terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Banco Central altera mensagem de política monetária


O Relatório de Inflação do Banco Central divulgado hoje alterou a mensagem de política monetária constatada na última ata do Copom.

Na ata divulgada no dia 11 de dezembro, o Banco Central afirmava que “considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.”

Este trecho foi totalmente removido e deu lugar a uma nova afirmativa: “o Comitê irá fazer o que for necessário para que no próximo ano a inflação entre em longo período de declínio, que a levará à meta de 4,5% em 2016.”

A mensagem é mais firme e sinaliza possibilidade relevante de continuação do ritmo de aperto monetário em 0,50 p.p., ao contrário do que sinalizava a última ata do Copom.

As projeções do Banco Central para a taxa inflação subiram para 6,4% em 2014, 6,1% em 2015 e 5,0% em 2016. No Relatório de Inflação do terceiro trimestre de 2014 (publicado no mês de setembro), o Banco Central estimava inflação de 6,3% em 2014 e 5,8% em 2015. As estimativas foram calculadas levando em consideração a manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,55 e taxa Selic em 11,75% durante todo o horizonte de projeções.

não havia espaço para utilização de uma postura parcimoniosa antes da última reunião de política monetária. Com a piora nas projeções de inflação, mostrando IPCA bem distante do centro da meta nos próximos 12 meses, pelo menos, o Banco Central não teve outra opção. Voltou atrás e eliminou sua indicação de postura parcimoniosa antes mesmo de ser implementada na prática.

Este novo trecho apresentado no Relatório de Inflação é mais firme. Sinaliza comprometimento com a “nova meta” a ser perseguida: inflação em 4,5% ao ano até o fim de 2016. Tarefa difícil, devido ao processo, em curso, de realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais (efeito câmbio) e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres (alta de 6,2% estimada para 2015), ambos citados no documento. Duas poderosas fontes de pressões inflacionárias já confirmadas para o próximo ano, que exigirão certa distância de uma postura parcimoniosa da autoridade monetária.

No mercado de capitais o índice Bovespa segue mantendo o movimento de recuperação sem apresentar novidades. A superação dos 48.7k abriu espaço para continuação do movimento ascendente iniciado na região aleatória dos 45.8k, levemente acima da importante linha de suporte dos 44.9k.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em alta pelo quinto pregão consecutivo, renovando a máxima histórica, sem apresentar novidades.
  

Feliz Natal a todos e um ótimo Ano Novo!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parcimônia é para quem pode


A presença da palavra “parcimônia” na comunicação de política monetária do Banco Central brasileiro mexeu com o mercado financeiro nacional e levantou duras críticas de economistas e analistas.

O mercado esperava um tom mais agressivo no comunicado, fazendo jus à intensificação do ritmo de aperto monetário (de 0,25 p.p. para 0,50 p.p.). Mas aconteceu o oposto. O texto mostrou que Banco Central será mais cauteloso no ano que vem, apresentando sinais de pretensão de redução do atual ritmo de aperto monetário para 0,25 p.p. A parcimônia do Banco Central brasileiro frustrou o mercado, que descontou sua ira nos preços dos ativos, principalmente na curva de juros futuros.

Na tarde desta quarta-feira o FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) alterou um importante trecho em seu comunicado de política monetária. Tal como a autoridade monetária brasileira, o FED também está mais "parcimonioso".

A famosa expressão “tempo considerável” (ou “horizonte relevante”), utilizada para caracterizar por quanto tempo o FED pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários, foi eliminada do comunicado. Agora, o Banco Central norte-americano afirma que vai adotar uma postura "paciente" para decidir quando elevar os juros.

Este é o primeiro e importante passo de mudança direcional da política monetária. Tem a função de antecipar (e se possível preparar) ao mercado a possibilidade considerável de elevação da Federal Funds Rate (taxa básica de juros) em meados de 2015.

Por outro lado (como de costume nos comunicados do FED), a autoridade monetária norte-americana frisou no comunicado que a nova orientação de política é consistente com a versão anterior, de que provavelmente será apropriado manter a Federal Funds Rate entre zero e 0,25% por um tempo considerável após o programa de compra de ativos encerrado em outubro deste ano.

Ou seja, o FED abandonou o termo “tempo considerável” na sua orientação de política monetária, mas a expressão voltou aparecer no parágrafo seguinte, embora sob outra ótica. Essa é uma estratégia utilizada possivelmente na tentativa de conter os ânimos dos investidores, em meio a aflição constatada nos últimos dias.

O FED não só antecipa a possibilidade relevante de elevação da taxa básica de juros, mas também garante tempo para que os players de mercado possam fazer realocação de portfólio nos próximos meses, sem pressa. É um ponto crucial para evitar volatilidade excessiva no mercado e, consequentemente, exigir atuação dos banqueiros centrais.

A garantia do tempo vendida pelo FED pode estar respaldada na perspectiva de inflação abaixo da meta de 2% no ano que vem, estimulada pela recente correção nos preços das commodities. A mediana das projeções dos membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central dos Estados Unidos aponta para inflação entre 1% a 1,6% em 2015, de 1,7% a 2% em 2016 e de 1,8% a 2% em 2017.

A mediana das estimativas para a taxa de desemprego está entre 5,2% a 5,3% em 2015, inferior ao prognóstico anterior de 5,4% a 5,6%. Para 2016 a estimativa é de 5% a 5,2% e para 2017 a projeção está entre 4,9% a 5,3%. Já com relação ao PIB (Produto Interno Bruto) de 2015, a perspectiva está entre 2,6% a 3%. Para 2016, entre 2,5% a 3% e para 2017 entre 2,3% e 2,5%.

