terça-feira, 30 de abril de 2013

E quando o pessimismo não é justificável?


Abril marcou o quarto mês consecutivo de queda da bolsa brasileira. Sem fazer muita cerimônia o índice Bovespa despencou dos 63.4k, registrados no início deste ano, para a região dos 52.5k, principal linha de suporte de curto e médio prazo. Parte desta queda ocorrida no mercado brasileiro é justificada pela deterioração do cenário macroeconômico e corporativo brasileiro, inúmeras vezes ressaltadas e discutidas aqui no blog.

Mas será que estes 17% de queda (entre a máxima registrada nos 63.4k e a mínima atingida nos 52.5k), em apenas quatro meses, não ultrapassaram o patamar de pontuação considerado justificável para a nossa situação atual? Será que este nível de preço (pontuação) está refletindo corretamente as expectativas futuras para o nosso mercado? Será que esta queda não foi um pouco exagerada?

Sabemos de cor e salteado os pontos negativos que desqualificam o nosso mercado. Somos bombardeados diariamente pela mídia com estas informações. Mas e os pontos positivos? No geral, os investidores (principalmente nacionais) estão avaliando o mercado brasileiro desprezando o outro lado da balança. Talvez com certa justiça, pois este é o tipo de informação que não cai de paraquedas na tela do seu computador quando o mercado está em baixa.

2012 foi um ano terrível para economia brasileira e, de certa forma, desapontador para o mercado de capitais nacional, descolado dos seus pares externos. Conseguimos produzir uma inflação de 5,83% mesmo com o vergonhoso crescimento de 0,9% (o mais baixo entre os BRICs e principais emergentes). Tudo o que tinha que dar errado aconteceu no ano passado. Mas podemos extrair um ponto positivo deste vexame de 2012. Ele não se repetirá este ano. O governo acordou para alguns pontos cruciais ao processo de crescimento minimamente sustentável.

Os investimentos, que desapareceram em 2012, começarão a surgir este ano com a melhora da taxa de retorno para as concessões. O Banco Central, mesmo que alinhado à estratégia do governo, iniciou o ciclo de aperto monetário este mês para frear a pressão inflacionária e alta dispersão dos preços. Este é um importante passo para a instituição mostrar ao mercado seu comprometimento com a estabilidade econômico-financeira. A interrupção futura da escalada nos preços poderá, inclusive, colaborar para melhora do índice de produtividade.

Além disso, o reserva de 380 bilhões de dólares do governo federal deverá aumentar para 400 bilhões até o final deste ano.  Não é uma quantia desprezível. São recursos que servem de respaldo para administração da taxa de câmbio e/ou blindagem a eventuais tropeços da economia global.

Até mesmo a forte intervenção do Estado sobre a economia tem lá os seus pequenos pontos positivos. A redução do PIS/COFINS e desonerações nas folhas de pagamentos para alguns setores, ainda que vinculados àqueles que proporcionam maior impacto sobre o consumo/índice de preços, é um raro exemplo deste lado positivo da intervenção.

No que se refere ao mercado corporativo, existe uma expectativa de melhora na produtividade das empresas exportadoras de commodities, refletindo a retomada do crescimento. Os balanços da Vale e Petrobras, os principais carros chefes do índice, vieram positivos e superaram as expectativas do mercado.

O setor financeiro, que juntamente com as commodities ocupa mais da metade da composição da carteira teórica do índice Bovespa, permanece bem fundamentado e com boas perspectivas. Existe ainda uma expectativa de redução na agressividade do spread bancário por parte dos bancos estatais, com o término das propagandas políticas e institucionais na mídia popular, melhorando/aliviando, de certa forma, as condições/margens para todo o setor.

Partindo para análise técnica podemos observar pelo gráfico que mede o spread entre o Ibovespa x Dow Jones uma queda exagerada ao nosso favor que o mercado já tratou de começar a corrigi-la. A forte queda no spread durante todo o ano de 2013 (ou seja, o nosso desempenho ficou bem abaixo do índice Dow Jones) parece ter chegado ao fim. O desempenho do Ibovespa vem sendo superior ao índice Dow Jones desde a segunda quinzena do mês de Abril.

Ibov Dji

O nosso desempenho também está muito abaixo com a média dos mercados emergentes, conforme podemos observar no gráfico abaixo:
  
Ibovespa Spread


Todas as vezes que esta diferença atingiu os 1.850 pontos neste ano, o índice Bovespa conseguiu reverter o pessimismo e descontar parte do atrasado perdido com relação ao desempenho dos demais mercados emergentes. O mesmo parece estar ocorrendo agora novamente com uma boa margem de recuperação.

Já no gráfico mensal do índice Bovespa podemos observar a mesma formação de candle que originou toda esta queda dos últimos meses. Acontece que desta vez o candle está ao contrário. O pavio longo superior relevante do mês de janeiro, indicando forte aparecimento da força vendedora na região dos 63.4k, deu lugar ao pavio inferior relevante do mês de abril, indicando forte aparecimento de força compradora na região dos 52.5k.

Gráfico da bolsa no mês de abril

Esta formação sugere que nos próximos meses poderemos subir novamente, com boas possibilidades de retomada dos 60k ainda este ano, permanecendo, pelo menos, dentro da zona de congestão de médio e longo prazo.

