de novas casas totalizaram 437 mil unidades em janeiro, representando uma alta de 15,6% sobre o dado revisado de dezembro e 28,9% superior à taxa de janeiro de 2012. A confiança do consumidor norte-americano disparou para 69,6 pontos em fevereiro, ante 58,4 pontos do mês anterior. O número veio bem acima do esperado pelos analistas, que projetavam um avanço para 60,8 pontos.

Com isso o índice Dow Jones conseguiu subir 0,84% nesta terça-feira, recuperando parte das perdas de ontem. Na Europa os índices despencaram, refletindo a queda de ontem em Wall Street, devido ao resultado das eleições italianas que não estavam precificadas no mercado europeu. A centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani obteve 29,5% dos votos para a Câmara dos Deputados e conquistou 340 dos 630 assentos. No Senado o governo de centro-esquerda conseguiu eleger apenas 120 senadores, longe da maioria. Somente a coalizão de Berlusconi obteve 117 cadeiras no Senado, dividindo completamente a câmara alta italiana e consequentemente enfraquecendo o governo de Bersani.

Estados Unidos - Dow Jones
  
No Brasil o índice Bovespa realizou uma importante formação de fundo ascendente (melhor visualizado no gráfico horário) nesta terça-feira, que permitiu o traçado de uma nova LTA de curto prazo. A formação deste fundo contribuiu para o rompimento da LTB mais rápida. O próximo objetivo está na região dos 57.2k. Caso esta linha seja rompida, um pivot de alta será acionado, podendo jogar o índice para testar a média móvel simples de 200 períodos diária.

Brasil - Ibovespa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Medo da Itália


Os receios quanto aos resultados das eleições italianas fizeram Wall Street sucumbir nesta segunda-feira. Aumentaram os temores no mercado de que a Itália possa sair destas eleições com um Parlamento totalmente dividido, reflexo da ascensão dos candidatos de oposição. Basicamente o que aconteceu hoje está relacionado no último post de sexta-feira da semana passada ("Seria trágico se não fossecômico").

Três canais de televisão italianos estão informando que não há uma maioria dominante entre a coalização de centro-direita, de Pier Lugi Bersani, (a favor da continuidade das medidas de austeridade adotadas durante a gestão de Mario Monti) e a coalizão de centro-esquerda, de Silvio Berlusconi, (contra as medidas de austeridade, considerado uma ameaça à estabilidade da zona do euro). Bersani possui leve vantagem, mas o Parlamento italiano ficará totalmente dividido.

Um Parlamento dividido torna-se num verdadeiro obstáculo para o governo seguir com os programas de austeridades fiscais tão necessárias para que a Itália consiga respirar. Ou em outras palavras, ter acesso aos mercados, reduzir o seu endividamento no longo prazo e voltar a crescer de forma sustentada.

Esta incerteza colaborou para a disparada da volatilidade do mercado (medo da Itália) e consequentemente os índices despencaram em Wall Street. Dow Jones perdeu a zona de congestão de curto prazo com um candle de força relevante.

Queda no índice Dow Jones
  
Antes deste movimento de queda brusca houve uma nova tentativa de rompimento da região psicológica dos 14k rechaçada pelo mercado. A perda da zona de congestão de curto prazo poderá jogar o índice para a região de suporte em 13.6k.

No Brasil o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, confirmou hoje que “a autoridade monetária vai reagir à volatilidade nos mercados de câmbio” (ou seja, o dólar tende a permanecer estacionado nesta região de R$ 1,90 a R$ 2,00) e acrescentou dizendo que “o governo está trabalhando para ancorar as expectativas de inflação em direção à meta oficial de 4,5%”. Este comunicado reforça o sentimento de retomada do ciclo de aperto monetário nos próximos trimestres.

O índice Bovespa abriu o pregão em alta, atingindo o primeiro objetivo do repique (teste na LTB mais rápida). Após o teste nesta linha de tendência o mercado voltou a cair e fechou com um candle de indecisão, colocando em risco a permanência do movimento de repique nos próximos pregões.

Indecisão no índice Bovespa

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Seria trágico se não fosse cômico


Seria trágico se não fosse cômico. Esta, talvez, seja a melhor frase para expressar o cenário político italiano. As eleições programadas para o próximo domingo e segunda-feira estão deixando o mercado financeiro e toda a Europa apreensiva. O trágico ressurgimento de Silvio Berlusconi e a crescente popularidade de um comediante populista e boca-suja chamado Beppe Grillo podem colocar em risco o futuro da abalada Itália.

