quarta-feira, 31 de julho de 2013

FED mantêm o cronograma


Mais uma vez o sensacionalismo criado pela mídia prejudicou os investidores. O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos) frustrou aqueles investidores/operadores que acreditaram nas informações distorcidas fornecidas pelos principais veículos de comunicação do mercado financeiro.

A decisão do FED não apresentou nenhuma novidade. Ficou em linha com as indicações fornecidas pela ata da última reunião realizada no dia 19/06/2013. A redução do volume de compras do programa de estímulo monetário está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas, a redução poderá ocorrer no final deste ano.

A decisão do Comitê foi praticamente unânime. O único membro que votou contra a política monetária do Banco Central norte-americano foi Esther George, presidente do FED de Kansas City. Mas este voto é praticamente descartável (apesar de auferir grande destaque na mídia) devido à postura radial/ideológica da presidente do FED de kansas City. Esther George votou contra em todas as reuniões do Comitê este ano.

Os demais diretores do Banco Central dos Estados Unidos ressaltaram preocupações quanto às maiores taxas hipotecárias, além de frisarem que a inflação persistentemente abaixo da meta de 2% ao ano pode representar riscos à economia. A expectativa do Comitê é de que a inflação volte a subir somente no médio prazo (provavelmente a partir de 2014, acompanhando o processo de retomada da economia global).

Além disso, o Comitê alterou sua avaliação do crescimento econômico norte-americano, de moderado para modesto, o que significa leve sinalização de piora nas perspectivas de crescimento. Esta é a primeira vez em três anos que o FED utiliza o termo modesto para descrever o impulso da economia, prejudicada pelo aperto fiscal do governo federal e fraco desempenho do mercado externo.

Na parte da manhã o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que o PIB (Produto Interno Bruto) do País subiu 1,7% no segundo trimestre de 2013, significativamente superior às expectativas do mercado que giravam em torno de 0,9%. Já o crescimento do primeiro trimestre deste ano sofreu uma revisão negativa (de 1,7% para 1,1%).

A chuva de informações importantes provocou aumento da volatilidade nos mercados. As bolsas de valores ensaiaram um movimento de alta após a decisão do FED (pró-mercado, com a manutenção do programa de estímulos monetários). Mas os ganhos foram revertidos no final do pregão, mostrando encerramento de posições compradas (possivelmente gestores fazendo caixa) no último dia útil do mês.

O desempenho do índice Bovespa foi ainda afetado pela surpreendente disparada do Índice de Preços ao Produtor no mês de junho. A inflação ao produtor brasileiro subiu 1,33% no mês passado, mostrando reflexos antecipados do impacto ocasionado pela desvalorização do real. O choque do câmbio na inflação de curto/curtíssimo prazo representa uma sinalização preocupante, principalmente no que se refere à baixa confiança dos agentes na condução da política econômica e monetária.

Não é por acaso que o Banco Central do Brasil tem efetuado constantes intervenções no mercado de câmbio na tentativa de forçar uma valorização do real. Mas, como de costume, as intervenções possuem baixo grau de eficiência, haja vista que o movimento de valorização do dólar é global e ocorre com mais intensidade no Brasil, justamente pela baixa credibilidade do governo federal.

Somente nesta quarta-feira o Banco Central realizou três leilões de swap cambial tradicional e mesmo assim não foi possível conter o movimento de valorização do dólar, influenciado, também, pelo fechamento mensal da Ptax. O dólar encerrou o pregão em leve alta, cotado aos R$ 2,28.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,67%, colado na linha de suporte dos 48k. Houve aparecimento de força compradora durante o pregão, no primeiro teste desta região ocorrido no início da tarde, porém novamente rechaçado pela força vendedora. A LTA dos 44.1k foi perdida, enfraquecendo a linha de suporte.


Caso seja confirmado a ruptura dos 48k amanhã, a força da tendência de baixa de curtíssimo prazo deverá aumentar, o que poderá invalidar o movimento de repique de curto prazo (tendência de alta) iniciado na região dos 44.1k.

No gráfico mensal do índice Bovespa podemos observar a formação de uma estrela acima da LTA de 2002, indicando sinalização de fundo (possivelmente temporário). O candle será invalidado com um fechamento abaixo da mínima registrada neste mês. Nível de sobrevenda permanece elevado, favorável ao movimento de repique.
  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones tentou romper pelo décimo pregão consecutivo a resistência dos 15.5k. A tentativa foi novamente rechaçada pela força vendedora, mesmo com a sinalização de manutenção do programa de estímulo monetário do FED. Mercado continua vulnerável à novas correções de curto prazo.


terça-feira, 30 de julho de 2013

À espera da agenda pesada


Os mercados estão na defensiva. Os próximos dois dias serão decisivos para as decisões e formações das estratégias entre especuladores e players de mercado. O Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos) se reunirá nesta terça e quarta-feira para definir (confirmar) o futuro da taxa básica de juros e dos programas de estímulos monetários.

A decisão será divulgada amanhã às 15h (horário de Brasília). Novamente os mercados estão apreensivos, apesar de não haver sinalização de mudança no cronograma do FED para redução gradual do programa de estímulos monetários. A principal avaliação ficará por conta do tom do comunicado e/ou confirmação (embora improvável no momento) de uma data efetiva para que se iniciem os trabalhos de retirada parcial dos estímulos monetários.