Vale ressaltar que este post não é uma recomendação de compra. Esta decisão precisa estar aliada a estratégia e objetivos de cada investidor. A intenção deste texto é apenas salientar a atratividade e/ou pontos positivos do nosso mercado, que muitas vezes são ignorados em momentos mais sensíveis de quedas nos preços.

Da mesma forma que devemos considerar os pontos positivos, não podemos descartar os pontos negativos relevantes do nosso mercado. Por este motivo estamos trabalhando dentro de uma zona de congestão de médio/longo prazo. Permaneceremos nesta situação (sobe e desce - 50k/70k) até que o cenário macroeconômico e corporativo apresente melhoras ou deteriorações significativas que justifiquem um crash ou uma retomada consistente de alta. Portanto, o atual potencial de retomada nos preços é limitado, da mesma forma que recente perna de baixa possuía potencial de queda limitado.


Bom feriado a todos vocês e até quinta-feira!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O tigre asteca


A forte ascensão da economia mexicana tem atraído os holofotes do mercado financeiro. Somente em 2012 os investidores estrangeiros injetaram 57 bilhões de dólares em ações e títulos da dívida pública, volume cinco vezes maior do que foi investido aqui no Brasil durante o mesmo período.

O ingresso deste fluxo de capital estrangeiro garantiu a tão necessária capitalização e/ou abertura de mercado para algumas empresas do país, além de impulsionar a bolsa do México a superar o seu antigo topo histórico no início deste ano:

Mercado de capitais mexicano

Ao contrário da avaliação do nosso governo (que apelidou o fluxo de capital externo como especulativo e prejudicial), o ingresso de capital estrangeiro é extremamente benéfico para o crescimento e desenvolvimento da economia e não representa, necessariamente, um simples movimento especulativo.

O mercado está colocando dinheiro no México devido à melhora significativa nos fundamentos políticos e econômicos e não por especulação. O país possui uma política séria, bastante comprometida com as reformas estruturais e institucionais. Todo este trabalho tem gerado resultados na melhora do ambiente de negócios e consequentemente permitindo que o país possa crescer de forma sustentável no médio e longo prazo.

Somente em 2012 a economia mexicana cresceu 4%. Para os próximos anos as projeções giram em torno de 7%. O setor manufatureiro tornou-se o grande destaque da economia com a melhora significativa do ambiente de negócio (principalmente com relação aos custos de produção).

A indústria mexicana está tão forte que hoje a taxa de imigração de mexicanos ilegais para os Estados Unidos é quase nula. Os mexicanos não precisam mais atravessar a fronteira para trabalharem como jardineiros nos Estados Unidos. Hoje eles podem trabalhar de carteira assinada no parque industrial da cidade ao lado.

O desenvolvimento da cadeia industrial provocou um crescimento em efeito dominó sem precedentes na economia. A cada posto de trabalho aberto diretamente na indústria criam-se 7 ou 8 empregos indiretos em diversos setores. Por este motivo a expansão do mercado doméstico mexicano tornou-se o segundo grande atrativo para os empresários e investidores espalhados pelo mundo inteiro.

Mesmo com todos os problemas sociais (violência e tráfico de drogas, principalmente), o México está mostrando a todos os líderes latino-bolivarianos-americanos que é possível alcançar uma boa taxa de crescimento de forma sustentada. Basta abandonar o populismo, parar de reclamar ou colocar a culpa na crise financeira, abrir as portas para o mercado e fazer o dever de casa (reformas estruturais). Não é por acaso que o México recebeu o apelido de “o tigre asteca”. Nada mais justo.

No mercado de capitais o dia foi bastante movimentado na Bovespa. As ações da Petrobras dispararam após a companhia divulgar o resultado do primeiro trimestre de 2013. Os números vieram melhor do que o esperado pelo mercado. As ações da OGX também subiram forte no pregão desta segunda-feira, desta vez impulsionadas pela avaliação do Credit Suisse.

O banco de investimentos projetou aumento de 5% de participação da OGX sobre o índice Bovespa. O número é significativamente maior do que a participação atual (2,12%). Esta elevação atenderá os critérios de liquidez para composição da carteira teórica do Ibovespa (tal como ocorre de forma semelhante em diversos índices de outras praças financeiras).

Como o volume financeiro envolvendo as ações da OGX aumentou bastante nos últimos meses, a participação da empresa na composição da carteira teórica do índice aumentará. Consequentemente, os fundos passivos que fazem a réplica do Ibovespa precisarão comprar mais ações da OGX para se adequarem a nova composição do índice que começa a valer no próximo mês.

Com isso o índice Bovespa fechou o pregão desta segunda-feira em alta de 1,17%, recuperando as perdas sofridas na última sexta-feira. No curtíssimo prazo o índice segue enroscado entre a resistência dos 55.5k e o suporte de 54.1k. O rompimento de alguma destas linhas poderá indicar a próxima pernada do índice.
  
Índice da bolsa


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta, se aproximando da última resistência de curtíssimo prazo na região dos 14.9k, mantendo o impulso conquistado a partir do teste da principal região de suporte de curto prazo: os 14.4k.

Índice Nova York

sexta-feira, 26 de abril de 2013

PIB fecha a semana de dados ruins


O Departamento de Comércio informou nesta sexta-feira que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,5% no primeiro trimestre deste ano.

O resultado mostra uma já esperada retomada do crescimento norte-americano em relação ao último trimestre do ano passado, quando a economia expandiu apenas 0,4%. Mas o mercado esperava um crescimento maior na primeira etapa deste ano, ao redor dos 3%.