No que se refere à Federal Funds Rate, a mediana das projeções dos membros do Comitê recuou para 1,125% ao final de 2015. Em setembro deste ano a previsão era de juros em 1,375% no encerramento de 2015. Para o fim de 2016, a estimativa é de 2,5% e para o final de 2017, de 3,625%.

As projeções menos otimistas dos membros do FED para a taxa de inflação e taxa de juros tendem a acalmar os fluxos intensos no mercado e corroboram com o fator tempo.

Além disso, o Banco Central norte-americano segue afirmando seu objetivo de criar condições para o máximo emprego e inflação de 2%. Consequentemente, esses indicadores econômicos continuarão sendo guias relevantes no processo de tomada de decisão no futuro. Caso os números mostrem avanço mais rápido em direção às metas de emprego e inflação, a Federal Funds Rate deverá subir mais rápido do que o esperado. Da mesma forma, se os números mostrarem progressos mais lentos em direção às metas de emprego e inflação, a Federal Funds Rate deverá subir mais tarde do que o esperado.

Em uma entrevista coletiva concedida à imprensa logo após o término da reunião de política monetária, a chair do FED, Janet Yellen, definiu aos repórteres que a nova palavra "paciente", utilizada no comunicado do Banco Central, pode ser traduzida em "pelo menos duas reuniões". Isso significa que o FED, muito provavelmente, não iniciará o ciclo de aperto monetário até o mês de abril do próximo ano, quando ocorrerá o terceiro encontro. Posteriormente, Yellen reforçou que “isso não aponta para nenhum tempo pré-marcado ou pré-determinado”.

Quando o ciclo de aperto monetário começar, a presidente do FED antecipou que a autoridade monetária não vai repetir o padrão adotado na década passada, em ritmo de 0,25 p.p. a cada reunião. Yellen disse que o Banco Central vai elevar o juro num ritmo que será “determinado pela evolução dos indicadores”.

A paciência do FED expressa no comunicado está alinhada à parcimônia do Banco Central brasileiro. Mas existe uma grande diferença de cenário entre os dois. O FED pode ser paciente para subir os juros, pois a taxa de inflação segue abaixo da meta e as projeções recuaram para o ano que vem. Já o Banco Central brasileiro quer enfrentar com parcimônia a inflação persistentemente elevada, sem que as projeções apontem cumprimento da meta de 4,5% em nenhum momento até o terceiro trimestre de 2016.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em forte alta de 3,63%, impulsionado pelo movimento de alívio constatado nas principais praças financeiras mundiais. O choque de juros provocado pelo Banco Central da Rússia começa a emitir sinais positivos ao impedir a continuação da expressiva desvalorização do rublo frente ao dólar, fato que respingou nas moedas e títulos da dívida soberana dos demais mercados emergentes.

O movimento de hoje na bolsa brasileira confirma fundo, a princípio temporário, na região dos 45.8k. O respiro pode ganhar força caso a região dos 48.7k (antigo suporte, atual ponto de pullback/resistência) seja retomada nos próximos pregões.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones marcou fundo levemente acima da média móvel simples de 200 períodos diária, impulsionado pelo resultado da reunião do FED.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Tempo considerável está com tempo esgotado


A famosa expressão “tempo considerável” (ou “horizonte relevante”), utilizada para caracterizar por quanto tempo o FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários, pode estar com seu tempo esgotado nos comunicados da autoridade monetária norte-americana.

Predominante em quase todo o ano de 2014, a expressão adotada pelo FED tornou-se o principal driver dos mercados no mundo inteiro. Juntas, essas duas palavras reabriram portas para o fluxo de capital aproveitar, temporariamente, retornos atrativos em ativos de risco até mesmo em praças financeiras que não possuem grau de investimento.

A contínua melhora dos indicadores econômicos norte-americanos é a principal sinalização de que o FED precisará abandonar o “tempo considerável” e adotar uma nova expressão para preparar o mercado, com a devida cautela, às importantes mudanças de política monetária que deverão surgir em 2015.

Mas o fato de os indicadores econômicos estarem se deslocando em velocidade considerável à meta informal do FED (principalmente no que se refere ao mercado de trabalho) acaba camuflando, ou jogando para segundo plano, as atenções do mercado (mas não do Banco Central norte-americano) em dois pontos importantes.

O primeiro deles é o rali do dólar contra as demais moedas globais. Grande parte da significativa valorização deste ano foi provocada pela reabertura de mercado para o dólar norte-americano se aventurar em “playgrounds distantes”.


O gráfico acima mostra a dimensão deste movimento. Com o sistema norte-americano operando em elevada liquidez (fruto dos programas de estímulos monetários), o dólar transbordou para todos os cantos do planeta.

Esse transbordamento foi importante para manter a inflação abaixo da meta nos Estados Unidos, enquanto o FED despejava novos dólares no sistema. Indiscutivelmente o programa funcionou. A primeira fase eliminou o risco de uma catástrofe financeira. A segunda fase construiu a base de sustentação para a economia sair do buraco. A terceira fase recolocou parte dos desempregados no mercado de trabalho. Tudo isso com a inflação sempre abaixo da meta, um feito histórico.

Mas economia nunca foi uma ciência perfeita. Enquanto se resolve um problema, cria-se outro. O próximo passo do FED é impedir que o transbordamento de dólares atrapalhe o processo de retomada do crescimento. A maior economia do mundo não quer perder competitividade com uma moeda muito mais forte que as demais.

