quinta-feira, 28 de março de 2013

BC vai assistir de camarote a inflação superar o teto da meta


O Relatório Trimestral de Inflação divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil revelou dados preocupantes ao mercado, principalmente no que se refere à inércia da autoridade monetária referente ao agravamento das pressões inflacionárias.

Houve piora em todas as projeções de inflação para este e para o próximo ano. Segundo o relatório, O IPCA fechará aos 5,7% em 2013, ante previsão anterior de 4,8%. Em 2014 o IPCA ficará em 5,3%, acima da estimativa anterior de 4,9%. O Banco Central admite, inclusive, que a inflação acumulada dos últimos 12 meses vai estourar o teto da meta (6,5%) no segundo trimestre deste ano, chegando aos 6,7%.

Mesmo com a piora das pressões inflacionárias de curto prazo, bem como das projeções oficiais, o Banco Central se mantêm “surpreendentemente” inerte (alimentando o seu descrédito no mercado em decorrência da notória perda de autonomia) e não indicou nenhuma atitude a ser tomada através de seu principal documento de avaliação da inflação.

A autoridade monetária fez questão de reforçar o comunicado emitido na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária): "o comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária". Isto significa que por enquanto não vamos fazer nada. Vamos surfar o teto da meta para ver o que acontece.

Portanto, é praticamente certo que a taxa básica de juros permanecerá inalterada na próxima reunião do Copom. A trajetória de convergência da inflação para o centro da meta (4,5%), definida pelo órgão máximo do sistema financeiro (CMN - Conselho Monetário Nacional), virou lenda. O governo sequer toca neste assunto. Ao que tudo indica, em nenhum momento do governo Dilma a inflação atingirá o centro da meta.

A determinação do CMN está sendo descumprida descaradamente. O regime de metas de inflação é um dos tripés que permitem o país crescer de forma sustentada. É a base de uma política monetária bem feita. É a garantia do poder de compra da moeda. Do que adianta definir uma meta de 4,5%, se na prática o governo trabalha com outro número que ninguém sabe qual é? O mercado fica confuso e o clima de desconfiança e incerteza só aumenta.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira (dia de fechamento semanal, mensal e trimestral) em leve alta, contribuindo para formação de um candle de alívio no gráfico semanal. O movimento de repique poderá continuar na próxima semana, pois não há sinalização de inversão na tendência de alta nos gráficos intradays.

Bolsa mês de março

O mês de março marcou a terceira queda consecutiva do gráfico mensal. Houve uma tentativa frustrada de retomada da linha central de bollinger, além da LTA perdida de 2008. Os pavios longos (superiores e inferiores) do candle revelam aumento da disputa entre compradores e vendedores, diferentemente dos dois meses anteriores. Com isso as condições melhoraram para Abril ser um mês bull, desde que a mínima seja mantida em 54.6k.
  
Ibovespa


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão iniciando o rompimento da zona de congestão de curtíssimo prazo. Uma nova máxima foi registrada aos 14.5k, indicando que o índice vai subir mais um degrau da escada. Tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Dow Jones

Bom pessoal, por hoje é só. Bom descanso e Feliz Páscoa a todos vocês, familiares e amigos. Até segunda!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dilma se atrapalha e joga a culpa na imprensa


A presidente Dilma Rousseff disse hoje, durante a quinta cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) realizada em Durban na África do Sul, que “não concorda com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico”.

Esta declaração da presidente vai contra a expectativa de elevação da taxa básica de juros (no curto prazo) criada pelo mercado recentemente. Isso por que o aumento da taxa Selic provoca um efeito colateral na redução do crescimento econômico. É o famoso remédio amargo para combater a inflação.

Dilma ainda completou dizendo que a inflação está controlada, “o que está acontecendo são apenas alterações e flutuações conjunturais”. Se o governo considera 6,5% de inflação sob controle, tudo bem. A meta de 4,5% já não está sendo perseguida há mais de três anos mesmo. Mas o que está acontecendo não são apenas alterações e flutuações conjunturais, mas sim um total desequilíbrio entre oferta x demanda ocasionado pela própria política econômica do governo federal.

Os juros futuros na BM&F começaram a cair assim que a mensagem controversa da presidente chegou às principais mídias que cobrem o mercado financeiro. O mercado entendeu que os juros não deverão subir nos próximos meses.

Percebendo a grande confusão armada no mercado, a assessoria da presidente Dilma tratou logo de soltar uma nota dizendo que houve um equívoco de interpretação da mídia com relação à fala da presidente. Dilma ainda atacou a imprensa e destacou na referida nota: “foi uma manipulação inadmissível de minha fala”.

O que você amigo(a) leitor(a) entenderia com a fala da presidente Dilma citada no primeiro parágrafo deste post? Se realmente houve manipulação de sua fala, a presidente estava se expressando em outra língua, sabe-se lá qual.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou mais um pregão em alta, mantendo a sequência do movimento de repique de curtíssimo prazo. O primeiro target foi atingido hoje na região dos 56k. Caso esta região de resistência fraca seja rompida, o índice deverá testar sem muitas dificuldades a linha central de bollinger.