Ainda nesta quarta-feira será divulgado o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano. Este indicador tem potencial para aumentar ainda mais a volatilidade no pregão. A superação de uma expectativa positiva para o PIB poderá levar os operadores a acreditarem que o FED reduzirá o programa de estímulos monetários já no mês de setembro deste ano (altamente improvável, mesmo com um resultado positivo), fato que ocasionará no aumento da pressão vendedora por um curto espaço de tempo, já que o FED deverá desmentir esta hipótese no final da tarde. Portanto, o mercado poderá oferecer oportunidades para operações curtas nas duas pontas amanhã (vendedora e compradora).

Na quinta-feira os investidores conhecerão os números finais do Índice Gerentes de Compras das principais economias mundiais referente ao mês de julho, além da decisão do BCE (Banco Central Europeu) quanto à taxa básica de juros na zona do euro.

A notícia de que Banco Popular (Banco Central da China) injetou recursos no sistema financeiro por meio de operações de mercado aberto, pela primeira vez desde fevereiro deste ano, animaram os pregões na parte da manhã. Foram injetados cerca de 2,7 bilhões de dólares (17 bilhões de iuanes) em contratos de recompra reversa de títulos de sete dias. Apesar de a notícia ser encarada como positiva pelo mercado, a postura do Banco Popular mostra certo relaxamento quanto à perigosa formação de bolha no mercado de crédito bancário (principalmente no segmento imobiliário).

A animação durou pouco, rechaçada rapidamente pela força vendedora. O índice Dow Jones fechou colado na resistência dos 15.5k, sem conseguir esboçar movimento de rompimento, pelo nono pregão consecutivo. A LTA dos 14.5k foi perdida. Mercado bastante vulnerável a novas correções de curto prazo.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 1,32%, mostrando sinalização de topo na linha de resistência dos 49.4k. Houve nova uma tentativa de rompimento (a quarta dos últimos seis pregões) da referida região de resistência, rechaçada rapidamente pela força vendedora. Isto significa que nesta região há uma barreira relevante que poderá impedir a manutenção da tendência de alta de curto prazo.
  

A bolsa poderá retornar ao patamar de suporte na região dos 48k, onde o rompimento desta linha aumentará a força da tendência de baixa de curtíssimo prazo, fato que poderá culminar no encerramento da tendência de alta de curto prazo (ou fim movimento de repique iniciado na região dos 44.1k).

No cenário interno o Banco Central informou que o governo brasileiro fechou o primeiro semestre deste ano com o menor superávit primário semestral dos últimos três anos (apenas 52,16 bilhões de reais). É mais um indicador que mostra a ineficiência fiscal do governo. Além de gastar muito, faz um mau uso dos seus (nossos) recursos.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Uma lanterna no meio da escuridão


As famosas pedras, de centenas de quilos, que andam sozinhas no deserto de Death Valley, Estados Unidos, fazem parte de um dos fenômenos mais raros da natureza. Cientistas atribuem tal fenômeno aos fortes ventos e superfície gelada da região. Mas para muitos, a teoria não é convincente, e não explica por que as pedras se movem lado a lado, em ritmo e direções diferentes.

Entender o fenômeno das pedras no deserto de Death Valley é tão complicado, ou impossível, quanto entender/estimar o que poderá acontecer com o mercado de capitais nos próximos dois anos. Infelizmente esta afirmativa não está baseada apenas no princípio de que os mercados são imprevisíveis.

Se existe algo que possa ser considerado como a espinha dorsal de todo o sistema financeiro mundial é a Federal Funs Rate, ou taxa básica de juros dos Estados Unidos (equivalente à taxa Selic no Brasil). Inevitavelmente, as decisões de política monetária da maior economia do planeta afetam o mundo inteiro. O FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) já adiantou que em meados de 2015 um evento tão raro, que chega a ser inédito, vai atingir o mercado de capitais.

A Federal Funs Rate voltará a subir após um longo período de juros zero na economia. Nunca antes na histórica dos Estados Unidos a taxa básica de juros ficou entre zero e 0,25% ao ano por tanto tempo. O FED, assim como os demais banqueiros centrais mundiais, respondeu rapidamente ao choque de 2008, provocado pela crise do subprime, com a política de afrouxamento monetário mais agressiva da história.

Os Bancos Centrais conseguiram evitar um desastre econômico inundando o sistema de liquidez. Mas agora, com a crise contornada, a fase dos estímulos monetários e das taxas de juros em mínimas históricas está chegando ao fim.  A retomada dos juros e o retorno da inflação mundial serão as duas principais ferramentas de redução da liquidez do sistema financeiro. E, mais uma vez, nunca antes na história ocorreu uma desalavancagem no sistema semelhante ao que irá acontecer nos próximos anos.

Não é por acaso que o FED resolveu avisar, com bastante antecedência, que a partir de 2015 os gestores, investidores e players de mercado estarão entrando num terreno desconhecido. Ninguém sabe (nem mesmo os Bancos Centrais) o que poderá acontecer, simplesmente porque um evento deste porte nunca aconteceu no mercado.

Mas para não ficarmos no meio do escuro, sem ao menos uma lanterna na mão, vamos analisar ao longo deste artigo o que ocorreu em eventos ligeiramente semelhantes nos últimos 40 anos.