O resultado das eleições é totalmente imprevisível e a terceira maior economia da zona do euro, que passa pela mais prolongada recessão nos últimos 20 anos, pode provocar um novo clima de instabilidade na Europa.

O fantasma de Berlusconi voltou a aparecer no final do ano passado, fazendo duras críticas aos programas de austeridade impostos pelo seu sucessor, Mario Monti. Desde então a popularidade de Berlusconi vem aumentando na Itália devido à insatisfação generalizada da população com o desemprego recorde e aumentos tributários.

Apesar de tudo a gestão de Mario Monti foi muito elogiada por outros governos europeus e tem agradado o mercado financeiro, possibilitando que o país consiga emitir títulos ao mercado pagando juros (bônus) menores. Mas dificilmente Monti ficará no cargo. As pesquisas apontam que o tecnocrata poderá abocanhar apenas 12% dos votos.

Por outro lado a ascensão de um comediante para ocupar o cargo de primeiro-ministro na Itália demonstra uma forma perigosa de protesto da população e já causou uma inquietação no mercado (somente ontem o ágio entre os títulos de 10 anos italianos com os papéis alemães subiu 14 pontos base). O movimento alternativo 5 estrelas, criado por Beppe Grillo, tem atraído multidões na Itália. Os discursos do comediante são carregados de gritos e palavrões, atacando toda a classe política italiana.

Mesmo com uma desejável derrota de Silvio Berlusconi e Beppe Grillo, o novo governo italiano deverá sair enfraquecido destas eleições, pois o Parlamento ficará todo dividido. O movimento 5 estrelas poderá ocupar 20% das cadeiras e se tornar o terceiro maior partido do Parlamento, tal como o Povo da Liberdade (partido de Berlusconi).

Um governo italiano enfraquecido dificilmente conseguirá formar uma base forte para seguir com as reformas que tem garantido, até o momento, a estabilidade da zona do euro.

Ainda na Europa, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que a Espanha continuará em recessão durante este ano, com uma queda projetada de 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2014 as projeções são de crescimento de 0,8%. A economia da França permanecerá praticamente estagnada em 2013 e deverá crescer 1,2% em 2014. Na Alemanha, as projeções são de aumento do PIB em 0,5% neste ano e 2% em 2014.

A agência de classificação de risco Moody’s reduziu hoje o rating do Reino Unido, de AAA (a nota mais elevada), para Aa1. Os motivos alegados pela agência estão relacionados com o baixo crescimento e encargo crescente da dívida. O principal índice da bolsa de Londres (FTSE) fechou a semana em leve alta, sentindo a pressão da linha de resistência em 6.4k (última barreira abaixo do topo histórico)

Índice da bolsa de Londres - Inglaterra

Na Alemanha o índice DAX fechou em leve alta nesta semana, tentando se sustentar acima da linha de suporte em 7.6k. Novamente houve uma tentativa de recuperação, evidenciada pelo pavio longo superior do candle, rechaçada pelo mercado.

Índice da bolsa de Frankfurt -  Alemanha

Na França o índice CAC da bolsa de Paris fechou a semana em alta, apesar da piora recente no cenário econômico local, respeitando a linha de suporte em 3.6k (formou um suporte duplo juntamente com a média móvel simples de 200 períodos semanal) e mantendo a tendência de alta no médio prazo.

Índice da bolsa de Paris - França

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais uma semana de lado, marcando um novo doji bem abaixo do topo histórico. A diferença é que desta vez o candle é maior, mostrando que a disputa aumentou no mercado. Mas ainda não há uma definição entre rompimento do topo histórico ou correção acentuada de curto prazo. É a terceira sinalização de indecisão seguida e pode indicar a formação de um topo ascendente.
 
Dow Jones
  
Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em forte queda. Os chineses sentiram a pressão da resistência em 2.5k e correram para realizar os lucros das últimas semanas, abrindo oportunidade para entrada de posições vendidas de curto prazo. Índice poderá ir de encontro à linha central de bollinger.

Xangai - China

Na Índia a bolsa de Bombay fechou mais uma semana em baixa, a quarta consecutiva. O movimento de correção atingiu a primeira linha de suporte (linha central de bollinger), fato que poderá gerar um pequeno alívio nos próximos dias, porém a tendência de baixa no curto prazo segue inalterada e sem sinalização de fundo.

Índice Bombay - Índia

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em baixa, perdendo a importante LTA de 2008. Houve um movimento de recuperação nos dois últimos dias, responsável pelo repique de curtíssimo prazo. Porém a tendência de baixa de curto prazo segue inalterada e ganhou força com a perda desta importante linha de sustentação, responsável por segurar o índice nos últimos 4 anos.