Para isso, o FED precisa chamar parte desses dólares transbordados de volta aos Estados Unidos. Esse processo poderá suavizar o rali, ou mesmo estabelecer um ponto de equilíbrio frente às principais moedas globais, garantindo a competitividade da indústria norte-americana. Tarefa relativamente simples. Uma singela mudança de expressão no comunicado será suficiente.

O desembarque de dólares no sistema financeiro norte-americano contribuirá, inevitavelmente, para aumentar as pressões inflacionárias domésticas. Esse é o segundo ponto importante que também está relativamente camuflado das atenções do mercado. O FED precisa da inflação para subir os juros. As duas juntas (inflação e juros) serão as primeiras ferramentas que iniciarão o processo de desalavancagem do sistema, ainda que de forma bastante tímida, mas importante para uma fase de “testes” e avaliação de comportamento do mercado.

Com o retorno da inflação e a subida gradual da taxa básica de juros fazendo o processo inicial de desalavancagem do sistema, o FED tentará conduzir os juros futuros para uma nova trajetória (ascendente) de forma menos traumática possível.


No gráfico acima podemos notar que a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano trabalha próxima da mínima do ano, bem distante do objetivo projetado para a Federal Funds Rate (taxa básica de juros) nos próximos três anos.

Para se aproximar do objetivo da Federal Funds Rate, a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano precisa superar com folga o patamar de 3% ao ano. É um caminho longo, onde o FED tentará conduzi-lo de forma mais gradual possível.

Com a economia mostrando sinais de que estará forte o suficiente para aguentar as mudanças relevantes de política monetária nos próximos anos, os membros do Comitê de Política Monetária do FED se reunirão na próxima semana para dar a primeira sinalização ao mercado de que o “tempo considerável” está com tempo esgotado.

Adiar esta importante sinalização pode não ser uma boa ideia, já que a reunião da semana que vem será acompanhada por uma coletiva à impressa concedida pela chair do FED, Janet Yellen. A entrevista de Yellen será importante para reforçar o conteúdo do comunicado e, ao mesmo tempo, tranquilizar o mercado.

O FED não tem outra coletiva marcada até março do ano que vem. Alterar pontos delicados no comunicado, sem o respaldo de uma entrevista coletiva da presidente da instituição, é arriscado demais. O mercado, estressado, pode se precipitar demais ou não captar corretamente a mensagem transmitida pela autoridade monetária.

A reunião de dezembro é uma janela de oportunidade para o FED. Adiar essa importante sinalização para o final do primeiro trimestre de 2015 significa comprar um tempo considerável que os Estados Unidos não tem. O dólar está em rali. A inflação está pronta pra pisar no acelerador. Os juros futuros estão desconectados da política monetária e as bolsas sobrevalorizadas podem formar bolhas. A autoridade monetária precisa agir, pois, agora, o fator tempo joga no outro time.

No Brasil, a ata do Banco Central confirmou nesta semana a pretensão de redução do ritmo de aperto monetário, de 0,50 p.p. para 0,25 p.p., na próxima reunião do Copom a ser realizada no mês de janeiro.

As projeções para inflação realizadas no cenário de referência com dólar a R$ 2,55 e taxa Selic em 11,25%, na última reunião do Copom apontaram para inflação acima da meta em todo o horizonte de projeções (que vai até o terceiro trimestre de 2016). Destaque para antecipação do Banco Central ao afirmar na ata que a inflação permanecerá elevada em 2015. A trajetória de conversão para a meta é mais visível apenas em 2016, o que não deixa de ser algo preocupante.

O dólar x real segue trabalhando dentro da tendência de alta, com aceleração do movimento nos últimos dias. Os juros futuros já devolveram boa parte do movimento corretivo que se iniciou no começo do mês de novembro, buscando retomar as máximas de 2014.

A bolsa de valores permanece em tendência de queda iniciada na região dos 62.3k. A perda do suporte dos 48.7k provocará o acionamento de um grande pivot de baixa, aumentando a força da tendência predominante.


A bolsa de Bombay, na Índia, também segue trabalhando dentro de um movimento corretivo, iniciado no começo deste mês, após renovar máxima história na região dos 28.8k.


Tal como ocorre no Brasil, a correção no mercado mexicano está mais avançada. A bolsa do México perdeu a importante região de sustentação dos 253 pontos, fragilizada pela perda da média móvel simples de 200 períodos diária, fato responsável por acelerar o movimento corretivo.


A bolsa de Xangai, na China, é um caso isolado devido às mudanças relevantes na legislação doméstica. O governo chinês abriu a bolsa de Xangai para investidores estrangeiros e também permitiu que investidores de Hong Kong possam operar na bolsa de Xangai e vice-versa. As mudanças provocaram uma corrida para compras sem precedentes em Xangai. O principal índice de ações subiu cerca de 50% desde a mínima registrada no mês de junho deste ano.


No Japão, o principal índice da bolsa de Tóquio iniciou movimento corretivo esta semana, após renovar a máxima do ano.
  
  
Os principais índices acionários na Europa também voltaram a mostrar pressão vendedora. Na Alemanha, o índice DAX tende se sustentar acima da LTA dos 8.3k.


Na Inglaterra, a bolsa de Londres acelerou o movimento corretivo esta semana após perder a média móvel simples de 200 períodos diária.


Além das pressões externas, dos graves problemas econômicos internos e da briga contra os russos, a União Europeia volta a ser ameaçada pela velha e conhecida Grécia. O Parlamento grego vai fazer uma votação para escolher um novo presidente já na próxima semana (17 de dezembro), dois meses antes do previsto.