Bovespa

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones não conseguiu superar a linha de resistência da zona de congestão de curto prazo e fechou o pregão desta quarta-feira em queda de 0,23%.
  
Dow Jones


Alguns bancos no Chipre deverão reabrir as portas amanhã, mas com as devidas restrições nas operações bancárias. Cada cliente não poderá  sacar mais do que 300 euros por dia e os cheques não poderão ser sacados. Não foi implantado limite para pagamentos com cartões de crédito dentro do país.

terça-feira, 26 de março de 2013

Bovespa vira com bear trap


A perda da importante linha de suporte em 55.1k havia acionado abertura de operações vendidas no início da manhã de ontem. Apesar da leve recuperação no final da tarde de segunda-feira, o índice ainda fechou abaixo dos 55.1k, confirmando pivot de baixa nos gráficos intraday, diário e semanal, conforme postamos na análise de ontem.

Mas desta vez o mercado não vingou para o lado dos ursos. O índice Bovespa formou fundo numa região aleatória (isenta de linhas de suportes relevantes) ao redor dos 54.6k e repicou forte durante toda esta terça-feira. O mercado estava mostrando, mais uma vez, a sua soberania. As vendas de curtíssimo prazo liquidadas hoje (impulsionando a força compradora) foram as grandes responsáveis pelo marubozu de alta, caracterizando um bear trap.

Gráfico da bolsa brasileira

Cabe ressaltar que esta formação de fundo em 54.6k é temporária, pois ainda estamos trabalhando dentro de uma tendência de baixa no curto prazo. O mercado apenas sinalizou que virou a mão no curtíssimo prazo, trabalhando agora um repique de alta que poderá se estender nos próximos dias.

A próxima linha de resistência está posicionada na região dos 56k. Em caso de rompimento desta referida linha, o índice abrirá espaço para testar a linha central de bollinger.

A reação positiva dos mercados pode ser observada em diversas praças mundiais. Os mercados europeus fecharam esta terça-feira em alta. Os índices em Wall Street também subiram. Dow Jones e S&P500 se aproximaram das máximas históricas, trabalhando um movimento para rompimento (para cima) de suas respectivas zonas de congestões de curto prazo.
  
Dow Jones


O pedido de renúncia do presidente do maior banco do Chipre não impactou o mercado. Andreas Artemi renunciou em protesto por não ter sido consultado sobre as decisões em relação à reestruturação do banco. O presidente do Banco do Chipre não concordava em assumir as dívidas do Banco Popular (nove bilhões de euros). Esta foi uma determinação da troika.

Além disso, Andreas Artemi não foi consultado sobre a absorção de suas unidades bancárias na Grécia pelo Banco do Pireo. Isto significa que esta operação iria acontecer de qualquer maneira, com ou sem o seu consentimento. O Banco do Pireo informou que a operação foi avaliada em 524 milhões de euros. Tudo, obviamente, orquestrado pela troika.

Os bancos no Chipre receberam novas ordens para continuarem fechados até quinta-feira desta semana a fim de se vitar uma fuga de capital. Provavelmente os bancos só reabrirão após um controle de capital definido previamente pelo governo. Ou seja, nenhum correntista do sistema bancário cipriota (mesmo aqueles com saldo inferior a 100 mil euros) poderá retirar em totalidade os seus recursos do banco

segunda-feira, 25 de março de 2013

O roubo do que já foi roubado


Após o fracasso das negociações com os russos, o presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, viajou neste final de semana para Bruxelas, pronto para o receber o abate da troika (grupo formado por líderes da União Europeia, FMI e Banco Central Europeu). Anastasiades aceitaria qualquer acordo sobre a mesa para impedir o colapso econômico e financeiro do Chipre.

A proposta da troika foi um duro golpe para os cipriotas, mas a mira estava apontando claramente para a Rússia. O segundo maior banco do Chipre (Banco Popular do Chipre) foi pelos ares. Quebrou da noite para o dia. Os correntistas deste banco que possuíam valores acima 100 mil euros (que não são garantidos pela lei da União Europeia) terão os seus recursos congelados e usados para solucionar as dívidas do banco em questão, além de recapitalizar o Banco do Chipre. As demais contas, com valor inferior a 100 mil euros, serão transferidas para o Banco do Chipre.

O Banco do Chipre é a maior instituição financeira do país. Os depósitos acima de 100 mil euros neste banco também serão congelados com o mesmo objetivo citado no parágrafo anterior.

Com isso o governo cipriota conseguirá levantar os recursos necessários para receber o empréstimo de 10 bilhões de euros. Este acordo é bem pior do que o anterior, pois os correntistas com saldo acima de 100 mil euros nos dois maiores bancos do país perderão tudo (provavelmente).