Índice Bovespa

Bom pessoal, vamos encerrando por aqui nossas atividades na semana. Retornaremos na segunda-feira. Já adianto que tem uma grande novidade no forno que poderá sair na próxima semana. Portanto, fiquem atentos. Vem coisa boa por aí! Ótimo final de semana a todos!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Boato na OGX faz o mercado virar a mão


Um movimento atípico atingiu em cheio as ações da OGX ao final dos negócios nesta quinta-feira. As ações da empresa dispararam rapidamente nos últimos minutos do pregão devido aos rumores de venda de uma parte da companhia do empresário Eike Batista para a Petronas (petrolífera estatal da Malásia).

Os papéis fecharam em forte alta de 11,80%, suficiente para provocar um movimento de inversão de tendência no índice futuro, fato que provocou a saída de operadores vendidos também no mercado à vista, com posições nas demais blue chips que fazem parte da carteira teórica do índice Bovespa. Por este motivo o movimento na OGX se espalhou para os demais ativos de alta liquidez na bolsa.

Esta é a única informação socializada entre os participantes do mercado. Não se sabe quem criou este boato ou se o mesmo acabará se tornando um fato relevante. Ou qual será o preço de compra. Ou se tudo não passa de mais uma jogada do Eike Batista para tentar levantar os papéis da OGX. O boato (ou possível fato) simplesmente vazou, a empresa não se pronunciou até o momento e a CVM se mantêm inerte, como de costume.

A única verdade é que o movimento atípico nas ações da OGX provocou uma virada de mão do mercado. O índice Bovespa se aproximou da principal linha de suporte de curto prazo (55.1k) ao registrar a mínima do dia aos 55.5k. A partir deste ponto o índice começou a se recuperar e disparou no final.

O candle de fechamento é um doji de pavio longo inferior que sugere formação de fundo. Uma pernada de repique mais consistente poderá surgir a partir desta formação, projetando o índice para testar a LTB mais inclinada no gráfico. Em caso de rompimento desta linha de tendência de baixa, pode-se esperar reteste sobre a média móvel simples de 200 períodos.

Índice Bovespa
  
A força do padrão não pode ser considerada elevada, pois o desenho gráfico é consequência de uma especulação atípica em um ativo de alto risco envolvendo informações não fidedignas ou confirmadas pela própria empresa.

No cenário externo os principais índices mundiais fecharam o pregão em baixa, refletindo a prévia da atividade industrial na zona do euro e nos Estados Unidos. Na Europa, a prévia do Índice Gerente de Compras da zona do euro caiu para 47,8 pontos em fevereiro, ante 47,9 do mês anterior. Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerente de Compras caiu para 55,2 pontos, abaixo dos 55,8 pontos registrados em janeiro/2013.

Ainda nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho norte-americano informou que a inflação oficial fechou o mês de janeiro estável (garantindo uma boa margem de segurança para o QE3), mesmo com os ajustes sazonais. O mercado esperava avanço de 0,1%. A agenda macroeconômica negativa pressionou o índice Dow Jones que fechou o pregão em leve baixa de 0,34%.

A queda foi suficiente para o índice perder a linha central de bollinger e indicar a formação de uma perna de baixa de curto prazo, confirmando topo ascendente na região psicológica dos 14k (colado na máxima histórica).

Índice Dow Jones - Wall Street

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

FED não irá interromper o QE3


A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, divulgada hoje, assustou a mídia que faz a cobertura, muito amadora por sinal, do mercado financeiro. A queda de quase 2% do índice Bovespa nesta quarta-feira foi justificada pelo conteúdo que consta nesta ata.

O documento mostra que uma parte dos seus 19 membros (ou seja, não é uma avaliação unânime e nem da maioria, pois a política manteve-se inalterada) considera desacelerar ou interromper a compra de ativos antes de uma recuperação no mercado de trabalho norte-americano, devido aos custos desta operação.

Observe este trecho retirado da ata: “uma contínua avaliação de eficácia, custos e riscos de compra de ativos pode levar o comitê a reduzir ou interromper suas compras antes de julgar que tenha ocorrido uma melhora significativa na perspectiva para o mercado de trabalho”.

O que isso quer dizer? Em primeiro lugar esta é uma referência à Operação Twist, programa que consiste basicamente na venda de títulos de curto prazo (em carteira no Banco Central) e compra de títulos de longo prazo, que por sua vez estava com prazo para terminar no final do primeiro semestre de 2012.