A decepção com o crescimento dos Estados Unidos também está relacionada com as novas dificuldades que o país encontrará nos próximos trimestres. A economia norte-americana entrou enfraquecida na atual fase de corte de gastos públicos e aumentos de impostos.

Por outro lado, o cenário macroeconômico marcado por indicadores ruins (inclusive os mais recentes), é a luz verde do sinal que fica piscando na mesa de Ben Bernanke, presidente do FED (Federal Reserve - banco central norte-americano), para manter os programas de estímulo monetário.

A forte desaceleração do setor industrial (conforme mostramos no post de terça-feira) poderá, ainda, contribuir para o enfraquecimento do mercado de trabalho e das vendas no varejo (considerada a grande mola propulsora do crescimento nos Estados Unidos).

Portanto, a irrelevância do mercado quanto à piora nos indicadores macroeconômicos é respaldada pela expectativa de manutenção dos programas de flexibilização monetária dos principais bancos centrais mundiais.

Por este motivo os mercados desenvolvidos, irrigados pela liquidez dos banqueiros centrais, estão conseguindo manter o bom desempenho das últimas semanas/meses. Nos estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais uma semana em alta, mantendo a tendência de médio e longo prazo.

DJi

Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em forte alta, configurando um bear trap sobre o falso rompimento da linha de suporte em 7.6k. Houve sinalização de fundo, mostrando reversão da tendência de baixa de curtíssimo prazo. Poderá testar a região do topo histórico nas próximas semanas.

DAX

Na Inglaterra o índice FTSE também fechou a semana em forte alta, mostrando um movimento semelhante ao que ocorreu no índice DAX.

FTSE

Na Índia a bolsa de Bombay segue mantendo o movimento de recuperação iniciado na semana anterior. O índice já conseguiu testar a linha central de bollinger e poderá retornar para a máxima registrada no início deste ano na região dos 20.2k (principal resistência abaixo do topo histórico).
  
Bombay
  

Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em queda, pressionada pela piora dos indicadores econômicos internos, juntamente com um cenário de inflação elevada, que por sua vez reduz a possibilidade de atuação do Banco Central para estimular o crescimento. Caso a região de suporte em 2.1k seja perdida nas próximas semanas, o índice poderá acelerar sua tendência de queda rumo ao patamar psicológico dos 2k.

Xangai

No Brasil o índice Bovespa devolveu parte dos ganhos registrados no início da semana pressionado pela queda do setor siderúrgico (balanço da Usiminas), mineração (volatilidade alta na Vale) e financeiro (queda no spread bancário, conforme divulgado hoje pelo Banco Central).

Brasil Bovespa

O candle de fechamento confirma o topo registrado na região dos 55.5k. Pode-se esperar continuação do movimento de correção na próxima semana, com uma eventual perda do suporte em 54.1k. Com a perda desta linha de suporte, o índice poderá retornar para região dos 52.5k (principal zona de suporte de curto e médio prazo).

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Banco Central em ritmo de campanha eleitoral


A persistência da inflação elevada continua, teoricamente, preocupando o Banco Central. Os preços mostram relutância em manter uma trajetória desejável de queda mesmo com todas as medidas de viés desinflacionário adotadas pelo governo nos últimos meses.

A estratégia adotada pelo governo em administrar índices de preços não está funcionando (pra variar). As desonerações, intervenções e prorrogações no aumento das tarifas apenas empurram o problema para frente. Além de não ser eficiente no combate à inflação, a estratégia sequer consegue impulsionar o fraco desempenho da economia brasileira.

Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central, tem se mostrado muito mais incomodado com o cenário inflacionário do que o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Gostaria de registrar que cresce em mim a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária, da taxa Selic", afirmou Carlos Hamilton no evento do banco Itaú.

As declarações do diretor do BC mostram que a taxa básica de juros poderá subir 0,50 p.p. na próxima reunião do Copom, intensificando o uso da Selic para combater a inflação, já que as medidas do governo não estão colaborando.

Por outro lado, precisamos considerar o fato destas declarações aparecerem exatamente no dia da divulgação da ata do Copom. O documento do BC mostrou claramente que a autoridade monetária visa combater a inflação de 2014. A preocupação com o aumento dos preços neste ano não está refletida na ata.

Portanto, a declaração de Carlos Hamilton está divergente com principal documento de comunicação do BC com o mercado. Esta pode ser uma tentativa de abafar a decepção do mercado financeiro com a infeliz atitude (além da leniência) da autoridade monetária com relação à inflação.

O Banco Central jogou a toalha para o IPCA de 2013 e conta com a sorte para não fechar este ano acima do limite máximo da meta (6,5%). A preocupação com os indicadores inflacionários de 2014 tem um motivo óbvio: ano de eleição. O Banco Central não mostrou a mesma preocupação nos anos anteriores, quando as projeções apontavam para inflação elevada em 2011, 2012 e 2013.

Ao que tudo indica, o governo federal vetou “oficialmente” qualquer possibilidade de aperto monetário em plena campanha eleitoral de 2014. A bandeira do governo Dilma é a redução dos juros, mesmo que a conta seja socializada (inflação). O seu primeiro mandato não pode terminar com a retomada da taxa Selic.