Boa parte destes correntistas são estrangeiros (principalmente russos) que utilizavam o sistema financeiro do Chipre como paraíso fiscal e lavagem de dinheiro. Portanto, no final das contas, o dinheiro oriundo de práticas ilegais acabou sendo abocanhado pela própria troika. O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse, indignado, uma frase que resume o que foi este acordo: "O roubo do que já foi roubado continua".

Os alemães ganharam a disputa de xadrez. Reduziram a influência dos russos, diminuíram o tamanho do sistema financeiro do Chipre e, aparentemente, conseguirão evitar o contágio (fuga de capital, em decorrência do aumento das incertezas com relação aos bancos) para outras instituições financeiras na periferia da zona do euro. Além disso a estabilidade da união monetária ficará garantida com a permanência do Chipre dentro da zona do euro.

A dívida do Banco Popular do Chipre (9 bilhões de euros) será transferida para o Banco do Chipre. Todos os bancos do país, com exceção destes dois bancos citados no início deste parágrafo, estão programados para reabrirem amanhã. São bancos pequenos, onde a fuga de capital não provocará um impacto relevante no sistema.

O problema maior ficará por conta da reabertura do Banco do Chipre (programado para a próxima quinta-feira). O confisco das contas com saldo superior a 100 mil euros provocará uma fuga de capital dos demais correntistas deste banco. Com uma dívida nova de 9 bilhões de euros nas costas e reabertura das atividades sem restrições de saques e transferências, o Banco do Chipre estará com os dias contatos a caminho da falência.

O mercado não reagiu bem ao confisco no Chipre. As bolsas na Europa fecharam em queda. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,44%, colado nos 14.4k (base da zona de congestão de curtíssimo prazo). O rompimento desta congestão definirá a direção da próxima pernada do índice.

Índice Dow Jones
  
No Brasil o índice Bovespa também fechou em baixa, perdendo a importante região de suporte dos 55.1k (enfraquecida pela perda dos 55.4k). Foi acionado pivot de baixa no gráfico intraday, diário e semanal. Isto significa que poderemos visitar a região dos 52.5k, com repiques temporários no meio do caminho, já que estamos caindo praticamente em linha reta desde os 59.5k.

Índice Bovespa

sexta-feira, 22 de março de 2013

Xeque-mate russo


O ministro das Finanças do Chipre, Michael Sarris, voltou de mãos vazias da Rússia, apenas com uma garrafa de vodka na bagagem, muito provavelmente para consumo próprio, pois a situação complicou de vez para o seu país. Foram dois dias de negociações a portas fechadas com o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov.

Não saiu nenhum acordo. Se os líderes da zona do euro estavam utilizando o Chipre para jogar xadrez com os russos, acabaram de tomar um xeque-mate. A Rússia não vai bancar o Chipre. Foi uma decisão arriscada, mas pode acabar funcionando.

Os russos podem estar apostando num acordo de última hora, pois o problema se voltou contra a zona do euro. Apesar da quebra do Chipre ser um evento de baixo impacto econômico para o bloco, a imagem do euro será prejudicada no curto prazo e a tensão nos mercados aumentará, podendo elevar o custo de emissão de dívida dos países periféricos da zona do euro no mercado financeiro.

Além disso, as autoridades no Chipre farão o possível para evitar o colapso financeiro no país. O presidente do banco central do Chipre, Panicos Demetriades (nome curioso, não?), pressionou os líderes políticos alertando que o país enfrentará uma falência desordenada caso as medidas não sejam aprovadas no Parlamento.

O Banco do Chipre (maior instituição financeira do país) alertou que todos os depósitos podem ser perdidos se o sistema entrar em colapso. O banco ainda frisou que uma ruptura com o euro (forçando o retorno à libra cipriota) acarretaria numa perda significativa de valor dos ativos e jogaria a economia num círculo vicioso de desvalorização e hiperinflação.

Para o Chipre, é melhor implementar o confisco do que entrar num caos econômico generalizado. Para os líderes da zona do euro, é melhor fechar logo o acordo com os cipriotas (e talvez tentar empurrar neste acordo a regulação de seu sistema financeiro), pois a imagem da quebra desordenada no Chipre poderá impactar a estabilidade dos mercados europeus, além de agredir a imagem do euro.

Os principais índices acionários do mercado financeiro mundial fecharam a semana mostrando sinais opostos. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana de lado, mostrando um doji de indecisão na região dos 14.5k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em baixa, sentindo a pressão da linha de resistência em 8.2k, que é a região de topo histórico.


Na Inglaterra o índice FTSE fechou a semana em forte queda, voltando a testar a região de suporte em 6.4k, que por sua vez era a última resistência abaixo do topo histórico. A perda desta linha alimentará a tendência de baixa de curtíssimo prazo rumo aos 6.1k.
 
