quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Irresponsabilidade fiscal


O número de dois dígitos bilionários assustou. O Tesouro Nacional divulgou nesta quinta-feira que o resultado primário do Governo Central no mês de setembro foi deficitário em 10,5 bilhões de reais. Este é o pior resultado desde dezembro de 2008.

O cálculo do Banco Central aponta que o setor público registrou déficit primário de 9,05 bilhões de reais no mês de setembro. Este é o pior resultado para o mês na série histórica do Banco Central. A divergência com os números do Tesouro é praticamente irrelevante, costumam ocorrer devido à defasagem nos dados utilizados, já que as duas instituições utilizam metodologias diferentes.

O fato é que o governo conseguiu surpreender negativamente o mercado, mais uma vez. Alguns economistas esperavam um pequeno superávit primário no mês de setembro, outros projetavam déficits modestos. Mas acabou aparecendo um rojão, abrindo um buraco difícil de tapar.

O rombo bilionário nas contas públicas reflete total irresponsabilidade da política fiscal do governo, já bastante deteriorada pelos eventos do passado recente. Desonerações altamente injustificadas às empresas e setores com elevadas margens de lucro, crédito subsidiado para compra de móveis e eletrodomésticos, além do próprio modelo de Previdência brasileiro, estão deixando o caixa do governo numa situação complicada.

A meta de superávit primário (saldo positivo entre as receitas e despesas. É a economia feita para o pagamento dos juros/dívida pública) deste ano já foi reduzida de 3,1% para 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Além de cortar a meta, o governo alterou o estatuto do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para incluir mudanças na forma de distribuição de dividendos. O BNDES poderá realizar o pagamento de dividendos ao governo mesmo antes de constituir reservas de lucro para futuro aumento de capital. O objetivo é de claramente realizar mais uma manobra contábil para tentar atingir o superávit primário.

Mesmo com as manobras contábeis e cortes na meta de superávit primário, o governo ainda não conseguirá cumprir com o seu objetivo. No acumulado deste ano, o superávit primário somou apenas 44,965 bilhões de reais. Para chegar à meta ajustada será necessária economia de cerca de 65 bilhões de reais nos próximos três meses.

É mais um duro golpe de confiança a quem precisa retomar a credibilidade do mercado. Investidores, empresários, analistas e agências de rating já se mostraram insatisfeitos com política fiscal expansionista do governo brasileiro. O Estado deveria estar concentrando esforços para reduzir este perigoso clima de insatisfação generalizada, mas está colaborando para acontecer justamente o contrário.

O rating brasileiro está sob ameaça de corte. Se não fizermos o dever de casa, em menos de dois anos seremos rebaixados para o mesmo nível de países como Azerbaijão, Marrocos e Espanha. Para evitar este desastre, precisamos mostrar ao mundo um crescimento econômico, consistente e sustentável, aliado à melhora na política fiscal, econômica e monetária.

Infelizmente apenas o Banco Central tem demonstrado comprometimento em fazer a sua parte do dever de casa. O ministério da Fazenda segue completamente desconectado com da realidade. Não faz o dever de casa, bagunça a sala de aula e ridiculariza o professor.

Conseguimos atingir o ponto do ridículo, onde o mercado ainda não sabe qual será a meta do superávit primário de 2014 a ser perseguida, tamanha a irresponsabilidade fiscal do governo. Vai ser 3,2% do PIB, conforme anunciado no orçamento, ou 2,1% do PIB com os novos abatimentos que poderão acontecer?

Dúvidas, incertezas, indefinições e desconfiança. Esta é a imagem que o mercado consegue enxergar de um governo intervencionista, criador de uma série de distorções em diversos setores. Um governo que gasta muito e gasta mal. Um governo que não consegue fazer a economia crescer de forma sustentável e ainda cria inflação. Um governo que desconhece as consequências de sua irresponsabilidade.

Na tentativa de atenuar as preocupações do mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que está estudando a possibilidade de tornar obrigatória a realização de um curso de qualificação de empregados que perderem seus empregos e buscarem o seguro-desemprego pela primeira vez.

Pasmem, mas esta é a estratégia do governo para economizar dinheiro: reduzir despesas com o pagamento de seguro-desemprego e abono salarial com a realização de um curso de qualificação profissional.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em leve alta de 0,15%, mostrando um doji de indecisão colado na importante região de suporte dos 54k, juntamente com a linha central de bollinger.


O mercado abriu pressionado na parte da manhã por conta da liquidação de posições numa determinada ação que se despediu do índice Bovespa nesta quinta-feira. A reação do mercado começou após o toque na LTA dos 44.1k (mesma região por onde passa a média móvel simples de 200 períodos diária) e colabora para formação de fundo ascendente dentro da tendência, a ser confirmado nos próximos pregões.