Visando impedir uma inflação futura elevada (mais precisamente durante a fase mais intensa da disputa eleitoral), o Banco Central vai preparar o terreno este ano para não precisar mexer nos juros em 2014 e suavizar o IPCA para a campanha eleitoral. Assim, a autoridade monetária cumprirá com a sua parte para manter os companheiros no poder.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou mais um pregão mostrando sinalização de topo na região dos 55.5k. Novamente houve tentativa de rompimento desta região, rechaçada pela força vendedora. Não há linhas de suportes relevantes para segurar uma suposta aceleração do movimento de queda.

bolsa


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado após nova tentativa de retomada da LTA de curto prazo perdida na semana passada, caracterizando movimento de pullback, mantendo a análise do dia anterior.

Nova York bolsa

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Azedou no final


Apesar de conseguir emplacar o quinto pregão consecutivo de alta, a bolsa brasileira acabou sendo afetada pelo movimento de queda ocorrido no final desta tarde em Wall Street.

As operações vendedoras começaram aparecer quando o mercado percebeu que o índice Dow Jones não conseguiria retomar a LTA de curto prazo perdida na semana passada, caracterizando a alta do dia anterior apenas como um movimento de pullback.

Dow Jones

Os dados negativos, com exceção de alguns balanços corporativos, continuam dominando no noticiário macroeconômico. Hoje o Departamento de Comércio informou que as novas encomendas às indústrias nos Estados Unidos caíram 5,7% no mês de março. O resultado decepcionou os analistas, que esperavam uma queda de 2,9%. O número é bem inferior ao registrado em fevereiro, quando os novos pedidos de bens duráveis haviam subido 5,6%.

A virada do índice Bovespa no final da tarde desta quarta-feira marcou uma sinalização de topo na região dos 55.5k (primeira resistência abaixo dos 57k). O movimento de correção jogou o índice para testar a LTA de curtíssimo prazo iniciada na região dos 52.5k. Caso esta linha seja perdida no pregão de amanhã (possibilidade alta), o movimento de baixa ganhará força e poderá jogar o Ibovespa para a região dos 54.1k.
  
Ibov.


No cenário interno o Banco Central informou que o Brasil teve o seu pior déficit em transações correntes para o mês de março em mais de três décadas (6,8 bilhões de dólares). No acumulado do primeiro trimestre deste ano, o déficit na conta corrente bateu em 24,8 bilhões de dólares, praticamente o dobro do saldo negativo registrado no mesmo período do ano passado.

O baixo superávit (quase nulo, na verdade) da balança comercial, o aumento das remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no Brasil e os gastos dos brasileiros no exterior, estão entre os fatores que mais contribuíram para o déficit na conta corrente.

Após o fechamento dos mercados a Vale divulgou o seu balanço do primeiro trimestre de 2013, registrando lucro líquido de 3,1 bilhões de dólares. Apesar de representar uma queda de 7,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado superou as expectativas dos analistas (esperava-se um lucro de 2,7 bilhões de dólares).

terça-feira, 23 de abril de 2013

Queda generalizada da atividade industrial


A soberania do mercado prevaleceu mais uma vez. O movimento de alta dos principais índices mundiais acabou mascarando os dados macroeconômicos preocupantes divulgados nesta terça-feira. Os números revelam que a atividade industrial vem perdendo força na Ásia, Europa e Estados Unidos.

O Índice Gerentes  de Compras  do setor manufatureiro chinês caiu para 50,5 pontos em abril, ante os 51,6 pontos registrados no mês de março, mostrando que o ritmo de expansão da atividade industrial na China está praticamente nulo.

Nos Estados Unidos o Índice Gerentes  de Compras despencou para 52 pontos este mês, bem abaixo dos 54,6 pontos registrados no mês passado. O número ainda mostra expansão da atividade industrial, porém com uma notória e relevante perda da força de expansão nos últimos meses.

Já na Europa a atividade manufatureira segue em ritmo de contração. O índice Gerentes de Compras passou de 46,8 pontos em março para 46,5 pontos em abril, registrando o quarto mês consecutivo de baixa. O maior peso na Europa ficou justamente por conta da queda vertiginosa da atividade manufatureira alemã. A Atividade industrial da Alemanha registrou forte contração em abril ao atingir 47,9 pontos, ante 50,0 pontos registrados no mês anterior.

O noticiário macroeconômico não abateu o ânimo dos operadores nesta terça-feira. As condições técnicas de mercado impulsionaram o movimento de alta em Wall Street. Após dois sinais seguidos de indecisão acima da principal linha de suporte de curto prazo, o índice Dow Jones conseguiu, enfim, voltar a subir retestando uma antiga LTA perdida. A linha central de bollinger foi recuperada, mostrando que o índice poderá retornar aos 14.9k.

Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa também fechou em alta, acompanhando o desempenho dos mercados externos. A linha central de bollinger foi testada e respeitada. Houve inclusive uma tentativa frustrada de rompimento, que pode confirmar o primeiro sinal de topo de curtíssimo prazo após a pernada de alta iniciada a partir do suporte em 52.5k.

ibovespa


O movimento de algumas ações, entre elas a Petrobras, foi beneficiado pelo pacote de medidas do governo anunciado hoje para a indústria do etanol (redução de tributos e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina). Estas medidas podem reduzir a necessidade de importação da gasolina. O governo também anunciou medidas de incentivo ao setor químico, com redução da alíquota de PIS/Cofins incidente sobre as matérias-primas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