A década de 1970 foi marcada pela crise do petróleo. A OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróelo) provocou uma disparada sem precedentes no preço do barril de petróleo (alta de 400% em cinco meses) como forma de retaliação aos Estados Unidos e Europa que davam apoio a Israel na guerra contra os Árabes.

A combinação da política econômica exercida pelos Estados Unidos no início da década de 1970, juntamente com a escassez de petróleo provocada pela OPEP, jogou o País numa dura recessão em meio a um cenário de disparada da inflação.

O FED sentiu-se obrigado a elevar de forma bastante agressiva a taxa básica de juros para combater a enorme pressão sobre os preços. A inflação rondava os 12% entre 1974 e 1975 e superou os 14% no final da década de 1970 com uma nova crise provocada pela OPEP.


O ciclo de aperto monetário iniciado em 1972 provocou uma desvalorização significativa no mercado de ações. O índice Dow Jones saiu dos 1.070 pontos e foi parar nos 570 pontos no final de 1974, com o retorno da Federal Funds Rate para a casa dos 5% ao ano.


A linha branca no gráfico acima mostra o movimento dos Yields de 10 anos (juros do título da dívida pública dos Estados Unidos). O aumento da taxa básica de juros provocou uma forte disparada dos juros da dívida pública do País.

Já o segundo ciclo de aperto monetário iniciado no final da década de 1970 não gerou impacto significativo sobre o mercado de ações. O índice Dow Jones andou de lado, enquanto os Yields de 10 anos seguiam em disparada.

No início da década de 1980 a Federal Funds Rate havia atingido sua máxima histórica, se aproximando do patamar de 20% ao ano, numa tentativa desesperada da autoridade monetária em combater a crise inflacionária, que chegou a superar levemente os 14% ao ano em 1980. A estratégia do FED deu certo. A inflação caiu para cerca de 3% em 1983, o que permitiu a posterior redução gradual da taxa básica de juros.


O índice Dow Jones permaneceu andando de lado durante a crise dos juros altos e inflação elevada e só voltou a subir quando o Banco Central havia contornado a situação. O retorno da Federal Funds Rate para casa de um dígito provocou um forte rally no mercado de ações.


Os Yields de 10 anos atingiram a máxima histórica no final de 1981 e voltaram a ceder nos anos seguintes, acompanhando o movimento da taxa básica de juros. No final da década de 1980 os Yields já haviam corrigido todo o movimento do pânico de alta, enquanto o mercado de ações superava máximas históricas.

Com a inflação controlada, oscilando entre 2% a 4%, a Federal Funds Rate continuou sua trajetória de queda durante a década de 1990.


A taxa básica de juros chegou a encostar na casa dos 3% ao ano, menor patamar dos últimos 20 anos, fato que permitiu a manutenção do rally de alta no mercado de ações e redução dos Yields de 10 anos, atingindo mínimas históricas.


O início da década de 2000 foi marcado pelo estouro da bolha das “ponto com”. O forte movimento de valorização do mercado de ações nos últimos anos atingiu em cheio os ativos de tecnologia representados pelo índice Nasdaq.

O FED voltou a subir os juros no final da década de 1990 numa tentativa de evitar o superaquecimento de uma economia que havia crescido sem parar nos últimos anos/décadas.
  
O problema era que, nesta época, o mercado de ações estava em pânico de alta. Ninguém dava ouvidos às preocupações do FED. O estouro da bolha das “ponto com” atingiu em cheio o mercado financeiro e provocou uma crise econômica. O Banco Central se viu forçado a reduzir drasticamente a taxa básica de juros para a casa dos 1% ao ano.


O índice Dow Jones caiu dos 11.500 pontos registrados no início de 2000 para 7.230 pontos no final de 2002. Os Yields de 10 anos caíram para as mínimas históricas acompanhando o movimento da Federal Funds Rate.


O estouro de uma bolha na bolsa de valores provocou o descolamento do movimento inverso entre taxa de juros e ações. O índice Dow Jones só voltou a subir a partir de 2003, três anos depois do início do ciclo de afrouxamento monetário do FED.

A Federal Funds Rate voltou a subir forte em 2004, mas desta vez o movimento da taxa básica de juros não gerou impacto relevante no mercado. Os Yields de 10 anos pararam de cair e chegaram a esboçar uma reação (leve valorização). O índice Dow Jones se manteve dentro da tendência de alta e disparou quando a taxa básica de juros atingiu o pico (ou seja, parou de subir) na casa dos 5% ao ano.

O FED só voltou a cortar os juros quando visualizou os primeiros sinais da crise do subprime em 2007. Mas o que parecia ser uma crise setorial se transformou num monstro em 2008 com o sistema financeiro à beira de um colapso. Os mercados despencaram. A economia entrou em recessão.

Em 2009 a Federal Funds Rate já estava nula, representando o patamar de juro mais baixo da história dos Estados Unidos. Os Yields de 10 anos também atingiram a mínima histórica. O País estava (e ainda está) rolando dívida “de graça”, pagando um juro extremamente baixo aos credores.

O índice Dow Jones já se valorizou mais de 130% desde que a taxa básica de juros ficou estacionada entre zero e 0,25%. Os Yields de 10 anos atingiram uma mínima histórica em 2012. Até o momento observa-se um padrão normal entre taxa de juros, Yields e ações. Isso significa que, ao manter este padrão, o índice Dow Jones continuará se valorizando e os Yields permanecerão próximos das mínimas históricas até 2015.