O índice Bovespa fechou o mês de outubro marcando o quarto candle de alta consecutivo no gráfico mensal, mantendo a tendência de alta de curto e médio prazo. Destaque para a resistência relevante da média móvel simples de 20 períodos. Mais uma vez houve formação de pavio superior no candle mensal, mostrando a força da referida resistência.

desempenho Ibovespa outubro 2013

O último rompimento ascendente e consistente sobre a média móvel simples de 20 períodos do gráfico mensal ocorreu em julho de 2009. Esta já é a quarta tentativa de rompimento da referida média desde a formação de topo duplo na região da máxima histórica (novembro de 2010). O histórico mostra que o mercado não costuma ficar tanto tempo (mais de 2/3 anos) abaixo desta média mensal, mesmo em períodos de ciclos de correção. As condições técnicas seguem favoráveis à manutenção da tendência de alta.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa pelo segundo dia consecutivo, mostrando uma reação natural do mercado após o teste na região da máxima histórica.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

2013 terminará com a impressora do FED funcionando a todo vapor


Dando prosseguimento ao cronograma divulgado no mês de junho, os diretores do Comitê de Política Monetária do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) decidiram manter nesta quarta-feira o atual programa de estímulos monetários, sem indicar alterações ou possíveis mudanças para os próximos meses.

A decisão foi praticamente unânime. Apenas Esther George (presidente do FED de Kansas City) votou contra a política monetária, tal como fez em todas as demais reuniões do Comitê este ano.

Em seu comunicado, o FED afirmou que a confiança dos consumidores e empresários foi abatida pela disputa política que desencadeou na paralisação do governo norte-americano. Além disso, alguns indicadores econômicos sugerem que a economia perdeu força antes mesmo da paralisação do governo.

A importante recuperação do setor imobiliário perdeu força nos últimos meses, mostrando, agora, um movimento de desaceleração. A taxa de desemprego recuou levemente para 7,2%, número ainda considerado elevado e insuficiente para interrupção dos programas de estímulos monetários.

O Banco Central voltou a ressaltar preocupações com a atual política fiscal dos Estados Unidos, num momento onde parlamentares republicanos tentam implementar, desnecessariamente, novos cortes significativos (e ideológicos) no orçamento do governo. O Comitê avalia que a política fiscal está restringindo o crescimento do país.

Vale ressaltar que não existe (e nunca existiu) uma data pré-definida para redução do programa de estímulos monetários. As informações expressas nos documentos de comunicação da autoridade monetária continuam sendo distorcidas pela mídia, analistas e economias de maneira geral.

Há quatro meses o FED tem repetido inúmeras vezes que a redução no volume da Operação Twist (compras mensais de 45 bilhões de dólares em títulos de longo prazo tesouro norte-americano) e/ou do QE3 (compras mensais de 40 bilhões de dólares em títulos lastreados em hipotecas) dependerá da retomada mais forte do crescimento econômico, queda consistente da taxa de desemprego e aumento das pressões inflacionárias.

A projeção inicial apontava que estes indicadores citados no parágrafo anterior começariam atingir os objetivos do Banco Central no final deste ano. Porém, o surgimento dos eventos adversos recentes, fora das projeções do FED, sugerem que os indicadores atingirão o objetivo da autoridade monetária, para implementação da fase de redução dos estímulos monetários, somente no primeiro trimestre de 2014.

Além da taxa de desemprego ainda em nível elevado, deve-se destacar a persistência da taxa de inflação bem abaixo da meta do FED (2% ao ano). O acumulado da inflação deste ano (até o mês de setembro) nos Estados Unidos está em 1,2%. Não há expectativa de cumprimento da meta no curto prazo.

Com relação ao futuro da Federal Funds Rate (taxa básica de juros), o Banco Central voltou a salientar que pretende subir os juros somente quando a taxa de inflação superar em 0,5 p.p. o centro da meta. Ou seja, acima dos 2,5%. As projeções do FED mostram que este quadro não deverá ser concretizado antes de 2015.

Os principais índices de Wall Street cederam levemente após a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária do FED. S&P500 recuou 0,49%, Nasdaq caiu 0,55%. O índice Dow Jones cedeu 0,39%, pressionado, temporariamente, pela última linha de resistência (máxima histórica).


No Brasil o índice Bovespa caiu 0,67%, pressionado, também temporariamente, pela queda de um determinado papel, injustamente chamado de empresa pelo mercado, comandado por uma pessoa desmerecidamente categorizada como empresário.

Os referidos nomes não serão citados nesta análise como forma de demonstrar o dia em que estas “figuras” serão, definitivamente, apagadas do mercado. Por regra, a BM&FBovespa deve suspender os negócios com ações de companhias em recuperação judicial.

Com os negócios suspensos, as ações permanecerão listadas na carteira teórica do Ibovespa até a marcação da data para realização de um leilão especial de saída, onde serão realizados os últimos ajustes necessários para o rebalanceamento do índice. O peso será redistribuído proporcionalmente aos demais 72 ativos que compõem a carteira teórica do Ibovespa.

As ações desta referida empresa permanecerão listadas na bolsa de valores e continuarão sendo negociadas, porém sob a condição de “empresa” em situação especial e, devidamente, fora do Ibovespa.