BCE sinaliza redução dos juros


A lenta retomada da economia europeia poderá estimular o BCE (Banco Central Europeu) cortar ainda mais a taxa básica de juros. As expectativas de uma redução simbólica nos juros aumentaram após as declarações do vice-presidente do BCE, Vitor Constancio. 
Constancio disse hoje que a inflação está caindo de forma significativa e um corte de juros sempre será uma possibilidade. A inflação desacelerou para 1,7% no mês passado, registrando o menor nível desde agosto de 2010. A queda das pressões inflacionárias é um reflexo da fraqueza econômica do bloco. 
O BCE resolveu manter a taxa básica de juros na mínima histórica nos últimos meses (hoje em 0,75%), após sucessivos cortes durante o período mais agudo da crise financeira na Europa. Mas com o baixo risco de descontrole inflacionário e fraca retomada econômica, a autoridade monetária terá espaço para reduzir novamente os juros. 
Esta provavelmente será uma redução simbólica, de 0,25 pontos percentuais, com efeito prático insignificante. A queda dos juros terá um viés político. O BCE precisa mostrar ao mercado que está empenhado com o processo de reaquecimento da economia na zona do euro, e assim, promover a estabilidade da moeda, bem como do mercado da dívida soberana. 
Nos Estados Unidos os mercados ficaram pressionados com os resultados da maior fabricante de equipamentos de construção e mineração do mundo. O lucro da Caterpillar caiu para 1,31 dólares por ação, contra 2,37 dólares por ação informado um ano antes (queda de 45%). O resultado decepcionou o mercado que aguardava um lucro por ação de 1,40 dólares.
Mas a companhia anunciou um programa de recompra de ações e acabou animando os investidores, juntamente com a expectativa de aumento de produção na China no segundo trimestre deste ano.
O índice Dow Jones fechou o pregão de lado pelo segundo pregão consecutivo, respeitando a principal linha de suporte de curto prazo (14.4k). Ao conseguir se manter acima desta linha, o índice melhora as condições para retomada de uma pernada de alta de curtíssimo prazo. 

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em alta influenciado pela OGX. Uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo informou que a gigante petroleira russa Lokoil pretende comprar 40% da OGX. Além disso, a matéria destaca que Eike estaria firmando parcerias com a Petrobras e negociando a venda de parte do campo de petróleo de Tubarão para a Petronas. 

Todas as informações foram negadas pela OGX. Mesmo assim os papéis não cederam na bolsa, já que o governo federal tem mostrado abertamente sua intenção de ajudar o grupo EBX. 
O índice Bovespa fechou mais um pregão em alta, dando prosseguimento ao movimento de repique iniciado na quinta-feira da semana passada após testar e respeitar a principal linha de suporte de curto e médio prazo (52.5k). O índice tem espaço para testar a linha central de bollinger nos próximos dias, já que não há nenhum sinal de término deste repique de alta.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Fechamento semanal


A análise desta sexta-feira será mais curta. Destaque para os mercados emergentes que ensaiaram uma semana de recuperação. No Brasil, o movimento de repique começou na última quinta-feira, estendendo-se para o pregão desta sexta-feira impulsionado pelas ações da Petrobras (devido ao interesse da petrolífera Shell em comprar ativos da empresa no Golfo do México) e OGX (interesse da Petronas com o campo de Tubarão Martelo, na bacia de Campos).

Apesar do fechamento semanal em baixa, o índice Bovespa mostrou recuperação (evidenciado pelo pavio inferior do candle) após testar a importante região de suporte nos 52.5k. Este movimento de recuperação poderá se estender pela próxima semana, mas não invalida a tendência de baixa de curto e médio prazo.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em forte alta, recuperando a LTA de 2009 e linha de suporte em 18.5k, caracterizando também um bear trap. O índice saiu dos 18.1k e bateu os 19k. Quase 1.000 pontos de alta em uma única semana. Movimento impulsionado pela liquidação das operações vendedoras abertas na última semana.


Na China a bolsa de Xangai também subiu após se aproximar da importante linha de suporte em 2.1k. Com esta alta o índice conseguiu marcar fundo ascendente, melhorando as condições para trabalhar uma nova pernada de alta de curto prazo.


Já nos Estados Unidos a situação é bem diferente. Os principais índices de Wall Street fecharam a semana em forte queda. Dow Jones e S&P500 marcaram topo de curtíssimo prazo. Caso o índice Dow Jones não consiga se manter acima da linha de suporte em 14.4k, poderá buscar os 14.2k nas próximas semanas.


Os principais mercados europeus também despencaram na semana. Em Londres, o índice FTSE perdeu sua principal linha de suporte em 6.4k. Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em forte queda, perdendo a importante região de suporte em 7.6k. Este movimento acelerou a tendência de baixa de curto prazo e poderá jogar o mercado alemão para testar a LTA de 2011 nas próximas semanas.


Bom pessoal, por hoje é só. Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Até segunda!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Retomada do crescimento global preocupa FMI


Christine Lagarde, atual presidente do FMI (Fundo Monetário Internacional), demonstrou, mais uma vez, nesta quinta-feira, sua insatisfação com a retomada de crescimento da economia global. O descontentamento do FMI é um recado aos líderes do G-20 que se reúnem nesta quinta e sexta-feira em Washington nos Estados Unidos.

Lagarde afirma que a recuperação da economia mundial acontece em três velocidades. Os países emergentes puxam a retomada mais à frente, os Estados Unidos aparecem num distante e isolado segundo lugar enquanto o Japão e demais países da zona do euro ocupam a última colocação.