Em 2014 o FED completará meia década de juro zero.  A manutenção da taxa de juros extremamente baixa por um longo período de tempo pode estar criando bolhas e/ou distorções no sistema. As commodities metálicas (principalmente ouro e prata) entraram em crash recentemente, corrigindo o excesso de valorização do passado.

O mercado de ações norte-americano já começa apresentar sinais de excesso de valorização. Os Yields estão em bear market há mais de 30 anos. A sensação é de que o elástico, tanto da renda fixa quanto da renda variável, parece estar esticado. A manutenção da normalidade deste padrão (taxa de juros, Yields e ações) nos próximos dois anos esticará ainda mais o referido elástico.

Acontece que o FED monitora de perto todos estes movimentos no mercado. Se o Banco Central pretende manter o elástico esticado até 2015 é porque existem razões para tal. Talvez o mercado não esteja preparado para entrar neste ambiente adverso e, o mais importante, a economia ainda não criou força suficiente para suportar um novo choque no sistema financeiro.

Mas ao estudarmos o histórico do movimento do mercado de ações, Yields e Federal Funds Rate, podemos entender porque o FED está mantendo uma postura bastante cautelosa para fazer a transição do maior ciclo de afrouxamento monetário da história para um terreno que ainda não conhecemos.

Pelo menos a lanterna mostrou que está funcionando. Mas economizem as baterias. Quando a luz apagar elas serão o nosso único recurso.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Bolsa sobe 12%. Ficou surpreso? Então abra o seu olho


O desacreditado mercado brasileiro consagrou-se, mais uma vez, como o grande destaque da semana entre as principais bolsas de valores do mundo inteiro. Muitos estão surpresos. O cenário político e econômico não mudou. Os fundamentos das empresas não melhoraram. O pessimismo continua o mesmo. Então porque a bolsa está subindo?

A postura do Banco Central, em manter o ritmo do ciclo de aperto monetário, tornou-se o principal driver do mercado. A autoridade monetária luta para reconquistar sua credibilidade perdida no passado ao mostrar que, agora sim, está comprometida com a política de metas de inflação. A ata do Copom, o Relatório de Inflação e a última entrevista do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ajudaram a reforçar e/ou alimentar esta postura mais firme da autoridade monetária.

O mercado entendeu o recado. Os ativos começaram a subir na bolsa ao som das trovoadas. Quando menos se esperava, nasceu uma tendência de alta.

A mídia e grande parte dos analistas ainda não enxergaram, mas o índice Bovespa já subiu mais de 12% desde o dia 05/07/2013, quando o nosso mercado havia atingido a mínima nos 44.1k. Quem poderia adivinhar que a bolsa iria parar de cair justamente nos 44.1k? Ninguém. Mas mesmo assim muitos se preocuparam em tentar pressupor o impossível (adivinhar o fundo) para sair na frente e ganhar mais.

Ninguém acerta. Ninguém tem bola de cristal. Para piorar, quando o mercado inverte a mão, a maioria dos investidores que estavam acompanhando acabam não fazendo nada. Isso acontece porque é extremamente complicado superar as frustrações com o mercado. É bastante confortável manter uma posição líquida ou vendida num mercado em tendência de baixa, mas alterar esta posição (quando o mercado volta a subir) não é fácil. Como o mercado não se move em linha reta, estas frustrações estão sempre acontecendo nas inversões de tendências.

Além disso, os investidores tendem a assumir uma posição preferencial muitas vezes influenciada pela formação de sua carteira e não pela indicação do próprio mercado. “Eu gosto/quero ver o mercado caindo”. “Eu gosto/quero ver o mercado subindo”. Em alguns momentos o mercado atenderá sua preferência, outros não. O investimento, neste caso, torna-se uma aposta e, novamente, as frustrações ocorrerão quando o mercado decidir se mover pela outra direção.

É por este motivo que poucos investidores conseguem obter retornos satisfatórios especulando ou investindo na bolsa. A frustração com a especulação ocorre de forma mais rápida, pois são criadas expectativas de mercado de curto prazo. A frustração com o investidor de longo prazo ocorre de forma mais demorada, pois são criadas expectativas de mercado de longo prazo. Quantas pessoas você conhece que investem de forma ativa/regular na bolsa há mais de 10 anos? Quantas pessoas você conhece que investem de forma ativa/regular na bolsa há mais de 10 meses?

O investidor que assume uma posição preferencial não sobrevive no mercado e será expulso deste ambiente quando suas frustrações atingirem uma máxima. Por isso é importante não criar expectativa com o futuro da bolsa, seja positiva ou negativa (para curto, médio ou longo prazo). Esta é uma função do mercado e não do investidor.

Então o que fazer? Simples, basta enxergar e aceitar a direção do mercado. Vamos pegar como exemplo a situação atual do índice Bovespa. O mercado, que até pouco tempo atrás estava caindo, inverteu a mão e agora está subindo.

A tendência de alta de curtíssimo prazo foi confirmada no dia seguinte após a divulgação da ata do Copom, com um rompimento de pivot no gráfico horário (superação dos 45.9k com um candle de força relevante) do índice Bovespa conforme podemos observar logo abaixo.


