sexta-feira, 28 de junho de 2013

Cadeira vaga de Bernanke provoca disputa entre diretores do FED


O mandato de Ben Bernanke, atual presidente do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos), terminará no dia 31 de janeiro de 2014. Embora ainda não tenha confirmado sua saída (visando evitar aumento de tensão no mercado), é praticamente certo que Bernanke não permanecerá mais sobre o comando do Banco Central.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou esta possibilidade durante uma entrevista neste mês. Hoje, uma fonte da Casa Branca confirmou que o governo norte-americano já está montando uma lista de possíveis candidatos para a sucessão de Bernanke.

Mas a cadeira vaga de Bernanke está provocando uma aparente disputa entre os membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), onde o mercado financeiro é duramente afetado pelas declarações dos membros do Comitê que pretendem “aparecer” mais para a Casa Branca, almejando uma posição na referida lista do governo.

Wall Street está sendo bombardeada por uma série de declarações contraditórias por parte dos diretores regionais do FED. James Bullard, presidente do FED de St. Louis, disse que o anúncio sobre a redução dos estímulos monetários foi realizado num momento inapropriado.

Jeffrey Lacker, presidente do FED de Richmond, disse que a volatilidade nos mercados deverá continuar enquanto o Banco Central continuar fornecendo indicações do futuro de sua política monetária. Willian Dudley, presidente do FED de Nova York, afirmou que se o mercado de trabalho não apresentar melhora o Banco Central poderá aumentar o programa de estímulo monetário, ao invés de reduzi-lo.

Já o diretor Jeremy Stein disse o contrário e afirmou que o banco central norte-americano pode começar a reduzir sua política de estímulos em setembro. Jerome Powell resolveu atacar o mercado da dívida soberana ao dizer que a oscilação nos yields dos títulos norte-americanos é injustificável.

A disputa pela vaga de Bernanke é notória. Há muitos anos não apareciam na mídia tantos diretores do FED num curto espaço de tempo. Muitos destes diretores, que hoje estão lutando por uma foto na capa do The Wall Street Journal, simplesmente sumiram dos holofotes quando o mercado entrou em colapso na crise do subprime.

Os discursos destes diretores podem ser comparados à entrevista de um candidato despreparado a determinada vaga de emprego. Não adianta “mentir ou incrementar o currículo”. Por mais que a disputa esteja acirrada, nenhuma das figuras citadas acima está, sequer, entre as mais cotadas para ocupar a cadeira de Bernanke.

A vice-presidente do FED Janet Yellen, o ex-conselheiro de Obama Lawrence Summers e o ex-secretário do Tesouro Timothy Geithner são os nomes mais cotados para ocupar o cargo de Bernanke. Nenhum destes três profissionais, extremamente competentes por sinal, está participando da disputa por espaço entre os demais diretores do FED.

Pode-se adiantar que, independente da escolha da Casa Branca (dentre estes três candidatos), o mercado estará bem servido por um novo comandante do Banco Central mais poderoso do mundo.

No mercado de capitais a semana foi marcada por um movimento de recuperação generalizada nas diversas praças financeiras mundiais. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve alta, mostrando uma estela apoiada na linha central de bollinger. É um sinal de alívio que poderá se estender pelas próximas semanas, desde que a referida linha seja mantida.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em forte alta, recuperando-se acima da importante linha de suporte posicionada na região dos 7.5k. Poderá manter o movimento de repique nas próximas semanas com a recuperação da linha central de bollinger.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana com um engolfo de alta colado na linha de suporte em 18.5k. É uma sinalização de fundo relevante e pode indicar reversão da tendência de curto prazo (de baixa para alta).


Na China a bolsa de Xangai foi duramente atingida pela disparada da taxa de juros do mercado interbancário. O índice voltou a subir após a manifestação do Banco Popular da China (considerado o Banco Central do País), visando tranquilizar os investidores e as instituições financeiras. Mas movimento de alta dos últimos dias não foi suficiente para reverter todas as perdas da semana. De qualquer forma, pode-se considerar que a principal região de suporte de curto e médio prazo (1.8k) foi testada e respeitada.
  
  
No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em leve alta, mostrando, também, um movimento de recuperação, embora em menor força. A LTA de 2002 foi testada e respeitada. Caso esta linha seja mantida nos próximos pregões, o índice poderá recuperar o antigo patamar de suporte em 47.8k. Segue mantendo a tendência de alta de curtíssimo prazo, embora a tendência de baixa de curto, médio e longo prazo segue predominante e sem sinal de reversão.


No gráfico mensal podemos observar o mesmo padrão de apoio sobre a LTA de 2002. As chances de uma virada mais consistente do mercado dependem da manutenção desta referida linha de tendência.


O mês de junho marcou o sexto mês consecutivo de queda da bolsa brasileira. O candle mensal revela aumento de força da tendência de baixa de médio e longo prazo. Apesar da sinalização expressiva do candle, as condições para novas aberturas de posições vendidas estão menos favoráveis. O índice encontra-se em região de sobrevenda nos gráficos diário, semanal e mensal. Portanto, movimentos de repiques mais consistentes podem aparecer nos próximos meses.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Resolvida a charada dos juros


O Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pelo Banco Central, mostrou que as perspectivas de inflação da autoridade monetária pioraram ainda mais, ao mesmo tempo em que se observou um agravamento da deterioração dos fundamentos econômicos.

O Banco Central revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2013, de 3,10% para 2,70%. Com relação à inflação, a estimativa subiu de 5,70% para 6,0% no fechamento de 2013. Para o ano que vem a projeção de inflação também subiu de 5,30% para 5,40%.

