sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Análise e projeções de mercado


Até ontem, dia 29/08/2013, o bom desempenho recente do índice Bovespa parecia ser uma incógnita. Boa parte dos economistas, analistas, investidores e operadores, alheios ao amparo da ferramenta técnica, não conseguiam entender ou explicar como o mercado de ações brasileiro conseguiu subir 19% entre a mínima registrada no dia 05/07/2013 e a máxima atingida no dia 26/08/2013.

Estas dúvidas foram sanadas nesta sexta-feira, dia 30/08/2013, após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre de 2013. A economia brasileira cresceu 1,5% no segundo trimestre deste ano. O resultado é quase o dobro do crescimento vergonhoso de 0,6% registrado no primeiro trimestre de 2013.

O grande destaque ficou, novamente, por conta da agropecuária que cresceu 3,9%, seguida pela indústria que registrou um crescimento de 2,0%. A safra recorde brasileira no ano, impulsionada pela soja, e a retomada da indústria de transformação, foram os grandes fatores responsáveis pela surpresa positiva do PIB brasileiro.

Os investimentos, medidos pela FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), subiram 3,6% no segundo trimestre contra os três primeiros meses do ano, puxados pela produção interna de bens de capital (caminhões, ônibus, máquinas e equipamentos). Com o reflexo da FBCF, a taxa de investimento da economia brasileira subiu para 18,6%, o que ainda é considerado um número muito baixo, apesar da sinalização de melhora no indicador.

Em suma, o mercado conheceu hoje os fundamentos econômicos responsáveis pelo bom desempenho do índice Bovespa nos últimos dois meses. A melhora do cenário doméstico é inegável. O número do IBGE traduziu, com o devido atraso, a novidade que os gráficos estavam apontando no início do mês de julho.

Mas deve-se ressaltar que a boa recuperação econômica observada no segundo trimestre deste ano não se repetirá nos próximos trimestres. Mais uma vez a retomada da economia vai esbarrar na infraestrutura deficitária brasileira, no trâmite complicado e demorado dos processos burocráticos, na elevada carga tributária, na ausência de mão de obra qualificada e na baixa confiança dos empresários, consumidores e investidores. Este último provocado pela condução da política econômica do governo federal.

O PIB do segundo trimestre vai ajudar recompor a fragilizada capacidade de resistência da economia brasileira diante dos novos obstáculos que surgirão pela frente. A torneira do crédito farto e barato começará a ser fechada no final deste ano quando o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) reduzir o volume do seu programa de estímulo monetário.

Os países emergentes serão os mais afetados pela redução da liquidez no mercado financeiro, já que suas economias são mais dependentes do financiamento estrangeiro. No geral, os Bancos Centrais de países emergentes estão subindo suas respectivas taxas básicas de juros, visando impedir uma fuga em massa de capitais, garantindo assim o financiamento para rolagem da dívida pública e privada, além de combater, em alguns casos, as pressões inflacionárias internas.

Felizmente o Banco Central do Brasil percebeu, com certa antecedência, o grau de periculosidade deste novo cenário (ainda incerto) ao iniciar, no dia 17/04/2013, o ciclo de aperto monetário. Desde então a taxa básica de juros brasileira tem subido num ritmo gradual, poupando volatilidade no mercado de capitais. De fato, as pressões inflacionárias elevadas do cenário doméstico contribuíram para que o Banco Central pudesse subir os juros sem causar polêmica no mercado.

O Banco Central da Índia não contou com a mesma “sorte”. A inflação relativamente comportada na época inibiu uma atuação preventiva do Banco Central ao cenário de menor liquidez no sistema financeiro mundial, fato que tornou o mercado indiano mais sensível à fuga de capitais.

Em caso de uma debandada de dólares do País, o Banco Central indiano não terá outra opção a não ser convocar reuniões extraordinárias para subir, de maneira forte e agressiva, a taxa básica de juros, numa tentativa, já desesperada, de recompor a perda de atratividade da dívida soberana do governo. Este movimento fatalmente desencadearia uma crise no mercado de capitais doméstico.

Portanto, devem-se creditar os devidos méritos ao Banco Central do Brasil, pela atuação correta dos últimos meses, contribuindo impecavelmente com a sua parte para a redução da vulnerabilidade do nosso mercado.

Por outro lado o governo federal não tem feito o seu dever de casa, anulado, em partes, os esforços do Banco Central. O nível elevado de intervenção estatal sobre a economia reduz a atratividade do mercado brasileiro. A política fiscal expansionista e os malabarismos contábeis no superávit primário desagradam os investidores e podem estimular a fuga de capitais.

Essa é a foto do cenário macro brasileiro, composto por uma mistura de responsabilidade do Banco Central e irresponsabilidade do governo federal. O mercado, portanto, sofre influência de dois drivers importantes que impulsionam os preços em direções opostas, travando um movimento consistente e direcional de médio e longo prazo.

Aos 50.000 pontos o índice Bovespa ainda apresenta potencial de valorização, embora as questões de gerenciamento do governo federal continuem atuando como principal limitador. Só foi possível observar o número positivo do PIB deste segundo trimestre nas empresas exportadoras ou companhias que se beneficiam com o cenário de valorização do dólar.