Se não conseguir eleger um novo presidente para substituir Karolos Papoulias, o Parlamento será dissolvido e, consequentemente, iniciará o processo para a realização de novas eleições gerais. Isso abriria espaço para o partido radical de esquerda Syriza (que por sinal está cada vez mais forte) chegar ao poder. A principal proposta do Syriza é acabar com o programa de austeridade e as reformas necessárias para o País receber os resgates parcelados da União Europeia e FMI (Fundo Monetário Internacional).

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários iniciaram movimento de correção após renovar a máxima histórica no começo desta semana. O primeiro ponto de apoio no índice Dow Jones está localizado na região dos 17.3k.


Bom final de semana a todos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Importações chinesas decepcionam mercado


A Administração Geral de Alfândegas informou nesta segunda-feira que as importações chinesas despencaram 6,7% no mês de novembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações subiram 4,7%.

Os números causaram uma grande decepção no mercado. Esperava-se aumento de 8,2% nas exportações e avanço de 3,9% nas importações, o que ainda assim já mostrava desaceleração sobre o mês de outubro.

A forte contração das importações chinesas pegou o mercado de surpresa. É o desempenho mais fraco desde a crise de 2008 (sem considerar a volatilidade provocada pelo Ano Novo Lunar, principal feriado no País). Consequentemente, os dados divulgados hoje alimentaram especulações de que o gigante asiático está enfrentando uma desaceleração mais forte do que o prognóstico que se tinha até ontem.

Por outro lado, os números aumentam a pressão para o governo chinês fazer mais e estimular o crescimento, principalmente no que se refere ao avanço nas medidas de estímulos monetários. O ciclo se iniciou no dia 21 de novembro.

Líderes do Partido Comunista chinês vão se reunir amanhã para discutir as estratégias a serem implementadas no próximo ano. Correm boatos no mercado de que alguns conselheiros influentes estão recomendando corte da meta de crescimento para 7% em 2015. As taxas de juros, meta de inflação e compulsório também podem ser reduzidas no primeiro trimestre do próximo ano.

Outro dado negativo vindo da Ásia reforçou o clima de aversão ao risco no mercado. Dados revisados do PIB (Produto Interno Bruto) japonês mostraram que a economia contraiu 0,5% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o segundo trimestre de 2014, superior à preliminar de 0,4%. Os números confirmaram recessão mais forte do que se esperava na economia japonesa. A expectativa do mercado era de contração de apenas 0,1% no PIB do terceiro trimestre.

Na Europa, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da Itália de BBB para BBB- (mesma nota do Brasil), devido ao fraco crescimento e baixa competitividade da indústria. Segundo a S&P, esses fatores prejudicam a sustentabilidade da dívida pública italiana.

A nova bateria de indicadores negativos atingiu em cheio as principais praças financeiras mundiais, com destaque aos países que apresentam maior vulnerabilidade (que é o caso do Brasil). Não apenas pela forte exposição ao mercado de commodities, mas, principalmente, pelo grande acúmulo de problemas domésticos nos últimos anos.

O Ibovespa tombou 3,3%, mostrando novamente um marubozu de baixa (sinalizando aumento da pressão vendedora, que já era dominante), aproximando-se da região de suporte fragilizada dos 48.8k.



Nos Estados Unidos o índice Dow Jones formou resistência na região psicológica dos 18k, após uma arrancada ininterrupta de mais de 2.000 pontos nos últimos 2 meses. Mercado sobrecomprado, trabalhando movimento natural de alívio.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

“Totozinho” no acelerador


A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) terminou agora pouco atendendo as expectativas do mercado. A taxa básica de juros subiu 0,50 p.p., para 11,75% ao ano. O Banco Central intensificou o aperto monetário, confirmando o discurso mais duro com relação à inflação feito pelo presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, na semana passada.

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, também sinalizou, em meados de novembro, que a instituição poderia intensificar o ritmo de aperto monetário. Hamilton havia afirmado que “o Copom não será complacente com a inflação. Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos."

Entretanto, o comunicado emitido após a reunião de Comitê foi polêmico. Segue abaixo:

“O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic e elevá-la em 0,50 p.p., para 11,75% a.a., sem viés.

Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia.”

No primeiro parágrafo pode-se notar a presença da expressão “neste momento”, com destaque entre as vírgulas, com objetivo de frisar que a intensificação do aperto monetário é temporária e, muito provavelmente, o ritmo deverá ceder para aumento de 0,25 p.p. na próxima reunião de Comitê.

No segundo parágrafo o Banco Central utilizou a palavra parcimônia para reforçar a sinalização da expressão “neste momento” presente no parágrafo anterior.

Em outras palavras, o comunicado mostra que o Banco Central deu apenas um “totozinho” no acelerador do automóvel. A intenção não é correr, mas sim fazer barulho.

O barulho é necessário para manter a estratégia, em curso, de reconquista da confiança do mercado na política monetária. Juros mais elevados criam choques de credibilidade e, além disso, sinalizam um Banco Central diferente no segundo mandato da presidente Dilma. Mostram uma autoridade monetária mais comprometida com a política de metas de inflação.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em alta de 1,37%, trabalhando um movimento de alívio após as seguidas quedas registradas desde a formação da nova resistência na região dos 57.4k.


O respiro desta quarta-feira ainda é insuficiente para reverter a tendência de baixa iniciada na semana passada. Destaque para agenda pesada desta semana (tanto interna, quanto externa) com alto potencial de impacto sobre os preços nos próximos pregões.

Na Europa, as principais praças financeiras fecharam mais um pregão em alta. Há grande expectativa no mercado quanto à reunião do BCE (Banco Central Europeu) que termina amanhã. Espera-se anúncio de mais estímulos, em resposta à manutenção da deterioração dos indicadores econômicos na zona do euro.