FTSE
  
Na China a bolsa de Xangai fechou a semana com uma boa alta. O movimento foi puramente técnico, houve forte aparecimento de força compradora após o teste na linha central de bollinger, marcando fundo ascendente em 2.2k.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em forte baixa, perdendo a linha central de bollinger. Deverá testar uma importante linha de suporte na região dos 18.5k já na próxima semana.


No Brasil o índice Bovespa fechou mais uma semana em baixa, se distanciando da LTA perdida de 2008. O movimento de queda parou exatamente sobre a linha de suporte em 55.1k (enfraquecida pela perda dos 55.4k). A linha inferior de bollinger abriu, mostrando que o movimento de queda poderá continuar nas próximas semanas.


Caso o suporte em 55.1k seja perdido, um pivot de baixa será acionado e o índice poderá retornar facilmente para os 52.5k, devido a ausência de regiões de suporte nesta região.

Um ótimo final de semana a todos vocês e até segunda!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Chipre leva ultimato da União Europeia


Estava demorando, mas o ultimato apareceu. Os líderes europeus enfim deram o próximo passo da campanha “anti-Chipre”. O BCE (Banco Central Europeu) anunciou hoje que só vai garantir a liquidez de emergência aos bancos cipriotas até segunda-feira (dia 25/03/2013). Esta decisão foi respaldada na insolvência das instituições financeiras, já que o dinheiro dos russos ainda não apareceu na conta do governo cipriota.

Uma notícia vazada pela agência Reuters reforçou o recado do BCE. A União Europeia estaria disposta a expulsar o Chipre da zona do euro para conter possíveis “danos à economia europeia”. Parece que tudo está saindo conforme o script dos líderes europeus (maiores informações no post de terça-feira: "Além das linhas do Mediterrâneo").

Os mercados na Europa fecharam o dia em baixa, impactados pelo impasse no Chipre e dados negativos na Alemanha. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou o dia em baixa, voltando a testar a base da zona de congestão de curto prazo em 14.4k. O rompimento desta pequena congestão indicará a próxima pernada do índice.

Índice

O índice Bovespa também caiu nesta quinta-feira e parou exatamente na importante linha de suporte em 55.4k. Este é um ponto de apoio que, teoricamente, sustenta abertura de posições compradas. Mas não foi  o que observamos no pregão. Caso o movimento de queda continue amanhã, um novo pivot de baixa será armado alimentando a tendência de queda rumo à linha de suporte em 52.5k.

Índice Bovespa

Ainda no Brasil tivemos mais dia de show humor com as declarações, totalmente perdidas no espaço, do nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro foi duramente criticado na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
  
Questionado sobre os inúmeros erros e projeções dos últimos anos, Mantega disse que “nem todas as previsões feitas pela equipe econômica do governo dão certo” (esta é nova, será que alguma deu certo?). O ministro ainda completou dizendo (prepare-se, pois esta é pra cair da cadeira): “minha bola de cristal pode ter tido alguns defeitos passageiros, mas ela costuma funcionar”.

E para finalizar com chave de ouro, Mantega disse que a culpa pelos erros de suas previsões é da crise econômica mundial. Esta piada é repetitiva, mas não deixa de ser engraçada.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Um golpe de nocaute


O clima de tensão voltou a dominar o mercado de capitais brasileiro nesta quarta-feira. O recado do governo enviado ontem a noite diretamente aos acionistas da Cemig (e indiretamente para a oposição) foi bem claro: “não se meta comigo”.

O golpe foi duro e mostra que o governo está jogando pesado. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a BAR (Base de Ativos Regulatória) da CEMIG em apenas 5,1 bilhões de reais, quantia significativamente abaixo do valor preliminar anunciado anteriormente pela própria agência (de 6,7 bilhões de reais) para o terceiro ciclo de revisão tarifária.

A ANEEL tomou uma atitude inédita e sem precedentes, devido à imensa disparidade entre o valor preliminar (da própria agência) e o valor de corte da BAR final. Os investidores ainda não sabem os motivos desta diferença desproporcional, pois ANEEL ainda não divulgou os detalhes do cálculo da BAR final da Cemig.

A mudança do cálculo na BAR da Cemig voltou a aumentar as incertezas dos demais processos de revisões tarifárias e jogou mais combustível nas chamas do famoso bull market político. As ações das demais distribuidoras de energia elétrica do país também fecharam o pregão em forte queda.

Esta é apenas mais uma demonstração dos motivos que estão por trás da queda de confiança e credibilidade dos investidores com relação ao governo federal.  A significativa redução na BAR da Cemig foi um duro golpe aos acionistas da empresa e demais investidores do campo minado, ops... mercado de capitais brasileiro.

O clima de incerteza atingiu os demais ativos do índice Bovespa, que por sua vez fechou mais um dia em queda descolado do mercado externo. O suporte na região dos 56k foi testado com início de uma tentativa de rompimento, a ser confirmada no pregão de amanhã. Vale ressaltar que a perda do suporte em 56k enfraquecerá a importante linha dos 55.4k.