A queda desta quarta-feira derrubou o mercado para testar a importante linha de suporte na região dos 54k. Não houve rompimento, pois os demais ativos de peso relevante no índice subiram. Movimento técnico de baixa confiabilidade, mas deverá ser normalizado nos próximos dias/semanas.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

OGX empurra Bovespa para os 54k


Pressionado pela OGX, o índice Bovespa voltou a se aproximar da região de suporte dos 54k. Esta linha passou a ser importante devido à formação de fundo no pregão da última segunda-feira.

Em caso de rompimento dos 54k, será acionado um pivot de baixa no gráfico horário, coincidindo com a perda da linha central de bollinger no gráfico diário, podendo jogar o mercado de volta aos 51.8k.


Especula-se que a OGX deve entrar com pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, já que a renegociação da dívida com investidores estrangeiros falhou. A empresa deixou de pagar juros de 45 milhões de dólares dos títulos emitidos no exterior no dia 1 de outubro. Com a dívida em aberto, a OGX se tornará oficialmente inadimplente a partir do dia 1 de novembro e, portanto, os credores poderão entrar com medidas judiciais contra a OGX ou mesmo pedir a sua falência.

Para evitar as medidas judiciais dos credores, a empresa precisa entrar com o pedido de recuperação judicial. Caso seja aceito, a OGX terá 60 dias para apresentar um plano de reestruturação, que deverá ser aprovado pelos credores.

O dia foi de poucas novidades no cenário macroeconômico. A confiança do consumidor norte-americano caiu de 80,2 pontos para 71,2 pontos no mês de outubro, confirmando as expectativas do mercado.

O índice Dow Jones subiu 0,72%, fechando próximo da máxima história na região dos 14.7k. Índice segue bem armado para romper o topo histórico nos próximos dias/semanas.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A grande cartada de Graça Foster


A disparada das ações da Petrobras empurrou o índice Bovespa para a sua primeira alta diária após uma dura sequência de quedas que vinha dominando a bolsa desde a marcação do topo duplo na região dos 56.7k.

A companhia submeteu ao seu Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, uma nova política de preços que prevê reajustes automáticos e periódicos de combustíveis, conforme a necessidade de alinhamento com os valores praticados no mercado internacional.

A nova metodologia deverá ser aprovada ou rejeitada até o dia 22 de novembro, quando está prevista a próxima reunião do Conselho de Administração da Petrobras.

Aproveitando o excesso de propaganda do governo em torno do petróleo brasileiro e da Petrobrás, Graça Foster, presidente da Petrobras, sacou uma grande cartada: com os números mais recentes do rombo bilionário na área de abastecimento da companhia, contradizendo a propaganda política, a presidente da Petrobras vinculou a nova metodologia de preço dos combustíveis ao robusto programa de investimentos da empresa.

A companhia não divulgou maiores detalhes da nova proposta de política de preços, mas, ao que parece neste primeiro momento, podemos entender que a Petrobras está enviando um recado ao governo: “desse jeito não dá mais e se continuar assim vou cortar os investimentos”.

A iniciativa da Petrobras agradou o mercado. A nova proposta está amarrada, apareceu no timming correto e deixou o governo sem saída. As ações preferenciais da empresa subiram 7,57%, enquanto as ordinárias avançaram 9,83%.

O avanço da Petrobras contaminou os demais papéis do índice, provocando um movimento de alta generalizada nas principais ações da carteira teórica do Ibovespa.

Com uma alta de 1,70%, o índice Bovespa formou a quarta região de fundo ascendente (54k, aproveitando o suporte da linha central de bollinger) da tendência de alta iniciada na região dos 44.1k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão desta segunda-feira de lado, oscilando pouco. Mercado em compasso de espera para a reunião do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) que termina nesta quarta-feira.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fechamento dos principais índices mundiais


Investidores e operadores brasileiros puderam observar nos últimos três dias um descolamento significativo do índice Bovespa com os principais índices de Wall Street. Apesar de sofrer grande influência com a volatilidade dos papéis das “empresas” X, o movimento de descolamento do Ibovespa em relação ao índice Dow Jones e/ou S&P500 não chega ao ponto de ser considerado uma distorção do mercado.

A queda do índice Bovespa seguiu o padrão de movimento observado nas demais praças emergentes. Nesta análise de fechamento dos principais índices mundiais teremos a oportunidade de observar que o mercado vendeu bolsas de países emergentes nesta semana e comprou bolsas de economias desenvolvidas.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em alta pela terceira semana consecutiva, sem apresentar novidades. A máxima histórica na região dos 15.7k deverá ser testada nas próximas semanas, com boas possibilidades de rompimento.


Na Alemanha o índice DAX também subiu pela terceira semana consecutiva, sem apresentar novidades. Não há resistências pela frente. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.


Em Londres, na Inglaterra, o índice FTSE avançou pela terceira semana consecutiva, aproximando-se da máxima histórica na região dos 6.8k. As características do movimento técnico também favorecem o rompimento nas próximas semanas.


Partindo para os mercados emergentes, a bolsa do México fechou em baixa pela segunda semana consecutiva, pressionada pela linha central de bollinger. Apesar da tendência de alta de longo prazo, o mercado segue fraco no curto prazo, sem encontrar forças para romper as barreiras mais próximas.