Já os principais índices de Wall Street renovaram, mais uma vez, suas respectivas máximas históricas, mantendo inalterada a tendência de alta de curto, médio e longo prazo sem apresentar novidades.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O tombo do medo


A semana começou com o noticiário externo nada positivo. Logo no início da manhã, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou o rating do Japão em um degrau, de Aa3 para A1 (cinco níveis acima da nota mínima para grau de investimento) e manteve a perspectiva estável.

Daqui a duas semanas haverá eleição antecipada no País, onde o atual primeiro-ministro, Shinzo Abe, busca a reeleição para conseguir implementar suas políticas de estímulo econômico e adiar um aumento do imposto sobre vendas. A Moody’s alegou que essas medidas dificultarão o Japão de alcançar sua meta de equilibrar o orçamento até 2020.

O rebaixamento do Japão acelerou a procura por ativos mais seguros nas principais praças financeiras mundiais. Dólar contra cesta de moedas globais segue trabalhando próximo da máxima do ano e a taxa de juros do título de 10 anos do Tesouro norte-americano voltou a encostar na mínima do ano.

As commodities também foram penalizadas com indicadores mostrando desaceleração da atividade manufatureira na zona do euro. O Índice Gerente de Compras despencou para 50,1 pontos no mês de novembro, nível mais baixo desde junho de 2013. Na China, o Índice Gerente de Compras caiu de 50,4 pontos em outubro para 50 pontos em novembro, nível mais baixo dos últimos seis meses.

Dados da balança comercial brasileira divulgados hoje confirmam nossa vulnerabilidade. O déficit de 2,350 bilhões de dólares em novembro é o pior resultado da história para o mês e o maior déficit mensal em 2014. No acumulado deste ano, o déficit da balança comercial saltou para 4,221 bilhões de dólares, o pior resultado para o período de janeiro a novembro desde 1998 (ano que antecedeu o super ciclo de alta das commodities).

Além do quadro externo negativo, o mercado interno foi duramente abatido por especulações em torno da volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), possível implementação de tributação de dividendos e extinção de JCP (Juros Sobre Capital Próprio).

São três propostas absurdas. O governo não precisa voltar com a CPMF para conseguir reequilibrar as contas, mas infelizmente o seu retorno parece estar ganhando força nos bastidores. A tributação dos dividendos e extinção do JCP é um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta é polêmica, barra na questão da dupla tributação, mas ainda assim preocupa todos os empresários e investidores no Brasil.

O índice Bovespa tombou 4,47%, sinalizando total desaprovação do mercado frente às especulações citadas nos dois parágrafos anteriores. O marubozu desta segunda-feira mostra intensificação da força vendedora no curtíssimo prazo, ameaçando a tendência de alta de curto prazo iniciada na região dos 48.8k.


Ainda nesta segunda-feira, a Presidência da República informou em nota a nomeação do senador Armando Monteiro Neto para ocupar o cargo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Monteiro disse em entrevista coletiva que as grandes empresas do País devem buscar alternativas ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como fonte de captação de recursos para investimentos e defendeu reformas microeconômicas para melhorar o ambiente tributário e regulatório.

O novo ministro também defendeu a renovação do parque fabril brasileiro, um novo arranjo institucional que estimule a inovação e o estabelecimento de metas claras para medir o avanço da competitividade no País. São propostas excelentes e, talvez, otimistas demais. Difícil vislumbrar margem de manobra para que todas elas sejam implementadas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Música aos ouvidos do mercado


O comunicado emitido pelo Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira confirmou a equipe econômica amplamente especulada pelo mercado na semana passada. Joaquim Levy vai assumir o Ministério da Fazenda. Nelson Barbosa comandará o Ministério do Planejamento. Alexandre Tombini permanecerá à frente do Banco Central.

Tão importante quanto à confirmação dos nomes foi a primeira entrevista coletiva da nova equipe econômica. Levy foi muito inteligente ao anunciar, sem a menor cerimônia, que o governo perseguirá em 2015 uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto). A partir de 2016, a meta não será menor do que 2% do PIB. Ponto.

Esses números são a música que o mercado quer ouvir, pois revelam um resultado possível de ser alcançado. Não é tão (desnecessariamente) forte, e nem tão (ineficientemente) fraco. É um número “pé no chão” diante do quadro macroeconômico e da postura do governo. É um número que oferece, também, todas as condições para sustentar o grau de investimento da nota de crédito brasileira, já que apresenta condições para que, dentro do planejamento de Levy, provoque o declínio da relação dívida/PIB.

Além do superávit primário, o novo ministro da Fazenda listou outras prioridades: compromisso com a transparência, divulgação de dados tempestivos, abrangentes e detalhados das contas fiscais, redução da incerteza em relação ao setor público (em outras palavras, retomada da confiança dos empresários e consumidores, ponto extremamente relevante) e aumentar a taxa de poupança interna (neste último, ressaltando, ainda, que empresas e famílias sigam o mesmo caminho do governo).

Barbosa afirmou que trabalhará em conjunto com os demais membros da equipe econômica para fomentar o crescimento da economia, com controle rigoroso da inflação, estabilidade fiscal e geração de emprego. O novo ministro do Planejamento disse também que vai avaliar custos e benefícios de diversos programas do governo.

Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, foi muito duro com a inflação. Mostrou que a autoridade monetária está empenhada em provocar o recuo da inflação para o centro da meta no horizonte relevante (leia-se início de 2016). Destacou corretamente também o trabalho de elevada regulação do sistema financeiro nacional, o que de fato rende elogios ao Banco Central brasileiro no mundo inteiro.