Gráfico Bovespa

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta quarta-feira em alta, testando a resistência fraca de curto prazo em 14.5k. A reunião do FED (Federal Reserve - banco central norte-americano) foi positiva para os mercados. A autoridade monetária soltou um comunicado dizendo que vai manter os seus programas de compras mensais (totalizando 85 bilhões de dólares) em decorrência dos níveis ainda elevados de desemprego.

Gráfico Dow Jones

No Chipre o impasse continua para o público em geral. Mas atrás das cortinas o ministro das Finanças do Chipre, Michael Sarris, está arquitetando um acordo com o ministro das Finanças russo, Anton Siluano, para evitar o colapso financeiro no país.

terça-feira, 19 de março de 2013

Além das ilhas do Mediterrâneo


O Parlamento do Chipre reprovou. A contrapartida do confisco, para garantir o recebimento do empréstimo de 10 bilhões de euros, foi rejeita pela maioria esmagadora. Não houve um voto a favor do confisco. Foram 36 votos contrários e 19 abstenções. Apenas um parlamentar não compareceu à votação.

Sem ajuda financeira da zona do euro e do FMI (Fundo Monetário Internacional) o sistema financeiro cipriota entrará em colapso e o país poderá literalmente ir à falência. Certo? Na teoria sim, mas na prática parece que o Chipre tem uma carta na manga.

Por que será que nenhum Parlamentar votou a favor do confisco? Perderiam a reeleição, mas garantiram o salário no final do mês. Será que não há outra opção além das linhas do Mediterrâneo? Pode apostar que sim. Convenhamos, se o problema fosse realmente “apenas” 10 bilhões de euros, a Merkel dividiria esta conta com Hollande, pagando “do próprio bolso”.

A questão do Chipre é muito maior do que um simples socorro de 10 bilhões. Envolve gigantescos esquemas de lavagens de dinheiro. O dinheiro russo lavado em euros incomoda as autoridades da zona do euro desde que o Chipre conseguiu entrar para a União Europeia. É a ponte que conecta todo o processo.

Então como resolver o problema do paraíso fiscal no desregulado sistema financeiro do Chipre? Criando motivos para expulsar o inexpressivo país da União Europeia, forçando o sistema financeiro cipriota a retornar para sua moeda antiga.

Acontece que a conversão para o câmbio antigo seria um desastre para os russos, devido à excessiva desvalorização da moeda. Por este motivo nenhum parlamentar votou a favor do confisco. A carta na manga do Chipre está, agora, bem visível. A solução não vem da União Europeia ou do FMI, mas sim da Rússia.

A reprovação do confisco não foi suficiente para derrubar os mercados nesta terça-feira. Os bancos, insolventes, permanecerão fechados até quinta-feira, pelo menos. Mas, conforme destacamos na análise de ontem, pouco importa o que acontece ou deixa de acontecer no Chipre. O socorro de 10 bilhões esconde o que realmente está por trás das linhas do Mediterrâneo.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado, deixando um doji de indecisão. É o primeiro sinal de que a correção de curtíssimo prazo perdeu fôlego. Caso a região dos 14.4k seja mantida, o índice criará condições para testar e romper o último topo ascendente registrado na semana passada.

Bolsa de valores

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa, praticamente invalidando o sinal de recuperação de ontem. A LTA formada a partir do fundo em 55.4k foi perdida. Caso a região de suporte em 56.1k seja, também, perdida, retornaremos para os 55.4k.

Brasil


O índice foi impactado pela queda nas ações da Vale e CSN. O Goldman Sachs cortou suas estimativas para os preços do minério este ano e aproveitou para reduzir o preço-alvo das ADRs da Vale, negociadas em Nova York. A queda da CSN foi influenciada pela proposta de compra das siderúrgicas da ThyssenKrupp (no Brasil e nos Estados Unidos).

segunda-feira, 18 de março de 2013

Uma Grécia dez vezes menos expressiva


Não se fala em outra coisa no noticiário do mercado financeiro. O Chipre foi o quinto país da União Europeia (depois de Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha) a entregar os pontos e solicitar formalmente ajuda financeira do bloco.

O acordo foi fechado neste último final de semana. O Chipre conseguiu a liberação de um empréstimo no valor de 10 bilhões de euros, mas em contrapartida terá de confiscar parte do dinheiro depositado nas contas bancárias no país. Os correntistas com mais de 100 mil euros no banco pagarão um imposto de 9,9%, enquanto os que possuem menos de 100 mil euros pagarão 6,75% de imposto.

O Parlamento precisa aprovar o confisco. Como a medida é altamente impopular, a votação acabou sendo adiada para amanhã (terça-feira dia 18/03/2013), na tentativa de amenizar a cobrança para os correntistas com menos dinheiro no banco e aumentar a cobrança para os correntistas com mais dinheiro em conta (acima de 100 mil euros).