As projeções de inflação do Banco Central levam em consideração o cenário de referência (taxa Selic em 8,0% e câmbio aos R$ 2,10). Isto significa que o Banco Central não vai conseguir cumprir com o seu objetivo (carregar a inflação para o centro da meta, atualmente em 4,50%), caso as condições monetárias atuais sejam mantidas. Como as projeções de inflação para 2013 e 2014 estão longe do centro da meta, a autoridade monetária precisará atuar novamente no mercado elevando a taxa básica de juros.


A tabela acima, retirada do relatório do Banco Central, mostra que a inflação acumulada dos últimos 12 meses vai estourar o teto da meta (6,50%) no segundo trimestre deste ano, atingindo os 6,80% e, posteriormente, deverá ceder lentamente. Os diretores do Banco Central trabalham com uma probabilidade de 29% para que a inflação ultrapasse o teto da meta no fechamento de 2013 e 25% no término de 2014. São projeções relativamente elevadas e nada confortáveis.

Além das preocupações com relação à resistência da inflação, o documento destaca uma maior dispersão no processo de aumento dos preços. O índice de difusão do IPCA atingiu 63,01% em maio. Apesar da queda dos últimos meses, o número é considerado elevado e revela piora na perspectiva dos agentes econômicos sobre a inflação (generalizada entre os setores), dando origem ao perigoso processo de indexação.

O Banco Central voltou a destacar os efeitos do mercado de trabalho aquecido sobre a inflação. Os aumentos de salários, incompatíveis com o crescimento da produtividade, provocam redução do nível de  competitividade das empresas e causam inflação. Desta forma, a autoridade monetária considera que uma moderação salarial (causada pelo desaquecimento do mercado de trabalho, via aperto monetário) “constituirá elemento-chave para obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços”.

O diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, soltou algumas informações importantes durante a divulgação do Relatório de Inflação. A começar pela perspectiva de inflação global, que deverá ser maior em 2013 (2,5%), 2014 (2,8%) e 2015 (2,7%). O segundo ponto é ainda mais interessante. Araújo acredita que a inflação brasileira neste ano será menor do que a registrada no ano passado (5,84%) e que a inflação de 2014 será menor do que a de 2013. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse algo semelhante em outras ocasiões.

A expectativa otimista de dois importantes diretores do Banco Central, divergente da própria estimativa do Relatório de Inflação, num momento crucial de aceleração das pressões inflacionárias, só pode representar numa política de aperto monetário mais firme do que se esperava.

A estimativa do Relatório de Inflação leva em consideração o cenário de referência (taxa Selic em 8% e câmbio estabilizado em R$ 2,10). Para que Tombini e Araújo possam esperar que a inflação de 2013 seja menor do que a registrada em 2012 (5,84%), num cenário de valorização do dólar (contribui negativamente para a inflação), o aperto monetário precisará ser, inevitavelmente, mais forte do que se esperava anteriormente.

O timming dos efeitos gerados pelas decisões de política monetária matou o resto da charada. Os ajustes na taxa básica de juros costumam refletir na economia após nove meses, em medida, da data de implementação. Mas, então, como os diretores do Banco Central podem contar com uma redução da inflação de curto prazo (até o final deste ano)? A resposta é simples, o Banco Central quer anular o risco de indexação dos agentes econômicos.

Ao subir os juros de forma mais agressiva (ou prolongada) do que se esperava, o Banco Central estará mostrando ao mercado o seu comprometimento com a política de metas de inflação e assim, evitará que os agentes econômicos subam os preços baseados, unicamente, pela inflação elevada do passado. Esta estratégia é compatível com a desaceleração da inflação de curto prazo. Por este motivo estou elevando minha projeção para a taxa Selic este ano de 8,75% para 9,50%.

No mercado de capitais, os principais índices mundiais continuam mantendo a tendência de alta de curtíssimo prazo. O índice Bovespa conseguiu romper a LTB formada a partir do topo em 57k, fato que permite a manutenção do movimento de repique.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,77% e fechou colado na linha central de bollinger onde, neste momento, atua como zona resistência. Caso esta linha de resistência seja superada amanhã, o índice terá condições de retestar a LTB dos 15.5k.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

PIB dos Estados Unidos é revisado para baixo


O Departamento de Comércio informou nesta quarta-feira que o crescimento econômico dos Estados Unidos, durante o primeiro trimestre de 2013, foi mais fraco do que estimado anteriormente.

A estimativa anterior apontava para um crescimento de 2,4%, mas o dado foi revisado para baixo devido ao ritmo mais moderado de gastos do consumidor, fracos investimentos empresariais e queda das exportações. Desta forma, o número oficial do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos caiu para 1,8% no primeiro trimestre deste ano.

O mercado não esperava por uma revisão negativa do PIB norte-americano. Os diretores do FED (Federal Reserve, Banco Central do País) demonstraram certo otimismo com a retomada econômica na última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto).

Mas os gastos do consumidor norte-americano, grande motor de propulsão da economia, aumentaram num ritmo menor do que o informado anteriormente (de 3,4% para 2,6%). Outro ponto negativo ficou por conta das exportações. O Departamento de Comércio informou no relatório anterior que as exportações haviam aumentado, mas na verdade houve contração de 1,1%.

Os novos números do crescimento norte-americano poderão provocar um ligeiro atraso no cronograma do FED para iniciar a fase de redução gradual dos estímulos monetários ou mesmo promover uma redução menor do que se esperava, inicialmente, no volume de compras mensais.

Esta nova perspectiva agradou os operadores em Wall Street. O índice Dow Jones fechou o dia em alta de 1,01%, próximo à máxima, mantendo o movimento de repique. O índice poderá testar a linha central de bollinger nos próximos dias.


O movimento de alta no Brasil foi menor por conta da queda observada nas ações da Vale e do setor siderúrgico. Na outra ponta, as ações do empresário Eike Batista subiram forte, impulsionadas por notícias sobre a possibilidade de venda de parte das empresas do grupo, visando compor o caixa deficitário.