Na Índia a bolsa de Bombay ensaiou um teste na máxima histórica, mas acabou sentindo a pressão vendedora que dominou os mercados emergentes e cedeu na semana, voltando a se aproximar da antiga linha de resistência (agora suporte) dos 20.5k.
  
  
Na China a bolsa de Xangai fechou em forte baixa pela segunda semana consecutiva, voltando a se aproximar da linha central de bollinger (principal região de suporte de curto prazo).


O índice Bovespa também fechou a semana em baixa, apresentando o segundo candle de pavio superior relativamente relevante no gráfico semanal, bem abaixo da principal resistência de curto prazo (56.7k). O fechamento na mínima sugere manutenção da tendência de baixa de curtíssimo prazo para a próxima semana. Ainda não há sinalização de fundo ou reversão.


Com esta nova queda o índice Bovespa poderá restar a LTA dos 44.1k, onde o seu rompimento poderá enfraquecer a importante linha de suporte na região dos 51.9k. O movimento corretivo ainda não ameaça a tendência de alta de curto e médio prazo.

Desejo a todos vocês um ótimo final de semana!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Banco do Povo ganha espaço para subir os juros de curto prazo


A economia chinesa voltou a surpreender o mercado na manhã desta quinta-feira. A prévia do Índice Gerente de Compras da China atingiu 50,9 pontos no mês de outubro, superior a leitura de setembro (50,2 pontos), mostrando aumento na força de expansão da atividade industrial.

Este é o melhor resultado dos últimos sete meses. O avanço inesperado foi influenciado pelo aumento significativo no volume de novas encomendas, reforçando evidências de que o crescimento da economia está se estabilizando, após a desaceleração dos trimestres anteriores.

A melhora no quadro econômico abriu uma nova janela de oportunidade para o Banco do Povo (Banco Central da China) retomar políticas de enxugamento de dinheiro do sistema financeiro. Conforme podemos observar no gráfico abaixo, a shibor (taxa de juros do mercado interbancário chinês) voltou a subir forte nos últimos dias.

Shibor taxa mercado interbancário China

No início do mês de junho, o Banco do Povo expressou ao mercado suas preocupações com as operações de crédito bancário. O sistema financeiro na China opera altamente alavancado. O investimento foi o grande motor de propulsão da economia durante muitos anos no passado. Mas algumas linhas de financiamento apresentam qualidade duvidosa. Além disso, o governo tem se dedicado a esvaziar uma perigosa bolha no mercado de crédito imobiliário.

A estratégia de permitir a elevação da taxa de juros no mercado interbancário provoca um enxugamento de liquidez do sistema, deixando o crédito mais caro e seletivo. O Banco Central consegue provocar este aperto monetário ao deixar de entrar no mercado com as operações programadas de crédito.

A autoridade monetária não atua no mercado há três dias. Estima-se que o Banco do Povo já enxugou mais de 157 bilhões de iuanes (26 bilhões de dólares) dos mercados de crédito desde o início deste mês.

A estratégia também colabora para redução da inflação no país. O índice oficial de preços ao consumidor disparou 0,80% no mês de setembro, atingindo a marca de 3,1% no acumulado dos últimos 12 meses.  O economista da Nomura, Zhang Zhiwei, disse que a inflação deverá alcançar os 3,5% neste mês, pressionando ainda mais a China para o aperto monetário.

O mercado mostrou-se confortável com o atual nível da Shibor Rate (em 5%), sustentado pela sinalização de melhora do quadro econômico doméstico.  As bolsas europeias fecharam em alta mesmo com a redução do ritmo de expansão da atividade industrial na zona do euro (prévia do Índice Gerente de Compras caiu de 52,2 pontos em setembro para 51,5 pontos em outubro).

A bolsa de Paris, na França, subiu 0,35%. Na Alemanha, a bolsa de Frankfurt avançou 0,68%. Na Inglaterra, a bolsa de Londres cedeu 0,58%. A bolsa de Milão, na Itália, subiu 1,28% e a bolsa de Madri, na Espanha, fechou em alta de 0,89%.

Nos Estados Unidos o índice S&P500 subiu 0,33%. Nasdaq avançou 0,56%. O índice Dow Jones fechou o pregão em alta de 0,62%, reagindo rapidamente à queda de ontem, aproximando-se do topo ascendente na região dos 15.5k.


A redução do ritmo de expansão da atividade industrial nos Estados Unidos também não afetou o mercado. A prévia do Índice Gerente de Compras despencou de 52,8 pontos em setembro para 51,1 pontos em outubro.

No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa pelo segundo pregão consecutivo, mantendo a tendência de queda de curtíssimo prazo. O mercado fechou pouco abaixo da linha de suporte dos 55k, onde o seu rompimento deverá ser confirmado amanhã.
  
  
Pesou sobre o mercado o fato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ignorar, mais uma vez, os alertas do FMI (Fundo Monetário Internacional). O relatório da instituição criticou o aumento de gastos do governo brasileiro nos últimos anos e reduziu o potencial de crescimento do país para vergonhosos 3,5% ao ano.

O FMI acrescentou ainda que para ser possível atingir o crescimento potencial, o Brasil precisa acelerar o investimento (principalmente obras de infra-estruturas) e aumentar a produtividade para níveis maiores do que os recentemente alcançados.