A eficácia da Operação Twist é relativamente baixa. Todos os meses o FED troca cerca de 45 bilhões de dólares em títulos de longo prazo por títulos de curto prazo. Além da baixa eficácia, o custo desta operação acaba saindo caro para a autoridade monetária. O Banco Central norte-americano mais do que triplicou o tamanho de seu portfólio desde o estouro da crise em 2008 por meio destes programas de compras de títulos, que visam manter o baixo custo dos empréstimos de longo prazo. Portanto, o Banco Central não está errado em almejar reduzir o tamanho de seu portfólio por meio de programas considerados caros e ineficientes.

Por outro lado, a estratégia utilizada no QE3 (quantitative easing 3 - compra de 40 bilhões de dólares em dívida hipotecária por mês), diferente e muito mais eficiente, permanecerá inalterada e com prazo ilimitado. A durabilidade do QE3 continuará vinculada à meta de reduzir a taxa de desemprego para 6,5%, desde que a inflação não ameace superar 2,5%.

Além disso, para que a maioria dos integrantes do Comitê possa votar por uma redução ou interrupção da Operação Twist nas próximas reuniões, as projeções para a economia norte-americana precisarão mostrar baixo risco de retração no crescimento. Evitando assim uma interrupção prematura.

O que realmente impactou o índice Bovespa nesta quarta-feira foi a queda brusca das commodities conforme podemos observar no gráfico abaixo:

Gráfico do preço das commodities

A forte queda que atingiu o mercado de commodities começou logo na abertura dos negócios, anterior à divulgação da ata do FED. O índice Bovespa é uma carteira teórica com alta concentração no setor de commodities e, portanto, seguiu o movimento de queda das commodities, fechando o pregão em forte baixa.

Gráfico do índice Bovespa
  
Com a queda de hoje o índice se distancia cada vez mais da média móvel simples de 200 períodos diária, ao mesmo tempo em que se aproxima da principal linha de suporte no curto prazo, os 55.1k.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,77%, mantendo-se dentro da zona de congestão de curto prazo. Parou exatamente acima da linha central de bollinger, onde o rompimento da mesma poderá provocar perda da zona de congestão, iniciando uma perna de baixa.

Gráfico do Índice Dow Jones

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tombini confundiu


O discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nesta terça-feira durante o lançamento do Otimiza BC confundiu o mercado financeiro mais uma vez. As taxas de juros futuras estão subindo refletindo a expectativa de alta na Selic, motivada pelas últimas declarações do próprio presidente do Banco Central e do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Apesar de tudo as análises estão muito distorcidas. Existem analistas que apostam na elevação dos juros já na reunião do mês de abril, outros apostam numa alta a partir do terceiro trimestre, outros acreditam que os juros só deverão subir no ano que vem e por fim existem aqueles que acreditam que os juros nem irão subir. O mercado não tem uma decisão unânime, há muita incerteza no ar com relação à política monetária e econômica do governo.

Este tipo de incerteza é um dos pontos que poderiam ser combatidos facilmente pelo governo ao adotar uma linguagem mais simples, clara e objetiva, tal como é feito pelo FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos) ou pelo BoE (banco central do Japão), por exemplo. O FED, por exemplo, deixa claro que pretende manter a taxa básica de juros entre 0 e 0,25% até 2015.

Mas aqui no Brasil, os discursos e as regras estão sempre em mudança. Num belo dia a Fazenda pode subir o IOF para determinado produto, no outro dia pode cortá-lo, a antiga política de câmbio X passa a se transformar na política Y, um determinado setor passa a sofrer com as intervenções pesadas no Estado enquanto outro será beneficiado.

A mais recente distorção está no próprio discurso do presidente do Banco Central. Se por um lado Tombini diz que “a estratégia da autoridade monetária já comunicada permanece válida neste momento” (ou seja, manutenção dos juros por tempo suficientemente prolongado), por outro ele diz que isso evidentemente não significa que os ciclos monetários foram abolidos” (ou seja, a manutenção dos juros pode não ser prolongada).

Tombini ainda disse que “nesse novo ambiente macroeconômico, há pouco descrito, a taxa Selic oscilará em patamares mais baixos do que no passado” (ou seja, a taxa de juros poderá cair ainda mais?), mas também disse que “a depender do comportamento dos preços dos produtos, a estratégia pode ser ajustada” (ou seja, como os preços resistem em ceder o Banco Central poderá intervir elevando os juros).