Por este motivo a recuperação da bolsa brasileira é bastante restrita às empresas que se encaixam neste quadro. No gráfico abaixo podemos observar a diferença de desempenho do índice Bovespa (linha verde) contra o índice Small Caps (linha preta).


O desempenho do Ibovespa é significativamente superior ao desempenho do índice Small Caps nos últimos meses, pois a carteira teórica do índice Bovespa possui concentração relevante de empresas que se encaixam no quadro acima descrito.

Basicamente estamos observando o início de uma fase de troca de posições entre a bolsa que subiu demais no passado e a bolsa que caiu demais no passado. A bolsa que subiu demais está cara e tende a continuar apresentando um desempenho inferior ao índice Bovespa. A bolsa que caiu demais está barata, é beneficiada pela mudança de cenário (valorização do dólar) e tende a continuar puxando o desempenho do índice Bovespa nos próximos meses.

O gráfico mensal do Ibovespa mostra uma importante formação de fundo sobre a LTA de 2002, juntamente com a linha de suporte dos 47.8k. A reação do mercado foi muito rápida nestes últimos dois meses, fato que contribuiu para um movimento mais agudo na realização dos lucros após o teste sobre a linha de resistência na região dos 52.4k.
  

A manutenção dos preços acima de uma forte região de apoio formada pela LTA de 2002 e suporte dos 47.8k servirá de base para continuação da tendência de alta de curto prazo, podendo ser estendida para o médio prazo. A expectativa de um crescimento maior em 2014, puxado pelo reaquecimento da economia mundial, além do quadro favorável às empresas de peso relevante do índice Bovespa poderão se sobressair ao cenário negativo constituído pela redução da liquidez global. A observância destes fatores positivos favoráveis à valorização dos ativos impedirá uma fuga em massa de investidores estrangeiros da bolsa de valores, tal como aconteceu em 2008.

As oportunidades também continuam visíveis no mercado de renda fixa. O retorno dos Yields aos patamares mais elevados do ano voltou apresentar boas oportunidades para aberturas de posições.


Em virtude da mudança projetada, a partir de 2015, para as principais taxas de juros mundiais, recomenda-se evitar posições em títulos de médio e longo prazo. Hoje os principais banqueiros centrais mundiais trabalham com a política de afrouxamento monetário agressiva, onde as taxas de juros estão próximas de zero. Mas a retomada do crescimento econômico mundial, projetada para os próximos anos, impedirá a manutenção das atuais políticas monetárias, caso contrário os Bancos Centrais criarão uma crise inflacionária sem precedentes a nível mundial. Por este motivo espera-se que a partir de 2015/2016 as taxas de juros voltem a subir, acompanhando o ritmo de crescimento da inflação global (provocada pela retomada no crescimento).

Como os países emergentes costumam gerar mais inflação, pela natureza da própria economia em fase de desenvolvimento, o Banco Central do Brasil precisará entrar num novo ciclo de aperto monetário a partir de 2015/2016, acompanhando o movimento dos demais banqueiros centrais. Desta forma, as oportunidades de negócio disponíveis hoje estão limitadas aos títulos de curto prazo.

As melhores opções continuam sendo a LTN 2016 (atualmente paga um juro pré-fixado de 11,49% ao ano) e LFT 2017 (título pós-fixado, atualizado diariamente). Não há título de curto prazo atrelado à inflação disponível para compra, portanto esta opção continua descartada.

Ao comprar LFT 2017 e LTN 2016, o investidor aproveitará o ciclo de alta dos juros por meio de um título pós-fixado (LFT 2017) e se beneficiará com os excessos do mercado por meio de um título pré-fixado (LTN 2016). O timming de compra do título pré-fixado é o que garantirá a boa rentabilidade da carteira de renda fixa, superando a média do mercado.

O cenário atual permite uma alocação bastante concentrada em pré-fixado de curto prazo. Dificilmente os Yields permanecerão elevados por um longo período de tempo. As novas projeções de inflação começarão a incorporar os ajustes provocados pelo aperto monetário do Banco Central, fato que reduzirá a expectativa futura sobre os preços, acalmando o mercado e abrindo possibilidade para redução do juro futuro de curto prazo.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Política monetária vai pagar a conta da política fiscal


O Ministério do Planejamento divulgou nesta quinta-feira os parâmetros orçamentários para 2014. Como de costume, os números não são nada animadores. O governo conseguiu a proeza de estabelecer como meta (fictícia) um superávit primário de 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto), mas ao mesmo tempo avisou que este número provavelmente não será alcançado, já que novos abatimentos poderão acontecer, fato que jogará o superávit primário para apenas 2,1% do PIB.

Além de não citar um número correto e/ou digno de ser perseguido, o governo sinalizou que a política fiscal expansionista dos últimos anos, tão criticada pelo mercado, não só será mantida, como turbinada. O resultado do superávit primário em 2014 (se for mesmo os 2,1% do PIB) será o menor desde 2009, ano em que o governo precisou gastar muito para sair crise financeira global. A diferença é que agora o governo está gastando muito, não consegue fazer a economia reagir, cria inflação e ainda vai gastar mais para conseguir se reeleger.