O crescimento potencial estima o máximo que um país pode crescer sem gerar nenhuma distorção no mercado e não permitir valores de inflação acima ou abaixo da meta.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Topo duplo no Ibovespa


Com uma queda expressiva de 1,81% nesta quarta-feira, o índice Bovespa confirmou topo duplo na região de resistência dos 56.7k. A direção dos negócios na bolsa de São Paulo seguiu o rumo dos principais índices mundiais, pressionados pela notícia de que o BCE (Banco Central Europeu) vai realizar uma avaliação de risco nos 130 maiores bancos da zona do euro.

A autoridade monetária confirmou que irá usar novas medidas mais rígidas nos testes que começarão a serem realizados já no próximo mês. Este novo trabalho do BCE terá uma duração de 12 meses. Os bancos serão submetidos a uma análise exaustiva das contas, que incluirá o exame dos riscos dos bancos (liquidez, endividamento e financiamento), além de uma revisão minuciosa de todos os tipos de ativos.

Na China, um conselheiro de política do Banco do Povo (Banco Central do país) disse que a autoridade monetária poderá apertar as condições de crédito no sistema financeiro para lidar com os riscos de inflação no país.

Estas notícias serviram de pretexto para os investidores realizarem lucros. Na França, o índice CAC cedeu 0,81%. A bolsa de Frankfurt, na Alemanha, perdeu 0,31%. Na Inglaterra, a bolsa de Londres caiu 0,32%.

Nos Estados Unidos o índice S&P500 cedeu 0,47%. O índice Dow Jones fechou o pregão em baixa de 0,35%, marcando um topo (a princípio temporário) na região dos 15.5k.


Pode-se observar que o movimento de realização de lucros na Bovespa foi bem mais forte. Especula-se que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) esteja se desfazendo de parte de suas posições no mercado de renda variável.

O banco havia solicitado cerca de 20 a 30 bilhões de reais ao Tesouro Nacional para garantir os desembolsos até o final deste ano. Mas com o iminente risco de rebaixamento no rating do Brasil, o governo tem estudado duas ações para reduzir a dívida pública: (i) vender ativos do BNDESPar; (ii) reduzir o próprio volume de empréstimos do BNDES.

A primeira opção não é impopular e tem potencial de suprir o caixa da instituição no curto prazo. Como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, definiu ontem que o repasse do Tesouro ao BNDES será de 20 bilhões, pode ser que o restante da conta seja fechada com as vendas de ativos do BNDESPar no mercado.

Em respostas aos questionamentos da imprensa, o BNDES emitiu nota afirmando que "não cogita a venda maciça de sua carteira de participações acionárias e que não há qualquer orientação do Ministério da Fazenda nesse sentido". O banco ainda acrescentou no comunicado que continuará praticando o giro de sua carteira, "buscando gerar rentabilidade nas operações, respeitando sempre as melhores práticas de gestão e evitando gerar pressões que possam desestabilizar o mercado".

Interessante observar que a instituição utilizou o termo “venda maciça” e “giro de carteira” no comunicado, para, talvez, não desmentir a possibilidade de já estar, neste exato momento, liquidando pequenas posições.

Para um portfólio de cerca de 90 bilhões de reais (em 30 de junho deste ano a carteira de ativos do BNDESPar chegava a 87,9 bilhões de reais), o giro de uma pequena posição tem capacidade de provocar estrago num mercado de baixa liquidez, tal como o nosso.

Com este marubozu de baixa, o índice Bovespa poderá retornar para linha de suporte na região dos 55k, onde a perda deste patamar provocará aumento da pressão vendedora, podendo jogar o índice de volta à LTA dos 44.1k. A princípio, esta sinalização de topo duplo não invalida a tendência de alta de curto e médio prazo.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Payroll pode alterar cronograma do FED


O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou nesta terça-feira que o mercado de trabalho americano gerou apenas 148 mil vagas no mês de setembro. O número ficou significativamente abaixo do registrado no mês anterior, quando a economia criou 193 mil postos de trabalho (dado revisado). Além disso, o resultado decepcionou as projeções de mercado, que apontavam para uma geração de 180 mil vagas.

Em compensação a taxa de desemprego caiu de 7,3% para 7,2%, muito provavelmente influenciada pela desistência de norte-americanos na procura por emprego.

Outro ponto interessante a ser observado é que este levantamento do mercado de trabalho dos Estados Unidos não pegou o período de paralisação do governo. Isso significa que os números do payroll (indicador de peso relevante nas decisões de política monetária do FED – Banco Central dos Estados Unidos) podem piorar ainda mais nos próximos meses, não somente por conta dos efeitos negativos ao crescimento econômico, embora pequenos, gerados pelo fechamento de alguns órgãos do governo, mas pela expectativa de queda do nível de confiança dos consumidores e empresários. O impasse entre republicanos e democratas irritou de maneira generalizada a população do País.

