sexta-feira, 31 de maio de 2013

À beira do pânico


A decisão do Banco Central em subir a taxa Selic para 8,00% ao ano bateu em cheio no mercado financeiro brasileiro. O aumento das preocupações da autoridade monetária reflete a crescente deterioração do cenário econômico brasileiro, conforme demonstramos na análise da última quarta-feira (“Escorregamos na manteiga e caímos na estagflação”).

A atuação mais firme da autoridade monetária visando reduzir, dentro de suas limitações, a pressão inflacionária, serviu de alerta àqueles investidores ainda esperançosos com o desempenho do mercado brasileiro. A nova postura do Banco Central, diferente de outrora quando a inflação acumulada dos últimos 12 meses se aproximava (e até superava) os 6,5% sem nenhuma atitude/resposta do Copom, tem um motivo óbvio: tirar a economia de um perigoso cenário de estagflação.

Os números do primeiro trimestre são preocupantes. A inflação acumulada é de 1,93%. O crescimento acumulado neste mesmo período é de 0,6%. Ou seja, para o país crescer 0,1% (fortemente impulsionado pelo setor agropecuário), a economia inflacionou em 0,3%. Os preços crescem três vezes mais rápido do que o país gera de riqueza, mostrando total incapacidade estrutural de crescimento. No geral, para produzir com lucro nesse cenário, é necessário fazer mágica.

No primeiro momento, para sair de um cenário de estagflação, é preciso frear a pressão dos preços. No segundo momento, a política econômica e política monetária precisam fornecer as condições de retomada do investimento privado, visando o reaquecimento da economia. A condição básica para um governo atrair os investimentos está na confiança e credibilidade de seu sistema. Por este motivo, o aumento da taxa básica de juros visa, também, colaborar para retomada da confiança. Apesar de ser um processo lento, o Banco Central já trabalha nesta direção.

O mercado, já apreensivo com o nosso histórico nada favorável, se assustou ao entender os motivos que estão por trás da preocupação explícita do Banco Central. O câmbio disparou mesmo quando esperava-se o movimento contrário (entrada de capital, forçando o dólar para baixo, visando aproveitar as novas oportunidades da renda fixa brasileira devido ao aumento da taxa básica de juros).

câmbio

O dólar fechou cotado aos R$ 2,14 para venda, a maior cotação dos últimos quatro anos. A formação da Ptax de maio contribuiu para impulsionar o movimento de alta no câmbio, além da movimentação do dólar no mercado externo. Mas estes não são os únicos fatores que estão por trás da disparada do dólar. Há um movimento recente de fuga de capitais do Brasil (embora ainda inexpressivo), que está refletindo na disparada do câmbio. O Banco Central atuou hoje pela primeira vez desde o final de março para frear o avanço do câmbio, mas não conseguiu reverter o movimento.

As taxas (curtas e longas) dispararam também no mercado de juros futuros, refletindo a maior apreensão do mercado. A taxa da LTN 010116 (que juntamente com a LFT 070317 representam as únicas oportunidades de negócio no tesouro direto) disparou para 9,57% ao ano nesta sexta-feira. A disparada dos títulos pré-fixados mostram que o mercado está sensível ao risco. O clima de pessimismo aumentou consideravelmente. Muito provavelmente, em breve, será possível fazer negócio com os juros na casa de dois dígitos.

Acompanhando o clima de aversão ao risco no mercado, a bolsa brasileira despencou 2,07% nesta sexta-feira, apresentando um volume superior aos 12 bilhões de reais (quase o dobro da média diária). Chama atenção a voracidade simultânea e homogênea do movimento na bolsa, no mercado de juros e no câmbio. Esta é uma sinalização de que o mercado está à beira do pânico.

A passagem da zona de risco elevada para zona de pânico pode ser justamente a importante, e agora fragilizada, linha de suporte dos 52.5k. A relevância do candle de baixa no gráfico semanal do Ibovespa sugere que o índice não conseguirá segurar a pressão vendedora, podendo regressar rapidamente, com aumento da volatilidade, para a região dos 48k.


As linhas de suporte abaixo dos 52.5k são fracas. Existe o patamar psicológico dos 50k (de pouca expressividade pelo baixo número de negócios nesta região) e o suporte dos 48k (que também encontra-se na mesma situação de força da linha anteriormente citada). Portanto, a perda dos 52.5k deixará o mercado praticamente sem chão.

Apesar da deterioração do cenário, as oportunidades para fazer negócio no mercado financeiro estão ficando atrativas e podem melhorar ainda mais, tanto na renda fixa, quanto na renda variável.

No cenário externo, os principais índices mundiais fecharam a semana mostrando sinais divergentes. A correção de Wall Street afetou com menos força a Alemanha, seguida pelos mercados emergentes.

O índice Dow Jones fechou em queda pela segunda semana consecutiva. Esta é a primeira vez que este movimento ocorre em 2013. O mesmo aconteceu com o índice S&P500. O índice fechou colado na mínima da semana, sugerindo que o movimento de correção poderá se prolongar para os próximos pregões.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em alta, conseguindo permanecer acima do antigo patamar de topo histórico, mostrando uma surpreendente recuperação após a queda da semana passada.