O índice Bovespa fechou o pregão em alta de 0,59%, mas não conseguiu superar a LTB formada na região dos 57k. As tentativas de rompimento foram rechaçadas durante todo o dia pela força vendedora. Caso esta linha não seja superada, o índice poderá retornar para a zona de suporte em 45.4k.
  

O cenário interno foi marcado pela chuva de críticas ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante a Comissão de Finanças e Tributação. Mantega rebateu as críticas utilizando contextos fora da realidade, como normalmente ocorre em seus shows de Stand Up Comedy.

O ministro da Fazenda disse que “a economia brasileira teria naufragado se seguisse a cartilha da oposição”. Lembrando que em 2012 o Brasil cresceu míseros 0,9% e ainda assim gerou uma inflação alta (5,83%). No primeiro trimestre deste ano, com todas as “medidas de incentivo” do governo, o País cresceu apenas 0,6% e ainda conseguiu criar inflação de 1,93% no mesmo período. A economia não só afundou como também gerou inflação significativamente acima do crescimento.

Posteriormente Mantega fez a seguinte declaração: “fizemos um governo que combinou responsabilidade fiscal e controle da inflação com crescimento dinâmico da economia”. Para entender, basta inverter o contexto da frase.

Por fim, o ministro afirmou que não viu reclamações nas ruas sobre os rumos da economia. Provavelmente porque ele está em “outro planeta”. As tarifas de transporte público são, normalmente, reajustas no mês de janeiro (quando boa parte da população, principalmente estudantes, está de férias), por se tratar de uma medida impopular.

O aumento foi prorrogado para o mês de junho a pedido do próprio ministro da Fazenda, visando evitar uma pressão ainda maior sobre a inflação no início do ano. Portanto, além de ser um fator causador dos protestos (é notório o descontentamento da população com a política e economia do País), a “solução” que o ministro encontrou (prorrogar o reajuste) para impedir a disparada da inflação no início do ano contribuiu para a viabilidade das manifestações.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Ação coordenada dos BCs tranquiliza o mercado


Presidentes dos principais Bancos Centrais mundiais entraram em cena nesta terça-feira com o objetivo de acalmar o mercado financeiro. O nível de tensão no mercado aumentou significativamente após a reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) realizada na última quarta-feira. Os motivos que estão relacionados ao aumento da volatilidade nas praças financeiras mundiais foram destacados no artigo “FED envia o convite para a festa de encerramento”.

Nesta manhã o Banco Popular da China (considerado o Banco Central do País) tranquilizou os temores dos investidores sobre uma possível crise no mercado interbancário chinês. Ling Tao, vice-presidente da instituição, disse que “o risco de liquidez no sistema bancário está sob controle”. Ele ainda completou dizendo que “vai estabilizar as expectativas de mercado e guiar as taxas de juros para níveis razoáveis”. A taxa Shibor (juros do mercado interbancário) reagiu e voltou a ceder, conforme podemos observar logo abaixo.

Shibor

Na Europa o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, disse que “a estabilidade de preço está assegurada e o cenário econômico geral ainda justifica uma postura acomodativa, cujo fim, aliás, ainda está distante”. Draghi mostrou aos mercados que o BCE não irá seguir a estratégia do FED, mesmo porque as economias estão em situações diferenciadas. Os países da zona do euro ainda não conseguiram entrar no processo de retomada do crescimento, tal como ocorre nos Estados Unidos.

Benoit Coeure, um dos membros com poder de voto no BCE, reforçou a mensagem do seu presidente ao dizer que “as medidas adotadas pela autoridade monetária, visando sustentar o crescimento e lutar contra a crise da zona do euro, permanecerão por quanto tempo forem necessárias”. O BCE, segundo Coeure, pode ir além (ou seja, realizar mais um corte na taxa básica de juros), se necessário.

O esforço final, visando acalmar a tensão dos investidores e operadores, veio do presidente do BoE (Banco Central da Inglaterra), Mervyn King. Ele ressaltou que “os mercados exageraram na interpretação das declarações de Bernanke”. Na visão do presidente do BoE, as pessoas se anteciparam à retomada da taxa básica de juros. A expectativa do FED é voltar a subir os juros somente em 2015.

A ação coordenada dos principais banqueiros centrais mundiais funcionou. No âmbito global, as bolsas voltaram a subir e os yields dos títulos públicos voltaram a cair. No Brasil, o movimento de queda nas taxas de juros foi mais forte por conta dos leilões de recompra extraordinários realizados pelo Tesouro Nacional nos últimos dias.

Gráfico LTN 2016

A LTN 2016, que havia atingido 11,73% na semana passada, já recuou mais de um ponto percentual. O mesmo movimento pode ser observado nas taxas dos demais títulos do Tesouro. Deve-se destacar que a redução da volatilidade é um evento momentâneo, de curto prazo, pois ainda estamos dentro da fase crítica do ciclo de aperto monetário e não há sinais de mudança no portfólio de investidores estrangeiros que estão reduzindo exposição em títulos soberanos, principalmente de países emergentes.

O Ibovespa conseguiu repicar nesta terça-feira, marcando fundo temporário na região dos 45.4k. Tem espaço para manter o movimento de repique até a LTB formada a partir do topo em 57k, onde o rompimento desta linha aumentará a força da tendência de alta de curtíssimo prazo.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,69%, trabalhando um movimento de repique de curtíssimo prazo. A próxima zona de resistência está posicionada na linha dos 14.8k, onde o índice poderá encontrar dificuldades de retomada devido ao pivot de baixa acionado recentemente.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Não chores por mim Brasil


Era tarde de quarta-feira do dia 19 de dezembro de 2001. O panelaço tomava conta das ruas de Buenos Aires, bem como das principais cidades do País. As manifestações populares aumentavam à medida que a Argentina se afundava numa grave crise política, econômica e social. Os conflitos entre a política e manifestantes ficavam cada vez mais sangrentos elevando o número de mortos e feriados. O caos tomava conta do País. O então presidente, Fernando de la Rúa, sentiu-se obrigado a declarar estado de sítio.