O que será que o presidente do Banco Central está querendo dizer ao mercado? Que ele, assim como todos nós, está confuso também? Ou quer mostrar que a autoridade monetária recuperou sua autonomia abrindo um leque de possibilidades para o futuro da taxa Selic?

A resposta certa ninguém tem. A verdade é que o mercado continua perdido, cobrando por uma melhora na comunicação, transparência e credibilidade do governo. Particularmente acredito que a taxa Selic permanecerá em 7,25% até o final do segundo trimestre deste ano, onde a partir deste ponto aumentarão as probabilidades reais de aumento na taxa básica de juros, com a pressão do acumulado do IPCA (últimos 12 meses), mantendo-se acima de 6%, o que deverá comprometer o centro da meta em 2014 (4,5%). Mas uma parte do mercado está apostando literalmente na alta desde já, haja vista que os contratos de juros futuros de curto prazo estão disparando na BM&F.

A bolsa de valores, que até então operava em alta, não reagiu bem às declarações de Tombini e virou, fechando o pregão desta terça-feira em baixa mantendo o descolamento com os demais índices mundiais. A média móvel simples de 200 períodos e a LTB mais rápida de curto prazo atuaram como resistência dupla na região dos 58k. Índice em tendência de baixa, ainda sem sinal de fundo ou repique.

Ibovespa

Nos Estados Unidos o mercado acionário continua mostrando sua força compradora. O fluxo de investidores pessoa física tem aumentado nos últimos meses na bolsa de Nova York, movimento que está impulsionando a escalada dos índices no curto prazo. Caso os investidores pessoa física mantenham esta tendência de retorno ao mercado (muitos saíram e permaneceram fora desde o crash de 2008), o mercado norte-americano ficará respaldado para manter a tendência de alta no médio e longo prazo, mesmo com uma provável correção de curto prazo.

Mesmo no curto prazo os índices se mostram relutantes em corrigir. A congestão de curto prazo no índice Dow Jones parece que será rompida para cima, o que impulsionará o índice para atacar com mais força o topo histórico, aumentando as probabilidades de rompimento.
 
Índice Dow Jones
  
O S&P500 já rompeu a sua pequena congestão de curto prazo, o que pode ser um indicativo de que um movimento semelhante acontecerá no índice Dow Jones.

Índice S&P500

A queda brusca do ouro nos últimos meses confirma a tendência do retorno ao risco por parte dos investidores pessoa física. Ouro é basicamente uma proteção contra à incerteza dos ativos de risco, uma proteção contra o clima de aversão ao risco no mercado financeiro. Quando a cotação está em baixa significa que os investidores não estão interessados em procurar proteção (ou liquidando estas posições seguras) contra os riscos do mercado, ou seja, o medo dos investidores é menor, a demanda por ativos em bolsa aumenta e consequentemente o preço também sobe.

Cotação do ouro. Valor do ouro.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Japão se safou do G20


A tão aguardada reunião do G20 em Moscou, na Rússia, mais uma vez não resultou em nenhuma medida concreta ou avanço para superação mais rápida da crise financeira mundial. Apesar de não ser uma novidade, impressiona o fato de o Japão ter se safado das pesadas críticas que se esperavam dos demais ministros de Finanças das principais economias mundiais.

A política de afrouxamento monetário agressiva do Banco do Japão (banco central japonês) desvalorizou sensivelmente o iene nos últimos meses e provocou descontentamento entre diversos líderes mundiais, principalmente os europeus, os mais prejudicados (análise do dia 06/02/2013: “Euro perdido na batalha cambial”).

A desvalorização foi tão forte que George Soros conseguiu repetir aquele feito histórico quando lucrou cerca de 1 bilhão de dólares apostando contra o Banco da Inglaterra. Segundo fontes divulgadas na Bloomberg, Soros arrancou novamente 1 bilhão de dólares especulando em câmbio, desta vez apostando muito forte na queda do iene, numa posição montada no mês de novembro do ano passado.

Mas por que o Japão conseguiu se safar das críticas no G20? A reunião terminou apenas com um simples comprometimento verbal dos líderes mundiais em não promover a guerra cambial. Será que os outros líderes não criticaram, pois, indiretamente, estão fazendo o mesmo com as suas moedas? Mas os europeus que criticaram tanto nas últimas semanas se calaram em Moscou. O único pronunciamento referente ao mercado cambial foi o do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, um dia após a reunião:

Ele disse que “a taxa de câmbio não é uma meta de política, mas é importante para o crescimento e a estabilidade dos preços e completou dizendo que a taxa de câmbio deve refletir fundamentos”. Comunicado tão vago quanto à competência e agilidade dos líderes europeus.