Alemanha

A bolsa de Londres não seguiu o movimento do mercado alemão e fechou a semana em queda, após tentar realizar uma nova tentativa (frustrada) de rompimento do topo histórico.

Bolsa de Londres

A bolsa de Paris abriu os negócios na segunda-feira em forte alta, mas acabou devolvendo todos os ganhos conquistados na semana, fechando próximo da mínima. Segundo candle consecutivo de baixa mostrando força do patamar psicológico dos 4k. Poderá acelerar movimento de correção nas próximas semanas.
   
Bolsa de Paris
   
Na Índia, a bolsa de Bombay fechou a semana em alta, mostrando uma boa recuperação após o tombo da semana passada. Poderá realizar nova tentativa de rompimento dos 20.2k, mas o mercado permanece travado nesta região, mostrando disputa intensa.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em leve alta. Houve nova tentativa de retomada da linha central de bollinger, rechaçada pela força vendedora. Um novo candle de indecisão (e possível reversão) foi marcado no gráfico, indicando possibilidade de inversão da tendência nas próximas semanas.


A bolsa do México também fechou a semana em leve alta, mostrando um candle de indecisão após a perda de uma importante LTA. Ainda permanece dentro da tendência de baixa de curto prazo, sem sinal de reversão. No médio e longo prazo a tendência de alta está intacta.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Escorregamos na manteiga e caímos na estagflação


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deu um banho de água fria no mercado hoje cedo ao divulgar mais um resultado decepcionante da economia brasileira. O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano. O resultado veio abaixo do esperado e surpreendeu até os mais pessimistas.

A situação é grave. A economia não mostrou sinal de reação mesmo com todos os “programas de incentivo” ao crescimento implementados pelo governo desde o fim de 2011. O excesso de intervenções e as inúmeras medidas de baixa eficácia do ministro Mantega estão agora contribuindo para a própria deterioração da economia.

O governo demorou para perceber os sinais de esgotamento na sua política econômica ultrapassada (crescimento puxado pelo consumo das famílias). A leniência com a inflação, num cenário de demanda altamente pressionada, trilhou o nosso caminho rumo ao perigoso cenário de estagflação.

Hoje a inflação está tão alta que o país não consegue mais crescer. A falta de crescimento inibe os investimentos, barrando, desta forma, a expansão da oferta. Esta última, por sua vez, não consegue atender o excesso de demanda, gerando desequilíbrio de preços. Resultado: o país caiu, com o aval do Ministério da Fazenda, numa perigosa espiral de inflação elevada e baixo crescimento.

Ao analisarmos os números do PIB deste primeiro trimestre de 2013 observamos um agravante ainda maior. O consumo das famílias, que até então estava sustentando a expansão medíocre da economia brasileira, parou de crescer, evidenciando os sinais de esgotamento no modelo de crescimento adotado pelo governo. O setor de serviços também está perdendo força e cresceu apenas 0,5%. A indústria, tão castigada no passado, retraiu 0,3% e as exportações caíram mais de 6%.

O que salvou a economia de uma retração humilhante neste primeiro trimestre foi o crescimento recorde da safra brasileira (que não deverá se repetir nos próximos trimestres), impulsionando o agronegócio. O PIB da agropecuária registrou expansão de 9,7%.

A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos), considerada pela mídia o lado bom do PIB brasileiro, cresceu 4,6% neste primeiro trimestre. Mas este número não mostra, necessariamente, aumento dos investimentos na economia. Mesmo porque os setores mais sensíveis ao crescimento não demonstraram reação.

O aumento do FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) está vinculado ao forte crescimento da produção de caminhões. Segundo a equipe econômica do Bradesco, gastou-se mais em caminhões em um ano, por exemplo, do que o governo planeja investir em uma década em novas ferrovias. O aumento da produção de caminhões reflete as péssimas condições da infraestrutura brasileira (faltam opções para escoamento) e não uma retomada fumegante dos investimentos na economia.

O Brasil investe cerca de 18% do PIB na economia, uma das piores taxas do mundo. Os erros da política econômica são também os grandes responsáveis pelo baixo investimento na economia. O incentivo desenfreado ao consumo das famílias provocou queda na taxa de poupança interna para 14,8%. Ou seja, as pessoas gastam mais e economizam menos, no mesmo ritmo do governo.

Neste cenário torna-se praticamente impossível observarmos aumento substancial da taxa de investimento na economia se a taxa de poupança interna permanecer baixa.

O problema é que agora o país depende, mais do que nunca, do aumento na FBCF (investimentos). Este é o caminho mais curto e sustentado para sairmos do perigoso cenário de estagflação. Mas para destravar os investimentos, pelo menos do setor privado, o governo precisa fazer o que não fez nos últimos anos/décadas: as reformas estruturais.

O ambiente de negócio no Brasil é tão desfavorável que a indústria não consegue competir no mercado com o câmbio a 2,00 reais. Permitir a desvalorização do real (hoje o dólar bateu R$ 2,11) não vai resolver o problema da indústria, apenas reduzirá a velocidade do processo de desindustrialização do país.

Tal como a economia, o Banco Central também está numa situação extremamente delicada, se segurando como pode para não escorregar na manteiga. O real desvalorizado pressiona a inflação, mas se o câmbio ficar abaixo de R$ 2,00 as fábricas (ou o que restou delas) fecham as portas.