Não adiantou. No dia seguinte milhares de pessoas foram às ruas. Fernando de la Rúa havia anunciado que iria fazer um discurso na televisão às 4 horas da tarde daquele dia. Era uma tentativa de acalmar os ânimos. Mas De la Rúa acabou lendo a sua carta de renúncia em rede nacional.

Poucos meses depois a Argentina já havia passado por quatro presidentes. O sistema estava em colapso. O governo argentino, extremamente endividado, aplicou o maior calote da história (81 bilhões de dólares). A dívida do país foi reduzida de 166% do PIB para 41,5% do PIB.

Com o problema da dívida “resolvido”, Néstor Kirchner assumiu o governo em 2003 e fez o serviço que todo político populista adora fazer: aumento substancial dos gastos públicos. A máquina pública passou a funcionar com todo vapor. A política fiscal ultra-expansionista retirou a economia do buraco e permitiu que o país crescesse a uma média de 7,2% ao ano (de 2003 a 2012).

O gasto público saltou de 30,3% do PIB para 44,6% do PIB. O Estado injetava dinheiro na economia visando aumentar o consumo da população e, desta forma, conseguir gerar crescimento. Os salários eram reajustados acima da inflação e os gastos com programas sociais se multiplicaram.

Praticamente não havia oposição. O governo de Néstor Kirchner utilizou o poder do Estado a benefício próprio (e partidário) enquanto favorecia empresas e políticos ligados ao governo (os famosos amigos do rei).

Foi assim que o partido de Kirchner, devidamente blindado da oposição, conseguiu eleger em 2007 uma senhora chamada Cristina Kirchner (hoje viúva de Néstor Kirchner) para se manter no comando da Argentina.

Cristina Kirchner cometeu um erro grave ao manter o modelo de crescimento utilizado para tirar o país da crise no início da década passada. O incentivo desenfreado à demanda, num cenário de oferta limitada e incapacitada de crescer (devido às baixas condições de negócio), produziu inflação.

Ao invés de combater a perigosa pressão inflacionária com as ferramentas de política monetária, o governo argentino tentou administrar os preços. Evidentemente não obteve sucesso. Cristina Kirchner decidiu, então, partir para a manipulação dos índices oficiais de inflação.

O governo seguiu aumentando suas despesas gerando cada vez mais inflação ao mesmo tempo em que deteriorava as contas públicas. Os argentinos, visando proteção, começaram a comprar dólares e retirar o dinheiro do País. Foi então que as restrições cambiais começaram a ser implementadas pelo governo.

A intervenção do Estado sobre a economia (fenômeno conhecido como bull market político) aumentou significativamente. Cristina Kirchner congelou preços, apertou a margem de lucro das empresas privadas, afugentou investidores e atacou a imprensa independente.

Hoje a Argentina está novamente à beira do colapso por conta da estupidez do populismo. Com uma inflação estimada em torno de 30% ao ano, o governo insiste em não reduzir os gastos públicos e/ou apertar a política monetária. A máquina pública continua funcionando a todo vapor, mas o motor, superaquecido, pode estourar a qualquer momento.

Infelizmente existem paralelos entre o que aconteceu na Argentina com o que está ocorrendo no Brasil. Os brasileiros não aprenderam com o erro grotesco dos hermanos. A intervenção do Estado sobre a economia aumentou, a máquina pública passou a funcionar a todo vapor, o modelo de crescimento ficou respaldado pelo incentivo ao consumo e endividamento das famílias, os gastos públicos aumentaram, as reformas estruturais não foram realizadas (impedindo o crescimento da oferta) e os preços começam a ser administrados (uma tentativa frustrada de evitar a inflação).

Hoje o país não cresce, gasta mau os seus recursos e ainda consegue gerar inflação. A política se tornou um jogo de interesse entre partidos, políticos e amigos do rei. Não representa mais os interesses da população. O povo se indignou e foi às ruas, com toda razão.

Os 458 bilhões de reais em impostos arrecadados até o mês de maio deste ano são recursos mais do que suficientes para promover melhorias significativas nas áreas da saúde, educação, segurança e transporte. O governo não o faz por três motivos básicos: utiliza boa parte dos seus recursos para outras finalidades, possui uma extensa e volumosa folha de pagamento e não consegue (ou não quer?) tapar o ralo da corrupção.

Desinteressado em promover mudanças necessárias aos três motivos citados no parágrafo anterior, não resta outra saída a não ser atender as reinvindicações dos manifestantes. O Estado vai cobrir os aumentos das tarifas de transporte, energia elétrica e saneamento. São medidas mais fáceis de serem tomadas pelos políticos e acalmam a população. Mas isso também significa que o gasto público vai aumentar ainda mais, elevando o processo de deterioração do superávit primário e aquecimento das pressões inflacionárias.

Este é o caminho perigoso que a Argentina percorreu. O povo fez a sua parte, saiu às ruas batendo panelas nos ouvidos dos políticos e conseguiu provocar as mudanças. Mas, adivinhem só, o político/partido que assumiu o poder era pior do que o anterior. O governo deu calote na dívida e ligou a máquina pública na potência máxima. O País entrou de ponta-cabeça na ideologia populista e se afundou.

O povo brasileiro está nas ruas reivindicando por mudanças. Teremos uma grande chance no ano que vem. Mas quem é o candidato que vai, realmente, levantar esta bandeira e seguir a agenda que precisa ser feita? O principal partido de oposição ao governo não tem tomado atitudes nesta direção. A verdade é que, infelizmente, este candidato não existe.