Na sequência formou-se um novo topo ascendente. Em seguida um novo fundo ascendente. A consistência da tendência aumentou à medida que foram aparecendo altas mais fortes e correções mais fracas. Com a superação dos 48.1k (importante linha de resistência), a tendência de alta de curtíssimo prazo ganhou força, estendendo-se para o curto prazo.

Completamos a terceira semana de repique na bolsa e até o momento o mercado não emitiu sinal técnico de que este movimento chegou ao fim. Os elevados níveis de sobrevenda, destacados na análise de fechamento do mês passado, mostram que este atual movimento de repique tem potencial para ganhar consistência por mais algumas semanas e/ou meses.

Por mais que sejam favoráveis as condições para manutenção deste movimento de repique, o mercado pode muito bem virar a mão. Porque não? Algum dia isso certamente vai acontecer. O mais importante é estar preparado para este dia, para o próximo e para o próximo. Não importa se o mercado vai continuar subindo ou vai voltar a cair, mas sim o que você irá fazer.

O Ibovespa fechou em forte alta pela segunda semana consecutiva, aproximando-se do patamar psicológico dos 50k. Os demais índices mundiais fecharam a semana (incluindo emergentes) e lado ou apresentaram pequenas correções.
  

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Até segunda!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bote armado para superar os 50k


O mercado brasileiro voltou a esboçar predomínio da força compradora no pregão desta quinta-feira. Descolado das demais praças financeiras mundiais, o índice Bovespa reverteu rapidamente o movimento de correção de curtíssimo prazo ao testar novamente a região de suporte dos 48.1k.

A bolsa subiu 1,43% e devolveu todas as perdas sofridas no pregão da última quarta-feira. Posições vendidas de curtíssimo prazo liquidadas na tarde desta quinta-feira ajudaram a impulsionar o movimento de alta. A reação do mercado, muito semelhante ao que aconteceu na tarde de ontem ao testar a região de suporte em 48.1k, reafirmou o piso de curtíssimo prazo na bolsa. Portanto, os operadores que estavam na ponta contrária remontaram suas posições, agora na ponta compradora.


O mercado montou fundo ascendente na mesma região do pivot de alta (48.1k), responsável por invalidar a tendência de baixa de curto prazo. O desenho gráfico mostra que o índice está bem armado para acionar um novo pivot de alta no rompimento dos 49.4k, fato que impulsionará o índice para se aproximar do patamar psicológico dos 50k e superá-lo nas próximas semanas. As zonas de resistências são enfraquecidas quando o mercado rompe a máxima anterior (num movimento de pivot) posicionada numa região levemente abaixo da zona de resistência em questão.

Curiosamente a retomada do índice Bovespa ocorre num momento de queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff. A pesquisa do CNI em conjunto com o Ibope, divulgada hoje, mostra que a avaliação ruim e péssima da presidente Dilma Rousseff disparou para 31% em julho, empatada com o percentual dos que consideram a administração da presidente como ótima e boa.

Outra boa notícia aos investidores brasileiros foi divulgada hoje pelo diretor de renda variável da BM&F Bovespa, Julio Ziegelmann. ETFs de índices de ações do exterior devem ser oferecidos no mercado brasileiro até o fim do segundo semestre deste ano. A BM&F Bovespa também tem planos para oferecer ETFs de renda fixa a partir de 2014.

Nos Estados Unidos, as encomendas às indústrias avançaram 4,2% no mês de junho. O resultado superou significativamente as expectativas do mercado, que giravam em torno de 1,1%. O número de pedidos de auxílio-desemprego subiu para 343 mil solicitações, levemente acima das solicitações registradas na semana anterior (334 mil).


O índice Dow Jones fechou o pregão com uma pequena alta de 0,09%. O mercado esboçou reação após testar a LTA formada na região dos 14.5k na parte da manhã. Tendência de alta de curto, médio e longo prazo segue inalterada.

Na Europa, um relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) destacou a possibilidade do BCE (Banco Central Europeu) cortar as taxas de juros e iniciar uma nova rodada de afrouxamento monetário para impulsionar a economia da zona do euro.

A zona do euro deverá apresentar PIB negativo em 2013 (projeção de -0,5%), marcando o segundo ano consecutivo de leve recessão. A retomada do crescimento na zona do euro aparecerá com maior força em 2014, onde as projeções apontam para um crescimento de 1%.

Por fim, gostaria dar os parabéns ao glorioso Clube Atlético Mineiro pela belíssima campanha na Copa Libertadores. Título sofrido. Emocionante. Mas assim é bem melhor. O galo da massa conquistou o Brasil! Saudações alvinegras!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Governo sério reage de forma inteligente


O ritmo de contração da atividade industrial na China está aumentando cada vez mais. Foi o que mostrou a prévia do Índice Gerente de Compras divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Markit.

O indicador caiu de 48,2 pontos em junho para 47,7 pontos neste mês,  registrando o menor patamar dos últimos 11 meses. A contração do setor manufatureiro reflete a desaceleração do crescimento econômico na China. Embora este ritmo tenha ganhado força nos últimos meses, ainda estava dentro da margem de tolerância do governo.

Mas o estudo do Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, apontou para um cenário preocupante de desaquecimento do mercado de trabalho, fato que chamou atenção do governo chinês. Pequim reagiu rapidamente ao anunciar hoje mesmo um pacote de medidas para impulsionar o crescimento.