Com isso o Japão volta pra casa com o sinal verde para continuar desvalorizando o iene como bem entender. Os chineses, que não são bobos, balançaram os ombros para os japoneses, pois já estão com a sua moeda desvalorizada há mais de três anos. Os americanos não ficaram para trás e deram um jeito de segurar a valorização do dólar com o efeito colateral dos relaxamentos quantitativos dos últimos anos (quantitative easing). Os ingleses idem. Os brasileiros, de forma atrapalhada, no famoso “jeitinho”, fizeram o mesmo com o real. E os europeus? Estes estão há mais de quatro anos perdidos na crise financeira mundial.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em baixa novamente. O exercício de opções nesta segunda-feira praticamente não alterou no pífio desempenho do índice. O mercado de opções girou apenas 2,1 bilhões de reais. O volume no mercado à vista (excluindo o exercício de opções) fechou aos 4,09 bilhões de reais, bem abaixo da média diária devido ao feriado nos Estados Unidos.

Com a queda desta segunda-feira o índice Bovespa começa a perder contato com a média móvel simples de 200 períodos diária, respeitando a LTB mais rápida de curto prazo, mostrando total fraqueza do mercado nacional que sofre com a baixa liquidez de investidores nacionais (pessoas físicas e institucionais). Tendência de baixa no curto prazo sem sinalização de fundo ou repiques temporários.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Aumenta a expectativa de alta na Selic


As últimas declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mostraram o aumento das preocupações da autoridade monetária com relação às pressões inflacionárias. Até então este discurso se distorcia das declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas hoje, sabe-se lá por efeito do frio na Rússia, da vodka, do encontro à realidade, da conversa longa com Tombini durante a viagem, ou por qualquer outro motivo, o ministro da Fazenda mudou totalmente o seu discurso com relação à inflação.

Após a perda na batalha do câmbio, Guido Mantega afirmou nesta sexta-feira, em Moscou, que o governo está vigilante com a alta dos preços. “A inflação acima do centro da meta acende o sinal de alerta”, disse o ministro. Pode-se entender que desta vez o governo está reconhecendo o perigo da inflação, após longos três anos de fechamento anual do IPCA acima do centro da meta.
Mantega ainda resolveu atacar de presidente do Banco Central ao dizer que “o BC tem que ficar vigilante. Se não houver uma queda da inflação espontaneamente, o BC tomará suas providências.” Estas frases mexeram com o mercado financeiro brasileiro motivando os departamentos de análises dos bancos, fundos e corretoras realizarem novas projeções para retomada do ciclo de alta na taxa básica de juros.
As expectativas para elevação da taxa Selic, antes do término deste ano, aumentaram sensivelmente nesta sexta-feira. Os contratos de juros futuros de curto prazo subiram na BM&F e as ações dos grandes bancos  de varejo (os mais beneficiados com a alta dos juros) dispararam na Bovespa. Alguns analistas acreditam que haverá elevação da taxa básica de juros já neste primeiro semestre de 2013.
Mantega ainda completou dizendo que “o câmbio no Brasil não é instrumento para controlar a inflação. O instrumento é o juro”. Esta declaração coincidiu com a primeira intervenção do Banco Central para conter a queda do dólar ao atingir o patamar de R$ 1,95 e amplificou as expectativas de alta na taxa Selic.
Ao entrar no mercado (Banco Central) fazendo operações de swap cambial reverso (em outras palavras, compra futura de dólares), o câmbio interrompeu a queda, voltou a subir e fechou em alta de 0,35% aos R$ 1,965.
Esta sexta-feira também marcou o início do movimento de dança das cadeiras dos investidores institucionais com posições em títulos, ou custódia de fundos, indexados à inflação. Os preços dos títulos públicos pré-fixados ou indexados ao IPCA (que estavam extremamente elevados em decorrência do ciclo de afrouxamento monetário) começaram a ceder este ano somente pela expectativa de queda na taxa básica de juros, tornando-os menos interessantes provocando queda no preço e consequentemente aumento do bônus (quando o preço do título cai, os juros - ou bônus - sobem e vice-versa).
Este movimento está provocando desvalorização das carteiras dos fundos de renda fixa atrelados à inflação. Esta desvalorização tende a aumentar quando a taxa de juros for, efetivamente, elevada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Por este motivo alguns gestores já começaram a se mexer a fim de minimizar os impactos provocados por este movimento. No fim da tarde de ontem, um grande player de mercado liquidou uma numerosa posição em NTN-B.
A forte alta do setor financeiro não foi suficiente para levantar o índice Bovespa nesta sexta-feira. O índice foi pressionado pelas principais blue chips, além das ações X (como de costume). Esta foi a quarta semana consecutiva de queda no índice Bovespa, ainda sofrendo os efeitos de perda da importante média móvel simples de 200 períodos semanal, escassez de investidores nacionais no pregão e baixa credibilidade da política econômica do governo federal.
Gráfico da bolsa do Brasil