Apesar de todo o alarde, não há motivos para preocupações. Se os analistas já consideram inexpressiva a economia grega dentro do bloco, o que dirão então da economia cipriota (representa míseros 0,2% do Produto Interno Bruto da zona do euro).

Não há outra solução. Se o Parlamento do Chipre votar contra o acordo, o país irá à bancarrota e poderá ser expulso da zona do euro. Aliás, o que esta ilha com pouco mais de 9.000 km2 no Mediterrâneo, de 790.000 habitantes, está fazendo dentro da União Europeia?

Pouco importa o que acontece ou deixa de acontecer no Chipre. O sistema bancário do país sofre de baixa regulamentação, utilizado muitas vezes para esquemas de lavagem de dinheiro. Estima-se que quase metade dos depositantes são russos não residentes no país. No pior dos casos haverá um impacto limitado no mercado, sendo este perfeitamente gerenciável.

Surgiram rumores no mercado de que a medida poderia ser um precedente para novos pacotes de resgate. Mas as autoridades europeias já esclareceram que a medida serve apenas para o Chipre, que não possui outra condição para solicitar o empréstimo, em virtude de sua inexpressiva economia. Não houve sinalização de fuga de capital ou aumento no volume de saques em outros países do bloco.

As bolsas na Europa fecharam em leve queda nesta segunda-feira, mostrando recuperação na parte da tarde. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,43% confirmando topo de curtíssimo prazo registrado na região dos 14.5k.

Bolsa

No Brasil o índice Bovespa abriu o pregão em forte queda, porém o movimento não se sustentou por muito tempo. Após o teste, com falso rompimento (caracterizando bear trap), da LTA, houve forte reação do mercado revertendo todas as perdas do dia.

Bolsa Bovespa

O candle é um doji de pavio longo inferior típico de regiões de fundo, que pode ser confundido com um martelo. É a segunda sinalização de indecisão dos três últimos pregões. A diferença é que o candle de hoje mostra uma reação mais evidente da força compradora (superando as vendas abertas do dia). A reversão será confirmada a partir da retomada da linha central de bollinger.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Fechamento das bolsas mundiais


Apesar da sexta-feira apagada no mercado financeiro mundial, a semana foi importante para alguns dos principais índices do mercado. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones não apresentou nenhuma novidade. Tendência de alta de curto, médio e longo prazo. Não há resistências pela frente. Mercado em bull market.


Já o índice S&P500 iniciou os trabalhos do movimento mais importante desde a década passada. O rompimento da máxima registrada em 2000. Uma congestão de 13 anos está sendo superada neste exato momento. Com isso o índice S&P500 confirmará sua tendência de alta também para o longo prazo, seguindo os rastros do índice Dow Jones.

Índice S&P500

O rally nos Estados Unidos também atingiu o dólar. O gráfico abaixo mostra a cotação do dólar perante a uma cesta de moedas. Ocorreu uma expressiva valorização do dólar nas últimas semanas, mesmo com a queda no clima de aversão ao risco. Este movimento reflete a visão mais otimista da economia americana, embasada na melhora recente nos indicadores econômicos.

USD

A taxa de desemprego caiu para 7,7% em fevereiro, a menor dos últimos quatro anos. As empresas, no geral, estão apresentando bons números em seus balanços trimestrais, reflexo de uma melhora na eficiência administrativa e operacional.

Na Europa o índice DAX (Alemanha) fechou mais uma semana em alta, praticamente colado abaixo do topo histórico. Espera-se o rompimento da máxima histórica nas próximas semanas, seguindo o movimento das demais praças mundiais. Segue na tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Alemanha

Na Inglaterra o índice FTSE fechou a semana com um doji de indecisão, bem próximo de sua máxima histórica. A próxima resistência é o próprio topo histórico, que poderá ser rompido nas próximas semanas/meses. Índice também segue na tendência de alta de curto, médio e longo prazo.
 
Índice da bolsa de Londres
   
Partindo para os mercados emergentes podemos observar que a bolsa do México está trabalhando movimento de correção saudável de curto prazo. Após a máxima atingida em 333 pontos, o índice recuou para o patamar psicológico dos 300 pontos tentando trabalhar fundo ascendente na região da linha central de bollinger. Portanto a bolsa do México trabalha numa tendência de baixa de curto prazo, o que não invalida a tendência de alta de médio e longo prazo.

Índice do mercado mexicano

Na Índia, o principal índice da bolsa de Bombay cravou fundo ascendente na região psicológica dos 19k, mas ainda não foi suficiente para reverter a tendência de baixa de curto prazo. Caso a linha central de bollinger seja mantida, o índice terá condições de puxar uma pernada de alta rumo à região dos 20.1k (último topo ascendente).

