segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Selic de dois dígitos já não é suficiente


O Banco Central divulgou na manhã desta segunda-feira o Relatório Trimestral de Inflação, um importante documento que mostra os estudos e projeções da autoridade monetária e serve como principal base teórica para condução da política monetária no Brasil. De maneira geral, o documento revela nitidamente o desconforto dos membros Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) com a inflação no País, mesmo com a taxa Selic em patamares mais elevados aos observados no último relatório.

As projeções do Banco Central não são nada animadoras. Em março de 2013, quando a taxa Selic estava em 7,5%, a estimativa para o IPCA de 2014, apontada no Primeiro Relatório Trimestral de Inflação, era de 5,3%. Em junho, no Segundo Relatório Trimestral de Inflação deste ano, a projeção subiu para 5,4%. Já no Terceiro Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje, a estimativa para o IPCA de 2014 subiu para 5,7%, mesmo com a taxa Selic em 9% pelo último cenário de referência.


O cenário de referência supõe que a taxa Selic será mantida inalterada durante o horizonte de previsão em 9% ao ano e que a taxa de câmbio permanecerá em R$ 2,35 (trabalha com informações disponibilizadas até o dia 06 de setembro de 2013).

Ao mesmo tempo em que a projeção de inflação piorou, mesmo com o aumento da taxa básica de juros, a projeção de crescimento foi reduzida pela terceira vez consecutiva. A estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2013, que estava em 3,1% no Primeiro Relatório Trimestral de Inflação, foi reduzida para 2,7% em junho e 2,5% agora em setembro.

A redução na projeção de crescimento está respaldada, principalmente, pela queda significativa dos níveis de confiança, tanto dos empresários, quanto das famílias brasileiras. Já a elevação na projeção de inflação para 2014 deve-se, em grande parte, ao aumento das expectativas de inflação e aos efeitos remanescentes da valorização do dólar.

O índice oficial de inflação (IPCA) ainda não está refletindo a recente desvalorização do real frente ao dólar, mas o próprio Relatório de Inflação aponta que a depreciação cambial já se manifesta em indicadores de preços do mercado atacadista. Isso significa que a inflação voltará a subir com mais força nos próximos meses à medida que o varejo começar a receber o repasse do aumento dos preços no atacado.

O Banco Central voltou a destacar no documento que os efeitos secundários da depreciação cambial “podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária”, o que em outras palavras significa aumento extra de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros a cada 10% de alta na taxa de câmbio.

Além do problema causado pela depreciação cambial, a permanência elevada, e longe do centro da meta (4,5%), dos índices de preços nos últimos meses/anos contribui para que a inflação mostre resistência, já que este cenário proporciona condições para o surgimento de mecanismos formais e informais de indexação e provoca piora na percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Este quadro precisa ser revertido o quanto antes e, por este motivo, os diretores do Banco Central reafirmaram que “em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.”

Por fim, o Banco Central ponderou, mais uma vez, que um risco importante para a inflação advém do mercado de trabalho, que mostra margem estreita de ociosidade. “O Comitê reafirma que um aspecto crucial nessas circunstâncias é a possibilidade de o aquecimento no mercado de trabalho levar à concessão de aumentos reais de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Neste ponto, cumpre registrar que a teoria – no que é respaldada pela experiência internacional – ensina que moderação salarial constitui elemento-chave para a obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços.”

Levando em consideração que o cenário de referência (taxa Selic em 9% e taxa de câmbio em R$ 2,35) ainda não é suficiente para promover a conversão da trajetória de preços ao centro da meta estabelecido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), juntamente com a necessidade de atenuar os riscos inerentes à inflação provocados pelo aquecimento do mercado de trabalho, depreciação cambial, indexação de preços e piora na percepção dos agentes econômicos, a taxa básica de juros precisará bater os dois dígitos (ou seja, superar os 10% ao ano) no curto prazo para que o Banco Central possa cumprir com os seus objetivos e solucionar os problemas apontados no Relatório de Inflação.

A mensagem do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, de que “há bastante trabalho a ser feito pela política monetária em termos de combate à inflação”, corrobora com os estudos e projeções pesados (as) do último Relatório de Inflação divulgado nesta segunda-feira.

Por outro lado existe claramente um limitador político para o ciclo de alta da taxa Selic. Uma decisão puramente técnica, isenta de interferências/pressões do governo, jogaria a taxa básica de juros para, pelo menos, 10,5% até o dia 15 de janeiro de 2014 (três elevações de 0,5 p.p. nas próximas três reuniões do Copom), onde o ciclo de aperto monetário estaria próximo do fim.

Considerando o limitador político, trabalho, agora, com uma expectativa de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de aperto monetário quando a taxa Selic se aproximar ou atingir os 10% ao ano. A implementação de medidas macroprudenciais (elevação do compulsório, por exemplo) complementará as ações de política monetária no combate à inflação, apesar da baixa eficácia quando comparada ao aumento da taxa básica de juros.