Os juros baixos mantêm o mercado de trabalho aquecido, mas também alimentam as pressões inflacionárias. Porém, se os juros subirem demais, a taxa de desemprego poderá aumentar acima do limite de capacidade de sustentação do sistema financeiro, já que este aumento provocará uma disparada da inadimplência no pior momento (endividamento elevado das famílias provocado justamente pela política de incentivo ao consumo do governo). Este cenário forçará os bancos a se protegerem reduzindo as operações de crédito (tirando o dinheiro de circulação da economia) e consequentemente prejudicando o crescimento econômico.

Por um lado o Banco Central não pode deixar de subir os juros, pois a inflação elevada é o principal entrave ao crescimento da economia e causa uma deterioração ainda maior do cenário interno, inibindo os investimentos. Por outro lado o Banco Central não pode combater a inflação com a dose necessária, pois a política econômica não consegue fazer o país crescer.

Seguindo esta premissa, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou por subir a taxa básica de juros em 0,50 p.p., fazendo o possível, dentro de sua margem de limitação, para impedir o agravamento do cenário inflacionário brasileiro.

Poderíamos continuar destrinchando os demais fatores que trilharam o nosso caminho rumo a estagflação, mas este texto ficaria longo demais. Apesar dos inúmeros motivos, o elemento causador é um só: a política econômica do governo brasileiro.

Após um longo período acumulando uma bagagem sem precedentes de erros estratégicos, teorias equivocadas, intervenções atrapalhadas e previsões lunáticas, o ministro Mantega antecipou hoje aos repórteres uma frase a ser utilizada em sua futura carta de demissão (partindo do pressuposto do desfruto de seu bom senso) endereçada à presidente Dilma: “o consumo não deve ser o carro-chefe do crescimento da economia. Queremos que seja o investimento”.

A decepção com o desempenho da economia brasileira apenas reforçou a sinalização de venda emitida pelo mercado na tarde de ontem. O índice Bovespa despencou 2,5%, perdendo a LTA da tendência de alta de curto prazo com um candle de força relevante (marubozu de baixa).

Ibov

A força observada neste movimento de queda indica que a região de suporte em 54.4k não conseguirá segurar a onda vendedora. Ao perder esta região de sustentação, o índice confirmará o fim da tendência de alta de curto prazo, podendo retornar ao patamar de 52.5k.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em queda de 0,69%, confirmando a sinalização de topo duplo. Caso a linha de suporte (fraca) em 15.2k seja perdida nos próximos pregões (levando junto a linha central de bollinger), a tendência de queda de curtíssimo prazo ganhará força.

Wall Street

terça-feira, 28 de maio de 2013

A muralha dos 57k


A importante linha de resistência nos 57k tem se mostrado como uma verdadeira muralha a ser superada pelo índice Bovespa. A linha se fortificou naturalmente por ser um divisor de águas para definição da tendência de médio prazo na bolsa brasileira.

O seu rompimento confirmaria o fim da tendência de baixa de médio prazo, prolongando a tendência de alta, já existente no curto prazo, para os próximos meses. Por outro lado, o fato do mercado não conseguir superar os 57k é um sinal de que a força vendedora ainda é superior, principalmente em pontos estratégicos e decisivos.

A manutenção do domínio da força vendedora nos próximos dias poderá provocar a saída de investidores posicionados na ponta compradora. A decepção com o desempenho do índice (para os comprados) impulsionaria a liquidação de posições compradas recentemente, aumentando a força do lado contrário, podendo provocar, inclusive, o retorno do índice para a mínima do ano.

Este é o motivo pelo qual o mercado está encontrando dificuldades para superar o patamar dos 57k. A sobrevivência das operações vendedoras depende da manutenção desta linha de resistência. O desenho gráfico mostra nitidamente o posicionamento dos ursos no mercado.

Gráfico de ações

O candle de hoje é o segundo, dos últimos cinco pregões, que mostra pavio superior relevante na referida linha de resistência. A formação sugere retorno à linha central de bollinger e muito possivelmente reteste sobre a LTA dos 52.5k. A tendência de alta de curto prazo será invalidada somente com a perda dos 54.1k. Porém, sem o patamar de sustentação da LTA, a linha de suporte citada acima ficará fragilizada e perderá força de sustentação.

Apesar do descolamento com os mercados externos, a configuração técnica de curtíssimo prazo do Ibovespa é semelhante aos principais índices mundiais. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,69%.

ADRs

Apesar do movimento de alta, o principal índice da bolsa de Nova York também mostrou pavio superior relevante abaixo de sua principal linha de resistência. Esta também é a segunda sinalização semelhante (candles) dos últimos quatro pregões. O desenho gráfico confirma posicionamento da força vendedora na região dos 15.5k, configurando uma região de topo duplo.

O mercado abriu eufórico na parte da manhã devido aos excelentes indicadores da economia norte-americana. No mês de março, os preços dos imóveis avançaram 10,3% em 10 cidades e 10,9% em 20 cidades. Este é o melhor desempenho no acumulado dos últimos doze meses desde abril de 2006.