A redução no volume de compras do programa de estímulo monetário do Banco Central norte-americano está condicionada à melhora da economia norte-americana. Caso as projeções econômicas do FED sejam confirmadas (taxa de desemprego, taxa de inflação e taxa de crescimento), a redução poderá ocorrer no final deste ano.

A paralisação do governo, com o esperado reflexo futuro nos indicadores de confiança, é uma variável nova que não estava presente no cronograma do FED, elaborado no mês de junho, justamente quando Ben Bernanke avisou pela primeira vez ao mercado que poderia reduzir o volume dos estímulos monetários no final de 2013. O desempenho abaixo do esperado do mercado de trabalho apenas reforça a expectativa de que o FED poderá atrasar o início da fase de redução dos estímulos monetários.

O banco de investimento britânico Barclays emitiu um relatório nesta terça-feira alterando sua projeção para redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos (de dezembro deste ano para março de 2014). A projeção para o término do programa de estímulos também foi alterada, de junho de 2014 para setembro de 2014.

A expectativa de maior duração do programa de estímulo monetário colaborou para derrubar os juros dos títulos públicos norte-americanos. O Yield da treasury de 10 anos caiu para 2,51% ao ano nesta terça-feira, menor patamar dos últimos dois meses.

Importante ressaltar que a queda dos Yields norte-americanos nos últimos dias não influenciou o movimento dos Yields brasileiros, que atingiram um piso de sustentação de curto prazo. Conforme pode ser observado no gráfico abaixo (LTN 2016), os títulos brasileiros seguem oscilando dentro de um ponto de equilíbrio, respaldado pela atual conjuntura da política monetária doméstica.


Nas bolsas de valores, os principais índices mundiais fecharam mais um dia em alta. Em Wall Street, o índice S&P500 segue renovando máximas históricas, subindo sem resistências pela frente. O índice Dow Jones subiu 0,49%, sem apresentar novidades.


No Brasil o índice Bovespa fechou praticamente colado na resistência dos 56.7k, com uma alta de 0,68%. Segue bem armado para romper as importantes barreiras mais à frente nos próximos dias/semanas, mantendo a tendência de alta de curto e médio prazo.
  

Destaque para a prévia do ICI (Índice de Confiança da Indústria), calculado pela Fundação Getúlio Vargas. O indicador recuou 0,9% em outubro, atingindo 97,1 pontos. Caso a prévia seja confirmada, atingiremos o menor patamar desde julho de 2009.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Presença de Shell e Total tranquiliza investidores


A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) realizou nesta segunda-feira o tão esperado “leilão” do campo de Libra, na bacia de Santos. Com um volume estimado de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de óleo recuperável, esperava-se que até 40 empresas poderiam participar da disputa por esta “joia brasileira”.

Frustrando a expectativa do governo, apenas 11 empresas se habilitaram para participar do que então seria o leilão de Libra. Gigantes do setor como as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron, além das britânicas BP e BG nem chegaram a se inscrever.

No início deste mês o ministro de Minas e Energia (Edison Lobão) disse que esperava entre dois e quatro consórcios na disputa, envolvendo as 11 empresas habilitadas. E mais uma vez houve uma nova frustração. Não houve sequer uma disputa. Apenas um consórcio foi formado. O que deveria ser um leilão acabou se tornando numa oferta do tipo “queima de estoque”.

O resultado foi um tremendo fracasso ao governo brasileiro. Ágio zero. O consórcio ofereceu repassar à União 41,65% do excedente em óleo extraído do campo, exatamente o percentual mínimo fixado pelo governo no edital.

Parte deste fracasso é consequência da constante perda de confiança e credibilidade do governo brasileiro frente aos empresários e investidores no mundo inteiro. Além disso, Libra foi a primeira área licitada sob o regime de partilha de produção. Isso significa que a propriedade do petróleo extraído deste campo é exclusiva da União. O consórcio vencedor vai produzir no bloco e repartirá a produção com a União (por este motivo o nome partilha).

O governo pretendia ficar com uma parcela maior, mas em decorrência da ausência de competição, acabou ficando com os 41,65%. O governo ainda deverá receber do consórcio vencedor um bônus de assinatura do contrato de concessão no valor de 15 bilhões de reais.

Poucas empresas se submeteram a estas condições. Mas o consórcio acabou sendo formado pela brasileira Petrobrás (40%), a anglo-holandesa Shell (20%), a francesa Total (20%) e as chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%).

A grande surpresa positiva ficou por conta da participação das empresas europeias com bastante expertise no ramo. Diferentemente das chinesas CNPC e CNOOC, a Shell é uma empresa totalmente privada. Já a Total é uma empresa privada com participação do governo da França. Nenhuma destas duas empresas europeias entraria num negócio altamente desvantajoso e/ou duvidoso.

A presença da Shell e da Total, representando, então, a participação do capital privado, tranquilizaram investidores que esperavam a formação de um consórcio composto unicamente por empresas estatais. Portanto, diminuíram as especulações do mercado quanto aos riscos envolvidos no negócio. A presença do investidor privado pode dar mais disciplina no desenvolvimento do projeto.