A política fiscal expansionista do governo vai prejudicar os esforços do Banco Central para controlar a inflação e devolvê-la de volta ao centro da meta (4,5%). Isso significa que a dose do remédio amargo (alta dos juros) poderá, realmente, aumentar, com objetivo de anular parte dos efeitos inflacionários proporcionados pelo gasto excessivo do governo no próximo ano.

A reação do mercado foi imediata. A expectativa de que a taxa Selic poderá atingir os 10% este ano ganhou força após a divulgação dos parâmetros orçamentários para 2014. Os Yields, que estavam em processo de correção, voltaram a subir forte, se aproximando das máximas registradas neste ano.

Com este novo indicativo, a minha projeção para o fechamento da taxa Selic este ano provavelmente subirá de 9,5% para 10%. A política monetária (responsável) vai pagar a conta da política fiscal (irresponsável) caso o Banco Central queira, realmente, cumprir com o seu objetivo de carregar a inflação de volta ao centro da meta. A alteração na projeção poderá ser realizada após a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), onde se espera encontrar estes indícios.

O mercado também não entendeu a conta realizada pelo governo responsável por projetar uma expansão de 4% do PIB em 2014, significativamente acima da média das projeções realizadas pelos principais analistas de mercado (atualmente em 2,4%). Com isso a bolsa de valores devolveu quase todos os ganhos conquistados na parte da manhã. O índice fechou o pregão praticamente de lado (leve alta de 0,11%), mostrando um candle de pavio longo superior, sugerindo um teste sobre a LTA formada na região dos 44.1k amanhã.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve alta, também mostrando um candle de pavio longo superior abaixo da resistência dos 14.9k. O mercado reagiu com otimismo à estimativa positiva revisada para o PIB dos Estados Unidos, mas voltou a ceder logo em seguida, já que o número serve de respaldo para o FED (Federal Reserve – Banco Central norte-americano) manter o seu cronograma e reduzir, no final deste ano, o volume do programa de estímulo monetário.
  

O Departamento do Comércio informou que o PIB do País cresceu a uma taxa anual de 2,5% no segundo trimestre deste ano, mais que o dobro do ritmo registrado nos três meses anteriores. O relatório indica que a economia está melhorando apesar das medidas de austeridade do governo.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Taxa de juros continuará subindo


O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu por unanimidade nesta quarta-feira elevar novamente a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual. A decisão não surpreendeu o mercado e ficou em linha com as estimativas dos analistas.

Ao final da reunião o Copom emitiu o seguinte comunicado: “Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

O comunicado é curto e não indica nenhuma mudança de postura para a próxima reunião do Copom a ser realizada nos dias 8 e 9 de outubro. Isso significa que a taxa básica de juros subirá novamente (em 0,50 p.p.) na próxima reunião do Copom.

Os diretores do Comitê optaram por utilizar o mesmo texto emitido no comunicado da reunião do mês anterior (9 e 10 de julho). Havia uma expectativa de abrandamento no tom do comunicado, antecipando o que seria, em tese, o fim do ciclo de aperto monetário na reunião do mês de outubro (alta final de 0,50 p.p.).

Diante deste primeiro indicativo (autoridade monetária utilizar o mesmo comunicado da reunião anterior), abriram-se duas novas possibilidades: (i) o Banco Central se resguardou de antecipar ao mercado a informação de que o encerramento do ciclo de aperto monetário está próximo do fim devido às condições desfavoráveis do mercado de câmbio, deixando em aberto a possibilidade de um novo ajuste de 0,50 p.p. para reunião do mês de novembro, em tese ainda não decidida. (ii) o Banco Central vai mesmo subir os juros na reunião do mês de novembro independente da taxa de câmbio de curto prazo, já que o real permanecerá desvalorizado no médio e longo prazo, fato que jogará a taxa Selic para a casa dos dois dígitos novamente (10% ao ano).

Estas possibilidades poderão ser confirmadas na próxima semana, quando o Banco Central divulgará a ata da reunião do Copom.

No mercado de capitais o índice Bovespa cedeu 0,45%, fechando levemente abaixo da linha de suporte dos 50k. O candle é uma estrela que indica indecisão. Houve uma pequena reação do mercado após o índice se aproximar da LTA formada na região dos 44.1k, fato que corrobora para uma nova formação de fundo, a ser confirmada no próximo pregão.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,33%, mostrando um movimento de alívio após a queda forte dos últimos dois dias. Apesar do respiro, o índice segue dentro da tendência de baixa de curtíssimo prazo.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Mercado busca proteção na iminência de um ataque às forças Sírias


O clima de aversão ao risco tomou conta das principais praças financeiras mundiais nesta terça-feira. A possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra a Síria aumentou significativamente após as declarações de John Kerry, secretário de Estado norte-americano.

Kerry disse que “a evidência de um imenso ataque químico mortal na semana passada é inegável e acusou o governo da Síria de tentar ocultá-lo”. Estima-se que um ataque das forças ocidentais pode acontecer ainda esta semana, limitada a bombardeios em alvos estratégicos.