O indicador confirma o sucesso do QE3 (quantitative easing 3), que consiste basicamente na compra de 40 bilhões de dólares por mês em dívida hipotecária. A estratégia do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) funcionou muito bem nesta terceira tentativa (QE3) e o mercado imobiliário conseguiu se reerguer do choque sofrido em 2008, confirmando as nossas expectativas expressadas na análise do dia 17/10/2012 ("Na terceira tentativa pode funcionar").

A confiança do consumidor norte-americano disparou para 76,2 pontos, superando os 69 pontos registrados em abril. Este é o nível mais elevado desde fevereiro de 2008. O consumo interno, juntamente com o setor de construção civil, são as principais vigas de sustentação do crescimento econômico do país.

A sequencia de indicadores positivos pode provocar a queda na taxa de desemprego e assim, permitir que o FED tire o pé do acelerador, reduzindo o seu programa de estímulos monetários no segundo semestre deste ano. Neste caso, o mercado de ações seria inevitavelmente afetado no curto prazo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Bovespa tem dia de pregão irrelevante, mas amanhã é pra valer


A coincidência de feriados nas duas maiores praças financeiras mundiais praticamente paralisaram o mercado de capitais nesta segunda-feira. O feriado do “Memorial Day”, nos Estados Unidos, deixou Wall Street fechada, enquanto o feriado bancário no Reino Unido fechou o centro financeiro de Londres (um dos mais importantes do mundo).

Por conta destes feriados, o movimento das praças financeiras que funcionaram hoje se tornou irrelevante. O índice Bovespa fechou o pregão com um volume financeiro de pouco mais de 2 bilhões de reais. Para efeito comparativo, somente as duas principais ações do índice Bovespa (Vale e Petro), costumam apresentar, juntas, giro na casa de 2 bilhões por dia em pregões de mercado em pleno funcionamento.

O candle do Ibovespa (pequeno spinning top) também mostra o sinal de irrelevância, marcando um dia de indecisão provocado pela espera de importantes indicadores a serem divulgados nesta semana, bem como reabertura das praças financeiras em Londres e Nova York.


Nesta quarta-feira teremos a divulgação do indicador oficial do PIB brasileiro e decisão do Banco Central com relação à taxa básica de juros, onde se espera um novo aumento de 0,50 p.p., em linha com as últimas declarações dos principais diretores do Banco Central.

Com agenda vazia as atenções recaíram sobre o boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central. A maioria dos economistas consultados pela pesquisa espera uma elevação de 0,25 p.p. na taxa Selic este semana, diferente, portanto, da minha opinião.

A média das projeções para a taxa Selic em 2013 foi mantida em 8,25% ao ano. Vale ressaltar que estas projeções serão atualizadas (aumentarão) caso o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) opte por elevar 0,50 p.p. na taxa básica de juros esta semana. A média das projeções para a taxa Selic em 2014 subiu de 8,25% para 8,50% ao ano.

A projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2013 foi reduzida de 2,98% para 2,93%. A projeção para o PIB de 2014 foi mantida em 3,5%. A perspectiva de inflação para este ano foi levemente elevada de 5,80% para 5,81%. Para 2014, a projeção de inflação foi mantida em 5,80%.

Por fim, as projeções para o déficit em conta corrente do país aumentaram para 72 bilhões de dólares neste ano, ante 70,90 bilhões da pesquisa anterior. Este é mais um (novo) indicador preocupante, negligenciado pelo governo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Fechamento das bolsas


Os principais índices mundiais oscilaram pouco nesta sexta-feira, encerrando o dia próximo à estabilidade, mostrando perda de volume nas negociações já que Wall Street não abrirá na próxima segunda-feira devido ao feriado nos Estados Unidos.

Por este motivo a análise de hoje será mais curta, focada apenas no fechamento dos gráficos semanais das principais praças financeiras mundiais.

Começando pela matriz em Wall Street, o índice Dow Jones mostrou fechamento semanal em leve baixa. O candle é uma estrela de pavio superior relevante. Apesar de não ser uma estrela cadente, de maior expressividade, o sinal de topo e possível reversão permanece o mesmo. Deve-se considerar que a formação do candle foi influenciada pelo aumento da volatilidade na parte da tarde do pregão de quarta-feira, quando a ata da última reunião do FED foi divulgada pela mídia, apresentando matérias de teor desnecessariamente sensacionalista.

Dji

A queda iniciada na quarta-feira não se confirmou nos dois dias seguintes de negócios, penalizando, desta forma, a relevância do candle semanal. Um movimento semelhante ocorreu no índice S&P500.

Na Alemanha, o principal índice da bolsa de Frankfurt fechou a semana colado na região dos 8.3k, muito próximo do antigo patamar de topo histórico. O movimento de correção tende a continuar na próxima semana, retestando os 8.150 pontos (justamente a antiga região de topo histórico, que agora atuará como suporte).

DAX

Em Londres, na Inglaterra, o índice FTSE fechou a semana em queda, mostrando um forte sinal de topo. O candle de fechamento é uma estrela cadente, indicando falso rompimento (bull trap) do topo histórico. Poderá retornar para a linha de suporte mais abaixo em 6.4k.