O governo vai eliminar a cobrança de impostos para as micro e pequenas empresas. A medida tem objetivo de estimular o empreendedorismo e reaquecer o mercado de trabalho. Mais de 6 milhões de empresas chinesas serão beneficiadas. Além disso, o governo vai oferecer melhores condições aos exportadores simplificando os procedimentos de liberação alfandegária e cortando taxas administrativas. Por fim, os canais de financiamento para acelerar o investimento em ferrovias serão ampliados.

A china está engajada em realizar novas reformas estruturais necessárias para garantir a sustentabilidade de médio e longo prazo da economia, que por sua vez passa por um processo de transformação. Nos próximos anos/décadas a demanda doméstica será o carro chefe do crescimento chinês, hoje conduzido pelas exportações e investimentos estatais elevados.

São mudanças importantes e delicadas, mas nada disso impede o governo chinês de trabalhar com planejamento de longo prazo e mostrar respostas rápidas/eficientes aos choques de curto prazo. Bem diferente do que ocorre no Brasil.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,91%, mantendo a correção de curtíssimo prazo dentro da tendência de alta de curto prazo. A linha de suporte em 48.1k foi testada e respeitada. O movimento de correção de curtíssimo prazo será finalizado caso o índice consiga se manter acima deste patamar nos próximos pregões.


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa de desemprego no Brasil subiu 6,00%, marcando o patamar mais elevado desde abril de 2012. O rendimento da população caiu pela quarto mês consecutivo.

O mercado de trabalho está emitindo sinais de desaquecimento antes mesmo do aumento da taxa básica de juros começar a fazer efeito na economia. Esta é a mais recente sinalização da falta de confiança dos investidores, empresários e agentes econômicos na economia brasileira. Não é por acaso que o Banco Central está empenhado em fazer sua parte (combater a inflação) para reconquistar parte desta confiança perdida.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta quarta-feira em leve baixa de 0,16%. O índice conseguiu encontrar apoio na LTA dos 14.5k e na linha de suporte dos 15.5k (antiga máxima histórica).
  

A prévia do Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro norte-americano surpreendeu ao passar de 51,9 pontos no mês passado para 53,2 pontos este mês. O indicador mostra forte aumento do ritmo de expansão da atividade industrial nos Estados Unidos, fato que corrobora para manutenção do cronograma do FED (Federeal Reserve – Banco Central do País) para iniciar a redução dos estímulos monetários no final deste ano.

A prévia do Índice Gerente de Compras da zona do euro subiu para 50,1 pontos no mês de julho, mostrando expansão da atividade industrial pela primeira vez nos últimos 24 meses. O resultado é positivo e impulsionou os mercados europeus. O índice DAX (Alemanha) subiu 0,78%. Na bolsa de Paris (França) o índice CAC avançou 1,01%. Na Itália o principal índice da bolsa de Milão fechou em alta de 1,26%. A bolsa espanhola subiu 1,47%. Em Londres (Inglaterra), o índice FTSE fechou o pregão em alta de 0,35%.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Bovespa perde fôlego


O principal índice da bolsa de valores de São Paulo perdeu fôlego nesta terça-feira ao se aproximar do patamar psicológico na região dos 50k. O mercado abriu em forte alta refletindo a notícia de que a China vai aprofundar as reformas para impulsionar o desenvolvimento sustentável da economia.

O PIB (Produto Interno Bruto) da China desacelerou em nove dos últimos 10 trimestres. No segundo trimestre deste ano o crescimento atingiu 7,5%. Mas o foco do presidente Xi Jinping está em transformar a expansão econômica, atualmente impulsionada pelas exportações e investimentos estatais elevados, para um crescimento puxado pela demanda doméstica. O governo está disposto a tolerar um crescimento mais baixo/lento, realizando as reformas necessárias, a fim de garantir a sustentabilidade de médio e longo prazo da economia.

As declarações de Peter Praet, membro do Conselho Diretor do BCE (Banco Central Europeu), também ajudaram a impulsionar as bolsas na parte da manhã, apesar de não ter apresentado nenhuma novidade. “Nossas taxas de juros básicas podem se reduzidas ainda mais, como foi esclarecido por nossa mensagem de orientação futura. Além disso, como uma medida não padrão, nós continuamos oferecendo aos bancos liquidez ilimitada”, disse Praet.

O índice Bovespa subiu forte nos primeiros minutos de pregão e conseguiu atingir rapidamente a região dos 49.4k. A valorização rápida das ações estimulou um movimento de realização de lucros nas operações compradas de curtíssimo prazo. Com o giro baixo, a bolsa continuou cedendo ao longo do pregão na medida em que os operadores embolsavam os ganhos dos últimos dias.


Este movimento provocou a sinalização de topo na região dos 49.4k. O candle de fechamento é uma estrela cadente e sugere que o índice poderá retornar ao patamar dos 48.1k. Apesar da sinalização de topo, a tendência de alta de curto prazo permanece inalterada. No curtíssimo prazo o índice poderá manter a correção.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, conseguindo superar levemente a máxima história na região dos 15.5k.
  

O pregão desta quarta-feira será marcado pela divulgação das prévias dos indicadores de atividade industrial das principais economias mundiais. São números importantes e poderão indicar o rumo dos negócios amanhã.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Um merecido voto de confiança


Os investidores respiram mais aliviados. Não é por acaso que a bolsa de valores valorizou-se nos últimos dias. O bom desempenho do mercado de ações brasileiro reflete um importante processo de retomada de confiança por parte da autoridade monetária.