A iminência de um ataque às forças Sírias levou investidores a fugirem de aplicações mais arriscadas no mercado financeiro (aversão ao risco) e, consequentemente, os índices acionários cederem de forma generalizada no mundo inteiro. Como de costume, em momentos de tensões geopolíticas, o mercado normalmente busca proteção em Treausires (títulos públicos do Tesouro norte-americanos), metais (principalmente ouro e prata) e no dólar.

A forte procura por Treasuries provocou uma redução nos Yields (taxas de juros) dos títulos norte-americanos nesta terça-feira. Este movimento, benéfico para o governo, não atingiu os Yields dos títulos de países emergentes, pois o mercado está buscando proteção e segurança, o que não é o caso dos títulos de baixo rating (ou de risco elevado, comparando-se com os Treasuries ou títulos AAA) ofertados pelos países emergentes.

É, também,  por este motivo que as ações negociadas em mercados emergentes acabam sofrendo mais do que as ações negociadas em mercados desenvolvidos.

O clima de aversão ao risco contribuiu para aumentar a força do movimento de correção iniciado no dia anterior, provocando uma queda de 2,60% no índice Bovespa somente nesta terça-feira.

O mercado retornou rapidamente para a linha de suporte na região dos 50k. O segundo marubozu de baixa consecutivo sugere que esta referida zona de suporte dificilmente conseguirá segurar a pressão vendedora nos próximos pregões. Isso significa que o índice Bovespa poderá testar novamente a LTA formada na região dos 44.1k.


A tendência de alta de curto prazo estará ameaçada, ou poderá ser finalizada, caso a pressão vendedora consiga jogar o Ibovespa para abaixo da região de suporte dos 47.2k, com a formação de um pivot de baixa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones cedeu 1,14%. A fraca linha de suporte dos 14.9k não conseguiu segurar a pressão vendedora. Um novo pivot de baixa foi acionado com um candle de força relevante, sugerindo que o mercado poderá retornar aos 14.5k.
  

Os mercados também cederam na Europa. A bolsa de Milão (Itália) perdeu 2,34%. Na Espanha, a bolsa de Madri caiu 2,96%. Na França, a bolsa de Paris recuou 2,42%. Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt cedeu 2,28%. Na Inglaterra, o principal índice da bolsa de Londres caiu 0,79%.

Além da fuga para ativos seguros, os investidores aproveitaram para comprar contratos futuros do barril de petróleo. Normalmente o preço da commodity sobe quando o clima de tensão aumenta no oriente médio e recua algumas semanas/meses depois, após a poeira ter abaixado. Na Inglaterra o barril do Brent subiu 3,2%. Nos Estados Unidos o barril do Light avançou 2,91%, aproximando-se da máxima de 2012.

Deve-se ressaltar que o impacto de uma ação militar na Síria é relativamente pequeno, devido à irrelevância econômica, já que o País está praticamente devastado pela guerra civil dos últimos anos, além das sanções impostas pelos países ocidentais, bem como da Liga Árabe.

A principal preocupação neste conflito com a Síria está relacionada à deterioração das relações entre os países ocidentais e da Liga Árabe com o Irã, o que por sua vez realimenta o cenário de incerteza e imprevisibilidade geopolítica na região.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Parada técnica


A bolsa brasileira conseguiu cumprir uma façanha nesta segunda-feira. O mercado retornou ao patamar técnico responsável por originar a queda mensal mais forte do ano. A perda dos 52.400 pontos no início do mês de junho foi responsável por provocar o agravamento da tendência de baixa de curto e médio prazo. O índice Bovespa caiu praticamente em linha reta até os 44.100 pontos.

Cerca de dois meses após o término da pancadaria lá estava o mercado de volta aos 52.400 pontos. A recuperação da bolsa brasileira não aconteceu em linha reta, mas surpreendeu. Descolada de Wall Street, subindo mais do que os mercados emergentes, ignorando a deterioração do cenário doméstico e contrariando as expectativas da massa, o índice Bovespa conseguiu mostrar, mais uma vez, a soberania do mercado de capitais com uma alta de 19% nestes dois últimos meses.

O mercado deu um show à parte, mas chegou a hora de cobrar o preço do ingresso. O teste na importante linha dos 52.4k formou uma região de topo no gráfico diário. O pregão desta segunda-feira foi dominado pela força vendedora, cenário que poderá se prevalecer para os próximos dias, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo. A próxima linha de suporte está posicionada na região dos 50k.


Deve-se destacar que a formação de topo na linha dos 52.4k não invalida a tendência de alta de curto prazo, apenas demonstra o nascimento de um novo movimento de correção de curtíssimo prazo. A diferença é que, desta vez, pela força da linha de resistência, a correção pode ser um pouco mais forte.

O recuo de 0,6% no Índice de Confiança da Indústria (atingindo o menor nível desde julho de 2009), medido Fundação Getulio Vargas, juntamente com as declarações infundadas do ministro da Fazenda, nesta segunda-feira, colaboraram para o movimento de queda na bolsa de valores. Guido Mantega voltou a culpar a comunicação do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) pelo fracasso da política econômica brasileira.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones voltou a ceder, impulsionado pela queda das encomendas de bens duráveis, fato que demonstra certa fragilidade econômica e compactua com a visão pessimista por parte de alguns diretores do FED quanto à força da recuperação econômica no curto prazo.