Portanto, a minha projeção para o fechamento da taxa Selic, realizada no dia 27 de junho deste ano, provavelmente está errada e será elevada de 9,5% para 10%. Mesmo com a manutenção da taxa básica de juros em 10% ao ano, o Banco Central dificilmente conseguirá cumprir o seu objetivo de carregar a inflação para o centro da meta (4,5%).

Deve-se ressaltar que, embora as possibilidades sejam remotas, a inobservância do limitador político nas próximas decisões de política monetária não deve ser descartada. O Relatório de Inflação continua transmitindo uma mensagem bem hawkish (menos intolerante com a inflação e defensor de juros mais altos). Nota-se, também, um pequeno desgaste nas relações entre as lideranças do Planalto e diretores do Banco Central. Estes últimos, por sua vez, desmentiram algumas declarações controversas do governo no que se refere às competências do Banco Central, fato que não acontecia nos anos anteriores.

No mercado de capitais o índice Bovespa despencou 2,61%, aumentando a força da tendência de baixa de curtíssimo prazo. Além do Relatório de Inflação mostrar deterioração do cenário doméstico, a leitura final do Índice Gerente de Compras da China ficou em 50,1 pontos no mês de setembro, bem abaixo da prévia de 51,2 pontos divulgada no dia 23 deste mês. A leitura do indicador sugere que a atividade industrial chinesa enfraqueceu significativamente nos últimos 10 dias.

O aparecimento de um marubozu de força relevante no gráfico diário sinaliza que a importante zona de apoio formada pela LTA dos 44.1k e região de suporte em 52.4k não conseguirá segurar a tendência de baixa de curtíssimo prazo iniciada nos 55.9k. A próxima linha de suporte está posicionada nos 49.5k, onde a perda desta região poderá ameaçar a manutenção da tendência de alta de curto e médio prazo.


Apesar de fechar mais um mês em alta, o índice Bovespa sinalizou topo/reversão após testar a média móvel simples de 20 períodos mensal, que por sua vez passa na mesma região dos 55.9k. O candle de fechamento não é uma estrela cadente, tal como ocorreu no gráfico semanal, mas apresenta um pavio longo superior relevante indicando a possibilidade de novas correções nas próximas semanas/meses.
  

A tendência de alta de médio prazo será invalidada em caso de perda da importante linha de suporte em 47.8k e LTA de 2002 que passa, aproximadamente, na mesma região da referida linha de suporte.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,84% influenciado pelo impasse nas negociações entre Republicanos e Democratas visando evitar uma paralisação forçada de alguns órgãos do governo norte-americano. A região dos 15.2k foi perdida, mostrando que a minha análise da última quinta-feira estava errada. Não há formação de fundo no Dow Jones e um novo pivot de baixa foi acionado.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Senado americano aprova orçamento temporário


Com 54 votos a favor e 44 contra, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira um projeto de orçamento para financiar temporariamente o governo norte-americano até o dia 15 de novembro deste ano.

A proposta evitará a interrupção de alguns serviços públicos (não essenciais) a partir do dia primeiro de outubro, quando começa oficialmente o exercício fiscal dos Estados Unidos de 2014.

Se até terça-feira que vem a Câmara dos Deputados, de maioria Republicana, não aprovar a proposta do Senado, alguns setores do governo federal poderão sofrer uma paralisação forçada (por “falta de verba”) até que o impasse seja resolvido entre Republicanos e Democratas.

O projeto aprovado no Senado concede fundos à reforma da saúde (mais conhecido como “Obamacare”, programa que concede subsídios aos cidadãos norte-americanos que não possuem condições de custear o seguro médico), uma das principais propostas de campanha do presidente Barack Obama, da qual os Republicanos se opõem fortemente. Nesta semana, a Câmara dos Deputados tinha aprovado um projeto de orçamento que não passou pelo Senado justamente pela exclusão do “Obamacare”.

O presidente dos Estados Unidos já adiantou que não aprovará nenhum projeto de orçamento que deixe a reforma da saúde de lado e fez um apelo para que os deputados Republicanos aprovem a proposta do Senado sem alterações. “Nos próximos três dias, deputados republicanos terão de decidir se vão juntar-se ao Senado para manter o governo funcionando ou paralisá-lo porque não conseguem o que querem em uma questão que não tem nada a ver com o déficit”, disse o presidente em pronunciamento na tarde desta sexta-feira.

O jogo político entre Republicanos e Democratas colaborou para o fechamento negativo dos principais índices de Wall Street, confirmando o sinal de reversão emitido na semana anterior. O índice Dow Jones retornou para a linha central de bollinger do gráfico semanal. A perda deste patamar de sustentação poderá jogar o índice de volta aos 14.7k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em leve baixa, mostrando pouca oscilação. Mercado ainda conseguindo se manter acima da linha de suporte em 8.6k.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em baixa, confirmando a força da zona de resistência em 20.2k. Poderá retornar a linha central de bollinger nas próximas semanas, mantendo o movimento de correção de curtíssimo prazo.


Na China a bolsa de Xangai também fechou a semana em baixa, mantendo o movimento corretivo iniciado na semana anterior. Índice já se aproximou da LTA formada a partir do fundo na região dos 1.8k, sem apresentar sinal de fundo/reversão. Em caso de rompimento, a tendência de baixa de curtíssimo prazo poderá ganhar força.
  