FTSE

O índice CAC, em Paris (França), também fechou a semana em queda, semelhante ao movimento ocorrido na Alemanha. O índice não conseguiu superar a forte resistência na linha dos 4k e poderá acelerar o movimento de correção nas próximas semanas devido à ausência de suportes relevantes próximo ao patamar atual de pontuação.
  
CAC

Na Índia, a bolsa de Bombay despencou na semana. O índice foi barrado novamente pela região de resistência nos 20.2k, confirmando topo duplo. A linha central de bollinger poderá ser testada na próxima semana, com boas possibilidades de rompimento rumo a LTA de 2009.

Sensex

O movimento de queda expressiva pode ser observado também no mercado mexicano, que fechou mais uma semana no vermelho, ocasionando perda de uma importante LTA intermediária (iniciada no final de 2011). Mercado extremamente vendido no curto prazo, corrigindo parte da forte valorização dos ativos ocorrida em 2012.

México
   
A bolsa de Xangai (na China) fechou a semana de lado, mostrando um doji de indecisão bem abaixo da linha central de bollinger. Esta sinalização coloca em risco a manutenção da retomada da tendência de alta de curto prazo observada nas últimas semanas.

Xangai

Curiosamente, o índice Bovespa, mais conhecido como patinho feio das principais praças financeiras mundiais (devido ao seu desempenho ruim em 2013 - entre os piores do mundo), conseguiu fechar a semana com uma boa alta. Justamente no momento onde o mercado financeiro global opera shorteado.

Ibovespa

Este é o segundo movimento mais importante do ano para o mercado brasileiro. O primeiro foi, evidentemente, o fundo confirmado na importante região de suporte dos 52.5k. A análise desta semana mostra um indício de realocação de posições no mercado global. Alguns investidores estariam reduzindo exposição em mercados mais caros, que tiveram um bom desempenho no passado, para realocar os recursos em mercados mais descontados, como o nosso, por exemplo.

Embora tenhamos motivos de sobra para justificar este desconto, alguns setores, como o elétrico, petróleo e gás, infraestrutura e financeiro tem atraído investidores para remontagem de posições.

Com este fechamento o índice Bovespa mostra início de rompimento da LTB intermediária (formada a partir do topo em 63.4k). A superação dos 57k (formando uma resistência dupla juntamente com a linha central de bollinger) indicará o fim da tendência de baixa de médio prazo.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Susto na Ásia não chegou em Wall Street


Os mercados amanheceram extremamente voláteis nesta quinta-feira por conta do estrago ocorrido na Ásia. Os principais índices acionários despencaram nas praças asiáticas refletindo a contração da atividade industrial chinesa.

O banco HSBC, em parceria com o Instituto Markit, divulgou a prévia dos índices gerentes de compras de importantes economias globais. Na China, o indicador do setor manufatureiro caiu para 49,6 pontos em maio, mostrando que a desaceleração da atividade industrial atingiu o nível preocupante de contração (abaixo de 50 pontos). Em abril este mesmo indicador havia registrado 50,4 pontos, mantendo-se na zona de expansão, embora os sinais de desaceleração já pudessem ser observados.

A bolsa de Tóquio foi a mais afetada pelo clima de aversão ao risco na Ásia. O Nikkei despencou 7,32%. Além dos indicadores ruins da China, a bolsa de Tóquio foi afetada também pela disparada nos yields dos títulos públicos japoneses (atingiram a máxima em 10 anos), obrigando o BoJ (Banco Central do Japão) entrar no mercado com 2 bilhões de ienes.

Outro fator que contribuiu para a queda relevante na bolsa de Tóquio é o próprio desempenho do índice Nikkei, conforme podemos observar logo abaixo:

Crash Nikkei

Os índice quase dobrou a sua pontuação (100% de alta) nos últimos seis meses, estimulado justamente pelo programa de afrouxamento monetário extremamente agressivo do BoJ, que conta, inclusive, com um programa de compra de ações na bolsa de Tóquio, a fim de estimular a economia e tirar o país da deflação.

O gráfico do Nikkei é um exemplo de uma pernada de alta insustentável. O índice subiu forte sem realizar lucro por um bom tempo. Todo e qualquer movimento de alta nos preços dentro destas características estará sujeito a uma forte correção, como aconteceu hoje, justamente pela ausência de correções saudáveis no passado recente.

Os investidores/operadores se deixam levar pelos bons sentimentos de um movimento de alta forte nos preços. Ficam mal acostumados com a facilidade de ganhar dinheiro no mercado, basta comprar ações em qualquer ponto/momento e esperar alguns dias para ver os lucros aumentarem. Mas quando aparece uma correção, esta realidade, ainda desconhecida/esquecida, vem à tona provocando desespero e consequentemente os preços caem rapidamente pela falta de compradores.

O susto no Japão afetou os mercados europeus, mas não foi capaz de superar a “muralha bull” de Wall Street. O índice Dow Jones fechou perto da estabilidade, marcando um candle de indecisão no gráfico. O topo na região dos 15.5k ainda não está descartado, porém o mercado norte-americano nos mostrou mais um sinal de força mesmo num dia de indicadores macroeconômicos ruins.
  
Dji

Eu errei na análise de ontem, pois a minha expectativa era de manutenção na tendência de queda de curtíssimo prazo, o que não ocorreu. O mercado abriu caindo, mas houve rápida reação da força compradora levemente acima da linha central de bollinger, onde esperava-se um teste.