O índice Dow Jones recuou 0,43% e poderá retornar à linha de suporte (fraca) dos 14.9k.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Contra-ataque dos Bancos Centrais


Diversas economias emergentes, em especial o Brasil, experimentaram nas últimas semanas uma significativa desvalorização de suas respectivas moedas. A expectativa de redução parcial no volume do programa de estímulo monetário do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) tem provocado uma verdadeira correria entre os principais fundos e players globais para realocação de portfólio, causando impactos expressivos no câmbio destes respectivos países.

Mas as desvalorizações das moedas, em algumas praças emergentes, acabaram acontecendo de forma exagerada para o curto prazo, influenciada pela conjuntura doméstica desfavorável. Os especuladores, aproveitando a boa janela oportunidade para comprar dólares, contribuíram para formar este excesso observado nas taxas de câmbio.

O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, bem que avisou na segunda-feira desta semana. “A concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda". A autoridade monetária estava expressando o seu desconforto com a atual taxa de câmbio e resolveu alertar os especuladores antes de agir com maior agressividade no mercado.

Três dias após o comunicado, o Banco Central do Brasil anunciou que realizará leilões de swap cambial tradicional (venda de dólares no mercado futuro) de segunda a quinta-feira, com oferta de 500 milhões de dólares por dia. Além disso, às sextas-feiras, será oferecido ao mercado leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de até 1 bilhão de dólares. O programa se estenderá até 31 de dezembro deste ano e poderá totalizar 60 bilhões dólares.

Isso significa que a autoridade monetária estará utilizando, a partir de agora, artilharia pesada para derrubar o dólar que subiu demais no curto prazo. Somente nesta sexta-feira, primeiro dia do programa, o dólar despencou mais de 3% frente ao real, voltando ao patamar de R$ 2,35. A atuação do Banco Central acabou induzindo alguns especuladores a desmontarem suas respectivas posições compradas em dólar.

Este novo comportamento do Banco Central no mercado de câmbio contribuirá, também, para a queda das taxas de juros futuros. Os Yields, próximos das máximas do ano, recuaram significativamente nesta sexta-feira. O sucesso das operações da autoridade monetária no mercado de câmbio aliviará, em partes, as pressões inflacionárias de curto prazo, reduzindo, desta forma, o repasse para a alta da taxa Selic (visando anular o efeito do câmbio sobre a inflação).

Medidas semelhantes estão sendo adotadas em outros países de economias emergentes. Ontem, o Banco Central da Turquia leiloou 350 milhões de dólares (recurso oriundo das reservas cambiais), cumprindo sua promessa de manter vendas diárias de dólares para apoiar a moeda local. A Indonésia também está preparando um pacote semelhante para frear o movimento de desvalorização de sua moeda e fortalecer a economia. A Índia, que também apresenta problemas de inflação elevada, caminha na mesma direção para adoção de novas intervenções cambiais.

Um estudo realizado pela Nomura aponta que os países emergentes já gastaram, somente neste ano, cerca de 153 bilhões de dólares de suas reservas para suavizar, dentro do possível, a desvalorização de suas moedas. Este é o nível mais elevado desde 2008, quando a crise do subprime estourou no mercado financeiro.

Desta vez, pode-se observar que os Bancos Centrais estão mais focados em defender suas moedas da volatilidade cambial do que simplesmente traçar/definir uma banda de oscilação, haja vista que a tendência de valorização do dólar permanecerá no médio e longo prazo.

O contra-ataque dos Bancos Centrais poderá estimular o retorno do fluxo de capital especulativo em algumas praças emergentes. Moedas desvalorizadas e ativos penalizados pela realocação de portfólio dos meses anteriores apresentam, agora, boas oportunidades de negócio para o curto prazo.

No Brasil, em especial, este movimento ocorre com mais força por conta do desconto da bolsa brasileira em relação às demais praças emergentes mundiais. O índice Bovespa já subiu quase 20% em pouco mais de um mês.


A tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 44.1k permanece inalterada e sem sinal de topo/reversão. A próxima linha de resistência está posicionada na região dos 52.5k, onde as condições de rompimento para as próximas semanas são boas, por mais que ocorram novas realizações de curtíssimo prazo.

Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em leve baixa, porém mostrando um candle de reversão (martelo) colado na principal linha de suporte de curto e médio prazo (18.5k). Mercado com bom potencial de retomada da tendência de alta.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de indecisão. Sinalização positiva à tendência de alta de curto prazo. No médio e longo prazo a tendência de baixa permanece inalterada.


A bolsa do México fechou a semana baixa, mantendo a correção de curtíssimo prazo. Índice poderá retornar ao suporte na região dos 255 pontos, linha crucial para manutenção da tendência de alta de curto prazo.
  
  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pela terceira semana consecutiva, mantendo a correção de curtíssimo prazo. Houve uma formação de reversão no gráfico diário na região aleatória dos 14.9k. Tendência de alta para o médio e longo prazo segue inalterada.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em leve alta, mantendo-se colado abaixo da máxima histórica. Mercado permanece dentro de uma zona de congestão de curtíssimo prazo. No médio e longo prazo a tendência é de alta.