  
No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em baixa, confirmando a sinalização de reversão emitida pelo candle da semana passada. Mercado permanece vendido no curtíssimo prazo, cenário que não invalida a tendência de alta de curto e médio prazo.


O destaque desta sexta-feira ficou por conta da disparada de 1,50% do IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) de setembro, mostrando que a alta nos preços do atacado já está sendo influenciada pela valorização recente do dólar frente ao real, fato que deverá pressionar o IPCA (índice de inflação oficial) nos próximos meses.

Ainda no cenário doméstico, o Tesouro Nacional divulgou nesta sexta-feira mais um número ruim das nossas contas públicas. O governo central registrou no mês passado o pior superávit primário (apenas R$ 87 milhões) para meses de agosto desde que a série histórica foi iniciada (em 1997).

O índice CRB, que mede o desempenho das principais commodities mundiais, fechou a semana em leve baixa, mostrando um candle de reversão colado na linha central de bollinger. Apesar da reação de curto prazo, iniciada no mês de junho, o índice de commodities continua trabalhando dentro de um movimento corretivo de longo prazo, iniciado no final de 2011, período em que marcou o fim do super ciclo de alta das commodities.

CRB Commodities

Já o dólar indexado por uma cesta de moedas globais esboçou uma pequena reação esta semana após testar a LTA de 2011, levemente acima da média móvel simples de 200 períodos semanal. A sinalização não é suficiente para confirmar o término da tendência de baixa de curto prazo (iniciada no mês de junho) do dólar frente às demais moedas globais, mas alivia o movimento que começou muito forte. Observa-se que o movimento do dólar na matriz foi determinante para o bom desempenho do mercado brasileiro nos últimos três meses.

Dólar x cesta moedas

Bom descanso a todos e até segunda!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Decepção com o Brasil virou capa de revista


Em novembro de 2009, a capa da revista The Economist mostrou o Cristo Redentor decolando do Corcovado. A imagem simbolizava o momento favorável à economia brasileira, impulsionada pelo super ciclo de alta das commodities. No ano seguinte, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 7,5%.

O mundo estava animado com o nosso País e não era para menos. Tínhamos (e ainda temos) um excelente potencial de crescimento sustentado de médio e longo prazo. Mas a reportagem de 14 páginas desta edição de 2009 destacou um ponto interessante negligenciado pelas nossas lideranças políticas: o próximo governo teria que lidar com uma série de problemas, além de fazer as reformas estruturais, que Lula se deu ao luxo de ignorá-las, já que foi beneficiado pela sólida plataforma de crescimento erguida pelo seu predecessor (Fernando Henrique Cardoso) e do próprio ciclo de alta das commodities.

Além de não fazer o seu dever de casa, o governo da presidente Dilma Rousseff acabou deteriorando ainda mais o cenário econômico doméstico com as intervenções excessivas e desastrosas do Estado sobre a economia que, segundo a revista, chegou ao ponto de forçar o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros.

Observando este cenário de degradação, insistentemente debatido em nosso blog nos últimos anos, a revista The Economist fez uma nova capa mostrando o Cristo Redentor. Mas desta vez a imagem mostra um voo desgovernado, após a forte decolagem, apontando direto para o chão.

Segundo a revista, muitos investidores perderam as esperanças com o Brasil e estão decepcionados com a gestão do governo nestes últimos anos. Este desânimo é causado por uma série de fatores, dos quais podemos destacar, além dos já citados anteriormente: inflação elevada, baixo crescimento, política fiscal expansionista, carga tributária elevada, baixo investimento e corrupção.

Apesar de tudo, a reportagem deste mês destaca que o Brasil não está condenado a fracassar. Para reverter este cenário, a presidente Dilma Rousseff deve adotar duas prioridades básicas daqui pra frente: reformular os gastos públicos, realizar as reformas estruturais e permitir que as empresas possam se tornar competitivas novamente.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 0,88%, influenciado pelo novo tombo das ações da OGX. A perda dos 54k abriu nova oportunidade para entrada de posições vendidas no índice. O giro financeiro continuou baixo (5,1 bilhões de reais), pois os operadores não estão tão confiantes no movimento, impulsionado por um papel de alta volatilidade, muito sensível ao noticiário do “mundo X”.


Mas tivemos uma notícia boa nesta quinta-feira. Uma simulação feita pela Quantitas Asset Management e BB Investimentos revelou que o peso do setor bancário na nova carteira teórica do índice Bovespa (começa a valer no ano que vem) vai aumentar, tomando a primeira posição que hoje é do setor de petróleo. Os setores siderúrgico e de construção também perderão peso no novo índice Bovespa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,36%, marcando fundo na região dos 15.2k, levemente acima da linha central de bollinger. A estimativa para o PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre ficou inalterada em 2,5%.


O mercado conseguiu mostrar força mesmo com o impasse nas negociações entre Republicanos e Democratas para elevação do limite de endividamento do governo norte-americano.