Um movimento semelhante ocorreu no Brasil. O topo na região dos 57k não está descartado, mas o mercado mostrou rápida reação após o teste sobre a linha central de bollinger (não chegou a testar a LTA dos 52.5k, conforme ressaltamos ontem). Temos agora um candle de pavio longo superior nos 57k (indicando região de domínio da força vendedora) e outro candle de pavio longo inferior nos 55.5k (indicando região de domínio da força compradora).

Ibov

Portanto o mercado voltou a ficar travado entre estas duas regiões, com a evidência de forças opostas em zonas de preço (pontuação) muito próximas. Por estarmos dentro da tendência de alta de curto prazo, a balança tende a pesar mais para o lado dos compradores.

Para completar a rodada importante de indicadores da atividade industrial, na zona do euro o Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro continuou mostrando contração na atividade, porém este ritmo está perdendo força com a retomada econômica (ainda lenta). A prévia do indicador saiu dos 46,7 pontos no mês passado para 47,8 pontos este mês. Na Alemanha este mesmo indicador avançou pelo segundo mês consecutivo, saindo do nível de contração em 48,3 pontos para o nível de expansão em 50,3 pontos.

Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerentes de Compras do setor manufatureiro caiu de 52,1 pontos registrados no mês passado para 51,9 pontos este mês, mostrando desaceleração no ritmo de expansão da atividade industrial.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ata do FED carimbou topo no Dow Jones


O discurso de Ben Bernanke, presidente do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), realizado hoje pela manhã no Congresso norte-americano animou o mercado de capitais impulsionando os principais índices de Wall Street para o que seria mais um dia de alta.

Bernanke disse que uma retirada prematura das medidas de estímulo do Banco Central colocaria a recuperação da economia norte-americana em risco. O mercado entendeu o recado supondo que o FED continuará com os programas de estímulo por mais alguns meses, ou até o final deste ano (pelo menos).

Mas no final da tarde o clima mudou completamente após a divulgação da ata da última reunião do FED, realizada no dia 01/05/2013. O documento mostrou que alguns membros do colegiado (ainda minoria) estão dispostos a reduzir o volume do programa de compras, atualmente em 85 bilhões de dólares, já na próxima reunião do FED a ser realizada no próximo mês (dia 16 e 17 de junho).

Esta redução precisa estar vinculada à melhora nos índices econômicos a serem divulgados nos próximos dias. Ou seja, mesmo para a minoria a favor dos cortes, os resultados precisam mostrar evidências de crescimento suficientemente forte e sustentável que garanta a redução da taxa de desemprego.

Mas então porque o mercado está ouvindo a opinião da minoria dos diretores do FED, divergente do documento oficial (que mostra a decisão da maioria do colegiado) e até mesmo da opinião do presidente da instituição? A possibilidade real de redução do programa de estímulo monetário no próximo mês é extremamente baixa.

O mercado está ouvindo a minoria do FED pois os índices acionários em Wall Street estão muito esticados, apresentando níveis de sobrecompra elevados. A bolsa precisa corrigir, até mesmo para manter saudável a tendência de alta de médio e longo prazo. Está faltando apenas um driver para impulsionar o movimento.

Por este motivo a ata do FED foi utilizada para carimbar o topo no Dow Jones, mesmo quando o documento esteja afirmando algo contrário ao sensacionalismo provocado pela mídia no mercado. Esta, por sua vez, é peça fundamental para motivar o aumento do medo ou sensação de incerteza dos investidores pessoa física que retornaram ao mercado norte-americano há pouco tempo.

O candle de pavio longo superior no Dow Jones pode ser considerado uma estrela cadente. Sinal mais forte de topo emitido este ano pelo gráfico diário. Houve aumento considerável de volume, o que corrobora para sinalização de reversão da tendência de curto prazo. O índice tende a continuar caindo nos próximos dias, se aproximando, inicialmente, da linha central de bollinger.

Dow Jones

A reunião de emergência do grupo Cobra (comitê de segurança do governo inglês que cuida dos incidentes de alta gravidade, inclusive aqueles que podem comprometer a segurança nacional), convocada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, colaborou para o aumento do clima de aversão ao risco no mercado. Um soldado foi morto em Londres sob suspeita de incidente terrorista.

No Brasil o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão anunciou o corte de 28 bilhões de reais em gastos no orçamento de 2013. O número é significativamente inferior aos cortes anunciados em 2011 (50 bilhões de reais) e 2012 (55 bilhões de reais). Isso significa que o governo está economizando menos, adotando uma política fiscal mais expansionista.

Ironicamente o ministro Mantega disse hoje que a política fiscal do governo não contribui para pressionar a inflação. Obviamente a afirmação do ministro está absolutamente errada. A desajeitada política econômica do governo, baseada no incentivo ao consumo (inclui aumento do gasto público), é uma das grandes responsáveis pelos elevados níveis de preços.


O índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em leve alta de 0,29%. Apesar da alta, o índice emitiu sinal de topo na região de forte resistência dos 57k. O rompimento desta região (57k) confirmaria o fim da tendência de baixa de médio prazo. Com a sinalização de hoje, pode-se esperar um novo teste sobre a LTA da tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 52.5k.