Inevitavelmente as manifestações populares provocarão uma queda vertiginosa na popularidade da presidente Dilma. Diante deste cenário, o seu partido político (PT) poderá optar por uma troca ao candidato que vai disputar as eleições presidenciais no ano que vem.

E, adivinhem só, o “novo” candidato é pior do que o anterior. O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da Republica vai fazer o nosso País chorar por Evita. Vamos terminar de bagunçar o que ele começou. Dar o último gás à máquina pública. Contratar mais companheiros. Surfar a última marolinha. Pagar a última parcela do mensalão.

A segunda-feira começou com o pé esquerdo no mercado de capitais. A liquidez no mercado interbancário chinês segue bastante comprometida, provocando aumento da taxa Shibor (equivalente ao CDI no Brasil). O Banco Popular da China (considerado o Banco Central do China) não indicou nenhuma ação de intervenção num momento onde há suspeitas com relação à solvência de algumas instituições financeiras de pequeno porte.

O índice Bovespa despencou 2,32%, mantendo a tendência de queda inalterada. O elevado nível de sobrevenda do índice tem provocado repiques de curtíssimo prazo (abertura de posições técnicas), porém este movimento não consegue se sustentar por mais de um dia em decorrência da fuga diária de investidores estrangeiros do País. Ainda não há sinal de fundo temporário no gráfico diário.


Nos estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em queda de 0,94%, mantendo a tendência de baixa de curto prazo sem sinal de fundo ou reversão. A linha de suporte mais próxima está posicionada na região dos 14.4k, onde o índice deverá testá-la nos próximos dias.


sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vamos estourar o limite do cheque especial


O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, informou nesta sexta-feira que o Brasil registrou déficit de transações correntes de 6,42 bilhões de dólares no mês de maio. O valor é significativo e superou a própria estimativa do Banco Central, que já não era boa (5,2 bilhões de dólares).

Este foi o pior resultado registrado para o mês de maio desde que a série histórica começou a ser implementada com aberturas mensais (a partir de 1990). O fraco desempenho da balança comercial é o principal fator, apontado pelo governo, responsável por colaborar para o aumento do rombo nas transações correntes.

A balança comercial registrou (em maio) saldo positivo de apenas 759 milhões de dólares, muito pior do que o superávit de 2,96 bilhões de dólares registrado no mesmo período do ano passado. Mesmo com um cenário cambial favorável (desvalorização do real, que em tese deixaria os nossos produtos mais baratos no mercado externo), as exportações brasileiras não conseguem se deslanchar.

Os nossos produtos continuam apresentando baixa competitividade no comércio exterior devido ao ambiente de negócios extremamente desfavorável no Brasil. A desvalorização do real não consegue neutralizar a significativa perda de competitividade provocada pelos elevados custos de produção, carga tributária sufocante e infraestrutura precária.

O baixo desempenho da balança comercial tornou-se o mais novo indicador que revela a crescente e sucessiva fase de deterioração da economia brasileira, que ainda conta com o recente agravamento das pressões inflacionárias e descrédito da política econômica e fiscal do governo federal. São fatores que se transformam numa bola de neve e colaboram para o aumento do déficit em conta corrente.

O ingresso de IED (Investimento Estrangeiro Direto, o que em outras palavras significa participação acionária em empresas já existentes ou na criação de novas empresas) no mês de maio somou 3,88 bilhões de dólares. Este recurso dos estrangeiros (muito bem vindo, pois é um capital de longo prazo) funciona como um cheque especial para cobrir o saldo negativo das transações correntes do País.

Acontece que nem mesmo o ingresso de IED conseguirá cobrir o rombo na conta brasileira. O Banco Central aumentou sua projeção de déficit em transações correntes para 75 bilhões de dólares este ano. A estimativa para o IED foi mantida em 65 bilhões de dólares. Isso significa que, de acordo com as projeções do Banco Central, vamos estourar o limite do cheque especial em 10 bilhões de dólares.

Esta será a primeira vez desde 2001 em que o IED não será suficiente para cobrir o rombo na conta corrente brasileira. A deterioração das transações correntes foi um dos motivos destacados pela agência de classificação de risco S&P (Standard & Poors) para justificar sua mudança na perspectiva do rating brasileiro (de estável para negativa).

O déficit em conta corrente já é um sinal negativo. Estourar o limite do cheque especial é pior ainda. Desagrada os investidores e contribui para manutenção do baixo clima de confiança e credibilidade do País, intensificado nos últimos dias, também, pela onda de manifestações.

O clima de indignação dos brasileiros está incentivando figuras importantes do mundo dos negócios a expressarem suas insatisfações com o Brasil. Ontem o vice-presidente da Moody’s, Mauro Leos, não poupou palavras para manifestar sua decepção com o País. Hoje foi a vez de Robert Atkinson, presidente da Fundação de Inovação e Tecnologia da Informação, entidade baseada em Washington (Estados Unidos).

Atkinson disse que “assim como os manifestantes, as multinacionais também querem mais transparência no Brasil. Há uma série de ações discriminatórias contra elas. As empresas estão acostumadas com ambientes como o europeu e o norte-americano, onde os processos de decisões governamentais envolvem consulta às empresas e aos movimentos sociais. É um ambiente mais transparente”, completou.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a Rússia (País que apresenta uma economia semelhante ao Brasil, devido ao peso das commodities) não perde tempo em fazer o seu dever de casa. O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta sexta-feira um acordo com a China para o fornecimento de petróleo no valor de 270 bilhões de dólares nos próximos 25 anos.