O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, o democrata Harry Reid, rejeitou nesta quinta-feira a proposta de deputados republicanos, que exigem o adiamento do “Obamacare” (implementação da nova lei nacional de saúde pública) para elevar a dívida do País. É mais um jogo político de baixa relevância. Este impasse que deverá ser superado até meados do mês de outubro.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mico dentro do Goldman Sachs


A presidente Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, realizaram nesta terça-feira uma espécie de “força-tarefa” na tentativa de atrair investidores estrangeiros ao Brasil.

Após verificar que o número de empresas inscritas no leilão do campo petrolífero de Libra ficou abaixo do esperado inicialmente, o governo tratou logo de agir marcando uma reunião com investidores estrangeiros dentro da sede do Goldman Sachs em Nova York.

Era uma excelente oportunidade para que o governo pudesse admitir, na frente dos principais players mundiais, que errou na forma como realizou as intervenções desastrosas nos setores elétrico e financeiro, por exemplo, com objetivos claramente eleitorais, longe dos interesses das empresas e de seus acionistas.

Mas o governo preferiu adotar a mesma estratégia de sempre: contar história; desenhar um cenário que não existe; falar uma coisa e fazer outra. Isso funciona quando o discurso é direcionado ao público em geral, mas não quando você está dentro do maior banco de investimento do mundo falando com especialistas de mercado. Observando a mesma, e lamentável, postura do governo, os investidores na plateia começaram a questionar incessantemente às nossas lideranças políticas quanto aos riscos jurídicos no Brasil.

A presidente Dilma Rousseff respondeu simplesmente dizendo que “se existe um país no mundo que respeita contratos, esse país é o Brasil”. Difícil de acreditar, mas essa foi a resposta que os investidores estrangeiros, preocupados com os últimos acontecimentos no País, receberam do governo brasileiro.

Depois disso os micos começaram a aparecer um atrás do outro. Dilma ainda disse que os investimentos em educação são essenciais, apesar de não fazermos praticamente nada para melhorar o nível de educação nas escolas públicas. E por fim, a presidente se lamentou ao dizer que o Brasil formava mais advogados do que engenheiros. Segundo ela, "advogado é custo, engenheiro é produtividade". A presidente conseguiu arrancar risos da plateia. Investidores que estavam rindo para não chorar.

Guido Mantega, Fernando Pimentel e Alexandre Tombini adotaram o mesmo discurso, reafirmando o compromisso do governo com a estabilidade econômica, política fiscal e o combate à inflação. A mesma história de sempre, bem distante da realidade em algumas questões.

O ministro Mantega ainda aproveitou a oportunidade para criticar a política monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), dizendo que o programa de estímulo monetário do Banco Central norte-americano foi excessivo e precisa ser retirado de maneira ordenada para evitar afetar a economia global.

No mercado de capitais, as bolsas de valores foram afetadas nesta terça-feira pela nova carta do Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, enviada ao Congresso americano. Lew afirma que as medidas de emergência tomadas para enfrentar o pagamento das dívidas do governo se esgotarão no dia 17 de outubro e pediu urgência no processo de nova elevação do limite de endividamento do País.

O teto da dívida pública norte-americana (16,7 trilhões de dólares) foi atingido em maio deste ano. Desde então o Tesouro recorreu a medidas excepcionais para honrar com as obrigações de pagamento do País.

O índice Dow Jones fechou em baixa pelo quinto pregão consecutivo, sem apresentar novidades e/ou sinal de fundo/reversão.


No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa de 0,31% apresentando baixo volume financeiro de negócios (apenas 5,5 bilhões de reais). Também não apresentou novidades, mantendo a análise dos últimos dias.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Sinal amarelo no BNDES


Os investidores estrangeiros ainda demonstram certa preocupação com o mercado brasileiro. Um dos (novos) motivos está relacionado à carteira de crédito do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) que tem aumentado de forma expressiva nos últimos anos em meio ao cenário de baixo desempenho da economia. Somente na gestão de Luciano Coutinho, atual presidente da instituição, o volume de empréstimos concedidos pelo banco estatal mais do que triplicou.

Como parte da estratégia de política econômica do governo federal, os bancos estatais estão emprestando seis vezes mais do que os bancos privados. Com o desequilíbrio de crescimento da carteira de crédito entre bancos públicos e privados, subentende-se que partes dos financiamentos concedidos pelos bancos estatais estejam caindo em setores improdutivos ou negócios de baixa lucratividade, onde costumam ser rejeitados pelas mesas de operações dos bancos privados.

Este cenário não é dos melhores, pois além de estimular setores/empresas improdutivos (as) na economia, o BNDES acaba anulando, parcialmente, o efeito contracionista causado pelo ciclo de aperto monetário do Banco Central (que atua na outra ponta, na tentativa de restringir o crédito na economia) e pior, com recursos do Tesouro Nacional, provocando aumento na dívida bruta do Brasil.

Na tentativa de colaborar para suprir parte desta grande necessidade de caixa, o BNDES decidiu fazer uma captação no exterior (a última operação deste tipo foi realizada em 2009) e levou um baita revés do mercado. O banco estatal pagou um prêmio de 3 pontos percentuais acima dos Treasuries de 10 anos (títulos do Tesouro norte-americano) para captar apenas 1,25 bilhão de dólares.