Em resposta, as ações da Petrobras dispararam na bolsa após o resultado do “leilão”. Como o lance foi mínimo, o governo vai lucrar menos do que pretendia com o campo, consequentemente as empresas ganharão mais. Além disso, a participação da Petrobras no consórcio acabou não sendo tão expressiva como se esperava (aliviando a necessidade de investimentos, onde existe, ainda,  a possibilidade de reforço no caixa debilitado da Petro com um aporte das estatais chinesas), já que a Shell e a Total entraram para o grupo.

O índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,26%, sinalizando novo teste sobre a linha de resistência dos 56.7k, com boas possibilidades de rompimento. Segue dentro de uma forte tendência de alta de curto e médio prazo, sem sinal de reversão.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou de lado, oscilando pouco, marcando um dia de pregão irrelevante. Mantêm análise dos últimos dias.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

China vai cumprir meta de crescimento


A Agência Nacional de Estatísticas informou nesta sexta-feira que o PIB (Produto Interno Bruto) chinês cresceu 7,8% no terceiro trimestre de 2013. O resultado demonstra que a economia da China avançou no ritmo mais rápido deste ano, impulsionada pelas altas taxas de investimento.

No segundo trimestre deste ano o crescimento atingiu a marca de 7,5%. Já no acumulado dos nove primeiros meses do ano o PIB chinês avançou 7,7%, acima da meta estabelecida pelo governo para todo o ano (7,5%). Os números são confortáveis, pois mesmo com uma eventual perda de ritmo neste quarto trimestre, o governo chinês conseguirá cumprir com a sua meta de crescimento de 7,5%, num período crítico de baixo crescimento global e mudança na dinâmica da economia chinesa.

No início deste ano, vários analistas de mercado questionaram o sucesso do governo no cumprimento da meta de crescimento para 2013, devido ao processo de reestruturação econômica (orientar o crescimento para o consumo interno). Mas, até o presente momento, a mudança na dinâmica da economia chinesa está sendo bem conduzida, sobrepondo-se, inclusive, ao quadro internacional ainda complexo. As exportações chinesas foram duramente afetadas neste último mês de setembro em virtude da retração na demanda de países emergentes (prejudicados pela volatilidade dos mercados financeiros), mas ainda assim o crescimento chinês não decepcionou.

Por este motivo o resultado do PIB da China agradou o mercado, colaborando para fechar a semana com chave de ouro nas principais praças financeiras mundiais.

Em Wall Street o índice S&P500 renovou a máxima histórica nesta semana, atingindo os 1.774 pontos, colado na linha de retorno do canal de alta iniciado na região dos 670 pontos. Mercado em tendência de alta de curto, médio e longo prazo.

Gráfico S&P500

O índice Dow Jones também segue dentro de um canal de alta, mas ainda não renovou sua máxima histórica. Fechou em alta pela segunda semana consecutiva, caminhando para testar e romper o topo histórico nas próximas semanas.


Na Alemanha o índice DAX também renovou sua máxima histórica nesta semana atingindo os 8.865 pontos. Índice segue caminhando para dobrar a sua pontuação desde a mínima registrada em 2011, no auge da crise financeira europeia. Uma verdadeira lição àqueles que esperavam um desastre nos mercados europeus, tal como previa o “renomado economista” Nouriel Roubini.


Na Índia a bolsa de Bombay fechou a semana na máxima, colada no topo histórico. Índice conseguiu superar a última resistência abaixo da máxima histórica, acionando um importante pivot de alta. Mercado deve seguir o mesmo caminho do México, que também rompeu seu topo histórico este ano.


Na China a bolsa de Xangai fechou a semana em baixa, mantendo-se dentro de uma congestão de curtíssimo prazo. Segue dentro de uma tendência de alta de curto prazo, mas no médio e longo prazo ainda trabalha dentro de uma tendência de baixa.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em forte alta, confirmando o martelo de fundo registrado uma semana antes, na linha de suporte dos 52k. Mercado em tendência de alta de curto e médio prazo, com boas possibilidades de rompimento da zona de resistência dos 56k nas próximas semanas.


Merece destacar no cenário doméstico a importante retomada das discussões em torno do abandono do tripé macroeconômico (superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante) pelo governo federal. Em seminário no Rio de Janeiro, dois importantes ex-presidentes do Banco Central do Brasil (Arminio Fraga e Gustavo Franco), pegaram o gancho nas críticas de Marina Silva e mostraram-se preocupados com a condução da política econômica do governo, referindo-se ao abandono do tripé macroeconômico.

É neste campo que a oposição precisa se concentrar para tirar o PT do poder. Com Armínio Fraga e Gustavo Franco aparecendo mais na mídia, adotando uma postura mais crítica do que o de costume, as esperanças aumentam um pouco.

Um ótimo final de semana a todos vocês!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Copom derruba simbolismo dos juros de dois dígitos


A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) divulgada nesta quinta-feira acabou com últimas dúvidas que ainda restavam no mercado quanto ao futuro da taxa Selic. A manutenção da postura hawkish (intolerante com a inflação e favorável aos juros mais altos), em linha com o último Relatório de Inflação, mostra que não há pressão do Planalto no sentido de se evitar o retorno de uma taxa básica de juros de dois dígitos na economia.