A semana foi maraca por uma queda significativa e generalizada entre principais praças financeiras mundiais. Os mercados não reagiram bem ao convite enviado pelo FED para a festa de encerramento da era do dinheiro farto e barato.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pela segunda semana consecutiva, mantendo o movimento de correção de curto prazo. Caso a linha central de bollinger seja rompida nas próximas semanas, a força da tendência de baixa poderá aumentar, fato que jogará o índice para a região de suporte psicológico dos 14k.


O índice DAX despencou na bolsa de Frankfurt (Alemanha). Este é o maior candle de baixa registrado desde setembro de 2011. A força da queda mostra que o índice poderá retornar para a importante região de suporte dos 7.5k nas próximas semanas.


A bolsa de Londres (Inglaterra) também caiu forte na semana. O índice FTSE retornou para importante linha de suporte em 6.1k com extrema rapidez e violência. O mercado dificilmente conseguirá se manter acima desta linha de suporte nas próximas semanas.


Na Índia, o principal índice da bolsa de Bombay fechou a semana em forte queda, indicando que deverá testar a importante linha de suporte na região dos 18.5k. O índice contará com o apoio da LTA de 2009 para formar uma zona de resistência dupla. Porém, a intensidade observada neste movimento de queda indica que a linha não conseguirá segurar a pressão vendedora por muito tempo.
  
  
O principal índice da bolsa de Xangai (China) despencou na semana e acionou um importante pivot de baixa. A mínima registrada no final do ano passado poderá ser retestada nas próximas semanas.


A bolsa do México derreteu na semana. O índice passou vazado da importante linha de suporte em 256 pontos e só foi parar na média móvel simples de 200 períodos semanal. Mercado apresentando forte correção e sem sinal de reversão na tendência de curto prazo.


No Brasil o índice Bovespa também despencou. Esta já é a quarta semana consecutiva de queda no índice. A região de suporte dos 47.8k foi rompida sem a menor dificuldade. Este movimento indica que a zona de congestão de longo prazo está sendo rompida para baixo, agravando a tendência de queda da bolsa.


O índice poderá encontrar apoio na LTA de 2002, que está sendo testada neste exato momento. Porém esta linha dificilmente conseguirá segurar a pressão vendedora por muito tempo (algumas semanas) e/ou provocar uma reversão da tendência de baixa de médio e longo prazo.

Bom descanso a todos e um ótimo final de semana!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Decepcionada, Moody’s reavalia rating brasileiro


Seguindo a mesma postura adotada recentemente pela Standard & Poor's, a agência de classificação de risco Moody’s está, neste momento, reavaliando a perspectiva do rating brasileiro para um possível rebaixamento ainda este ano.

Mauro Leos, vice-presidente da Moody’s, confirmou nesta quinta-feira que a agência de classificação de risco está avaliando a possibilidade de mudança. Atualmente o Brasil está posicionado dentro da categoria considerada grau de investimento, sob a nota de “Baa2” pela Moody’s, na mesma linha de classificação das demais agências (S&P e Fitch). A diferença é que a Moody’s (tal como a Fitch) ainda mantêm a perspectiva positiva para o rating brasileiro.

Esta perspectiva (ainda positiva pela Moody’s) poderá ser rebaixada para negativa até o final do mês de setembro deste ano. O rebaixamento da perspectiva é um indicativo de que a nota de crédito do país corre risco de ser rebaixada no futuro próximo, caso o governo não consiga reverter o cenário de deterioração dos fundamentos econômicos.

“O Brasil está crescendo menos do que esperávamos e este ano o crescimento deve ser menor do que 3%. Se isso ocorrer, será o terceiro ano consecutivo de expansão abaixo de 3%, e isso é muito significativo”, afirmou Mauro Leos.

Além de mostrar sua insatisfação com o desempenho do Brasil, o vice-presidente de Moody’s tentou criar um elo entre a recente onda de manifestações no País e a deterioração da economia. Leos disse que a onda de protestos reforça o sentimento negativo com relação ao Brasil. "Esse sentimento negativo já estava lá, porque o crescimento está menor, a inflação está maior e há problemas no gerenciamento das políticas", completou o vice-presidente da Moody’s.

A Moody’s estará avaliando, também, qual será a reação do governo frente à onda de protestos. Há uma expectativa de afrouxamento na política fiscal brasileira, já bastante comprometida, sob fins políticos, provocada pela onda de manifestações da população. A deterioração ainda maior da política fiscal do governo brasileiro não será bem recebida pelo mercado financeiro.

No mercado de câmbio o dólar voltou a fechar em alta pelo quinto pregão consecutivo mesmo com a forte atuação do Banco Central (três vezes durante o dia) visando conter a valorização da moeda. O mercado respondeu às declarações do ministro Mantega na tarde de quarta-feira, ao dizer que o governo tem “bala na agulha” para segurar o câmbio. Mas o que se observa na prática é que a bala na agulha do governo não está impedindo a inevitável valorização do dólar.

O fluxo de capital estrangeiro é um dos grandes responsáveis pela disparada no câmbio. Os investidores estrangeiros estão batendo em retirada dos mercados emergentes. O Brasil é um dos países mais afetados, mesmo não recebendo tantos recursos (quando comparado aos seus pares mundiais) na época da bonança, por consequência da rápida deterioração dos fundamentos econômicos.

Apesar da forte queda observada nas demais praças financeiras mundiais, o índice Bovespa conseguiu fechar o pregão desta quinta-feira em alta, surpreendendo muitos operadores de mercado.


O índice abriu em forte queda logo no início das negociações e atingiu a mínima na região dos 45.9k. Muitos ativos caíram com GAPs abertos, mostrando elevado nível de sobrevenda, o que motivou a entrada de operações compradoras contra a tendência de baixa. O movimento de retomada nos preços foi puramente técnico, impulsionado pelas ações da OGX e Vale, principalmente. Houve descolamento, inclusive, com o mercado de commodities que registrou nesta quinta-feira a maior queda dos últimos 18 meses.