Esta queda jogou o índice para testar a LTA de 2008 novamente, mostrando sinais de fraqueza desta linha de tendência devido à sequência numerosa de testes consecutivos no curto prazo (mostrando certa relutância em manter um movimento sustentado de alta). A perda desta LTA poderá jogar o índice novamente para a região de suporte em 55.1k, onde as chances de perda também aumentarão.
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana de lado, mostrando um candle de indecisão próximo à máxima histórica e barreira psicológica dos 14k. Continua sobrecomprado e mantendo risco de queda no curto prazo.
Gráfico do índice Dow Jones

No principal mercado europeu o índice DAX (Alemanha) fechou a semana em leve baixa tentando se manter acima da linha de suporte em 7.6k. Ensaiou uma recuperação de curtíssimo prazo, que foi rechaçada imediatamente pela força vendedora (observar o pavio longo superior no candle semanal). Indicativo de que a pernada de baixa de curto prazo não chegou ao fim.

Bolda da Alemanha - Frankfurt

Na China o índice da bolsa de Xangai fechou a semana em leve alta, se destoando dos demais índices mundiais. Ainda assim, segue pressionada pela forte linha de resistência em 2.5k e deverá encontrar grandes dificuldades para rompimento imediato.

Índice da bolsa de Xangai - China

Na Índia a bolsa de Bombay fechou em baixa pela terceira semana consecutiva. Já se aproxima da primeira linha de suporte (linha central de bollinger), que poderá oferecer apoio no curto prazo. Tendência de alta no médio prazo segue inalterada, apesar da tendência de baixa no curto prazo.

Índice da bolsa de Bombay - Índia

Semana curta no mercado brasileiro, mas importante no mercado mundial. Índices, no geral, trabalhando correções/congestões de curto prazo enquanto o índice Bovespa segue na tendência de baixa desde o topo duplo formado na região dos 63.5k. Perdemos mais um rally mundial e agora a situação se complicou ainda mais para os touros com este movimento de correção no mercado externo. 

Um ótimo final de semana a todos e até segunda!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mais um problema para o gargalo dos portos


A incrível falta de planejamento e notória incapacidade de gestão do governo federal está gerando uma nova preocupação no mercado brasileiro. Os portos estão cada vez mais abarrotados devido ao aumento significativo das importações de gasolina, provocado pela desvantagem comercial do etanol criada pelo próprio governo.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgou hoje um estudo revelando suas preocupações com eventuais problemas de abastecimento de combustíveis este ano. Os problemas estão concentrados nos gargalos dos terminais e na produção insuficiente da indústria nacional.

"As perspectivas de evolução da capacidade do parque de refino nacional não aliviam as pressões de curto prazo sobre a importação de derivados, e são dúvida mesmo em prazo mais longo, devido à indefinição sobre a realização de alguns projetos. Apesar de não se vislumbrar risco de desabastecimento sistêmico, ele pode ocorrer pontualmente, como mostraram alguns episódios ocorridos em 2012." Este trecho foi extraído do estudo da ANP.

Para agravar ainda mais a delicada situação dos portos nacionais, o governo enfrentará nas próximas semanas duras negociações (envolvendo até mesmo a presidente Dilma) com representantes dos sindicatos, que ameaçam fazer uma greve até que sejam alterados alguns pontos da Medida Provisória 595.

Uma greve neste momento seria extremamente prejudicial à enfraquecida economia do país, podendo provocar desabastecimento de combustíveis e perdas inestimáveis às exportações de grãos, momento em que a safra recorde do ano passado começa a ser exportada.

Na bolsa de valores o índice Bovespa continua tentando confirmar fundo sobre a região da média móvel simples de 200 períodos diária. O índice iniciou movimento de rompimento (perda), porém ensaiou uma recuperação na parte da tarde que será confirmada amanhã caso a LTB seja rompida. Por enquanto ainda não há sinal de fundo, e mesmo que ocorra não será suficiente, por enquanto, para invalidar a tendência de baixa no curto prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones segue na congestão de curto prazo, sem novidades, mantendo a análise dos últimos dias. O grande acontecimento do dia foi o anúncio de compra da H. J. Heinz em conjunto pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, e pela brasileira 3G Capital.