O prêmio (taxa) é cerca de 0,50 pontos percentuais maiores do que os investidores pedem por títulos corporativos de mercados emergentes com rating BBB. Para efeito comparativo, a Petrobras, com um nível de endividamento elevado, captou 3,5 bilhões de dólares em 13 de maio deste ano pagando um prêmio 2,6 pontos percentuais acima dos Treasuries.

O governo nem se deu ao trabalho de comentar/justificar ao mercado o prêmio mais elevado pago pelo banco estatal para conseguir captar pouco mais de um bilhão de dólares no exterior. Mas a verdade é que o BNDES recebeu um sinal amarelo do mercado. Este prêmio revela o descontentamento dos investidores com relação à condução da política econômica brasileira, baixa credibilidade do governo, endividamento elevado do próprio banco e, por fim, na impossibilidade de confiança na política fiscal.

No mercado de capitais o pregão desta terça-feira foi marcado por mais um dia de volume fraco nas principais bolsas de valores mundiais. Não houve alteração de cenário.

O índice Dow Jones continua corrigindo no curtíssimo prazo ainda sem apresentar sinalização de fundo ou reversão.


No Brasil o índice Bovespa cedeu 0,31%, mas ainda assim conseguiu se manter acima do piso formado na região dos 54k. A média móvel simples de 200 períodos diária perdeu relevância, já que os preços estão congestionados nesta região. O patamar dos 54k continua atuando como divisor de águas de curtíssimo prazo.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Indústria chinesa volta surpreender


A retomada da atividade industrial na China está surpreendendo o mercado. Mais uma vez, a prévia do Índice Gerente de Compras superou a média de projeções dos principais analistas.

O indicador saiu de 50,1 pontos em agosto para 51,2 pontos em setembro, mostrando aumento na força de expansão do setor manufatureiro chinês. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado (de 50,9 pontos) e atingiu o nível mais alto dos últimos seis meses.

A boa notícia impulsionou as ações das principais empresas que fazem parte da composição da carteira teórica do índice Bovespa, beneficiadas pelo crescimento da economia chinesa.

O índice Bovespa fechou o pregão em alta de 0,91%, formando um piso na região aleatória dos 54k. O mercado aliviou a pressão vendedora após dois dias consecutivos de queda. A manutenção do piso em 54k inviabilizará abertura de novas operações de curtíssimo prazo na ponta vendedora.


O mercado também reagiu à reeleição da chanceler alemã, Angela Merkel, que prometeu lutar para formar um governo de coalizão. O parceiro de coligação do partido de Merkel saiu enfraquecido das eleições, obrigando a chanceler alemã arquitetar uma nova coligação com o Partido Social-Democrata e/ou Partido Verde para ter apoio no Parlamento.

Ainda na Europa, a prévia do Índice Gerente de Compras saiu de 51,5 pontos em agosto para 52,1 pontos em setembro, marcando o nível mais alto dos últimos 27 meses. O indicador revela que a atividade manufatureira na zona do euro segue mantendo um bom ritmo de recuperação.

Nos Estados Unidos a prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 53,1 pontos em agosto para 52,8 pontos em setembro, mostrando o segundo mês consecutivo de perda no ritmo de expansão da atividade industrial.

O índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,32%. Apesar do baixo volume financeiro, a segunda-feira foi bastante movimentada no mercado por conta dos discursos dos diretores regionais do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos).


O presidente do FED de Nova York, William Dudley, afirmou que o ritmo de melhora da economia americana é insuficiente para que a autoridade monetária possa iniciar os trabalhos de redução do programa de estímulo monetário. O presidente do FED de Atlanta, Dennis Lockhart, afirmou que a política monetária dos Estados Unidos deve se concentrar na geração de uma economia mais dinâmica e evitou citar uma data para o Banco Central iniciar o processo de redução no volume do programa de estímulo monetário.

Já o presidente do FED de Dallas, Richard Fischer, considerou que a autoridade monetária prejudicou sua credibilidade ao decidir manter inalterado o volume de compra de ativos e ainda criticou a postura da Casa Branca no processo de substituição do chairman do Banco Centraldo País.

Richard Fischer não tem poder de voto no Comitê do FED. É conhecido por ser um economista de visão contrária à Janet Yellen. Com a saída de Larry Summers, Yellen se tornou a principal candidata para sucessão de Ben Bernanke.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mercado sinaliza reversão


Num dia marcado pela agenda macroeconômica vazia, as declarações de dois diretores regionais do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) acabaram ganhando grande repercussão nos mercados.

O presidente do FED de St. Louis, James Bullard, afirmou em entrevista à Bloomberg que uma redução, a partir de outubro, no volume do programa de estímulo monetário do Banco Central norte-americano é perfeitamente possível, desde que os resultados de novos dados econômicos surpreendam positivamente.