O candle de fechamento é um martelo de fundo e sugere continuação da força compradora para os próximos pregões. Apesar de tudo não é uma sinalização confiável, devido ao descolamento com o mercado de commodities e perspectiva de manutenção do fluxo vendedor por parte dos investidores estrangeiros.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones despencou nesta quinta-feira. O índice não conseguiu se manter acima da importante linha de suporte em 14.8k  e detonou um pivot de baixa, acelerando a tendência de curto prazo.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

FED envia o convite para a festa de encerramento


A tranquilidade observada nos últimos dias foi por água abaixo no mercado financeiro.  A tão aguardada reunião do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) chegou ao fim. Não houve aumento de juros. O programa de estímulo monetário será mantido, ao menos por enquanto. Aqueles que esperavam alguma mudança já no mês de setembro deste ano ficaram frustrados

Ben Bernanke, presidente do FED, disse que o volume de compras do programa de estímulo monetário poderá ser reduzido somente no final deste ano, desde que condicionado à melhora na economia norte-americana. Até aqui nenhuma novidade. A postura do FED confirmou a expectativa do mercado.

A novidade é que os membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto do FED) esperam que a taxa de desemprego recue para 6,5% em 2014. Esta é a meta principal do FED. Ou seja, quando a taxa de desemprego se aproximar dos 6,5% o programa de estímulo monetário já estará, definitivamente, encerrado.

A queda na taxa de desemprego está respaldada na melhora das projeções do FED para o crescimento de 2014. A autoridade monetária estima que a economia norte-americana vá crescer em torno de 3,00% a 3,50% no ano que vem, provocando, consequentemente, um aquecimento maior no mercado de trabalho.

Bernanke antecipou ao mercado a data de despedida do programa de injeção monetária. Segundo o presidente do FED, o programa será encerrado na metade de 2014, caso as projeções da autoridade monetária, para o crescimento e emprego, sejam confirmadas. Este foi o grande choque que afetou as praças financeiras na tarde desta quarta-feira. O convite para a festa de encerramento da era do dinheiro farto e barato, com local e data praticamente confirmados, foi enviado formalmente ao mercado na tarde desta quarta-feira.

Com relação à taxa básica de juros, a autoridade monetária ressaltou que o mercado precisará passar por um período de adaptação, após o fim dos estímulos monetários, para, somente então, voltar a subir os juros. Esta condição deve estar vinculada às perspectivas de inflação abaixo de 2,5% (mais que o dobro da inflação atual nos Estados Unidos) e taxa de desemprego abaixo de 6,5% (atualmente a taxa de desemprego está em 7,6%).

14 dos 19 membros do Fomc disseram não acreditar que seria apropriado elevar os juros até 2015. Apenas três membros do comitê acreditaram ser possível elevar os juros em 2014. Um diretor do comitê espera que a primeira alta dos juros ocorra em 2016. Uma diretora (a presidente “rebelde” do FED de Kansas City, Esther George) espera que ocorra já em 2013.

As condições técnicas (ausência de resistências até a região da máxima histórica) permitiam a manutenção do movimento de alta nas bolsas de valores. Mas o mercado não gostou de receber o convite do FED para a festa de encerramento da era do dinheiro farto e barato.

O índice Dow Jones caiu 1,35%, invalidando a parte técnica da nossa análise de ontem. A linha central de bollinger foi perdida com um candle de força relevante. A nova formação sugere reteste sobre a linha de suporte em 14.8k.


No Brasil o índice Bovespa despencou 3,18%, invalidando o martelo de fundo, bem como o movimento de reversão, indicado no pregão de terça-feira. Não é muito comum observarmos anulação desta sinalização, nas condições de sobrevenda elevada e fundo duplo de curtíssimo prazo. O motivo (FED) é de grande relevância e causou impacto significativo nos mercados, mas o fato é que a nossa análise de curtíssimo prazo para o Ibovespa estava errada.
  
Ibov.

Um novo pivot de baixa foi armado com o rompimento dos 48.7k. A LTB dos 57k, bastante inclinada, seguirá pressionando o índice nos próximos pregões. Não há regiões de suportes relevantes nos patamares mais abaixo.

No mercado de câmbio o dólar atingiu a cotação de R$ 2,22 pela primeira vez em mais de quatro anos. Desta vez o Banco Central não atuou no mercado para tentar frear o movimento de valorização do dólar, talvez por perceber a inutilidade das tentativas anteriores.

Dólar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou ameaçar o mercado ao dizer que o governo tem bala na agulha para combater a volatilidade do dólar. O ministro estava se referindo às reservas cambiais no valor de 370 bilhões de dólares, que por sinal, são de amplo conhecimento do mercado.

A melhor parte deste novo Stand Up Comedy, apresentado hoje, ficou por conta das opiniões humoradas do renomado ministro sobre o resultado da reunião do FED. “Temos que esperar 24 horas se eles confirmaram que estarão reduzindo os estímulos monetários. Se vão mais rápido ou mais devagar. Hoje, colocam 86 bilhões de dólares por mês”, afirmou Mantega.

Será que o ministro está pensando que o FED adotou a política do governo brasileiro de falar uma coisa e fazer outra totalmente diferente? Qual será o mistério por trás das 24 horas, sendo que a programação é para o final deste ano? E por fim, o ministro acrescentou 1 bilhão a mais na conta do FED (talvez por ter sonhado com uma cobrança de IOF).