Tudo começou no dia 10 de julho quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu por unanimidade elevar a taxa Selic para 8,50% ao ano mesmo com os indicadores de crescimento mostrando fraqueza da economia brasileira. Naquele dia o mercado entendeu que o Banco Central está mais preocupado com a inflação e não com o crescimento (uma postura bem diferente daquela de 2011/2012).

A divulgação da ata no dia 18 de julho confirmou a postura mais firme da autoridade monetária quanto ao comprometimento da política de metas de inflação. O documento mostrou que a taxa básica de juros será elevada novamente, e no mesmo ritmo, na próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 27 e 28 de agosto.

A ata do Copom seguiu a mesma linha do Relatório de Inflação divulgado anteriormente no dia 27 de junho. Os principais documentos de comunicação da autoridade monetária com o mercado estavam transmitindo, também, uma mensagem implícita: “eu quero de volta o seu voto de confiança”. Só faltava aparecer um importante diretor do Comitê para reforçar esta mensagem nas entrelinhas.

E nada melhor do que o próprio presidente do Banco Central para fazer isso. Em entrevista concedida ao Estadão, no último domingo, Alexandre Tombini disse que está em campanha para recuperar a confiança das pessoas na economia. Na visão do Banco Central, é necessário retomar parte desta confiança perdida para destravar os investimentos, e assim, impulsionar o processo de recuperação da economia.

Mostrar ao mercado que a inflação está sendo conduzida ao centro da meta consiste na principal estratégia do Banco Central para retomada da confiança. Tombini voltou a insistir que vai entregar este ano uma inflação mais baixa do que a verificada no ano passado (5,84%), mas que o foco do Banco Central está no médio prazo.

Mesmo porque os ajustes na taxa básica de juros costumam refletir na economia após nove meses, em medida, da data de implementação. Mas ao subir os juros de forma mais agressiva (ou prolongada) do que se esperava, o Banco Central estará mostrando ao mercado o seu comprometimento com a política de metas de inflação e assim, evitará que os agentes econômicos subam os preços baseados, unicamente, pela inflação elevada do passado. Esta estratégia é compatível com a desaceleração da inflação de curto prazo. Por este motivo o presidente do Banco Central está tão confiante de que vai entregar uma inflação mais baixa em 2013, pois o ciclo de alta dos juros vai anular o risco de indexação dos agentes econômicos.

O ressurgimento do Banco Central, como uma instituição independente, comprometida em garantir a estabilidade e o poder de compra da moeda, tornou-se um importante canal para retomada da confiança no mercado. Esta tese é confirmada quando comparamos o desempenho do índice Bovespa em relação aos principais índices mundiais.


Conforme podemos observar no gráfico acima (spread entre Ibovespa x Dos Jones), nos últimos dias, a valorização das ações composta pela carteira teórica do Ibovespa é superior à valorização das ações que fazem a composição da carteira teórica do índice Dow Jones. O mesmo pode ser observado quando comparamos o desempenho do índice Bovespa com o S&P500.


O gráfico acima também mostra que, nos últimos dias, as ações que fazem a composição da carteira teórica do índice Bovespa apresentaram desempenho superior à média dos mercados emergentes (spread entre Ibovespa x MSCI).

Com uma alta de 2,48% no pregão desta segunda-feira a bolsa brasileira conseguiu estender a tendência de alta de curtíssimo prazo para o curto prazo. A superação da resistência nos 48.1k liberou espaço para o índice manter a tendência de alta rumo ao patamar psicológico dos 50k.
   

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão de lado, colado abaixo da máxima histórica. O candle é um doji que indica indecisão e tem potencial para atrair abertura de operações vendedoras caso a força compradora não apareça nos próximos pregões.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

O ministro que erra, mas não admite a culpa


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não conseguiu acertar nenhuma previsão para o desempenho da economia brasileira nos últimos anos. 2012, em especial, foi marcado por uma série de erros na condução da política econômica do governo federal.  As mancadas foram tão fortes que hoje o ministro tem evitado rebater ou criticar as projeções dos analistas.

Estes profissionais, por sua vez, costumam acertar mais do que o próprio ministro da Fazenda mesmo quando estão em desvantagem. Ninguém consegue superar o governo no que se refere às ferramentas de análise, disponibilidade de dados econômicos e magnitude das equipes multidisciplinares.

Talvez seja por isso que o ministro sentiu-se a vontade em criticar a projeção do Credit Suisse para o PIB de 2012. O banco suíço havia reduzido sua estimativa de crescimento para economia brasileira em junho do ano passado de 2,00% para 1,50%. Guido Mantega retrucou dizendo: “É uma piada. Vai ser muito mais do que isso”. Como de costume, Mantega estava errado. Na verdade a piada foi ver o PIB de 2012 fechar em 0,90%.

No final deste mesmo ano Guido Mantega havia mudado o discurso. "Precisamos olhar para frente e não para trás", dizia ele, numa tentativa de incitar o mercado a esquecer do vexame de 2012 e focar nos bons resultados que virão em 2013. Nesta época o ministro da Fazenda dizia que o País iria crescer pelo menos 4,00% em 2013.