As declarações de Bullard voltaram alimentar novas especulações com relação à próxima reunião de Comitê do FED, a ser realizada nos dias 29 e 30 de outubro. A forma como notícia foi divulgada induziu os investidores a apostarem na possibilidade dos estímulos monetários serem reduzidos no mês de outubro, destoando-se, mais uma vez, da comunicação oficial da autoridade monetária. A parte mais relevante, de que este fato está condicionado à melhora, acima do esperado pelas projeções do FED, nos indicadores econômicos, não foi digerida pelo mercado. Portanto, há uma grande possibilidade de que o programa de estímulo monetário será mantido no mês de outubro.

Já a presidente do FED de Kansas City, Esther George, afirmou, novamente, que vê progressos substanciais no mercado de trabalho e que a decisão do FED, em manter o atual ritmo das medidas de estímulo, criou confusão e desconexão. Apesar de auferir grande repercussão na mídia, Esther George carrega uma postura radicalista, ideológica e solitária entre os membros com poder de voto dentro do Comitê. A presidente do FED de Kansas City sempre votou contra a política monetária dos Estados Unidos neste ano. Os demais nove membros do Comitê possuem uma postura contrária e pensam de forma bem diferente.

Mas o fato é que os mercados fecharam a semana sinalizando reversão técnica. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones soltou uma estrela cadente colada na máxima histórica, sugerindo novas quedas para as próximas semanas. A força vendedora poderá aumentar ainda mais com a perda dos 15.3k.


Na Alemanha o índice DAX fechou a semana em alta, rompendo a máxima histórica. O movimento de reversão atingiu as praças europeias em menor intensidade, devido ao descolamento de horário com Wall Street.


A bolsa do México também fechou a semana mostrando uma estrela cadente de pavio longo superior relevante. A sinalização sugere que novas quedas poderão aparecer nas próximas semanas.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana em alta, colada aos 20.2k. A sinalização do pavio longo superior do candle mostra contra ataque da força vendedora sobre a tentativa de rompimento da linha de resistência em 20.2k.
  
  
Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa, marcando topo em 2.273 pontos, sinalizando que o índice poderá retornar para a linha central de bollinger.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana com uma estrela cadente indicando topo na região dos 56k. Mercado trabalha em tendência de baixa de curtíssimo prazo e poderá retornar ao suporte dos 52.9k. Apesar da formação de reversão de curtíssimo prazo, a tendência de alta de curto e médio prazo permanece inalterada.


Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Parada para respirar


O mercado aproveitou a agenda fraca desta quinta-feira para respirar um pouco após o movimento de euforia da tarde de ontem. As bolsas de valores cederam, sinalizando um movimento saudável de realização de lucros das posições de curtíssimo prazo. Como a agenda para amanhã está praticamente vazia, muitos operadores anteciparam o encerramento de suas atividades na semana e só voltam na próxima segunda-feira.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 1,09% sem apresentar novidades e/ou alterações na tendência de curto e médio prazo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,26%. Destaque para os pedidos de auxílio desemprego que aumentaram em 15 mil, para 309 mil solicitações. Apesar do aumento no número de solicitações, um analista do Departamento do Trabalho afirmou que os governos da Califórnia e Nevada estão trabalhando com uma série de pedidos não processados, causando distorção no indicador.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

FED não surpreende e mantêm estímulo monetário


O título deste post é proposital. A mídia que faz a cobertura do mercado financeiro errou mais uma vez. Os diretores do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiram manter o programa de estímulo monetário. As informações distorcidas e matérias de baixa qualidade despejadas no mercado nestas últimas semanas frustraram mais uma vez os investidores que depositaram credibilidade nos economistas, analistas e redatores das “consagradas” manchetes.

Uma pesquisa realizada pelo The Wall Street Journal apontou, na última sexta-feira, que 66% dos economistas consultados pelo jornal acreditaram que o FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) iria começar a reduzir, neste mês, o volume do seu programa de estímulo monetário.

Isso mostra que boa parte dos “profissionais de mercado” não faz, sequer, uma leitura dos documentos disponibilizados pela autoridade monetária, pois em nenhum momento o Banco Central dos Estados Unidos indicou a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário já no mês de setembro. Com o desapontamento generalizado, só restou aos analistas, economistas e principais veículos de comunicação do mercado financeiro afirmarem que o FED surpreendeu.

Mas a verdade é que o Banco Central não surpreendeu coisa nenhuma. Os últimos documentos do FED revelaram, repetidas vezes, que a redução do volume de compras do programa de estímulo monetário está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas (taxa de desemprego, taxa de inflação e taxa de crescimento), a redução poderá ocorrer no final deste ano. Esta é basicamente a mesma linguagem adotada desde o mês de junho deste ano, quando o Banco Central alertou, pela primeira vez, a possibilidade de redução no volume do programa de estímulo monetário.

Em nota divulgada após a reunião de Comitê, o FED considera que a situação econômica dos Estados Unidos ainda não permite que os estímulos monetários comecem a ser reduzidos. Isso significa que a taxa de inflação, taxa de crescimento e, principalmente, a taxa de desemprego, ainda não atingiram o patamar considerado ideal, na avaliação dos diretores, para que o Banco Central possa dar início ao cronograma de retirada dos estímulos monetários.