Ibovespa

terça-feira, 21 de maio de 2013

Além dos Treasuries


O maior credor externo dos Estados Unidos quer diversificar sua carteira extremamente concentrada em Treasuries (títulos públicos do tesouro norte-americano).

A Administração Estatal de Câmbio, entidade que supervisiona e gerencia as posições de câmbio da China, estabeleceu uma operação nos Estados Unidos com o objetivo de investir em private equity (empresas, geralmente pequenas, não listadas em bolsa, que necessitam de alavancagem para desenvolvimento do negócio), imóveis e outras classes de ativos alternativas.

A carteira de câmbio da China é altamente concentrada em Treasuries de baixo risco. Cerca de dois terços de sua carteira de 3,4 trilhões de dólares está posicionada em títulos do tesouro norte-americano.

A política agressiva de incentivo às exportações provocou aumento substancial da carteira de câmbio da China. O governo comprava dólares (e ainda compra, embora em menor volume) dos exportadores chineses em troca do yuan (moeda oficial do país), forçando uma desvalorização da moeda local, tornando, desta forma, os seus produtos mais competitivos no mercado externo. Com os dólares na mão, o governo chinês sentia-se obrigado a comprar Treasuries, pois esta era praticamente a única opção de baixo risco para aplicação de suas reservas no mercado global (devido à magnitude da operação – liquidez elevada).

Com a possibilidade do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) interromper os programas de afrouxamento monetário nos próximos anos, a necessidade de diversificação da carteira de câmbio chinesa tornou-se praticamente obrigatória.

Para diversificar sua carteira, a administradora de câmbio chinesa tem procurado ativos de risco no mercado. Em 2012 foram adquiridos ativos europeus penalizados pela queda do mercado e ações japonesas listadas na bolsa de Tóquio. Este ano o foco dos chineses pairou sobre o mercado norte-americano, dominado pela onda de otimismo em Wall Street.

A postura da Administração Estatal de Câmbio da China em assumir ativos de maior risco reflete uma tendência de mercado. No geral, gestores de diversos fundos de investimentos espalhados pelo mundo estão mais otimistas com o desempenho do mercado de ações, sobretudo o norte-americano. Esta onda de otimismo, que começou no ano passado, tem parcela considerável no desempenho dos mercados e, apesar da iminência de uma correção saudável de curto prazo, não parece estar perto do fim.

O índice Dow Jones fechou o pregão desta terça-feira em alta de 0,34%, mantendo a tendência de curto prazo inalterada. Ainda não há sinal de topo, apesar do nível elevado de sobrecompra.

Otimismo Dow Jones

No Brasil o índice Bovespa fechou em alta de 1,01%, conseguindo romper a LTB da tendência de baixa de médio prazo iniciada na região dos 63.4k. Este movimento é de extrema importância para impulsionar a tendência de alta iniciada na região dos 52.5k.
  
Retomada Ibovespa

A próxima resistência está localizada na região dos 57k, onde as condições para rompimento também são boas. Com a retomada dos 57k o índice poderá confirmar o fim da tendência de baixa de médio prazo.

No cenário interno, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reforçou a mensagem enviada ao mercado na última quinta-feira. Tombini disse que “o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e para determinar que essa tendência persista nos próximos anos”.

Estas declarações compactuam com uma elevação de 0,50 p.p. da taxa Selica na próxima reunião do Copom.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Apesar do PIB, pouca coisa mudou


O crescimento econômico brasileiro no primeiro trimestre deste ano conseguirá se safar da sequência de vexames verificada no ano passado. As projeções do governo, e do mercado, sinalizam para uma expansão de 1% nos três primeiros meses de 2013. À primeira vista, para quem estava atolado na lama, o número não deixa de ser positivo, ainda que seja um resultado bem abaixo do nosso potencial.

Mas as boas impressões somem rapidamente ao analisarmos o desempenho dos três primeiros meses deste ano. A ideia de que o investimento, grande responsável pelo baixo desempenho do ano passado, voltou a surgir na economia brasileira não passa de uma falsa impressão.

A taxa de investimento, atualmente na casa dos 18% do PIB (Produto Interno Bruto), permanece incrivelmente baixa para os padrões de países emergentes. Para efeito comparativo, os países asiáticos investem quase o dobro do nosso percentual do PIB na economia. Já os países da América Latina investem, em média, cerca de 24% do PIB.

Além de não aumentar a taxa de investimento, o governo não se esforçou o suficiente para retomar a confiança /credibilidade do mercado (o que permitiria uma nova aproximação com investidores externos) e melhorar o ambiente de negócio no país. Não houve mudança na estratégia da política econômica e o modelo de crescimento, baseado no consumo/endividamento, segue ultrapassado (esgotado).

Mas então, o que salvou o Brasil de um novo vexame neste primeiro trimestre de 2013? A nossa agropecuária. A expansão da economia foi impulsionada pelo forte crescimento da safra brasileira, que segundo as projeções do Itaú, será responsável por metade do PIB do primeiro trimestre deste ano.

Apesar da importância deste setor na economia brasileira, ainda é um negócio de baixo valor agregado devido às condições de ambiente desfavoráveis ao desenvolvimento. Além disso, é perigo depender do agronegócio para evitar repetir os vexames do ano passado. O crescimento é instável, depende de uma série de variáveis (como as condições climáticas) e tende a ceder nos próximos meses após a safra recorde.