O documento revelou que o Banco Central vai continuar mantendo o ritmo de alta da taxa Selic. Isso significa que na próxima reunião do Copom, a ser realizada nos dias 26 e 27 de novembro, a taxa básica de juros atingirá o patamar de dois dígitos, aos 10% ao ano.

O conteúdo é praticamente o mesmo observado na ata da reunião do mês de agosto. O Banco Central continua expressando preocupação com as expectativas de inflação, destacando certa resistência à correção na trajetória dos preços. Segundo os diretores do Copom, a demanda doméstica deve permanecer robusta, sustentada pelo crescimento da renda e aumento moderado do crédito. A manutenção do quadro de aquecimento da demanda, juntamente com o cenário de retomada dos investimentos, contribui para que o ritmo de atividade econômica seja mais intenso neste ano e em 2014. Consequentemente criam-se condições para sustentação do nível de pressão sobre os preços.

A decisão de política monetária foi baseada no seguinte cenário de referência: manutenção da taxa de câmbio em R$2,20 e da taxa Selic em 9% ao ano em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião. Para 2014 a projeção de inflação também recuou. Porém, em ambos os casos, permanece acima da meta de 4,5%.

Aliás, as projeções do Banco Central apontam para inflação acima da meta até o terceiro trimestre de 2015, levando em consideração a manutenção do cenário de referência descrito no parágrafo anterior.

Cabe ressaltar que as atas do Copom não divulgam as novas projeções de inflação. O Banco Central informa apenas se estes números aumentaram ou diminuíram em relação à última reunião de Comitê e se estas novas estimativas estão acima ou abaixo da meta a ser perseguida (4,5%). As projeções de inflação informadas no último Relatório de Inflação são de 5,8% para este ano e 5,7% para 2014.

Outro aspecto importante merece ser destacado. Apesar da redução da taxa de câmbio no cenário de referência, seguindo a oscilação de curto prazo do dólar, o Banco Central não alterou sua avaliação de mercado, reconhecendo a mudança significativa atualmente em curso no quadro global, o que reforça a percepção de valorização gradual da moeda em prazos mais longos.

O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária.”

Finalizando com a necessidade de moderar a expansão do crédito e “combater” a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, o Copom esboçou suas justificativas para dar “continuidade ao ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”.

Talvez, o ponto mais interessante a ser observado nesta ata do Copom não é a manutenção do ritmo de aperto monetário para a próxima reunião de Comitê, mas sim a sinalização de que este ciclo continuará no próximo ano, entretanto num ritmo menor (ajustes de 0,25 p.p.). Além de não ser possível observar a presença do limitador político nas decisões dos diretores do Copom, pode-se notar que o Banco Central ainda não está preocupado em arrumar o terreno para o fim do ciclo de aperto monetário.

A perspectiva de um ritmo menor na elevação da taxa Selic em 2014 está baseada nestas duas indicações da ata: (i) “Para o Comitê, criam-se condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade.” (ii) “O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação.”

A primeira indicação (i) não é nova, apareceu pela primeira vez na ata da reunião do mês de agosto. A segunda indicação (ii) é nova e apareceu pela primeira vez na ata divulgada nesta quinta-feira. Até a reunião do mês de agosto, o Banco Central considerava que existia uma piora na percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Já na reunião do mês de outubro, o Banco Central passou a entender que esta piora na percepção dos agentes não existe mais.

A eliminação de uma simples palavra do comunicado (“piora”) alterou o sentido da frase. Isso significa que o Banco Central está conseguindo retomar a confiança dos agentes econômicos através de um ciclo de aperto monetário mais intenso do que se esperava, minimizando, desta forma, os riscos de indexação nos preços.

Estas duas variáveis (independente se a primeira é controversa ou não, pois estamos partindo do ponto de vista da avaliação do Banco Central) oferecem condições para redução do ritmo de aperto monetário no início do próximo ano.

A sinalização de continuação do ciclo de aperto monetário não tem provocado oscilações relevantes no mercado de juros futuros. Os preços dos títulos públicos brasileiros estão se movimentando dentro de um ponto de equilíbrio de curto prazo, já que a pressão dos Yields norte-americanos diminuiu significativamente nas últimas semanas. Após a máxima registrada aos 2,98% no início do mês de setembro deste ano, a taxa de juros do título de 10 anos dos Estados Unidos voltou a ceder mesmo com o recente impasse na política do país e atingiu os 2,61% nesta quinta-feira, menor cotação dos últimos dois meses.

Nas bolsas de valores o índice Dow Jones fechou o pregão de lado, mostrando reação após se aproximar da linha central de bollinger do gráfico diário. Mercado segue dentro da pernada de alta iniciada na região dos 14.7k, sem novidades.


No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 1,10% pressionado pela queda das ações da OGX, Petrobras e do setor siderúrgico. Com o tombo desta quinta-feira, a linha de resistência na região dos 56k foi mantida, formando uma região de topo duplo. A sinalização não invalida a tendência de alta de curto e médio prazo. A formação de um novo fundo ascendente acima da região dos 52k garantirá melhores condições de rompimento à referida linha de resistência.