No passado esta recuperação desigual era bem vista pelas autoridades. Em outras palavras, os países emergentes jogaram uma corda para puxar as economias desenvolvidas atoladas na lama. Acontece que, na visão do FMI, este cenário de recuperação não é mais saudável. A economia precisa agora de uma forte retomada para conseguir criar empregos nos países desenvolvidos.

Para isso, os países emergentes precisam agora evitar os excessos financeiros (onde, infelizmente, pouco deste fluxo foi parar no Brasil) e reforçar a regulação. Lagarde disse ainda que os Estados Unidos precisam revisar o ritmo de ajuste fiscal, os países na zona do euro precisam concretizar logo a união bancária, e que o Japão deve reduzir sua dívida o quanto antes.

Ainda no cenário externo, as primeiras críticas direcionadas ao Banco Central do Brasil já começaram a aparecer, em menos de 24 horas após o anúncio da elevação de 0,25 p.p. na taxa Selic. Segundo a conceituada revista “The Economist”, o BC brasileiro “está atrás da curva e agiu tardiamente para trazer os preços de volta ao controle”.

A reportagem ainda cita que a disparada nos preços virou motivo de piada no país (como o que aconteceu com o tomate, por exemplo). Esta piada é a nota de desempenho dos nossos líderes políticos. Este boletim vermelho vai parar na mesa de milhares de empresários e investidores espalhados pelo mundo afora, reforçando a queda livre na confiança e credibilidade do governo.

No mercado de capitais o índice Bovespa conseguiu se descolar de Wall Street e fechou o pregão em leve alta de 0,54%. O movimento foi impulsionado pelas ações da Gerdau e Petrobras, esta última influenciada pela matéria publicada no Valor Econômico. Segundo o jornal, alguns gestores de fundos estão mais animados com as ações da Petrobras. O problema está no conteúdo da matéria. Apenas dois gestores foram entrevistados, sendo que um deles possui um fundo com elevada participação em Petrobras há um bom tempo.

Bovespa


O movimento de alta centralizado em poucos papéis permitiu que o Ibovespa fechasse com um candle de indecisão sobre a importante linha de suporte em 52.5k. As condições para o rompimento da LTB bastante inclinada (formada a partir do topo em 57k) melhoraram e podemos ter uma nova onda de repique de curtíssimo prazo.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,56%. A linha central de bollinger foi perdida juntamente com a LTA mais curta, aumentando a força da correção de curtíssimo prazo.

Wall Street

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Obediente, Copom eleva Selic a 7,50%


O Copom (Comitê de Política Monetária) acabou de anunciar oficialmente uma elevação de 0,25 p.p. na taxa básica de juros. O número não surpreendeu o mercado, já que a decisão parece ter sido tomada antes mesmo do início da “reunião de protocolo” do Banco Central (conforme destacamos na análise de ontem). Após a reunião o Copom emitiu o seguinte comunicado:

“O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.”

Somente agora “o Banco Central” resolveu tomar uma atitude quanto ao elevado nível de inflação, que por sua vez já foi maior nos meses/anos anteriores. O baixo desempenho da economia brasileira está impedindo uma atitude mais rigorosa do governo no combate à inflação, e por este motivo os juros subiram apenas 0,25 p.p.

A taxa Selic sobe para 7,50% representando uma resposta do governo às duras críticas e cobranças do mercado. A decisão de subir os juros em 0,25 p.p. é muito mais política do que prática. O efeito prático desta primeira alta dos juros é insignificante. A inflação permanecerá pressionada até o final deste ano, pelo menos.

Caso o Banco Central demonstre estar ingressando num ciclo de aperto monetário mais consistente, as pressões inflacionárias de 2014 serão reduzidas. O encarecimento do crédito (provocado pela alta dos juros) será um remédio amargo para economia brasileira, pois não aproveitamos este benefício quando as condições eram favoráveis (queda dos juros em 2011 e 2012, períodos marcados pelo baixo crescimento e inflação elevada).

As vendas voltaram aparecer no mercado de capitais. Os principais índices mundiais fecharam em baixa nesta quarta-feira refletindo o alerta do FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto aos efeitos colaterais negativos provocados pelo juro baixo nos Estados Unidos.

Segundo o FMI, o afrouxamento monetário agressivo dos Estados Unidos permitiu aumento considerável das dívidas empresariais e provocou uma corrida dos fundos de pensão para os ativos de risco (em busca de um maior rendimento). O relatório informou ainda que governos precisam continuar com as reformas estruturais e bancárias a fim de se evitar o risco de cair numa crise financeira crônica.

Os balanços corporativos do dia também aumentaram o clima de pessimismo do mercado. O Bank of America registrou lucro líquido de 2,6 bilhões de dólares (0,20 dólares por ação) no primeiro trimestre desde ano, contra 653 milhões (0,03 dólares por ação) registrado no mesmo período do ano passado. O resultado não foi considerado bom, já que o desempenho veio abaixo da expectativa do mercado (esperava-se um lucro de 0,22 dólares por ação).

As ações da Apple também foram penalizadas com a queda nas vendas do iPhone nos últimos meses. Com isso o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa, devolvendo todo o repique de ontem, colado novamente na linha central de bollinger e LTA de curto prazo. A perda deste importante patamar de sustentação poderá jogar o índice para os 14.4k.