Na Inglaterra o índice FTSE fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de reversão acima da linha central de bollinger. Mercado poderá voltar a subir nas próximas semanas, com objetivo de testar novamente o topo histórico.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana! Bom descanso a todos e até segunda!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Recuperação da indústria chinesa anima o mercado


Indicadores importantes que fazem a medição da atividade industrial nas principais economias mundiais foram divulgados nesta quinta-feira. Na zona do euro, a prévia do Índice Gerente de compras do setor manufatureiro atingiu os 51,7 pontos, registrando a maior alta desde junho de 2011. A expansão da atividade industrial na zona do euro superou as expectativas do mercado. Esperava-se um número bem menor, em torno de 50,9 pontos.

Nos Estados Unidos, a prévia do Índice Gerente de Compras saiu de 53,7 para 53,9 pontos, mostrando a contínua expansão da atividade industrial norte-americana. O indicador, embora tenha ficado abaixo das expectativas do mercado (54,1 pontos), atingiu o nível mais alto dos últimos cinco meses.

Mas a grande surpresa ficou por conta da atividade industrial chinesa. A prévia do Índice Gerente de Compras saltou dos 47,7 para 50,1 pontos, registrando o maior nível dos últimos quatro meses. A forte recuperação da indústria chinesa é um reflexo das medidas adotadas recentemente pelo governo na tentativa de suavizar o processo de desaquecimento da economia.


O governo eliminou a cobrança de impostos para as micro e pequenas empresas, visando estimular o empreendedorismo e reaquecer o mercado de trabalho. Houve melhora das condições aos exportadores, com a simplificação de procedimentos de liberação alfandegária e cortes de taxas administrativas. O governo ainda criou canais de financiamento para acelerar o investimento em infraestrutura urbana e ferrovias.

A melhora da atividade industrial na China provocou um movimento de alta generalizada nas principais bolsas de valores mundiais. O indicador aliviou parte das tensões do mercado relacionadas ao desaquecimento mais acelerado da economia chinesa. Na Alemanha, o índice DAX subiu 1,36%. A bolsa de Londres, na Inglaterra, fechou em alta de 0,88%. Na Itália, a bolsa de Milão avançou 2,56%. A bolsa de Paris, na França, subiu 1,10%. Na Espanha, a bolsa de Madri fechou em alta de 1,98%.

Nos Estados Unidos o índice S&P500 fechou o pregão em alta de 0,86%. Nasdaq subiu 1,08%. O índice Dow Jones avançou 0,44%, mostrando uma formação de fundo na região aleatória dos 14.9k. A confirmação do hamari deverá reverter a tendência de baixa de curtíssimo prazo, jogando o índice para testar a LTB do topo histórico.
  

No Brasil o índice Bovespa confirmou a sinalização de indecisão destacada na análise de ontem. A manutenção do suporte na região dos 50k permitiu que o mercado voltasse a subir novamente. Desta forma, o índice ficou bem armado para testar (com boas possibilidades de rompimento) a linha de resistência dos 52.1k nas próximas semanas, mantendo a tendência de alta de curto prazo.


No mercado de câmbio o dólar recuou 0,78%, para R$ 2,43. Apesar do recuo da moeda, os operadores continuam testando o Banco Central. Existe uma expectativa de maiores intervenções da autoridade monetária no mercado ou surgimento de novas medidas cambiais.

No mercado de renda fixa o Tesouro Nacional voltou a fazer leilões extraordinários nesta quinta-feira, visando conter o forte movimento de valorização dos Yields. A agitação está mais forte nos títulos de curto prazo, já que aumentaram as expectativas do mercado com relação ao fechamento da taxa Selic em 2013.

A taxa da LTN 2016 continua próxima de sua máxima história, representando uma boa oportunidade de compra. Mesmo com a possibilidade da taxa Selic fechar o ano aos 10% (expectativa do mercado), o título ainda apresentará um prêmio de 1,6 pontos percentuais acima da taxa básica de juros.

Gráfico da LTN 2016

Os demais títulos continuam desinteressantes para compra, mesmo com spreads elevados de curto prazo. As taxas ficarão defasadas a partir de 2015/2016, quando os principais banqueiros centrais mundiais (incluindo o Banco Central do Brasil) voltarão a subir os juros para conter o aumento das pressões inflacionárias, consequência de uma recuperação mais consistente economia global.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mais um banho de realidade do FED


A mídia errou mais uma vez. Todo aquele sensacionalismo criado nas últimas semanas ficou em vão. As informações distorcidas do passado desapareceram dos noticiários como num passe de mágica. A ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), divulgada hoje, colocou todo mundo no seu devido lugar.

Quem decide o futuro da política monetária são os votos da maioria dos membros do Comitê e não a vontade dos repórteres, redatores ou dos diretores regionais do FED que não possuem sequer poder de voto dentro do Banco Central.

Em primeiro lugar, o documento não indicou nenhuma possibilidade de redução gradual no volume do programa de estímulo monetário já no próximo mês. Quase todos os diretores com poder de voto concordaram que o momento ainda não é apropriado para esta mudança no programa. O FED está mantendo a mesma postura indicada na reunião do mês de junho. Esta redução está condicionada à melhora da economia norte-americana, a ser refletida pelos indicadores de taxa de desemprego, taxa de crescimento e taxa de inflação.