Outro destaque importante está na sinalização direcional da política fiscal e monetária. Tombini afirmou que o fortalecimento da política fiscal por meio de um processo crível de consolidação de receitas e despesas facilitará a convergência da inflação para o centro da meta. Diferente do que acontecia no passado, as duas políticas tendem se deslocar na mesma direção daqui pra frente.

Em nenhum momento durante a entrevista dos três ministros houve indicação de manutenção da política anticíclica feita no primeiro mandato do governo Dilma. Este é outro fator de extrema relevância. A política econômica (espinha dorsal de todos os problemas dos últimos anos) vai mudar.

O primeiro passo desta mudança será o processo de reversão das inúmeras e incompreensíveis desonerações tributárias. O simples fato de acabar, gradualmente, com as desonerações, provocará aumento imediato na arrecadação do governo e amenizará o ambiente pesado no setor empresarial. Somente nos 10 meses deste ano, as desonerações tributárias somaram quase 85 bilhões de reais.

Com o fim das desonerações, microgerenciamento de gastos e o possível retorno da Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre combustíveis, Levy não terá dificuldade de alcançar a meta de superávit proposta para 2015.

Em suma, os nomes são excelentes e o discurso inicial dos ministros passou uma impressão melhor ainda. Ninguém está fora de órbita. Todos estão com os pés no chão. Querem reconquistar a credibilidade com o controle da inflação, ajuste fiscal crível e retomada do crescimento econômico.

Não há razão para justificar a tese de alguns analistas que esperavam algo a mais. Essa é a continuação de um governo que saiu vitorioso, mas que reconheceu a enorme pressão das urnas. Não é uma mudança brusca de rumo.

Não há razão, também, para duvidar da autonomia “concedida” à Levy. Ninguém em sã consciência aceitaria abandonar um cargo de elevado prestígio numa das maiores instituições financeiras do País para trabalhar como ministro, recebendo um salário bem menor, e ainda sob o risco de arruinar sua reputação no mercado. Levy terá o espaço que precisa para fazer o seu trabalho no Ministério da Fazenda.

O índice Bovespa fechou o pregão em baixa de 0,68% pressionado pelo mercado de commodities. O barril de petróleo do Brent atingiu o menor nível desde 2010, depois que produtores liderados pela Arábia Saudita venceram a discussão na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para manter a produção inalterada.

A queda desta quinta-feira não alterou o quadro técnico do índice Bovespa. Mercado em correção de curtíssimo prazo, retestando a antiga resistência dos 54.6k, sem afetar a tendência de alta de curto prazo.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Brasil entra em novo rali


Semana histórica para o mercado financeiro nacional. O dólar despencou. A bolsa disparou. Os juros futuros derreteram. Movimento de euforia generalizada. O impressionante desempenho dos ativos brasileiros é justificado por uma bateria de notícias e especulações positivas ao mercado.

Tudo começou na última quarta-feira quando a ata do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) mostrou discussões relevantes que não saíram no comunicado emitido ao final da reunião de Comitê no mês passado. O documento desta semana revelou que, na verdade, a autoridade monetária norte-americana continua “dovish” e tende a manter sua postura cautelosa por um bom tempo.

O conteúdo presente da ata do FED manteve a janela de oportunidade aberta para investidores/operadores especularem em ativos de risco, o que, de fato, proporciona condições para dar novo impulso aos ativos com retornos apetitosos em mercados emergentes.

O clima mais positivo criado pela ata do FED foi reforçado nesta sexta-feira pelo tom mais firme do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi. “Estamos dispostos a reavaliar a importância, o ritmo e a composição de nossas compras se for necessário para reforçar nosso mandato... e sem demora". Draghi ainda afirmou que “é essencial aproximar a inflação ao seu objetivo”.

O objetivo do BCE é manter a inflação ancorada na meta de 2%. Mas o aumento de preços na zona do euro está estancado a um nível muito fraco há bastante tempo. Em outubro, a inflação acumulada dos últimos 12 meses atingiu 0,4%.

As advertências mais firmes de Mario Draghi sobre a inflação baixa e disposição em reavaliar os estímulos são fortes indicativos de que o BCE deverá aumentar os programas de afrouxamento monetário na próxima reunião de Comitê a ser realizada no mês de dezembro.

Surfando a mesma onda “dovish” do FED e BCE, o Banco Popular da China surpreendeu os mercados nesta sexta-feira ao reduzir a taxa dos depósitos a um ano em 0,25 p.p., para 2,75%. A taxa de empréstimos a um ano sofreu corte de 0,40 p.p., para 5,6%. O Banco Central chinês também permitirá que os bancos paguem aos depositantes 1,2 vez a taxa de referência, acima de 1,1 vez anteriormente.

Essa é a primeira vez em mais de dois anos que o Banco Popular anuncia corte na taxa básica de juros. A prévia do Índice Gerentes de Compras sacramentou a decisão do Banco Central chinês. Segundo estudo do Instituto Markit, em parceria com o banco HSBC, a prévia do Índice Gerente de Compras do setor manufatureiro recuou para 50 pontos no mês de novembro, ante os 50,4 pontos registrados no mês de outubro.

O resultado de novembro é o mais baixo em seis meses e revelou que o mercado de trabalho está enfraquecendo. Além disso, as pressões sobre os preços estão fracas, o mercado imobiliário está desacelerando e a demanda interna precisa crescer mais para atender a capacidade de oferta. O PIB (Produto Interno Bruto) da China no terceiro trimestre recuou para 7,3%, nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009.