A retomada dos investimentos (públicos e privados), principal cobrança do mercado em 2012, segue ainda sem resposta do governo. Esta é a peça fundamental que permitirá alavancar o crescimento do país, mas não estamos conseguindo aproveitá-la mesmo com o excesso de liquidez dos mercados externos. É bom o governo abrir os dois olhos, pois a torneiras não ficarão abertas por muito tempo.

A semana começou devagar no mercado de capitais. Os principais índices de Wall Street fecharam a segunda-feira de lado, enquanto aumentam as expectativas no mercado por um período de realização de lucros.

Dow

No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão com uma boa alta de 0,97%, impulsionado pelas principais blue chips (Vale e Petro). O índice deslanchou após o exercício de opções sobre ações, que girou cerca 3,7 bilhões de reais. Este impulso foi crucial para o rompimento da zona de congestão de curtíssimo prazo, que estava deixando o mercado travado.
  
ibov

O movimento de hoje, com fechamento na máxima, corrobora para novo teste do índice sobre a LTB da tendência de baixa de médio prazo (iniciada no início do ano, na região dos 63.4k), com boas possibilidades de rompimento ainda nesta semana.

A retomada da direção positiva do índice ocorre num momento onde as condições econômicas e corporativas permanecerem deterioradas. O noticiário macroeconômico segue com viés negativo. A temporada de balanços no Brasil também não foi boa e decepcionou os investidores. Um estudo divulgado pela Economatica mostrou que o lucro líquido somado das 320 empresas brasileiras na Bolsa de São Paulo caiu 12,29% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2012.

Os drivers são negativos, mas o mercado é altista desde o fundo registrado no final do mês passado, contrariando boa parte dos analistas. A soberania do mercado é inquestionável e seu poder de contrariar os indicadores/expectativas é muito maior no curto prazo. Porém, quando a análise técnica é utilizada corretamente (de uma forma diferente da imagem da bola de cristal), este poder é sensivelmente reduzido.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Limite de endividamento dos Estados Unidos será alcançado em setembro


Jacob Lew, secretário do Tesouro norte-americano, redigiu uma carta ao Congresso afirmando que o limite de endividamento dos Estados Unidos será alcançado em setembro deste ano.

Atualmente o limite do endividamento, elevado inúmeras vezes no passado, está fixado em 16,7 trilhões de dólares. Isto significa que os Republicanos e Democratas terão mais quatro meses para negociarem um acordo que permita uma nova elevação da dívida do país.

Há pouco mais de dois meses os parlamentares norte-americanos não chegaram a um acordo para evitar os cortes automáticos no orçamento do governo federal. São 85 bilhões de dólares a menos para o governo gastar no ano fiscal de 2013. Desde então, uma série de cortes entraram em vigor, desagradando, principalmente, o FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) que tem utilizado todos os recursos disponíveis para reaquecer a economia do país.

Mesmo com o aviso antecipado do secretário de Tesouro dos Estados Unidos, nenhum dos dois partidos (Republicanos e Democratas) demonstraram interesse em começar, desde já, as negociações para elevação do limite de endividamento. Ao que tudo indica, teremos uma nova novela no início do segundo semestre deste ano.

Os mercados foram impulsionados nesta sexta-feira pelos indicadores econômicos que vieram acima do esperado. A confiança do consumidor norte-americano subiu fortemente para 83,7 pontos, ante 76,4 pontos registrados em abril. O resultado veio bem acima do esperado pelo mercado (77,9 pontos). O indicador de antecedentes econômicos subiu 0,6% em abril, enquanto os analistas aguardavam uma alta de 0,3%.

Com agenda positiva o índice Dow Jones conseguiu cravar a quarta semana consecutiva de alta, atingindo os 15.354 pontos. Índice bastante sobrecomprado no diário e semanal, porém sem nenhum sinal de topo de curtíssimo prazo.

Dow Jones semanal

Na Europa o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em alta, já se distanciando do antigo topo histórico superado recentemente. Segue firme na tendência de alta de curto, médio e longo prazo sem sinal de reversão.

DAX

Na Inglaterra, o índice FTSE conseguiu realizar teste sobre o topo histórico na região dos 6.7k. Índice em tendência de alta. Pode-se esperar mais um rompimento histórico para o mercado financeiro nas próximas semanas.

Londres

Na Índia a bolsa de Bombay também fechou a semana em alta, colada na última resistência abaixo da região de topo histórico. Houve aparecimento de força vendedora na terça-feira, rechaçada pela força compradora nos dias seguintes, provocando fechamento semanal no azul.
   
Sensex
  
Um movimento semelhante ocorreu na bolsa de Xangai (China). O índice também conseguiu fechar em leve alta aos 2.251 pontos.

Shangai

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana de lado, mostrando um candle de indecisão (doji), refletindo exatamente o que ocorreu durante toda a semana: mercado travado e muito disputado entre as regiões dos 54.4k e 55.2k, devido a importância técnica do ponto citado nas análises anteriores. Definição ficou para a próxima semana.


Bovespa

Bom final de semana e até segunda!
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