Nesta última reunião, os integrantes do Comitê mostraram que o programa pode ser reduzido quando a taxa de desemprego se aproximar dos 7% (atualmente em 7,4%) e a taxa de inflação superar os 2% (atualmente em 1,96%). Ainda assim, alguns membros se mostraram cautelosos com os indicadores econômicos recentes, principalmente com relação à taxa de desemprego, já que existe um número (considerado alto, por alguns diretores) de norte-americanos que desistiram de procurar emprego e, consequentemente, não entraram nas estatísticas.

Alguns integrantes do Comitê também estão mais pessimistas com relação ao crescimento econômico de curto prazo. De maneira geral, o Banco Central avalia que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos poderá avançar de forma modesta no final de 2013 e ganhar força em 2014.

A grande novidade desta ata ficou por conta de uma nova ferramenta a ser implementada pelo FED, basicamente para drenar os recursos do sistema financeiro e derrubar as taxas de juros de curto prazo. O Banco Central vai implementar um  programa de recompra reserva overnight. Com este programa o FED venderá títulos do Tesouro norte-americano ao mercado financeiro (bancos, fundos de investimentos e corretoras), recomprando-os no dia seguinte.

Este programa tem objetivo de retirar, temporariamente, dinheiro do sistema financeiro, enquanto os bancos, fundos ou corretoras, que aderirem ao programa, recebem juros pré-fixados sobre a transação.

No mercado de capitais o dia foi marcado pelo aumento da volatilidade nos pregões. Por um lado o Banco Central dos Estados Unidos não indicou sinais de que vai reduzir o volume do programa de estímulo monetário no mês de setembro. Esta foi a primeira notícia que chegou aos mercados, responsável por provocar uma rápida recuperação dos índices que operavam em baixa nos momentos que antecederam a divulgação da ata. Por outro lado o Banco Central anunciou um novo programa que irá contribuir com o processo de desalavancagem do sistema financeiro (as recompras reservas overnight). Esta informação foi digerida pelo mercado no final do pregão, responsável por provocar uma nova queda repentina nos índices.

O índice Dow Jones fechou em baixa pelo sexto pregão consecutivo, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo. Apesar de estar sobrevindo, ainda não há sinalização de fundo ou reversão. A próxima linha de suporte relevante está posicionada na região dos 14.5k.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,20%, apresentando as mesmas características de volatilidade observadas em Wall Street. A bolsa chegou a cair 0,90%, testando a linha de suporte na região dos 50k. Poucos minutos depois o mercado já havia subido 2,4%, atingindo os 51.2k. Na reta final o índice Bovespa voltou a ceder, fechando o pregão levemente acima da linha de suporte dos 50k.
  

O candle do gráfico diário é uma estrela e sinaliza indecisão do mercado. O equilíbrio de forças na linha de suporte dos 50k mostra que esta região atuará como divisor de águas para a tendência de curtíssimo prazo. Caso a linha seja mantida, o mercado tende a subir novamente. Caso a linha seja rompida, a tendência de baixa de curtíssimo prazo ganhará força, podendo jogar o índice de volta para LTA dos 44.1k.

No mercado de câmbio o dólar voltou a subir forte frente ao real nesta quarta-feira, descolando-se do movimento observado entre as demais moedas globais. O dólar fechou aos R$ 2,45, impulsionado por um forte movimento especulativo.

Os operadores estão testando o Banco Central. No início desta semana o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, avisou que “a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda”. Até o momento, nenhuma atitude mais enérgica do Banco Central, ou do governo federal, foi adotada para frear o forte movimento de desvalorização do real.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Demorou, mas ela chegou


Nove pregões seguidos de alta. Nem parece cenário de mercado em bear market. O índice Bovespa acumulou uma alta de 10% em pouco mais de duas semanas. A bolsa subiu, praticamente sem parar, dos 47.100 aos 52.100.

Durante esta pernada de alta foram emitidos três sinais de venda no gráfico diário que o mercado simplesmente rejeitou, impulsionado pelas compras dos investidores estrangeiros nas últimas semanas. Mas o doji desta última segunda-feira vingou. O mercado, sobrecomprado, se aproximou da importante linha de resistência na região dos 52.5k e sentiu a pressão vendedora.

As vendas dominaram o pregão desta terça-feira. Investidores/especuladores realizaram lucro das operações compradas abertas nas últimas semanas e alguns players aproveitaram a oportunidade para abrirem posições vendidas nos ativos que subiram demais. O mercado cedeu sem nenhuma resistência da força compradora, registrando a sequência mais forte de queda no gráfico horário desde o fundo dos 47.1k.


A região dos 50k poderá ser testada amanhã mesmo.  Esta é a principal zona de suporte de curtíssimo prazo. Isto significa que se esta linha for rompida o movimento de correção ganhará força, com possibilidades de jogar o índice Bovespa para um novo teste sobre a LTA dos 44.1k.