Vale ressaltar que a decisão sobre as taxas de juros na China vem após a surpresa do BoJ (Banco Central do Japão) na reunião de Comitê encerrada no 31 de outubro, marcada pelo aumento inesperado do já elevado volume dos programas de compras de ativos em bolsa e títulos da dívida soberana.

A sinalização de manutenção (ou aumento) da artilharia monetária dos principais banqueiros centrais mundiais impulsionou fortemente os preços dos ativos no mundo inteiro.

No Brasil não foi diferente. Além do arsenal positivo dos banqueiros centrais, o mercado nacional foi brindado com a fortificação dos boatos em torno dos nomes que integrarão a nova equipe econômica do governo Dilma.

Fontes de diferentes origens estão relevando os mesmos nomes, indicando que boa parte da equipe já está definida. Os boatos mostram que Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor-superintendente do Bradesco Asset Mangement, deve assumir o ministério da Fazenda. Levy é conhecido como um formulador de políticas ortodoxas e pró-mercado, tem credibilidade semelhante ao Trabuco (atual presidente do Bradesco, que, segundo boatos, recusou o convite, pois deve ocupar o cargo do Lázaro Brandão na presidência do Conselho do Bradesco).

Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, deve assumir o ministério do Planejamento. Barbosa pediu demissão em meados de 2014 por supostos desentendimentos com o ministro Guido Mantega. Isso por si só já é um bom sinal.

Outra mudança positiva deve acontecer no Tesouro Nacional. O atual diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, deve ser o novo secretário do Tesouro, ocupando a cadeira que hoje é do Arno Augustin (conhecido no mercado como grande maquiador das contas do governo). Lopes é funcionário de carreira do Banco Central, de formação bastante técnica. Trabalhou de maneira próxima a Levy quando era chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária. O atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deve continuar no cargo.

São profissionais altamente qualificados, de postura pró-mercado. Suas reputações valem mais do que um cargo importante no governo. Portanto, estima-se que o trabalho a ser executado nos próximos quatro anos será desenvolvido forma diferente daquele amplamente conhecido nos últimos três anos e meio. Em outras palavras, o intervencionismo do governo nas pastas deve a ser bem menor.

O mercado aprovou os nomes com razão e, mais do que isso, enxerga a necessidade de ajustes no ano que vem. Não há outra opção sobre a mesa. Com tantas notícias e especulações positivas, o índice Bovespa fechou a semana em forte alta, revertendo a tendência de curto prazo.


Mercado segue comprado para as próximas semanas. A superação da resistência tripla formada pela média móvel simples de 200 períodos semanal, linha central de bollinger e LTB dos 62.3k abrirá espaço para fortalecimento da tendência de alta de curto.

Bom final de semana!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ata do FED revela discussões relevantes que não saíram no comunicado


O comunicado do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos) emitido no dia 29 de outubro de 2014, após a reunião de Comitê, havia surpreendido o mercado ao mostrar uma postura mais "hawkish".

Até o dia 28 de outubro a autoridade monetária norte-americana avaliava que o mercado de trabalho operava em "significativa ociosidade". Esta avaliação mudou. O Banco Central dos Estados Unidos passou a considerar que “uma série de indicadores do mercado de trabalho sugere que a subutilização dos recursos de trabalho está gradualmente diminuindo.” A mudança é importante, pois o reconhecimento da melhora no mercado de trabalho é fator de decisão fundamental para os diretores do Comitê autorizarem o início do processo de aperto monetário no futuro.

Mas a ata divulgada hoje mostrou o “segredo” que não estava no comunicado emitido no final do mês passado. Muitos membros do FED disseram na reunião que a autoridade monetária precisa ficar mais atenta aos sinais de um declínio nas expectativas para a inflação. A queda dos preços das commodities e revisões para baixo nas perspectivas ao crescimento de importantes economias mundiais pode ter influenciado a discussão desta nova preocupação entre os diretores do Comitê de Política Monetária.

O documento também mostrou que alguns participantes afirmaram que o crescimento econômico no médio prazo pode ser mais lento do que o esperado atualmente caso as condições econômicas e a situação financeira no exterior se deteriorem de forma significativa.

Houve discussões entre os membros do Comitê com relação à manutenção da expressão “tempo considerável”, utilizada para caracterizar por quanto tempo o Banco Central pretende esperar para elevar a taxa básica de juros após o fim dos programas de estímulos monetários. Mas a ata não revelou nenhuma sinalização de mudança desta expressão para a próxima reunião a ser realizada no mês de dezembro.

Preocupações com a manutenção da inflação doméstica abaixo da meta de 2%, crescimento econômico global enfraquecido e discussões que não resultaram na mudança do termo “tempo considerável” mostram que, na verdade, o FED continua “dovish” e tende a manter sua postura cautelosa por um bom tempo. A novidade presente no comunicado emitido no dia 29 de outubro acabou emitindo um falso sinal ao mercado.

No Japão, o Banco Central decidiu manter sua promessa de aumentar a base monetária ao ritmo anual de 80 trilhões de ienes (cerca de 683 bilhões dólares) através da compra de títulos do governo e ativos de risco na bolsa de Tóquio. No mês passado, o Banco Central expandiu o seu programa de estímulo, admitindo que o crescimento econômico e a inflação não aceleraram tanto quanto o esperado.

Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que vai convocar eleições antecipadas para se firmar no poder, aproveitando o momento em que ainda possui popularidade para se reeleger. Abe quer manter suas políticas econômicas e adiar um impopular aumento do imposto sobre as vendas.

terceira maior economia do planeta encolheu inesperadamente no terceiro trimestre deste ano, impactada pelo primeiro aumento de impostos sobre as vendas (de 5% para 8%). O segundo aumento (para 10%) está programado para ser implementado no mês de outubro de 2015, mas Abe quer postergá-lo por 18 meses. O primeiro-ministro japonês está convicto de que conseguirá por fim à deflação com uma mistura de política monetária ultraexpansionista, gastos e reformas.