Bombay

Na China a bolsa de Xangai fechou mais uma semana em baixa devido à ausência de linhas de suportes relevantes. O primeiro ponto para segurar esta queda de curtíssimo prazo será a linha central de bollinger que poderá ser testada na próxima semana. Caso esta linha consiga segurar o movimento de queda, um fundo ascendente será formado, fortificando a pernada de alta iniciada em 2k.

China

No Japão o índice Nikkei está em pânico de alta. O término da tendência de baixa de médio e longo prazo deu início a um forte rally patrocinado pelas medidas do BoJ (banco central japonês).

Bolsa de Tóquio

No Brasil o índice Bovespa devolveu toda a alta conquistada na semana anterior. O candle de baixa é uma sinalização de que a alta recente foi apenas um movimento de pullback sobre a LTA de 2008, perdida recentemente.

Bolsa de valores

Esta é a situação mais delicada para o incide neste ano. Caso a mínima desta semana seja perdida, confirmando o pullback sobre a LTA de 2008, a região de suporte em 55.4k dificilmente conseguirá segurar o movimento de queda, o que provocará o acionamento de um novo pivot de baixa com objetivo para jogar o índice sobre a região de suporte em 52.5k.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tô nem aí


Voltamos à estaca zero. Todo aquele barulho criado pelos líderes de governo e diretores do Banco Central não respingou na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Se por um lado os diretores do Comitê mostram-se preocupados com recente disparada da inflação, por outro lado parece que eles próprios estão simplesmente balançando os ombros e dizendo “tô nem aí”.

Este é o sentimento que fica ao dedicarmos tempo à leitura de uma decepcionante ata de reunião do Copom. O Banco Central que parecia estar recuperando sua autonomia, desconfortável com os indicadores inflacionários e comprometido a retomar na prática a política de metas de inflação só existe através dos discursos dos próprios líderes políticos. Discursos totalmente divergentes com a realidade, incompatíveis com as atitudes tomadas pelas lideranças políticas (ou que deixaram de ser tomadas).

É o coral bonito que não faz política. Você se lembra deste post? Estamos ainda nesta mesma música, no mesmo refrão. Discursamos como doutores de Harvard, mas trabalhamos como índios isolados numa aldeia lutando pela sobrevivência (não desmerecendo o glorioso trabalho dos índios, aparentemente muito mais honesto do que aquele realizado nos prédios de Brasília).

A ata do Copom mostrou que a autoridade monetária piorou os cenários de inflação para 2013 e 2014, mas não sinalizou nenhuma atitude que justifique a sua função (zelar pela estabilidade e poder de compra da moeda, bem como do sistema financeiro). Muito pelo contrário, o Banco Central disse apenas que é preciso ter cautela na condução da política monetária diante das incertezas que permanecem.

Será que existe alguém dentro do BC realmente incerto quanto à inflação brasileira? Nos últimos três anos a inflação fechou longe do centro da meta (5,90% em 2010, 6,5% em 2011 e 5,83% em 2012). Este ano não será diferente, e diante desta inércia do Banco Central, o mesmo poderá ocorrer em 2014.

Como pode um Banco Central emitir tantos sinais desequilibrados e confusos? Fala uma coisa, demonstra outra e no final acaba indicando que não vai fazer nada. Existe algum sentido em piorar as projeções para 2013/2014 e ao mesmo tempo pedir cautela? O próprio documento (ata), principal meio de comunicação do BC com o mercado, é lamentavelmente contraditório.

A decepcionante ata do Copom pode ter influenciado a queda desta quinta-feira na Bovespa, dia em que as praças mundiais arrumaram fôlego para subir ainda mais. A lente do binóculo já não está sendo suficiente.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa, mas nem tudo está perdido. O candle de fechamento é uma estrela de pavios relevantes, principalmente o inferior. Esta pode ser uma sinalização de fundo ascendente, a ser confirmado com a retomada (rompimento para cima) da média móvel simples de 200 períodos diária.

Bovespa
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones invalidou a formação de topo observada nos últimos pregões. Mesmo com elevado nível de sobrecompra o índice voltou a subir nesta quinta-feira mostrando a força de um mercado bull.

Bolsa Estados Unidos

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mercado caiu no boato


O índice Bovespa foi duramente atingido na parte da tarde desta quarta-feira, aparentemente sem motivo técnico/macroeconômico algum, aumentando o medo e o receio dos operadores com posições compradas de curtíssimo prazo em aberto. Em poucos minutos começou a rodar um boato de alta gravidade nas mesas de operações das principais corretoras brasileiras: o rating do Brasil seria cortado pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

O boato se espalhou rapidamente. A bolsa despencou em questão de minutos. Uma piora no rating brasileiro neste exato momento seria desastroso para o Banco Central, insatisfeito com os indicadores inflacionários. Isso porque um rebaixamento no rating reduziria o fluxo de capitais para o Brasil, pressionaria o câmbio e prejudicaria no combate à inflação, forçando o Banco Central a subir os juros para conter a inflação e evitar uma fuga de capitais.