O candle de fechamento do gráfico diário é um marubozu de baixa. Mostra que o mercado está chegando com força e rapidez para testar a referida região de suporte, fato que pode enfraquecer a reação da força compradora nos próximos pregões.


O mercado de ações brasileiro continua descolado de Wall Street. O movimento de correção foi local, impulsionado pelos investidores que embolsaram os lucros das últimas semanas, além, é claro, dos fatores técnicos.

No mercado de renda fixa o Tesouro Nacional voltou a realizar leilões extraordinários de recompra nesta terça-feira. Desta vez a estratégia funcionou e os Yields recuaram um pouco no final do dia, seguindo, também, o movimento dos Treasuries (títulos do tesouro norte-americano).

No mercado de câmbio o dólar também recuou. A moeda norte-americana caiu 0,90%, voltando aos R$ 2,39. O Banco Central aumentou sua intervenção no mercado com o leilão de linha realizado hoje, complementando a estratégia utilizada nos swaps cambiais.

O índice Dow Jones fechou estável nesta terça-feira. Os operadores estão aguardando a ata da última reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), que será divulgada amanhã. Mais uma vez a mídia levantou a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário na próxima reunião do Banco Central, apesar de ainda não haver nenhuma indicação por parte da autoridade monetária de que esta redução começará já no mês de setembro.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um presente acidental


Parecia uma reprise da última sexta-feira. Câmbio disparando novamente. Juros futuros colados nas máximas. Governo perdido dentro do seu próprio conto de fadas. O castigo do mercado é merecido àqueles governantes que tanto atacaram o capital nos últimos anos, mas, infelizmente, todos nós saímos prejudicados.

Além de lutar para sobreviver dentro de um cenário de inflação elevada e crescimento baixo, a economia brasileira terá de conviver, a partir de agora, com os novos obstáculos secundários provocados pelos juros mais altos, falta de confiança, desemprego mais alto e escassez dos investimentos.

Os obstáculos secundários são consequências da desastrosa política econômica do governo federal e poderiam ser muito bem evitados. Hoje, o nível de confiança na economia voltou aos patamares registrados em 2009, quando o País foi duramente abatido pela crise internacional. Os empresários deixaram de investir e os consumidores estão gastando menos, prejudicando ainda mais o crescimento econômico.

A taxa de desemprego está subindo desde o final do ano passado (de 4,6% em dezembro de 2012 para 6% em junho deste ano, segundo o IBGE), ainda sem refletir os efeitos causados pelo ciclo de aperto monetário do Banco Central, simplesmente por esgotamento do modelo econômico.

O governo errou tanto que acabou beneficiando o seu principal “inimigo”: o capital. Os ataques/intervenções dos últimos anos acabaram criando condições ainda mais favoráveis para que o capital continue “parado” dentro do mercado financeiro, longe da economia real.

A distorção criada pela queda forçada da taxa básica de juros exige, agora, um trabalho redobrado do Banco Central para colocar a casa em ordem (ou em outras palavras, buscar o seu objetivo de convergir à inflação para a meta de 4,5%). A queda agressiva da taxa Selic provocou a sua própria retomada (alta) futura, abrindo uma boa oportunidade de ganho ao capital que ficou “parado” no sistema financeiro.

Com os juros pré-fixados beirando os 12% (novamente), o empresário dificilmente deixará a segurança do mercado de renda fixa para arriscar o seu capital na economia. Isso significa que o Brasil continuará ocupando o posto dos países que menos investem no mundo inteiro. E pior, após um esforço (fracassado) do governo para que isso não acontecesse. Até mesmo países da América Latina como Honduras, Nicarágua, Haiti, Jamaica, Guiana, Costa Rica, ou mesmo os companheiros da escola bolivariana (Bolívia, Argentina e Venezuela), entre tantos outros, investem mais do que os ridículos 18,4% do PIB (Produto Interno Bruto) que o Brasil investe.

A ação conjunta do Banco Central com o Tesouro Nacional não foi suficiente para suavizar/interromper a surra que o governo está levando de seus próprios atos do passado. O dólar fechou cotado aos R$ 2,41, mesmo com três leilões (mais uma vez frustrados) de swap cambial da autoridade monetária. A LTN 2016 disparou para 11,65% e o bônus da NTNB 2019 subiu para 5,63%. No geral, os yields subiram forte mesmo após um leilão extraordinário do Tesouro Nacional realizado nesta segunda-feira na tentativa (também frustrada) de conter a disparada das taxas de juros.


Na bolsa de valores, os ativos beneficiados pela alta do dólar continuam apresentando bom desempenho, apesar dos respectivos elevados níveis de sobrecompra. O índice Bovespa conseguiu se aproximar da zona de resistência dos 52.5k e perdeu força logo em seguida, fechando o pregão com um doji de indecisão, configurando uma nova sinalização de topo de curtíssimo prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pelo quarto pregão consecutivo, trabalhando numa zona isenta de linhas de suportes. O mercado parece apreensivo para divulgação da ata do FED (Federal Reserve - Banco Central norte-americano), na próxima quarta-feira. Apesar do clima de apreensão, não houve indicações no comunicado do Fomc (Comitê de Política Monetária do FED) de que os estímulos monetários serão reduzidos no mês de setembro.