Na Europa, o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, disse que os programas de estímulos da autoridade monetária estão ganhando força, mas caso os esforços atuais não sejam suficientes para acelerar a recuperação da economia da zona do euro, o Banco Central irá fazer mais. Draghi espera uma recuperação modesta do crescimento no próximo ano e em 2016, sustentada pela política monetária do BCE e reformas em alguns países da zona do euro.

Na Inglaterra, a ata Comitê de Política Monetária do Banco Central britânico mostrou que sete membros votantes justificaram a manutenção da taxa básica de juros no recorde de baixa de 0,5% devido às fracas perspectivas para a inflação. Apenas dois membros discordaram da política monetária.

Entretanto, houve certa divergência de opiniões entre os membros que votaram a favor da política monetária. Alguns acham que o crescimento econômico pode suavizar mais do que o previsto e a inflação pode ficar abaixo da meta por mais tempo, o que deixaria a economia britânica vulnerável a choques se a taxa básica de juros subisse no curto prazo. Outros acham que a capacidade ociosa da economia pode ser eliminada mais rapidamente do que as previsões mais recentes, fato que alimentaria pressões inflacionárias, o que exigiria atuação do Banco Central.

Na China, os preços médios de novas moradias nas 70 maiores cidades do País cederam 2,6% em outubro ante o ano passado. Em comparação com o mês anterior, os preços de moradia caíram 0,8%, registrando a sexta queda mensal seguida.

O esfriamento do mercado imobiliário está contribuindo para a redução do consumo de commodities na China. A desaceleração econômica e elevada oferta (tanto nos portos, quanto nos produtores domésticos), derrubou o preço do o minério de ferro para 70 dólares a tonelada nesta quarta-feira, menor nível desde junho de 2009. O barril de petróleo do tipo light (negociado nos Estados Unidos) e do tipo brent (negociado na Inglaterra) também seguem em tendência de baixa, atingindo mínimas dos últimos anos.

A desaceleração na China atingiu o grupo siderúrgico Shanxi Haixin Iron and Steel (um dos maiores do País), que entrou com pedido de proteção judicial contra falência nesta semana. O preço do vergalhão usado na construção civil chinesa caiu cerca de um terço somente este ano.

A bolsa brasileira fechou em forte alta nesta quarta-feira, confirmando formação de fundo ascendente na região dos 50.9k. Movimento técnico relevante. Esta é a primeira formação de fundo ascendente desde a tendência de baixa iniciada na região dos 62.3k, fato que proporciona condições para o índice retestar o último topo descendente na região dos 54.6k. Em caso de superação, haverá sinalização de reversão da tendência de baixa para tendência de alta de curto prazo.


As declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, durante apresentação do boletim regional nesta última terça-feira em Florianópolis, contribuíram para retomada do otimismo no mercado nacional. Hamilton disse que “o Copom não será complacente com a inflação. Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos.”

A afirmativa não só confirmou a perspectiva de manutenção da política de aperto monetário nas próximas reuniões do Copom, como também abriu possibilidade de intensificação do ritmo de aperto monetário (passando de ajustes de 0,25 p.p. para 0,50 p.p.). As curvas dos contratos de juros futuros com vencimentos pós-2015 cederam fortemente após as declarações do diretor de Política Econômica do Banco Central, já que o maior rigor com a inflação no curto prazo tende a jogar o IPCA para o centro da meta até 2016 (que parece ser o “novo” objetivo do Banco Central), fato que abrirá espaço, portanto, para futura redução da taxa básica de juros.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Governo brasileiro desafia as agências de rating


As três principais agências de classificação de risco (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch) deixaram bem claro durante todo este ano que o processo de revisão no rating brasileiro leva em forte consideração a nova gestão das políticas econômica, fiscal e monetária a serem implementadas a partir de 2015, independente do vencedor das eleições presidenciais.

Não há mais espaço para contabilidade criativa, pedaladas, desonerações incompreensíveis e ineficientes, inflação persistentemente elevada e baixo crescimento. O dever de casa precisa ser feito para o Brasil não perder o grau de investimento.

Entretanto, ao invés de mostrar um voto de comprometimento com as difíceis tarefas a serem executadas a partir do ano que vem, o governo resolveu aproveitar o período de fim de festa fiscal (onde, teoricamente, não está sob vigilância) e acabar de vez com a folclórica meta de superávit primário. Agora, não há sequer esforço para maquiar os números, tamanho o rombo que se criou.

O governo acredita que a possibilidade de corte no rating só vale a partir de 2015. Mas propor mudança na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para aumentar o abatimento da “meta de superávit primário” é uma brincadeira de alto risco. Perde credibilidade, aumenta a desconfiança e deixa o mercado mais enfurecido.

É preciso mostrar seriedade com as contas públicas desde já. Não é porque 2014 está perdido que se pode fazer qualquer coisa, inclusive mudar a lei ao seu favor. A decisão sobre o rating brasileiro vai sair em 2015, mas já enviamos mais um sinal negativo às agências de risco antes mesmo de começar o ano.

No mercado financeiro doméstico as taxas de juros futuros aproximaram-se da máxima do ano e o dólar atingiu níveis registrados em 2005, aos R$ 2,59. A bolsa de valores cedeu 2,14%, sentindo a pressão da média móvel simples de 200 períodos diária.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais um pregão renovando a máxima histórica, sem apresentar novidades.