O programa de estímulo monetário do FED é baseado na compra de 40 bilhões de dólares em dívida hipotecária (QE3) e 45 bilhões de dólares em títulos públicos (Operação Twist). 40 + 45 = ? ... alguém tem calculadora por aí?

terça-feira, 18 de junho de 2013

Alívio, por enquanto, só na bolsa


A tensão no mercado financeiro deu uma trégua nos últimos dias. O movimento de alívio em Wall Street, iniciado no início desta semana, se espalhou para as demais praças financeiras mundiais. O mercado entrou em compasso de espera para a tão aguardada reunião do FED (Federal Reserve, banco central norte-americano) que termina amanhã.

Embora o resultado desta reunião possa ser perfeitamente previsível (manutenção da taxa básica de juros, bem como do programa de estímulo monetário), o comunicado da autoridade monetária mostrará algo novo aos mercados. O texto deverá conter os indicativos de quando os diretores do FED pretendem começar a reduzir o volume do programa de estímulo monetário.

Percebendo a agitação dos mercados, os diretores poderão adotar um tom de cautela no comunicado, a fim de evitar a propagação da tensão no mercado financeiro. As bolsas estão reagindo positivamente, reduzindo as perdas dos últimos dias/semanas. Mas este alívio das bolsas não chegou ao mercado da dívida soberana.

Fundos de investimentos e grandes players de mercado continuam desmontando suas respectivas posições em títulos públicos, principalmente de países emergentes. A relevância deste movimento é significativa e tem causado atrasos rotineiros para liberação das negociações no Tesouro.

Tesouro Direto

A imagem acima releva o registro da abertura dos negócios envolvendo os títulos do Tesouro Direto. O mercado só abriu às 11h40min. O governo federal informou apenas que o atraso é uma consequência da forte volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos. Este mesmo comunicado foi emitido no dia 07/06 e 11/06.

A verdade é que a volatilidade, citada no comunicado do governo, pode ser entendida como falta de volume comprador para a demanda vendedora significativamente superior. Este desequilíbrio é o responsável por causar uma disparada das taxas.

Os juros da LTN 2016 (título pré-fixado) atingiu 10,92%. Os juros da NTNB 2019 (título atrelado à inflação) atingiu 5,56%. De forma geral, tanto os gráficos dos títulos de curto prazo, quanto os gráficos dos títulos de longo prazo, mostram um movimento típico de pânico de alta, bastante comum entre os ciclos de aperto monetário (auge do pessimismo), onde as taxas sobem (praticamente) em linha vertical.

LTN 2016:
  

NTNB 2050:


O pânico no mercado de renda fixa brasileiro é também uma oportunidade aos investidores se posicionarem nos títulos de curto prazo do Tesouro Direto, conforme destacamos na última análise de panorama de mercado. As taxas dos títulos pré-fixados estão apresentando um spread de quase 3 pontos percentuais sobre a atual taxa Selic, mostrando um certo exagero do mercado que deve ser aproveitado pelo investidor.

Outra oportunidade como esta, para abertura de posições em renda fixa, poderá ocorrer somente em 2015, quando o Banco Central deverá apertar novamente a política monetária, seguindo a estratégia dos demais banqueiros centrais mundiais, inclusive o FED.

Na bolsa de valores o índice Bovespa conseguiu reverter a tendência de curtíssimo prazo no pregão desta terça-feira. Foi marcado um fundo duplo (a princípio temporário) sobre a linha de suporte em 48.7k após a falsa tentativa de rompimento ocorrida na parte da manhã, resultado num pequeno bear trap.


O candle de fechamento é um martelo de fundo, que indica reversão de tendência. Caso a LTB dos 57k seja rompida amanhã, o índice ganhará força para retornar aos 50.7k, inicialmente.

As ações da OGX e Vale puxaram o movimento de alta no pregão. O novo marco regulatório do setor de mineração foi divulgado hoje e, ao contrário do que a mídia colocou, não foi o responsável pela alta dos papéis da Vale. O documento indica que as alíquotas dos royalties do minério de ferro podem ser até duas vezes maior que a atual. Evidentemente a notícia não é positiva. A alta das ações da Vale foi influenciada por fatores técnicos (gráfico) e retomada do preço do minério de ferro.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão em alta, conseguindo superar a resistência dupla criada pela LTB do topo histórico e linha central de bollinger. A partir de agora não há resistências pela frente, o índice tem caminho para retornar à máxima histórica.
  

Por fim, gostaria de registrar minhas impressões quanto às manifestações ocorridas no Brasil. Apesar da intensa cobertura da mídia aos atos restritos de vandalismo, o que tem ocorrido nas ruas é um movimento pacífico, histórico e de extrema importância.

Eu e a “Sra. Finanças Inteligentes” aderimos às manifestações ocorridas hoje na minha cidade. À medida que a passeata passava pelas ruas, as pessoas colocavam bandeiras do Brasil nas janelas ou agitavam panos brancos. A grande maioria das pessoas, ao longo do percurso, acabou se envolvendo.

Não eram apenas estudantes. Eram famílias. Crianças e idosos saíram às ruas com os seus cartazes. Um pai segurava o filho, de dois ou três meses de vida, com um cartaz dizendo: “lutem pelo o meu futuro”. As pessoas que ficaram presas no trânsito buzinavam em seus carros, vibrando com o movimento. Alguns saíram de seus veículos para participar mais ativamente.

O grande apoio e aprovação da população podem ser explicados pela indignação acumulada dos últimos anos com relação à corrupção e gestão do governo federal, principalmente, e não somente às tarifas de transporte público. Estes eram, inclusive, os temas principais entre os gritos e mensagens escritas nos cartazes.

Não houve conflito e muito menos vandalismo. Quem pratica estes atos não parece estar participando das manifestações. Não sei por qual motivo os temas corrupção e má qualidade da gestão pública ainda não ganharam relevância na mídia, pois é o que estão gritando nas ruas. Mas agora entendo porque ocorreu, durante quase todo o percurso, gritos de ofensa a uma determinada rede de televisão.
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