  
Os compradores pagarão 72,50 dólares por ação da H. J. Heinz (acima da cotação de 60,48 dólares no fechamento de ontem). A operação deverá ser a maior realizada na história do segmento alimentício. Os bancos JP Morgan e Wells Fargo também contribuíram para a operação ao financiar a dívida da empresa.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O mercado da eficiência


Os resultados operacionais continuam surpreendendo positivamente em boa parte das empresas listadas em bolsa dos países de economia desenvolvida. Não deixa de ser uma surpresa observar uma melhora significativa e contínua nos fundamentos destas empresas em meio a um cenário delicado de recuperação econômica e ajustes fiscais destes respectivos países.

Antigamente as empresas se dedicavam veementemente à expansão do processo produtivo, competiam em vários setores, se aventuravam em novas praças comerciais e muitas vezes fugiam do seu próprio nicho de mercado. Esta estratégia funcionava perfeitamente quando a demanda mundial por manufaturas excedia à oferta. Mas o estouro da crise financeira em 2008 provocou uma mudança no mercado corporativo, principalmente dos países desenvolvidos.

A razão entre oferta e demanda se inverteu com a restrição do crédito no mercado bancário. Rapidamente o excesso de demanda se transformou num excesso de oferta jogando as empresas, até então despreparadas, para um cenário brutal de competição no comércio exterior. A China logo reagiu dando o pontapé inicial da suposta guerra cambial, desvalorizando descaradamente sua moeda meses depois do estouro da bolha do subprime.

Como de costume, os pequenos são os primeiros a fecharem as portas e os grandes, percebendo a rápida deterioração do mercado corporativo, trataram logo de agir para evitar seguir pelo mesmo caminho. As empresas que hoje apresentam bons resultados operacionais aprenderam a lição de sobrevivência num mercado altamente competitivo: a busca pela expansão do processo produtivo deu lugar à eficiência operacional.

Não é por acaso que a taxa de desemprego permanece elevada em vários países desenvolvidos, mesmo após quatro anos de estouro da crise financeira. O mercado da eficiência é a mola que afia o facão da redução dos postos de trabalho. Anúncios de demissões em massa, redução de market share, corte nas linhas de produções de produtos com baixa margem de lucro.

Os gigantes que antigamente ofereciam o produto X, Y e Z ao mercado A, B e C, passaram a oferecer apenas o produto Y ao mercado B, aquele que apresenta, justamente, a maior margem de lucro. Consequentemente a redução do processo produtivo, bem como das despesas operacionais, não impactaram a lucratividade das empresas. Pelo contrário, a lucratividade aumentou, colaborando assim para melhora nos fundamentos destas empresas.

Anúncios de demissões em massa passaram a ser corriqueiros no mercado corporativo. 2013 mau começou e treze grandes players mundiais já anunciaram que irão realizar novos cortes agressivos no quadro de funcionários. Neste grupo estão empresas conhecidas como a Thyssenkrupp, Telefônica, Nokia, HP, Fiat, Honda, Ford, Renault, Barclays, Morgan Stanley, Santander, American Express e Anglo American.

O corte nos postos de trabalho é a mola que impulsiona as ações nas bolsas de valores dos países desenvolvidos. Por este motivo (além da injeção monetária dos bancos centrais no sistema financeiro) alguns índices conseguiram se aproximar de suas respectivas máximas históricas sem apresentar cenário de inchaço nos preços dos ativos. Não é à toa que Stuhlberger, gestor do maior fundo hedge brasileiro (Credit Suisse Hedging Griffo Verde) está com metade de suas posições em renda variável fora do país.

Evidentemente, neste exato momento, estes ativos não estão baratos nestes mercados, mas também não se pode dizer que os ativos estão inflados, como normalmente acontece nos períodos que antecedem os crashs nas bolsas de valores.

A quarta-feira no mercado de capitais foi bem monótona. Os índices oscilaram pouco e o volume financeiro ficou abaixo da média. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, seguindo análise dos últimos pregões, ainda sentindo a pressão da linha psicológica dos 14k, colado na máxima histórica.
  
No Brasil o índice Bovespa segue tentando cravar fundo acima da média móvel simples de 200 períodos diária. Hoje o índice fechou com um novo candle de indecisão. Haverá definição da próxima pernada a partir do rompimento da LTB mais inclinada ou perda da média móvel simples de 200 períodos diária.


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