Dji

No Brasil o índice Bovespa fechou mais um dia em forte queda, devolvendo todo o repique de ontem. A LTB de curto prazo (formada a partir do topo em 57k) foi testada e respeitada. O movimento de queda acionou pivot de baixa nos gráficos intradays, jogando o índice para testar a importante região de suporte em 52.5k.

Esta é a principal zona de suporte do Ibovespa, pois a perda desta região indicará que deveremos visitar novamente os 48k, mantendo a tendência de queda de curto/médio prazo.
  
Ibov


O vencimento de contratos futuros provou um giro de 22,9 bilhões (o maior desde junho de 2012). À primeira vista os estrangeiros, que atingiram nível recorde de contratos vendidos no índice futuro, rolaram suas posições para o próximo vencimento.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Copom vai apenas cumprir o protocolo


A definição da taxa básica de juros será divulgada oficialmente pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta próxima quarta-feira, após o encerramento da reunião de dois dias entre os diretores do Comitê. No passado recente, estes dois dias de reuniões do Copom representavam pouco tempo para uma decisão de tamanha importância econômica. Hoje, estes dois dias são mais do que suficientes.

Parece que os diretores do Banco Central só terão o trabalho de preencher o seu voto num pedaço de papel. Aparentemente a decisão sobre a possível elevação (ou não) da taxa básica de juros foi tomada antes mesmo de se iniciar a reunião do Copom.

A presidente Dilma Rousseff disse hoje, em Belo Horizonte, que “nós (o governo) não negociaremos com a inflação, nós não teremos o menor problema em atacá-la sistematicamente. Queremos que esse país se mantenha estável”. Este discurso da presidente é completamente diferente daquele realizado no final do mês passado, disponível neste link.

“Nós jamais voltaremos a ter aqueles juros que em qualquer necessidade de mexida, elevava o juros para 15% porque estava em 12% a taxa de juros real. Hoje nós temos uma taxa de juros real bem baixa. Qualquer necessidade para combater a inflação, será possível fazer num patamar bem menor”. Completou a presidente.

Ao dizer que o governo não terá problema em atacar a inflação sistematicamente, a presidente Dilma simplesmente antecipou ao mercado que a taxa Selic vai subir amanhã. Mas como a presidente da república sabe que os juros irão subir, sendo que a decisão é, teoricamente, tomada pelos diretores do Copom?

O que está acontecendo na prática é bem diferente do que manda a teoria. A Dilma sabe que os juros irão subir, pois, ao que parece ser, ela é quem decide e não o Copom. Isso não causa espanto já que a administração de Alexandre Tombini no Banco Central está sendo marcada pela evidente perda de autonomia da autoridade monetária.

Supostamente a presidente também decide qual será o percentual de ajuste na taxa básica de juros. Para sabermos qual será o percentual de ajuste, basta analisarmos este trecho de seu discurso: “qualquer necessidade para combater a inflação, será possível fazer num patamar bem menor”. Portanto, ao que tudo indica, a taxa Selic subirá 0,25 p.p. amanhã.

O mais importante é que o governo está mostrando ao mercado quem é que “manda na economia”, caso contrário a presidente Dilma teria se calado hoje e o ministro Mantega não teria antecipado o que o presidente do Banco Central iria dizer na última sexta-feira. Isso causa certo espanto, pois o governo não está preocupado em esconder sua forte política intervencionista, o que em outras palavras representa o bull market político.

Portanto, amanhã será apenas um dia para cumprir o protocolo. Os diretores do BC, já treinados para fazerem uma expressão de exaustão após o encerramento da reunião, fingem que tomaram a decisão sobre os juros e nós fingimos que acreditamos.

No mercado de capitais, o dia foi marcado pela recuperação dos índices, impulsionados pelos bons resultados corporativos (principalmente da Coca-Cola e pela Johnson & Johnson) divulgados hoje.

O lucro líquido da Coca-Cola caiu para 1,75 bilhão de dólares no primeiro trimestre de 2013, contra 2,05 bilhões de dólares registrados no primeiro trimestre do ano passado. A Johnson & Johnson reportou lucro de 3,5 bilhões de dólares, também inferior aos 3,91 bilhões registrado no mesmo período em 2012.

Mas então porque as bolsas subiram, já que houve queda no lucro de dois grandes players corporativos mundiais? O inverso do que aconteceu ontem. Os números surpreenderam positivamente os analistas. Esperava-se uma queda maior.

A superação das expectativas foi o principal driver para provocar uma alta em Wall Street, que se espalhou para as demais praças. Com isso o índice Dow Jones conseguiu fechar o pregão desta terça-feira em alta de 1,08%. Apesar da recuperação, o movimento não foi suficiente para invalidar o topo de curtíssimo prazo formado ontem.



No Brasil o índice Bovespa também subiu, seguindo o movimento nos mercados externos. Foi confirmado fundo temporário na região dos 52.9k. Caso a LTB curta, formada a partir do topo descendente em 57k, seja rompida amanhã, o movimento de repique ganhará força. Apesar do repique de curtíssimo prazo, a tendência de baixa segue válida sem sinal de reversão.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Crash nas commodities metálicas


A pancadaria no mercado de commodities marcou o início de uma semana que promete ser bastante turbulenta no mercado de capitais. Aproveitando as condições técnicas (gráficos em tendência de queda) e psicológicas (decepção/aumento do medo impulsionado pelos dados macroeconômicos abaixo do esperado) extremamente favoráveis, os operadores do mercado de commodities aproveitaram a oportunidade e desceram o porrete sem dó.