O boato é no mínimo suspeito, as posições vendidas dos investidores estrangeiros em contratos futuros do índice Bovespa atingiram recorde histórico recentemente. Portanto, a queda do índice passa a ser conveniente, mesmo quando boa parte destes investidores estão protegidos (hedge). Há muito dinheiro pesado (e alavancado) em jogo, se o mercado mover pelo lado contrário destas posições vendidas, a porta de saída será pequena (não há liquidez suficiente para suportar uma saída sem estrago destes investidores/operadores), podendo provocar assim um rally de alta no índice.

O timming do boato também coincidiu com o melhor momento do mercado para iniciar o rompimento da média móvel simples de 200 períodos diária para baixo (principal linha de suporte de curtíssimo prazo). Caso o índice Bovespa não consiga se segurar na linha central de bollinger amanhã, a queda de curtíssimo prazo deverá buscar um teste na LTA iniciada na região dos 55.4k.

índice
  
O diretor da Standard & Poor's, Sebastian Briozzo, responsável pelo rating do Brasil, desmentiu o boato no final do dia e afirmou que não há nenhuma alteração do rating e nem da perspectiva de classificação de risco do Brasil, conforme último anúncio realizado em dezembro. Perspectiva estável e rating BBB.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão de lado, mantendo a análise realizada no post de ontem (“O’Neill segue otimista com os BRIC”). Nem mesmo a elevação de 1,1% nas vendas do varejo em fevereiro/2013, o maior aumento em cinco meses, animou Wall Street. Mercado sobrecomprado e com boas possibilidades de reversão da tendência de curtíssimo prazo.

Índice Dow Jones

terça-feira, 12 de março de 2013

O’Neill segue otimista com os BRIC


O economista visionário Jim O'Neill, presidente do conselho do Goldman Sachs, responsável por criar a famosa sigla do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) há mais de dez anos, quando poucos no mercado financeiro acreditavam no potencial de crescimento destas quatro importantes economias mundiais, segue otimista em suas projeções de crescimento para os países do BRIC.

O’Neill acredita que a China manterá o crescimento em torno de 7% para os próximos anos (o que não deixa de ser um excelente número, apesar de ser menor do que os 10% dos últimos anos) e que a Índia poderá crescer mais de 10% ao ano devido às condições de mercado favoráveis (bom ambiente de negócio e crescente abertura de mercado) aliado a um excelente perfil demográfico (população jovem e taxa de natalidade alta).

Com relação ao Brasil, o presidente do Goldman Sachs ressalta que a nossa economia poderá crescer 5% ao ano. Evidentemente é uma projeção otimista, porém nós temos este potencial que precisa ser aproveitado, basta o governo fazer um simples dever de casa. O’Neill ainda disse que a Rússia deverá crescer 4% ao ano, pois o país é mais dependente da produção de combustíveis e apresenta uma situação demográfica mais fraca.

Este é o cenário esperado pelo economista para esta década. Os países do BRIC deverão manter forte ritmo de expansão, mantendo posições entre os importantes players do mercado global. México, Indonésia, Coréia do Sul e Turquia (formando a nova sigla “MIST” criada por O’Neill) são os novos emergentes que também deverão se destacar nesta década.

É inegável o potencial de crescimento da economia brasileira, os investidores sabem disso, mas acabam rejeitando algumas oportunidades ou ficando com o pé atrás. O governo instaurou um clima de incerteza e desconfiança. A política econômica e monetária perdeu credibilidade. As condições de negócio são extremamente desfavoráveis. Caso o Brasil consiga superar estes entraves, Jim O'Neill poderá dizer que estava certo, mais uma vez.

No mercado de capitais o dia foi de agenda fraca, Wall Street andou de lado. O índice S&P500 fechou em leve queda enquanto o índice Dow Jones fechou próximo à estabilidade. O pequeno doji no Dow Jones pode indicar formação de topo de curto prazo, a ser confirmado por um candle de baixa amanhã. Índice trabalha em região elevada de sobrecompra.

Índice Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa reduzindo o otimismo criado no mercado com a virada de ontem. Com este candle de baixa pode-se esperar novo teste sobre a média móvel simples de 200 períodos diária, que novamente atuará como principal linha de suporte de curtíssimo prazo. Apesar de tudo, a tendência de alta no curto prazo segue inalterada.

Índice Bovespa

Para finalizar o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, realizou uma apresentação rotineira, mas que acabou chamando atenção do mercado, durante o seminário do Banco Nacional da Polônia. Tombini retirou do slide uma menção de possível arrefecimento inflacionário no segundo semestre desse ano na economia brasileira. Esta menção estava presente anteriormente neste mesmo material utilizado por Tombini na apresentação realizada em fevereiro, nos Estados Unidos.

A retirada desta frase é mais um sinal evidente de que existe uma maior preocupação da autoridade monetária com a inflação, aumentando as chances de um possível ciclo de aperto monetário ainda este ano.
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