A decisão do Comitê foi praticamente unânime. Esther George, presidente do FED de Kansas City, votou contra a política monetária do Banco Central norte-americano. Os demais 9 membros do Comitê votaram a favor.

O FED divulgou nesta quarta-feira novas estimativas para os principais indicadores econômicos. A projeção de crescimento este ano foi reduzida para 2% a 2,3%. Para o ano que vem a estimativa também foi reduzida para 2,9% a 3,1%. A taxa de desemprego deverá ficar entre 7,1% a 7,3% em 2013, para 2014 a projeção é de 6,4% a 6,8%. Já a inflação deverá ficar entre 1,1% a 1,2% este ano e 1,3% a 1,8% em 2014.

Ao final da reunião de Comitê, o presidente do FED, Ben Bernanke, disse que a instituição não se deixa guiar pelas expectativas do mercado, mas sim pelos resultados da economia, numa referência ao sensacionalismo criado pela mídia nestas últimas semanas. Comentava-se até o valor financeiro (10 bilhões de dólares) do primeiro corte de estímulo monetário a ser realizado este mês.

O presidente do FED disse ainda que os efeitos da política monetária nos Estados Unidos, visando impulsionar a retomada do crescimento, beneficiarão os países emergentes no longo prazo, já que o fortalecimento da maior economia do mundo atua, também, como motor de propulsão ao crescimento das demais.

A reação do mercado foi imediata. A bolsa disparou, o dólar despencou e os yields cederam forte. A moeda norte-americana recuou para R$ 2,19, atingindo o menor patamar dos últimos 3 meses. Os juros futuros caíram com força, acompanhando a queda dos Yields dos Treasuries (títulos da dívida pública dos Estados Unidos). A LTN 2016 recuou para 11,01%. O bônus da NTNB 2019 caiu para 5,22%.

O índice Bovespa disparou 2,65%, impulsionado pelos papéis de peso relevante no índice. A média móvel simples de 200 períodos diária foi rompida com um marubozu de alta, fato que permitiu, também, formar mais um pivot de alta, alimentando a tendência de curto e médio prazo. A próxima linha de resistência está posicionada na região dos 57k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones subiu 0,95%, iniciando movimento de rompimento da máxima histórica, alimentando a tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Consequências de um estardalhaço ignorante


Cansada de fazer tanto estardalhaço e não ser ouvida pela comunidade internacional (com exceção dos companheiros bolivarianos), a presidente Dilma Rousseff decidiu adiar nesta terça-feira a visita de Estado que faria a Washington em outubro deste ano.

O Palácio do Planalto emitiu um comunicado explicando que o cancelamento da viagem é consequência da insatisfação do governo brasileiro diante da “ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação".

A Casa Branca confirmou o cancelamento da visita dizendo que o governo norte-americano entende e lamenta as preocupações que supostas atividades de inteligência dos Estados Unidos geraram no Brasil.

A que ponto chegamos. Por que será que o governo brasileiro prefere acreditar num ex-agente terceirizado da NSA refugiado na Rússia, num jornalista notadamente antiamericano ou mesmo nas reportagens extremamente sensacionalistas da TV Globo do que na diplomacia entre os dois países?

Causa certo espanto observar tamanho estardalhaço feito pelo governo brasileiro. A prática de coleta e troca de informações é bastante comum, quase todos os países no mundo possuem serviços de inteligências a serviço do governo. O Brasil também possui a sua agência, chama-se ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Questionamentos entre governos com relação aos serviços de inteligência de outros países são relativamente comuns. Os Estados Unidos durante anos cobram posturas contra a espionagem chinesa, russa e até mesmo alemã, mas nem por isso as relações entre estes países foram afetadas.

Além disso, desde 1999 os agentes americanos têm autorização expressa do governo brasileiro para atuar sob cobertura diplomática contra ações do terrorismo internacional e do narcotráfico. E não são somente agentes da CIA, mas sim da NSA e também do FBI. Para completar, tanto a Polícia Federal do Brasil, como também a ABIN, recebem colaborações de inteligência por parte dos diversos órgãos de espionagem dos Estados Unidos.

Não faz o menor sentido a presidente Dilma criar todo este escarcéu diante das condicionantes relacionadas no parágrafo anterior. O Brasil é beneficiário da espionagem feita pelos americanos e há troca regular de informações. Ademais, considerando o fato dos problemas políticos nas fronteiras brasileiras, percepções que diversas células terroristas e do narcotráfico estejam localizadas nesta região, corrupção significativamente elevada e o estreitamento da relação com os governos bolivarianos, acabam tornando o Brasil um ambiente propício para o desenvolvimento da espionagem americana.

A lamentável postura do governo brasileiro levanta a hipótese de que os nossos políticos estão, mais uma vez, utilizando os acontecimentos para outras finalidades. Mas qual seria o motivo por trás do trabalho de desinformação contra a sociedade brasileira?