O movimento começou no ouro, se espalhou para a prata e demais commodities e em poucos minutos já havia contaminado todo o mercado, devido à pressão vendedora avassaladora no segmento das commodities metálicas.

O ouro desabou 9,3% somente nesta segunda-feira, marcando a pior queda desde 1980. Este é um tipo de movimento que alguns operadores no mercado financeiro costumam chamar de capitulação (basicamente um perigoso pânico de baixa que proporciona grandes prejuízos aos investidores que estavam posicionados naquele determinado ativo).

Muitos investidores (grande maioria inexperientes ou marinheiros de primeira viajem no ouro) haviam se posicionado na commoditie metálica entre 2010 e 2011, justamente no momento mais alto de euforia generalizada dos preços. Notícias infundadas, análises furadas, e até mesmo programas de televisão mostrando corretores imobiliários (quebrados pelo subprime) garimpando ouro, na tentativa de ficarem milionários, tomaram conta da mídia nos últimos anos.

Hoje o cenário é completamente diferente. O mercado está corrigindo aqueles que batizaram o ouro como um “investimento”, e pior ainda, “investimento que traz segurança, pois o ouro sempre vai ter valor”. Ouro é um ativo de risco, tal como qualquer outro no mercado financeiro e, portanto, seu preço será sofrerá com os movimentos de massa.

Sua função está longe de ser um produto de investimento. Ouro não gera lucro, não paga dividendos. O ouro é utilizado pelo mercado como recurso de proteção contra perda do poder de compra (cenário de inflação benigna) e opção de fuga (quando os ativos estão em queda acentuada na bolsa). Por este motivo o preço de sua cotação costuma subir de forma sustentada nestes momentos específicos.

Uma alta forte e generalizada, sem uma justificativa fundamentalista, é um sinal forte de que o mercado está trabalhando uma distorção grave nos preços a ser corrigida mais à frente. Foi o que aconteceu. A euforia do passado deu lugar ao desespero presente. Apesar da aceleração na queda, podemos observar no gráfico abaixo que o ouro está caindo desde 2011, após registrar sua máxima histórica.

Preço do ouro em dólar

A queda de hoje assustou o mercado, mas não surpreende nem um pouco. O que se pode esperar de qualquer ativo em tendência de queda? Que os preços continuem caindo, oras. O que se pode esperar de qualquer ativo em tendência de queda, após uma valorização excessiva e irracional no passado recente? Que os preços sejam corrigidos de forma rápida e agressiva.

Um movimento semelhante também aconteceu na prata. A commoditie metálica subiu absurdamente nos últimos anos e agora trabalha um ciclo de correção forte e agressivo. Este ciclo também começou em 2011, conforme podemos observar no gráfico abaixo.

Prata

A prata também despencou nesta segunda-feira. Os operadores aproveitaram os dados da economia chinesa, que vieram abaixo do esperado, para aumentar a pressão vendedora no mercado.

Curiosamente os dados da China não estão ruins. O crescimento de 7,7% no primeiro trimestre de 2013 está em linha com a meta do governo chinês (amplamente conhecida pelo mercado) para crescer 7,5% em 2013. O importante (para os operadores) é que o dado veio abaixo do esperado. As projeções apontavam para um crescimento de 8,00% no primeiro trimestre deste ano.

Números abaixo do esperado provocam decepção dos investidores no momento em que a notícia é disponibilizada no mercado, favorecendo, portanto, as condições (psicológicas, aumento do medo) para as operações vendedoras.

O crash nas commodities metálicas se espalhou rapidamente pelo mercado atingindo também o preço do barril de petróleo.

Gráfico do petróleo

O gráfico acima mostra a oscilação no preço do barril de petróleo tipo light, negociado nos Estados Unidos. Em tendência de queda no curto prazo, a commoditie perdeu a linha de suporte em 89,33 com um candle de força relevante. O preço do barril de petróleo poderá atingir os 84,00 dólares nos próximos dias.

Analisando o índice que reflete o desempenho, no geral, das commodities no mercado, podemos observar também que ocorreu uma queda brusca nesta segunda-feira.
   
Gráfico das commodities
  

A queda também não surpreende. Basta ampliarmos o gráfico das commodities para enxergarmos o fim do super ciclo de alta iniciado no início da década passada. Os preços das commodities atingiram a máxima histórica em fevereiro de 2011, e desde então estão trabalhando uma correção.

Gráfico de longo prazo das commodities

Refletindo o pânico no mercado de commodities, o índice Bovespa também fechou o pregão desta segunda-feira em forte queda. Novamente o movimento não surpreende, por mais forte que seja, pois estamos em...? Tendência de queda.

A perda da linha fraca de suporte em 53.8k permitiu o acionamento de um novo pivot de baixa dentro da tendência. A próxima linha de suporte está localizada na importante região dos 52.5k (forte). Apesar da importância desta linha, o índice poderá encontrar dificuldades para manter-se acima deste patamar, já que a tensão no mercado está aumentando.

Queda da bolsa

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em queda de 1,79%. O índice também foi afetado pela pancadaria no mercado de commodities. O clima de tensão aumentou na parte da tarde com a explosão de duas bombas na Maratona de Boston (a maior do mundo). Uma terceira explosão atingiu a Biblioteca Presidencial John F. Kennedy.


Gráfico da queda da bolsa

Com a queda de hoje o índice marcou topo na região dos 14.9k, ameaçando perder a linha central de bollinger no pregão de amanhã.
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