Chegamos à metade do ano e os 4,00% do ministro Mantega já viraram lenda. Os investidores e empresários que acreditaram, mais uma vez, nas historinhas de Guido Mantega estão desapontados com o desempenho da economia, bem como da confiabilidade do governo.

Numa entrevista a agência de notícias Reuters, divulgada nesta sexta-feira, o ministro Mantega admitiu que a economia brasileira vai crescer entre 2,50% e 3,00% este ano. Número significativamente inferior à projeção de seis meses atrás e menor do que a sua última revisão (3,00%). O ministro errou uma vez (4,00%), duas vezes (3,00%) e vai errar de novo (entre 2,50% a 3,00%).

Com o fraco resultado do primeiro trimestre de 2013, juntamente com a indicação de que estes números vergonhosos se repetirão no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira dificilmente alcançará um crescimento entre 2,50% a 3,00% no fechamento de 2013.

Pior do que a sequência de erros nas previsões é observar uma impressionante incapacidade de análise do cenário econômico por parte do ministro da Fazenda. Durante a entrevista, Guido Mantega disse que “a volatilidade mundial no câmbio originada pela comunicação inicial não organizada do Federal Reserve (Banco central norte-americano) e os protestos por aqui afetaram a atividade doméstica no segundo trimestre”.

Ou seja, segundo o ministro, a culpa por não crescermos no segundo trimestre é da comunicação do FED (que por sinal não foi nem um pouco confusa e desorganizada para quem leu a ata do Fomc) e das manifestações populares. Realmente é mais fácil colocar a culpa no cidadão que saiu às ruas para exercer o seu direito ou no discurso de duas horas do Bernanke (presidente do FED), do que assumir as consequências de uma economia desregulada, do péssimo ambiente de negócio, da carga tributária elevada, da infraestrutura precária, da baixa educação, da burocracia excessiva e da ineficiência administrativa de quem está no poder.

Ainda durante a entrevista, o ministro da Fazenda foi questionado pelo repórter sobre qual seria o PIB potencial do Brasil. Mantega respondeu sem hesitar: 4,00% ao ano. Ou seja, nas condições atuais, a economia brasileira poderia estar crescendo tudo isso. Mas numa pergunta anterior o ministro havia ressaltado que a economia internacional tira 1,50% do PIB potencial brasileiro. Sendo assim, um simples cálculo de matemática jogaria o PIB de 2013 para 2,50% (4,00 - 1,50) só por conta do que o exterior “toma” do Brasil.

Questionado pelo repórter se o PIB de 2013 não deveria ficar então em 2,50% (e não entre 2,50% a 3,00%), Mantega se esquivou dizendo que os dados não são precisos. Provavelmente são os dados gerados pelas mesmas ferramentas que fazem os cálculos de suas previsões. Ou será que o ministro está incluindo nos 1,50%, sequestrados pela economia internacional, o discurso de 2 horas do presidente do FED?

Ou já que a culpa por não crescermos é, também, da economia internacional que nos toma 1,50%, quanto será que o mundo precisaria crescer em média, para, ao invés de tomar, gerar impulso na economia brasileira? A média do crescimento mundial em 2012 foi de 3,20% e ainda assim estamos reclamando que estão tirando 1,50% do nosso PIB potencial. Ainda bem que o mundo cresce duas vezes mais rápido que o Brasil, caso contrário estaríamos em recessão. Por culpa deles, é claro.

A bolsa brasileira perdeu fôlego nesta sexta-feira refletindo a entrevista do ministro da Fazenda. Mas a queda de 0,54% não foi suficiente para invalidar o desempenho positivo do gráfico semanal. O candle de alta mostrou predomínio da força compradora na semana. A resistência dos 48.1k foi testada e respeitada. Em caso de rompimento, o índice terá espaço para visitar os 50k, aumentando a força da tendência de alta de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de baixa segue predominante, sem sinais de reversão.


Na Índia o principal índice da bolsa de Bombay fechou em alta pela quarta semana consecutiva, realizando teste sobre a importante linha de resistência na região dos 20.1k, a última barreira abaixo do topo histórico. Índice apresenta boas condições de rompimento e reteste sobre a máxima histórica nas próximas semanas.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa. Apesar da queda o índice conseguiu se manter ao redor do patamar psicológico dos 2k. A tendência de alta de curtíssimo prazo será invalidada caso o índice perca este patamar de suporte. A tendência de baixa no médio e longo prazo segue inalterada.


A bolsa de valores do México fechou a semana em leve baixa, mantendo-se na casa dos 270 pontos. Mercado em tentativa de reversão da tendência de baixa de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de alta segue predominante.
  
  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta pela quarta semana consecutiva e conseguiu se aproximar da máxima histórica registrada no mês de maio. Apresenta boas condições de rompimento para reafirmar sua tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


A bolsa de Frankfurt, na Alemanha, subiu forte pela segunda semana consecutiva. Índice caminha para testar a máxima histórica na região dos 8.5k nas próximas semanas, com boas possibilidades de rompimento.


No mercado inglês a bolsa de Londres fechou em alta pela quarta semana consecutiva. Índice trabalha um movimento semelhante ao mercado alemão, indicando teste na máxima histórica com boas condições de rompimento.


Desejo a todos vocês um excelente final de semana! Bom descanso a todos e até segunda!