Os casos de espionagem do governo roubam a atenção do público num momento em que o processo do mensalão corre risco de virar pizza, a inflação volta a subir e a economia torna-se a retrair. Os casos de espionagem da Petrobras roubam a atenção do público num momento em que a companhia, “orgulho do povo brasileiro”, sofre com a política de preços dos combustíveis, endividamento elevado, dificuldade de caixa, além, é claro, das inúmeras suspeitas de corrupção.

Mais uma vez o povo brasileiro vai pagar um preço alto para o governo sustentar sua ideologia e permanecer no poder. Se não queremos visitar os Estados Unidos para tratar de negócios com a maior potência mundial, em pleno processo de retomada do crescimento, o problema é todo nosso. Existe uma fila de países mundo afora interessados em visitar os Estados Unidos e aproveitar este espaço criado na agenda de Obama.

Os Estados Unidos já demonstraram estarem abertos a novas parcerias comerciais. Há poucos meses atrás fecharam um acordo multilateral de extrema importância com os europeus. E nós? Perdemos mais uma oportunidade. Grande parte das potências mundiais e países emergentes avançaram em novos acordos comerciais nos últimos anos, enquanto isso o Brasil continua apenas trocando ninharias no enfraquecido, e quase esquecido, Mercosul.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 0,84%, voltando a se aproximar da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta de 0,23%, também sem apresentar novidades. A decisão do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), a ser divulgada na tarde de amanhã, atuará como principal driver direcional dos mercados.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mercado derruba Larry Summers


Larry Summers, ex-presidente da Universidade de Harvard, ex-chefe do Conselho Nacional Econômico dos Estados Unidos, ex-secretário do Tesouro norte-americano, ex-economista-chefe do Banco Mundial e um dos principais conselheiros econômicos dos governos Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. Um currículo invejável e, aparentemente, mais do que suficiente para ocupar a cadeira de Ben Bernanke, atual presidente do FED (Federal Reserve – banco Central dos Estados Unidos).

Summers era o candidato preferido de Obama para sucessão de Bernanke. A sua nomeação estava praticamente confirmada nos bastidores da Casa Branca e foi por este motivo que o mercado resolveu agir. Apenas nesta última semana, mais de 350 economistas enviaram uma carta aberta ao presidente Obama pedindo que Summers não fosse nomeado para o cargo de novo presidente do FED.

O lobby do mercado funcionou. A carta de Summers enviada neste último domingo ao presidente Obama, solicitando a retirada de seu nome da lista de candidatos à sucessão de Bernanke, foi uma saída honrosa do ex-candidato.

A verdade é que o mercado derrubou Larry Summers com certa facilidade, marcando um evento bastante incomum na história de sucessões de presidentes do FED. Apesar do currículo invejável, Summers é um dos principais responsáveis pela desregulamentação do sistema financeiro norte-americano, que por sua vez contribuiu para o estouro de uma grave crise financeira (2008).

Com a saída de Summers, o caminho ficou livre para que a atual vice-presidente do FED, Janet Yellen, ocupe a cadeira de Bernanke no início do ano que vem. Existem ainda outros dois candidatos cotados, porém com menor possibilidade de sucesso. São eles: Donald Kohn, vice-presidente do FED até 2010 e Timothy Geithner, ex-secretário do Tesouro norte-americano (no primeiro mandato de Obama) e ex-presidente do FED de Nova York. Geithner, Henry Paulson (ex-secretário do Tesouro no governo Bush) e Bernanke foram os principais responsáveis pela gestão bem sucedida da fase mais crítica da crise financeira de 2008.

Mas, justiça seja feita, Janet Yellen merece ser promovida à presidente do FED e entrar para história como primeira mulher a comandar o Banco Central mais poderoso do mundo. Yellen é o braço direito de Bernanke e uma das principais responsáveis pela formação da política monetária dos Estados Unidos. Grande defensora das medidas agressivas tomadas nos últimos anos pelo FED com objetivo de impulsionar o crescimento econômico do País.

Yellen é conhecida por ter uma postura menos hawkish e, consequentemente, mais dovish. O termo hawkish é derivado da palavra falcão (em inglês, hawk). Economistas com postura mais hawkish são menos intolerantes com a inflação e defensores de juros mais altos. Já o termo dovish é derivado da palavra pombo (em inglês, dove). Economistas com postura mais dovish são mais tolerantes com a inflação e defensores de juros mais baixos.

Por este motivo a exclusão de Summers da lista de Obama agradou o mercado, pois aumentou a possibilidade de Janet Yellen assumir o comando do FED, o que seria praticamente uma sequência a gestão dovish de Bernanke. Em outras palavras, a Federal Funds Rate (taxa básica de juros nos Estados Unidos) provavelmente permanecerá nula até meados de 2015, pelo menos.

O índice Dow Jones subiu 0,77% nesta segunda-feira, mantendo a tendência de alta de curto prazo e aproximando-se cada vez mais da principal resistência de curto prazo posicionada na região dos 15.658 pontos.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão de lado, mostrando um candle de pavio longo superior formado próximo da principal zona de resistência de curto prazo (54.8k). A sinalização é fraca, mas sugere nova formação de topo de curtíssimo prazo a ser confirmada nos próximos pregões em caso de perda dos 52.9k.